Mudanças
21 Capítulo 21
Betty, assim que conseguiu fugir das perguntas do quartel, correu para sua sala onde Catalina já a aguardava. Assim que ela entrou, Catalina não conseguiu segurar o riso.
–Achei que você não iria conseguir voltar para essa sala hoje. -Catalina comenta rindo.
–Me desculpe, dona Catalina, mas é que as meninas adoram uma fofoca e acabaram me segurando um pouco.
–Não tem problema, só estou brincando. Você já viu o Armando?
–Não, ainda não. Acho até estranho ele ainda não ter aparecido. Aura Maria disse que ele perguntou o dia inteiro por mim.
–Ele já te viu e ficou babando por você. Betty, me conta o que fez para arrebatar esse homem. Nunca vi o Armando assim.
–Nem eu sei. Tem vezes que ainda acho que isso é só um sonho e que posso acordar a qualquer momento.
–Não é um sonho e eu posso lhe garantir isso.
–Mesmo assim ainda tenho medo de que tudo termine.
Betty começa a querer chorar e Catalina, percebendo isso, decide mudar o rumo da conversa.
–Outro dia o Michel me perguntou por você, Betty.
–E como ele está? Não tive muito tempo para conhecê-lo, mas ele se tornou um bom amigo.
–Está bem, só ficou triste de você ter ido sem se despedir dele.
–Com tudo o que aconteceu, muito mal consegui me despedir da senhora. Se o ver novamente, mande lembranças para ele.
–Mando sim, pode deixar.
Nesse momento o Armando bate na porta e entra. Ele fica abobado ao ver como Betty está linda.
–Olha a baba, Armando. -Catalina zomba.
Betty fica assustada vendo a expressão que Armando traz no rosto. Não sabe se ele gostou ou não da mudança. Ela levanta-se de sua cadeira e caminha até ele.
–Doutor, o senhor está bem? -Betty questiona preocupada.
Armando a abraça e dá um apaixonado beijo. Catalina que assistiu a tudo finge estar constrangida.
–Você está linda, Betty. -Armando fala.
–Doutor, seu louco! Alguém pode nos ver. -Betty o repreende.
–Que vejam. Não sei como me segurei e não te beijei assim que chegou.
–Então gostou de minha mudança?
–Amei.
–Acho que já estou sobrando aqui. -Catalina diz se levantando.
–Por favor, Catalina, fique mais. -Armando pede.
–Adoraria, gente, mas realmente já tenho que ir. Se der, amanhã ou depois dou uma passada por aqui.
Catalina se despede dos dois e vai embora.
–Hoje vamos sair, não vamos? -Armando questiona abraçando a Betty.
–Saímos ontem, Armando. Hoje já prometi que sairia com as meninas do quartel. Desde que voltei que elas me chamam e eu nunca vou.
Armando fecha o rosto e se afasta de Betty.
–Onde irão?
–Não sei. Só me chamaram pra sair, mas não escolheram o local.
–Não acho bom que saía por aí sozinha à noite. -Armando resmunga.
–Isso é ciúmes? -Betty questiona segurando o riso.
–Se quer saber a verdade, é sim. Betty, você está linda. Choverão pretendentes e cantadas para você e também não gosto que saía com a Aura Maria, aquela ali é uma pervertida sexual.
Betty não se aguenta e ri. Armando estava expondo um lado que ela não conhecia totalmente: seu lado ciumento. Betty se aproxima dele e o abraça pelas costas. Armando não se vira, tentando se fazer de forte.
–Não precisa sentir ciúmes. Só tenho olhos para você, meu amor.
"Meu amor", aquelas duas palavras desmoronaram toda a resistência que Armando criara. Betty nunca havia o chamado assim, muito mal o chamava só pelo nome. Ele virou-se e correspondeu ao abraço.
–Meu amor? Nunca me chamou assim. Diz de novo, Betty, por favor.
–Meu amor.
Armando não se segura e a beija.
–Pode ir, mas me prometa que chegara cedo em casa e que me ligara se precisar de algo. -Armando fala.
–Quer dizer que agora preciso de sua permissão para sair e ainda tenho que chegar na hora que você quer? -Betty brinca.
–É que me preocupo com você.
–Sei disso, doutor. Também me preocupo com o senhor.
Nesse momento batem na porta e Armando e Betty rapidamente se afastam. Betty diz para entrarem e é Aura Maria.
–Betty, esses são seus recados enquanto estava fora. Não consegui te entregar antes. -Aura Maria diz entregando os papéis para Betty.
–Só isso, Aura Maria? -Betty questiona.
–Só, Betty. Te esperamos então na saída. -Aura Maria diz e se retira.
–Acho que vou pra minha sala. Minha vida, antes de você sair com essas aí, passe por lá para se despedir e para me falar o local. -Armando comenta, dá um selinho em Betty e sai.
Nesse momento Nicolás entra na sala de Betty e também fica de queixo caído pela mudança da amiga.
–Betty, é você mesma? -Nicolás pergunta espantado.
–Sim, sou eu. Estou tão ruim assim?
–Não, muito pelo contrário. Agora mesmo que aquele doutorzinho não sai mais da sua sala.
–Deixe o doutor em paz, Nicolás. Pare de implicar com ele.
–Não sei como atura aquele rabugento. Ele só sabe gritar o dia inteiro.
Betty não se aguenta e começa a rir. Se deixasse, o Nicolás ficaria o dia inteiro implicando com Armando e Armando com ele. Havia horas que aquilo lhe estressava, mas no fim sempre acabava rindo. Pareciam duas crianças birrentas.
Continua.
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