Mudanças

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Olá, pessoal. Fui revisar o outro capítulo e encontrei pequenos erros ortográficos, me desculpem por isso, mas não consegui revisá-lo antes de postar. Já estão corrigidos.

Catalina havia saído do hospital. A concorrente que passara mal já estava bem, ela apenas tinha abusado da bebida. Catalina voltava sozinha em seu carro. A noite estava escura e as ruas desertas. Ela dirigia devagar. Ao passar por uma esquina próxima ao hotel, ela viu uma figura conhecida jogada na calçada. Achou que estivesse louca, mas, por desencargo de consciência, parou o carro. Sua mente não lhe enganara. Era Armando.

Catalina rapidamente correu até ele, agachou-se e tentou fazer com que ele se levantasse.

–Armando, por Deus! O que te passou? -Catalina questionou.

–Nada, me deixe aqui na sarjeta. -Armando falou com dificuldade devido a dor e ao seu estado de embriaguez.

–Não mesmo, nós vamos para um hospital agora mesmo.

Catalina o levantou com dificuldade e o colocou deitado no banco de trás de seu carro. Rumou de volta para o hospital.

Assim que levaram Armando para fazer os exames, Catalina ligou para Betty no hotel.

–Betty?

–Olá, dona Catalina. Está tudo bem?

–Comigo sim...

–E a concorrente?

–Está bem, não se preocupe com ela. Betty, não sei como vai reagir a isso, mas creio que tem o direito de saber.

–A senhora já está me assustando.

–Eu estava voltando para o hotel e ao passar pela esquina eu encontrei o Armando caído na rua. Ele está muito machucado. Parece que levou uma surra.

Betty congelou ao ouvir aquilo. Deixou até mesmo o telefone cair no chão. Após alguns segundos, voltou para a realidade, recolheu o telefone e voltou a falar com os olhos cheios d'água e a voz embargada pelo choro.

–Como ele está?

–Não sei, estão fazendo os exames. Estamos aqui no hospital.

–Me passe o endereço. Estou indo para aí.

Catalina dá o endereço do hospital para Betty que rapidamente pega sua bolsa, chama um táxi e corre rumo ao hospital.

No hospital, após ser examinado, Armando é deixado em observação. Ele foi medicado e agora estava em observação. A entrada de Catalina foi permitida e ela foi falar com ele.

–Queria se matar, Armando?

–Teria sido melhor, minha vida não vale mais nada.

–Uma empresa você reconstrói, uma vida não.

–Por isso tentei me matar. Não foi pela empresa. Uma vida por outra.

–E por qual vida você tentou se matar?

–A da Betty. Imagino que você já deva saber da história. Eu sei que matei aquela pobre mulher em vida.

–Sei da história sim. Só não entendo porque está assim se tudo foi um ardiloso plano seu e do Mario.

–Começou como um plano, mas me apaixonei no caminho.

–E o seu casamento com a Marcela? Foi há uns dias atrás, não foi?

–Eu cancelei o casamento no mesmo dia em que Betty me deixou.

–Isso é sério? Está mesmo apaixonado pela Betty ou é só remorso?

–Me apaixonei mesmo. Descobri que estavam aqui e vim na ilusão de que ela me perdoasse.

–Ela já te perdoou há muito. Só está magoada com você. O que fizeram com ela não se faz nem ao pior inimigo.

–Sei que não e me arrependo a cada segundo disso. Catalina, obrigado por tudo, especialmente por apoiar a Beatriz no momento que ela mais precisou.

–Não precisa agradecer. E como vai a empresa?

–Mal. Os sócios acham que Betty quer tomar a Ecomoda. Meu pai quer ir procurar a família dela se ela não voltar até amanhã.

–Isso é terrível! Ela precisa voltar para resolver os problemas.

–Já falei com ela, o Nicolás também, mas ela insiste em cumprir o contrato que tem com você.

–Eu vou conversar com ela. Agora é mais importante os assuntos da Ecomoda do que os daqui.

–Obrigado, espero que ela te escute.

–Agora descanse que eu vou fazer umas ligações e já volto.

Catalina sai e deixa Armando sozinho no quarto. Ela mentiu sobre as ligações, sairia para esperar Betty.

Minutos depois, Betty chega nervosa ao hospital. Assim que avista Catalina corre até ela.

–Como ele está? -Betty questiona assustada.

–Cheio de hematomas, com os olhos roxos, o nariz quebrado, mas vai sobreviver.

–Me alegra que não o mataram. Apesar de tudo não lhe desejo nenhum mal.

–Beatriz, ele está sofrendo e não creio que seja só pela empresa.

–Ela já a enganou também?

–Não, ele foi o mais sincero comigo. Sabia que ele não se casou?

Betty não sabia daquela notícia. Foi um choque para ela. Por dentro sentiu-se feliz.

–Não?

–Não. Ele me contou que cancelou o casamento no mesmo dia em que você se foi. Betty, você precisa conversar com ele e, mais que tudo, precisa voltar. Ainda tem muitos assuntos pendentes na capital.

