Mudança de Mundos- hiatus
36 36- Templo
Notas iniciais
Acordei de repente, estava escuro e todos dormiam, olhei o relógio, eram duas da manhã, bufei. Havia cerca de uma semana que eu acordava inúmeras vezes no meio da noite, uma semana que Alice falou que Percy seria dela, eles realmente andam mais próximos, sempre em um canto, conversando, rindo juntos. Alice olhava para mim com cara de superior e Percy agia como se eu não existisse.
Thalia e Nico estavam juntos novamente, parecia que o namoro deles estava mais sério, eles agora estavam até com anel de compromisso, um anel de prata com uma caveira entalhada, os olhos da caveira eram feitos de rubis. Novidade, Megan estava saindo com Connor, parece que ela havia simpatizado com o filho de Hermes e eles até que formavam um casal fofinho.
Lukas estava solteiro, ainda, ele não liga muito para isso de namorar, não gosta de se “prender amorosamente a alguém” porém eu vi a troca de olhares entre ele e um filho de Hebe. Se eu não me engano o filho de Hebe se chama Alexander, é loiro de cabelos lisos e olhos verdes super claros. Aly também parecia estar de olho em alguém, um tal de Felipe do chalé de Apolo, cachos dourados e olhos chocolate,ele era mulherengo mas super fofo com minha amiga.
Eu era a única de vela, a única que acordava no meio da noite por motivos desconhecidos. Eu estava muito empenhada nos preparativos para a guerra, eu treinava os menores entre doze e quinze anos noscinco dias úteis a tarde, de manhã dava aulas de estratégia, grego, latim e imformações sobre monstros e a noite cuidava dos menores de cinco anos do meu chalé.
Eu estava exausta.
Me levantei lemtamente e me olhei no espelho, meu rosto estava pálido e magro, as olheiras iam até as bochechas, elaseram quase pretas, meus lábios estavam sem cor e meu corpo estava magro também. Meus cabelos estavam ondulados e sem vida, meus olhos opacos e cansados, suspirei e peguei meu roupão cinza, o colocando por cima da longa camisola branca e saindo do chalé.
Caminhei pelos chalés lentamente, observando os semblantes dos deuses menores e a arquitetura de cada um dos chalés que eu ajudei a projetar. Em seguida me embrenhei pela floresta, cambaleando, por onde passava sentia os olhos das driades e outras ninfas as minhas costas, eu não sabia porque estava ali, só sentia que deveria estar.
Estava tão escuro que eu quase não enxergava nada, então eu vi. Um templo branco com as paredes e colunas fechadas, com uma só abertura e iluminado por diversas tochas e fogueras em volta e dentro. Me aproximei e vi uma placa na única entrada.
“Cuidado, animais perigosos, se for alimentá-los jogue a carne para dentro”
Arrebentei a corrente fina e frágil que segurava a placa e entrei no templo, percebi logo na entrada um sistema de choque no corredor estreito, pulei-o. Quando cheguei a sala a olhei, era circular,bem decorada, dourada e com detalhes de espirais e desenhos dos deuses e heróis em bronze , prata e cobre, haviam montes de carcaças , malhas de ferro e peles de animais na sala. Espera, não são malhas de ferro coloridas nem peles de animais, são meus lobos e dragões.
Eles se levantaram, estavam um pouco magros mas bem, fui tomada pela raiva, eles os prenderam! Os lobos haviam crescido, eles batiam em minha cintura, todos menos um, Eletra, ela continuava pequena mas quando correu até mim seu corpo mudou de tamanho e foi ficando maior e depois menos de novo, o mesmo aconteceu com os outros lobos.
Os dragões estavam maiores, quase da minha altura, agora soltavam jatos de fogo puro. Franzi a testa olhando meus lobos, eles mudavam de tamanho? Seria esse o “grande poder” deles? Talvez. Senti todos eles se aproximarem de mim, do meu corpo magro e cansado, estava ficando fraca, andei muito até aqui. Então senti-me ceder e meu corpo cair, sendo amparado por meus lobos e dragões.
...
Acordei bem, sentia meu corpo relaxado e aquecido, passei a mão pelo que me cobria, eram peles, senti algo se aproximar de mim, prensando o corpo pequeno contra o meu. Abri os olhos, meus lobos estavam em cima de mim, no tamanho de cachorros de porte grande ou médio, deitados sobre mim como um cobertor.
Os lobos estavam em volta, formando um molde incrivelmente macio de meu corpo com suas escamas, me senti mais leve, descansada, acariciei os pelos de Byanca, que abriu os olhos pratas me encarando e cutucou Eletra com o focinho, esta levantou a cabeça de meu pescoço e lambeu meu rosto antes de começar a acordar os outros, sonolenta.
Quando todos acordaram me levantei lentamente, andando pela sala, percebi em um local atrás de uma coluna um espelho, me olhei de cima a baixo, eu ainda estava magra, pálida e com olheiras mas meus olhos brilho inesplicavel. Então ouvi um barulho como um chiado muito alto e uma ovelha inteira apareceu na sala, derrapando pelo chão, já morta e com o pelo chamuscado.
Apenas observei enquanto os lobos e dragões atacavam o animal, desesperados. Menos Eletra, essa assumiu sua menor forma e se infiltrou entre os animais arrancando um naco pequeno de carne mas quase do tamanho de metade de si e indo até um canto para come-lo. Fui até ela e todos me observaram, peguei uma faca na cinta liga por baixo de minha camisola e cortei a carne para ela poder terminar de destroçar e comer com seus pequenos dentinhos. Os outros lobos então diminuiram de tamanho e fizeram o mesmo.
Fui até o corredor do templo e olhei o sistema de choque, era baixo mas só podia passar por ele andando,meus lobos e dragões ficariam presos ali, então enfiei minha faca no painel de controle e o “sistema” parou de funcionar, lançando um alarme estridente. Rapidamente saí com meus lobos, os dragões voando atrás, indo em direção ao mar e brigando por peixes e carne. Suspirei me afastando mais do templo, correndo em direção ao meu chalé, agora com meus filhos libertados do “templo”.
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