Mudanças
6 Capítulo 6
Armando sentiu um misto de alegria e medo por ver sua Betty. Não sabia como ela reagiria. Ele Não gostou de ver outro homem perto dela e sendo gentil com ela. Sua vontade era fechar a mão e dar um murro bem no meio da cara dele, mas sabia que se fizesse isso Betty nunca o escutaria. Juntou o pouco do auto-controle que lhe restava, levantou-se do meio fio e caminhou com calma até Betty.
–Olá, Beatriz! -Armando a cumprimentou com um sorriso tímido.
Beatriz reconheceu aquela voz. Ainda estava de costas para ele, mas nunca esqueceria aquela doce voz. Sentiu-se que seu mundo desabaria novamente. Uma leve tontura bateu-lhe e Michel a segurou para que ela não caísse. Betty tomou coragem e virou-se. A imagem que viu causou-lhe mais pena do que medo. Ela viu um Armando destruído, bem diferente do que se recordara. Ele estava mais magro, com barba, usava paletó, mas sem a gravata e com alguns botões da camisa abertos, deixando parte de seu peitoral exposto.
–Doutor? -Sua voz saiu um pouco fraca.
–Sim, Beatriz. Podemos conversar? A sós. -Armando pede olhando para Michel.
–Por favor, nos dê uns minutos, Michel. -Betty pede.
–Qualquer coisa basta chamar. -Ele diz se afastando um pouco.
–O que o senhor quer, doutor? Já não foi o bastante o que me fez?
–Me perdoe por tudo, Beatriz. Daria minha vida para voltar no tempo e poder evitar esse sofrimento. Eu me apaixonei por você, de verdade.
–Por favor, não recomece com isso. Se veio até aqui pra tentar me iludir com suas mentiras, está perdendo o seu tempo.
–Não são mentiras. Não vim aqui só para isso, Betty. Todos já sabem do embargo, eu apresentei o balanço real. Agora, todos acreditam que você quer ficar com a Ecomoda.
–Novamente só está interessado em sua empresa.
–Isso é o que menos me importa agora. Só não quero lhe causar mais uma dor. Meu pai acionou os advogados e marcou uma reunião para amanhã. Betty, se você não voltar, meu pai vai procurar sua família na sua casa. Até onde eu sei, seus pais não sabem de nada disso e sei quanto seu Hermes te estima. Não quero lhe causar mais essa dor.
Betty estava perplexa com a atitude de Armando. Realmente não o entendia. Achou que ele pudesse estar sendo sincero já que viu que lágrimas escorriam de seus olhos. Nunca o vira chorar antes. Mas logo fez questão de desviar desse pensamento. Armando Mendoza era o rei da mentira e aquilo eram falsas lágrimas, Betty pensou.
–Já expliquei para o Nicolás, mas também falo para o senhor: Tenho um contrato com dona Catalina e só voltarei quando terminar meu trabalho aqui. Não estou fugindo e muito menos pretendo ficar com sua empresa.
–Sei disso, lhe conheço e acredito em você, mas os outros sócios, meus pais, o Daniel, a Marcela acham o contrário.
–Só voltarei quando acabar meu trabalho aqui e, se me dá licença, já me vou. Amanhã terei um dia longo e preciso descansar. -Betty diz se retirando.
–Eu ainda te amo!
–Guarde suas mentiras para você. Já não caio mais nessa. -Betty se retira rapidamente para que Armando não percebesse que ela começava a chorar.
Michel se dirigiu até ela e a conduziu para dentro do hotel. Armando ficou sozinho na rua enquanto lágrimas lhe brotavam dos olhos.
Já dentro do hotel, Betty não ofereceu resistência e permitiu que o choro fluísse livremente.
–É ele, não é? -Michel perguntou.
Betty balançou a cabeça afirmativamente.
–Quer ajuda com algo? Se quiser posso até ir lá e dar uma surra nele. -Michel brinca para tentar cortar o pesado clima que ficou.
–Não, obrigada. Eu vou ficar bem, só preciso ficar sozinha.
Michel se despede dela e vai embora. Ao sair ainda avista Armando sentado no meio fio chorando. Ele pensou em parar para adverti-lo, mas, ao ver o estado do ex presidente, preferiu ir embora. A vida já estava sendo vingativa com ele.
Armando poderia até perder a empresa, mas não aguentaria o desprezo de Betty. Com o coração partido, se enfiou no primeiro bar que encontrou a algumas quadras dali e começou a afogar-se no álcool.
Betty, em seu quarto, não parava de chorar. Viu como ainda se sentia pequena, diminuída perante a Armando. Ela ainda o amava muito e ele sempre seria sua fraqueza. Afundou no travesseiro e rezou para conseguir dormir.
Armando já havia bebido bastante, estava bêbado. Não queria mais viver, não sem sua Betty. Saiu do bar com obscuros pensamentos em sua mente. Passou por um grupo de jovens e, sem querer acabou caindo e derrubando um deles. Os outros prontamente foram ajudar o companheiro. Armando viu naqueles pessoas uma saída. Começou a cantar uma garota e o namorado dela logo lhe desferiu um soco. Armando levantou-se e revidou. Os outros homens juntaram-se e começaram a desferir socos e pontapés contra Armando. Só pararam porque uma viatura passou no momento.
Enquanto eles corriam, Armando ficou caído bastante machucado e ensanguentado.
Queria que eles o tivessem matado, ao menos pararia de sofrer. Ele pensou. Com pensamentos como esse, ele ficou lá caído, sozinho na escura e fria noite.
Continua.
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