–Mas e o contrato que eu tenho com a senhora?

–Eu consigo me virar sozinha. Veja o primeiro voo para amanhã e o reserve.

Betty abraça a Catalina.

–Obrigada por tudo, dona Catalina.

–Não precisa agradecer. Agora terei que ir porque a noite foi longa demais para mim. Precisarei tentar dormir ao menos uma hora.

–Tem certeza de que não quer que eu fique?

–Absoluta. Vá resolver seus problemas.

Catalina começa a retirar-se, mas para no caminho, se volta para Betty e fala:

–Ele está no quarto 115. Acho que seria bom se o visse.

Dito isso Catalina vai embora. Betty fica um pouco receosa, mas decide ir ver a Armando. Precisava certificar-se de que ele estava bem.

Se aproxima do quarto e, com cuidado abre a porta. A imagem que vê a deixa chocada. Armando dormia. Ele estava muito machucado e com evidentes manchas roxas pela cara. Seu nariz estava quebrado. Ele parecia tão frágil deitado na cama. Por um impulso de seu coração, Betty se aproximou da cama e, com cuidado, lhe afagou os cabelos. Era uma sensação estranha e boa poder tocar novamente o seu amado. Ficou assim por poucos segundos que lhe pareceram uma eternidade até que Armando acordou com aquele toque e lhe sorriu. Betty rapidamente afastou-se da cama.

–Eu estou morto? -Armando perguntou.

–Não, mas não foi por falta de tentativa, doutor Mendoza.

–Você é a pessoa que eu menos esperava ver.

–Apesar de tudo o que aconteceu, não lhe desejo mal. Catalina me contou e não pudê deixar de vir ver como estava.

–Isso significa que ainda me ama?

–Não, já apaguei esse sentimento. Vim porque precisava conversar com o senhor.

–Fale, por favor.

–Eu vou voltar para a Capital amanhã.

–Vai mesmo?

–Vou, mas já lhe advirto que será somente por questões profissionais. Não crie expectativas falsas. Vou pedir também que evite falar sobre o que aconteceu com nós.

–Será do jeito que você quiser.

Nesse momento o médico entra no quarto.

–Senhor Armando, a partir de agora o senhor pode ir. Vai ficar dolorido por uns dias, mas nada que uns analgésicos não resolvam. -O médico comunica.

–Obrigado, doutor. -Amando agradece.

O médico se retira do quarto.

–Em qual hotel está? -Betty pergunta tentando parecer indiferente.

–Em nenhum. Nem sei se vou conseguir um agora. Cartagena está cheia de turistas e os hotéis estão lotados. -Armando responde alegremente ao ver a preocupação de Betty com ele.

–Aguarde um momento. -Betty se retira do quarto e Armando fica curioso.

Ela liga para o hotel que está e averígua se ainda tem quartos disponíveis, por sorte um vagou e ela faz uma reserva em nome de Armando. Feito isso ela retorna para o quarto. Armando já havia se vestido e estava sentado na cama.

–Onde foi? -Armando pergunta.

–Te conseguir um lugar para dormir, não pode ficar zanzando pelas ruas nesse estado.

–Sempre cuidando de mim, não é?

Betty estremeceu com o comentário, mas preferiu não responder.

–Vamos logo. Temos que levantar cedo amanhã e ver se conseguimos um voo para Bogotá. -Betty diz se retirando do quarto.

Armando alegremente a segue. Percebeu que Beatriz não era indiferente com ele. Ele estava todo machucado, andava até com dificuldade por causa da dor, mas estava feliz, sua Betty ainda se importava.

Betty estava se segurando o máximo que podia para não correr e abraça-lo. Lhe cortava o coração ver Armando naquele estado.

Ela andava um pouco devagar para que Armando pudesse acompanha-la atá o lado de fora. Chegando lá, eles ficaram parados, próximos um ao outro, enquanto aguardavam o táxi.

Armando muito mal conseguia ficar de pé. Todo seu corpo lhe doía. Num passo em falso, desequilibrou-se e foi rapidamente amparado por Beatriz. O simples toque dela o fez estremecer. Ela o ajudou a ficar em pé e nesse momento o táxi chegou.

Beatriz amparou Armando até o carro. Ele sentou-se na frente e ela na parte de trás. Seguiram para o hotel. Chegando lá ela ainda o ajudou a chegar no quarto e a deitar-se na cama. Armando estava deslumbrado ao ver como ela ainda se importava. Beatriz recolheu sua bolsa e começou a retirar-se do quarto.

–Se precisar de algo, basta ligar para o meu quarto. -Betty diz já se retirando.

–Eu preciso. -Armando diz e Betty para de costas para ele, mas não se vira.

–De que você precisa? -Ela pergunta sem se virar, temendo a resposta.

Armando se levanta da cama, caminha até ela e a abraça por trás.

–Preciso de você! -Ele diz no ouvido dela.

Continua.