Mudanças
20 Capítulo 20
Um mês se passa desde que Betty assumira a presidência. Nesse tempo tudo começa a voltar ao normal. A empresa começa, aos poucos, a se reerguer. Hugo, mesmo reclamando, continua desenhando a nova coleção para gente do povo. O quartel continua o mesmo, sempre com seus 911 no banheiro. Nicolás, que agora trabalhava na Ecomoda, continua suspirando apaixonado por Patricia. Mario continua o mesmo, sempre procurando alguma mulher que possa levar para cama. Marcela, mesmo com suas desconfianças, prefere não continuar investigando muito, pois teme descobrir algo que não deseja. Armando e Betty seguem felizes. Sempre que podem, escapam até o apartamento dele para passar um tempo a sós.
O dia começou cedo e, como sempre, os primeiros a chegarem foram Armando e Betty. Depois de aproveitarem os minutos a sós, cada um foi trabalhar em sua respectiva sala.
Betty estava distraída revisando alguns documentos quando bateram na porta e ela mandou entrar. Para sua surpresa era Catalina. Ela a recebe com um caloroso abraço.
–O que te traz por aqui, dona Catalina?
–Estava na cidade e não pudê deixar de visitar minha amiga. E você, como está?
–Bem, obrigada.
–Já me contaram que virou presidente, é verdade?
–É sim. Era para ser o doutor Armando, mas ele renunciou em meu favor.
–Armando fez isso?
–Fez. Ele está bastante mudado.
–Não tô acreditando. Nunca pensei que Armando pudesse fazer isso.
–Nem eu. Pra mim foi uma surpresa.
Catalina se aproxima mais de Betty e fala baixo.
–E vocês, como estão?
–Voltamos. Dei uma nova oportunidade para ele, mas ninguém sabe que estamos juntos.
–Por que não, Betty?
–Eu tenho medo que falem que ele só está comigo pelo meu cargo. Tem pessoas muito maldosas aqui nessa empresa.
–E pessoas que te amam muito. Se eu fosse vocês eu assumiria logo o namoro. Podem descobrir e vai acabar sendo pior.
–Não fale isso nem brincando.
Nesse momento Armando entra na sala e se assusta ao ver Catalina.
–Catalina?-Armando diz surpreso.
Catalina se levanta, aproxima-se de Armando e começa a examina-lo.
–O que é isso, Catalina? -Armando questiona intrigado.
–Só estou me certificando de que é você mesmo. -Catalina responde segurando o riso.
–Ha, ha, muito engraçadinha. -Armando responde irritado.
–Agora tenho certeza, é você mesmo!
–Dona, Catalina, por favor, deixe o Armando em paz. -Betty pede.
–Armando? Já está assim, Betty, o chamando só pelo nome? -Catalina brinca.
Betty fica constrangida e Armando, para lhe confortar um pouco, coloca o braço sobre o obro dela e a puxa para si.
–Custou para ela me chamar só pelo nome, não é doutora?
–Ainda estou me acostumando, doutor.
–E voltamos para o doutor. -Catalina brinca.
–Agora é sério, Catalina. que bons ventos te trazem por aqui? -Armando questiona.
–Só vim ver como meus amigos estão, mas, pelo que vejo, estão muito bem.
–Melhor do que nunca, desde que minha Betty fique ao meu lado.
–Também quero muito que sua Betty fique com você, mas, sinto te informar, Armando, que vou sequestra-la umas horas hoje.
–O quê? -Armando e Betty perguntam juntos.
–Calma, gente, eu só quero almoçar com ela e colocar o papo em dia.
–Então eu vou com vocês. -Armando diz.
–Não, senhor. Esse almoço é para colocar o papo de mulher em dia. Pode sossegar aqui. -Catalina fala.
–Mas, Catalina.
–Mas nada, Armando. Combinado então, Betty?
–Combinado. Parece que eu não terei escolha mesmo. -Betty responde rindo.
–Cuida bem dela, hein, Catalina. -Armando diz e se retira da sala irritado.
–Não sabia que era ciumento assim. -Catalina comenta rindo.
–É até demais.
–Pelo que vejo você não mudou os óculos como eu tinha te falado, não é?
–Não, eu gosto desses meus antigos óculos.
