Mudanças

9 Capítulo 9


Armando chegou sorridente na Ecomoda. Estava impecavelmente vestido. Parou na porta de entrada e foi falar com Wilson.

–Doutor, o que te passou? -Wilson questiona ao ver que Armando está cheio de hematomas pelo rosto.

–Nada, Wilson. Foi uma briga. A Doutora Pinzón já chegou?

–Essa surra não deve ter lhe feito bem. A doutora não trabalha mais aqui.

–Ela chegou ou não,Wilson? -Armando já pergunta irritado.

–Não, doutor.

Nesse momento Betty chega de táxi e Armando fica deslumbrado ao ver como ela estava bonita. Ele corre até o táxi e a ajuda a descer.

–Betty, quando você entrar, não abaixe sua cabeça. Passe por todos de cabeça erguida. Você não fez nada de errado. O único culpado nessa história fui eu. Não deixe que te abatam como fizeram comigo. -Armando aconselha.

Betty ficou impressionada pelas palavras de Armando.

–Obrigada.

Betty entra junto com Armando, se não fosse pelo seu antigo Óculos que a denunciou, ela passaria despercebida pelo quartel que logo correu a abraça-la e a enche-la de perguntas. Armando, com seus característicos gritos, fez com que voltassem ao trabalho e encaminhou Betty até a sala de reunião onde aguardariam os outros.

Assim que entraram, Armando puxou uma cadeira para ela e sentou-se ao seu lado, o que a deixou um pouco incomodada com a proximidade.

–Doutor, posso fazer uma pergunta?

–A que você quiser, Betty.

–Alguém sabe o que aconteceu entre nós? -Betty pergunta envergonhada.

–Não, Beatriz. Achei melhor não falar nada por enquanto. Mas, se você quiser, eu te assumo agora mesmo perante toda a empresa. -Armando diz enquanto segura as mãos de Betty.

Betty começava a abaixar a guarda. Queria mais que tudo acreditar em Armando, mas tinha medo. Esse Armando que estava diante dela era bem diferente do que estava na maldita carta do Calderón, mas, mesmo assim, temia que fosse apenas mais uma mentira.

Nesse momento Roberto e Margarita chegaram o que tirou Betty de seus pensamentos. Ela rapidamente puxou suas mãos das mãos de Armando.

–Finalmente resolveu aparecer. -Roberto comentou.

–Me desculpe, senhor Mendoza. Estava em uma viagem e só agora pudê retornar. -Betty fala.

–Armando, o que arrumou agora? -Margarita questiona assustada ao ver os hematomas do filho.

–Não foi nada, mamãe. Uma briga boba que arrumei. -Armando responde sem dar importância.

Margarita e Roberto se acomodam nas cadeiras. Nesse momento o restante dos acionistas chegam: Daniel, Marcela, Hugo, Mario e os advogados.

Hugo e Marcela fazem comentários maldosos acerca da nova aparência de Betty. Beatriz, ao ouvir, abaixa a cabeça. Armando, por debaixo da mesa, lhe aperta uma mão.

–Cabeça erguida. -Ele fala baixo somente para Betty.

Betty lhe sorri. Aquele simples comentário havia lhe reestruturado.

A reunião tem inicio.

Daniel, Margarita e Marcela acusam Betty de fazer indevidas operações para roubar a Ecomoda. Ela apenas ouve a tudo calada. Armanda aguarda e assim que terminam de falar ele pede a palavra.

–Beatriz pode ter feito muitas coisas erradas, mas não é culpada de nada. Ela nunca concordou com nada disso. Se o fez, foi apenas por pedido meu. Se precisam acusar alguém, julgar alguém, esse alguém sou eu. Deixem a doutora Pinzón de fora disso. Ela sempre me advertiu dos riscos, mas eu nunca escutei. -Armando fala deixando Marcela irritada ao ver como ele a defende.

–Além de se enfiar em brigas de bar agora também virou defensor das feias. -Hugo ironiza.

–Os dois foram os culpados. Agiram contra todas as éticas possíveis. -Roberto comenta.

–Sei disso, senhor e estou aqui disposta a fazer o que for preciso para devolver a empresa. -Beatriz fala.

–Pois é justamente o contrário que preciso lhe pedir. Há uns dias era tudo o que eu mais queria, mas, pelo rumo que as coisas tomaram, se fizer isso será o fim da Ecomoda. Beatriz, eu queria lhe pedir exatamente o contrário: Queria que mantivesse o embargo até que quitemos as dívidas. -Roberto pede.

Cria-se uma grande agitação por parte de Daniel e Marcela. Eles são contra esse embargo, por eles venderiam o que restou da empresa e dividiriam os lucros. Roberto rapidamente grita e todos se calam.

–O que me diz, Doutora Pinzón? -Roberto questiona.

–Eu teria que pensar sobre o assunto, conversar com minha família primeiro. -Betty fala.

–Só não temos muito tempo. -Roberto fala.

–Seria só até amanhã. Amanhã eu já teria uma resposta. -Beatriz fala.

Dito isso, Roberto dá por encerrada a reunião. Todos se retiram de lá irritados. O único que não se importa é Mario. Ele ficou calado durante toda a reunião, apenas, vez ou outra, lançava algum olhar de deboche para Armando sem que os demais percebessem. Somente Betty e Armando ficam na sala.

–Posso falar uns minutos com você, Beatriz? -Armando pede.

–Eu preferia que não, doutor.

–Por favor, será rápido.

–Que seja rápido então.

Eles se encaminham até a sala da presidência. Betty não pode deixar de olhar com nostalgia sua antiga sala.

–Queria lhe agradecer por tudo, Betty. De verdade, não sabe como me alegra tudo o que está fazendo. -Armando fala com sinceridade.

–Como o seu Roberto disse, nós dois somos culpados.

–Eu fui o culpado.

–O que o senhor quer, doutor? Eu não estou com tempo.

–Queria lhe convidar para jantar. Como amigos, se é isso que lhe incomoda. Prometo controlar-me.

–Não. Não creio que ainda possamos ser amigos depois de tudo. Mais alguma coisa?

–Não. -Armando fala tristemente.

–Até amanhã então, doutor. -Betty diz já se retirando.

–Até amanhã, Beatriz. -Armando se despede enquanto fica vendo Betty se afastar e sumir ao virar o corredor.

Betty chega em sua casa e logo Nicolás e Hermes correm para indagar-lhe sobre o que está acontecendo.

Betty, com a ajuda de Nicolás, explica detalhadamente para Hermes o que aconteceu na empresa, o embargo precatório e a atual situação da Ecomoda. Hermes fica furioso. Acusa sua filha de não ter seguido os princípios dos Pinzón. Betty apenas ouve a tudo calada enquanto lágrimas lhe escorrem dos olhos. Julia a entende e tenta acalmar o marido.

–Se você foi capaz de fazer isso, Beatriz, você será capaz de consertar. Amanhã eu irei com você na empresa. -Hermes diz e se retira muito irritado para o quarto.

Julia consola a filha e diz que o pai cederá, só está irritado. Betty conhecia muito bem seu pai. Aquilo havia sido um duro golpe para ele e sabia que levaria tempo até ele perdoa-la e voltar a confiar nela.

Também sabia que a reunião do dia seguinte seria pior com a presença de seu pai, mas só estava colhendo os amargos frutos que ela concordou em plantar com Armando.

Continua.