Mudanças

24 Capítulo 24


Armando continuava parado em pé no meio da sala vendo como o francês tratava Betty de forma atenciosa e como ela retribuía, sem tanta timidez.

–Espero que não esteja incomodando, Beatriz. Catalina me falou de você e não pudê deixar de vir visitá-la. -Michel fala.

–Claro que não está, Michel. Fico muito feliz que tenha vindo aqui. Saí de lá e nem consegui me despedir de você.

Armando ficou incomodado ao ver que Betty tratava o francês pelo nome, sem formalidades. Para fazer que notassem sua presença, deu uma tossida fingida. Betty rapidamente entendeu a gafe que cometera.

–Michel, esse aqui é o doutor Armando Mendoza. Doutor, esse é Michel Doinel, um amigo. -Betty os apresenta.

Armando rapidamente estende a mão e Michel aceita. Trocam um forte aperto de mão e de olhares.

–Me parece melhor do que naquela vez em que te encontramos. Era você, não? -Michel questiona.

–Sim, era eu. Agora já não tenho motivos para estar daquela forma.

–Fico feliz por você.

Betty percebeu o pesado clima que estava se formando e decidiu intervir antes que Armando fizesse algo.

–Doutor, será que o senhor pode ver para mim aqueles papéis que falei? Estão lá na sua sala, eu pego com você. Você se importa de esperar uns minutinhos, Michel?

–Claro que não, Beatriz. Afinal eu apareci sem avisar. Pode fazer o seu trabalho.

Betty sai arrastando Armando para fora da sala. Ao passarem pela recepção, Armando ouviu como as meninas do quartel fofocavam e elogiavam o francês, mas um comentário, vindo de Sofia, o matou de raiva. Ela havia dito que Betty e Michel poderiam se relacionar, que combinavam. Betty percebeu e xingou, em pensamento, Sofia. Ela agarrou Armando com mais força, já que ele parava para pedir satisfações, e o arrastou para dentro da sala.

–Doutor, por favor, controle-se! -Betty pede.

–Me desculpe, Beatriz, mas o comentário de Sofia acabou comigo. Acho que vou lá falar com ela.

Armando já ia em direção à porta, mas Betty se coloca em sua frente e o abraça. Isso o acalma um pouco e ele retribui o gesto.

–Me desculpe, só fiquei nervoso.

–Tudo bem. Mas precisa aprender a controlar esses ciúmes.

–Não consigo. Só de pensar que alguém me pode tirar você de mim já me atormenta.

–Eu nunca vou o deixar. O amo mais que tudo. Confie em mim.

–Em você eu confio plenamente. Não confio é nos outros. Principalmente naquele quartel...

–Elas são boas pessoas, um pouco loucas, mas gente de bem.

–Bem longe de você.

–Doutor!

–Me perdoe. Tem razão, não tenho motivos para sentir ciúmes. E muito menos esse direito depois de tudo pelo que fiz você passar.

–Você tem esse direito, basta saber controlar. Agora deixa eu ir lá ver o que o Michel quer que ele deve ter mais coisas para fazer.

–Vai lá, minha vida.

Armando dá um rápido beijo em Betty e ela se retira.

–Mantenha a porta aberta! -Armando grita para ela que ainda estava no corredor.

Assim que Betty chega em sua sala encontra Michel acomodado na cadeira. Ela vai até sua cadeira de presidente e também se acomoda de frente para ele.

–Me parece feliz. Seu semblante é outro. -Michel comenta.

–Realmente estou. Parece que minha vida finalmente começa a se ajeitar.

–Fico muito feliz por você. Quando Catalina me contou eu tive que vir pessoalmente confirmar e também cobrar aquele abraço que ficou me devendo quando foi sem se despedir.

–Eu sei que não foi educado de minha parte, mas tudo aconteceu tão rápido que não tive tempo.

–Eu sei, Catalina me contou por alto. Por falar nisso, ela marcou conosco hoje na hora do almoço. Vamos?

Betty queria mais do que tudo ir, mas sabia que Armando surtaria se ela aceitasse. Estava encurralada.

–Não sei, Michel.

–A Catalina mandou te falar para você aceitar e que depois ela se entendia com o Armando.

–Mesmo assim, não sei.

–Vamos, por favor.

–Tá bom, eu aceito sair com vocês.

Betty aceitou, mas por dentro morria de medo da reação de Armando. Apesar de gostar dos ciúmes que ele sentia, já que eram uma prova do amor que tinha, ela tinha medo da reação dele. Lembrava muito bem o que ele havia feito com Nicolás e sabia o quanto aquele homem era impulsivo. Mesmo assim, não poderia negar um pedido de Catalina já que ela a ajudou tanto. Estava sem saída.

Continua.