Mudando os Rumos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Quando voltei pro meu quarto depois do jantar, respirei fundo, peguei meu telefone e liguei pro Quim.
Digitei os números lentamente.
Meu coração batia acelerado.
Minhas mãos estavam trêmulas.
Eu estava extremamente nervosa.
Eu estava prestes a terminar um relacionamento que tinha durado praticamente a minha vida toda.
Eu sequer me lembrava da idade que tinha quando começamos a namorar... Sete anos talvez?
Nós éramos tão crianças quando começamos nosso namoro...
Por todos aqueles anos ele tinha sido meu companheiro, meu amigo, meu namorado.
Mas com o passar dos anos, nosso relacionamento foi-se desgastando.
Apesar do enorme carinho que sentia por ele, eu finalmente descobri que o amor havia acabado.
Com o Do Contra em poucas semanas eu tinha sentido muito mais sensações e emoções do que em todos os anos em que eu estava junto do Quim.
Quando o DC me tocava, era como se eu pegasse fogo. Com o Quim, jamais havia sentido tal coisa.
Eu tinha pensado em ir até o Limoeiro pra falar com ele cara a cara, mas logo desisti da ideia.
Depois pensei em falar com ele pela webcam, mas no fim desisti também e achei que uma ligação seria melhor.
Eu sei que é péssimo e covarde terminar um relacionamento com um simples telefonema.
Ainda mais um relacionamento de tantos anos, porém eu não tinha coragem de olhar em seu rosto...
Estava me sentindo culpada por tudo o que tinha acontecido e pelo que iria acontecer.
Eu também havia decidido que não iria contar que eu havia passado a noite com o DC e muito menos que havíamos nos beijado.
Aquilo seria como uma punhalada em seu peito, e eu não queria fazê-lo sofrer mais do que eu sabia que ele sofreria.
Assim que o telefone chamou, ele atendeu imediatamente.
— Fofuxa! Até que enfim consegui falar com você! Estava morrendo de preocupação. Seu celular estava desligado... – disse num misto de preocupação e alívio.
— Desculpe... Eu tinha esquecido o celular em cima da cama na hora que fui te acompanhar até o terminal e...
Interrompi a frase... Merda acabei me entregando antes mesmo de conseguir planejar o que eu iria dizer.
Eu era péssima em mentir.
Não que eu estivesse planejando contar mentiras, mas queria tentar fazer aquilo da melhor maneira possível.
Não queria magoá-lo.
— Esqueceu? – ele disse confuso. — Então quer dizer que... Você não estava em casa desde ontem? Depois que eu fui embora você não voltou pra casa?
Silêncio.
Porra e agora?
Minto dizendo que tinha esquecido de ligar o celular ou conto a verdade?
Não, não vou ficar dizendo mentiras.
— Não... – respondi.
— E onde você passou a noite, posso saber? Aliás, onde você passou a noite e o dia, porque pelo jeito só chegou em casa agora, não é mesmo? — disse com uma espécie de raiva e ciúmes.
— Eu...
— Magali, fala logo a verdade! Eu sei quando você tá mentindo! – disse nervoso.
Achei que era melhor falar logo e parar de enrolação. Tudo já estava dando errado mesmo.
— Eu estava com o DC...
— O quê? — disse com um grito. — Vocês estavam juntos? Como assim? Me explica isso direito!
Pude sentir o ciúmes e a fúria tomando conta de sua voz.
— Quim eu... Eu não sei como dizer isso... Eu...
— Fala logo, estou esperando uma explicação! – disse me interrompendo.
Droga! Estava tudo saindo fora de controle.
Fiquei em silêncio por um tempo.
Eu estava com medo de dizer...
A reação dele estava sendo completamente diferente do que eu havia imaginado.
Ele estava realmente furioso.
Em raríssimas vezes eu tinha visto o Quim com tanta raiva.
Dei um longo suspiro e por fim disse:
— Quim, eu acho que... Que precisamos terminar o nosso namoro... – respondi com voz trêmula.
— O quê?! Como assim?! Por que você tá falando isso?
Quim estava histérico.
As palavras não queriam sair da minha boca... Minha voz falhava o tempo todo.
Minhas mãos estavam trêmulas e geladas.
Aquilo estava saindo de controle.
— Quim... Me perdoa... Mas...
— Mas o quê Magali, fala logo!— disse interrompendo.
— Eu... Eu... Estou apaixonada por outra pessoa. – minha voz saiu como um miado.
Então, fez-se um silêncio brutal.
Nem sei dizer por quanto tempo ficamos assim.
Eu podia ouvir do outro lado da linha a respiração dele ofegante.
Resolvi quebrar o silêncio:
— Quim?
Ele começou a gritar:
— Eu sabia! Eu sabia que não era coisa da minha cabeça. Realmente tava rolando algo entre você e o Do Contra. Eu sabia que vocês não eram só amigos!
— Calma Quim, eu...
— Calma o caralho! Eu não quero ficar calmo! Há quanto tempo você tá me traindo com ele? — ele disse me interrompendo.
— Traição? Quem aqui falou em traição? Eu não estava te traindo com ele! – respondi exaltada.
— Mentirosa! Aposto que você até já foi pra cama com ele!
— Eu nunca fui pra cama com ele e nem com ninguém! – respondi indignada.
Quer dizer... Até tinha ido, mas não aconteceu nada além de uns beijos e amassos.
Eu ainda era virgem.
Ele continuava histérico.
Seu tom de voz era de pura cólera.
— Como eu sou idiota. Eu sou um verdadeiro idiota! Eu aqui, todo preocupado com você, achando que tinha acontecido alguma coisa e você estava me traindo! Sua vagabunda!
Eu não pude acreditar que ele tinha me chamado daquilo!
Senti a raiva queimando dentro de mim.
— Quim, eu não admito que você fale assim comigo! – respondi sentindo as lágrimas em meus olhos.
— Toda aquela sua ladainha de que não tava pronta ainda, de que eu precisava te entender e esperar... Quer saber de uma coisa Magali? Vai se foder! Eu não quero te ver nunca mais!— disse encerrando a ligação.
Fiquei estarrecida.
Eu não conseguia acreditar nas palavras que tinha ouvido...
Parecia um pesadelo.
Tinha que ser um pesadelo!
Merda! Aquilo tinha saído muito, muito pior do que eu tinha imaginado.
Eu sabia que ele iria ficar triste, chateado e até com raiva, mas nunca imaginei que ele me ofenderia daquela maneira.
Ele sempre foi compreensivo, tão tímido, tão meigo, nunca tinha ouvido ele dizer um palavrão na vida.
Naquele momento o Quim me odiava.
E num certo ponto ele até tinha razão.
Eu fiz tudo errado... Devia ter tido mais cuidado com as minhas palavras, deveria ter pensado melhor no que diria.
Fiquei na cama chorando por um longo tempo.
Não queria que as coisas tivessem acabado daquele jeito.
Não queria que ele ficasse magoado e nem com ódio de mim.
Mas agora eu não podia fazer mais nada.
O mal já estava feito.
Quem sabe depois de um tempo, quando as coisas estivessem mais calmas, eu poderia conversar novamente com ele e mudar aquela situação.
Apesar da enorme tristeza que eu sentia, também sentia uma espécie de alívio.
Agora eu sabia que podia seguir meu coração sem medo e sem culpa na consciência.
Finalmente eu poderia ficar com o DC.
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