–Mas esses óculos não condizem com a imagem de uma verdadeira presidenta. Vamos dar um jeito nisso hoje.
–Não vai ser só um almoço, vai?
–Não, não vai. Mas não faremos nada que você não quiser.
Betty não vê alternativa. Quando Catalina coloca uma coisa na cabeça, não há nada que a faça mudar de ideia. Catalina arrasta Betty até uma ótica e juntas escolhem um novo modelo para Betty, um óculos mais simples, com uma armação sóbria. Saindo de lá, Catalina a leva até um dentista amigo seu, já está na hora de Beatriz retirar aquele aparelho.
Enquanto Betty e Catalina estão fora, Armando fica desinquieto na empresa. De 30 em 30 minutos pergunta por elas para as secretárias. Mario se diverte com o desespero de Armando e o arrasta para a sala deles.
–Desse jeito todos vão perceber que você se apaixonou pela morceguinha. Sossega um pouco. -Mario o aconselha.
–Não consigo ficar muito tempo longe dela sem saber onde ela está.
–Ela está com Catalina almoçando, deixa de ser paranoico, Armando.
–Esse é o problema, ela está com Catalina.
Mario começa do nada a rir e Armando o encara.
–Já entendi tudo. Você está com medo de que Catalina a leve novamente para os braços do francês. Como era mesmo o nome dele? Manoel? -Mario comenta rindo.
–Michel! -Armado responde com raiva.
–Michel, isso mesmo.
–Mario, tu é um desgraçado. Por que tinha que me lembrar desse cara? Agora vou ficar mais nervoso.
Mario não se aguenta de rir. Nesse momento Sandra entra para entregar umas pastas que ele havia pedido.
–Aqui as pastas que o senhor me pediu, doutor Mario. -Sandra diz entregando as pastas para o chefe.
–Sandra, a doutora já chegou? -Armando questiona.
–Não, doutor. -Sandra responde rindo e se retira.
–Tá demais já, Armando. Até as secretárias estão rindo de você.
–Cala a boca, Mario. Não estou para piadas agora.
Sandra sai da sala rindo e comenta com o quartel o quanto o chefe delas está aflito por Betty. Patricia ouve e corre até a sala de Marcela para contar.
–Marcy, tenho uma novidade que eu acho que você não vai gostar nada. A coisinha saiu com a Catalina mais cedo e o Armando está nervoso perguntando por ela toda a hora. Aí tem coisa, Marcela. -Patricia comenta.
–Patricia, não quero saber.
–Mas Marcy, eu achei que ficaria feliz.
–Ao contrário, prefiro não saber de mais nada do Armando. Isso não me faz bem.
–Mas e se suas suspeitas estiverem certas e ele estiver com a Betty. Marcy, você teria sido trocada por uma feia.
Marcela olha feio para Patricia.
–Fora da minha sala! Já basta minha mente para me torturar, Patricia.
Patricia sai da sala reclamando e Marcela começa a chorar. Por mais que negasse, tudo indicava que suas suspeitas tinham fundamentos.
Algumas horas mais tarde, Catalina finalmente retorna com Betty. O "almoço" fizera algumas mudanças em Betty. Ela trocara seus óculos antigos por um mais moderno, retirara o aparelho e alisara o cabelo. Assim que passam pela recepção, todo o quartel se aglomera em sua volta. Catalina se afasta um pouco enquanto as mulheres enchem a pobre da Betty de perguntas. Armando, que estava em sua sala, escuta o alvoroço e sai de lá irritado.
–Mas que raio está acontecendo aqui? Isso não é um bar. Desse jeito não posso...-Armando para de falar ao avistar Betty.
–Não babe, Armando. Já está dando bandeira. -Catalina zomba dele.
Armando ainda continua alguns minutos parado, estático, apenas olhando para Betty.
–Aquela é Betty? Até que agora está apresentável. Sinto lhe dizer, mano, mas agora vai chover pretendentes para ela. -Mario comenta para Armando.
Armando fecha o rosto e lança um olhar congelante para Mario. Odiava admitir, mas Mario tinha razão. Sua Betty estava linda, digna de receber toda a atenção dos homens e isso o assustava muito. Temia que sua amada encontrasse alguém melhor que ele.
Continua.
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