Mudando os Rumos
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Capítulo 12
Eram mais de dez horas da noite e o DC não tinha aparecido.
Será que ainda não tinha terminado o ensaio com a banda?
Será que ele tinha esquecido que tinha prometido me ver depois do ensaio?
Pensei em ligar pra ele mas desisti da ideia, não queria fazer o tipo grudenta.
Eu estava me sentindo péssima pelo término do meu namoro com o Quim.
Jamais imaginei que as coisas pudessem dar errado em uma escala tão grande.
Eu queria conversar, precisava desabafar, precisava pôr para fora meus sentimentos, minhas frustrações.
Tentei falar com a Mônica, mas ela não atendia ao telefone. Devia estar “ocupada” com o Cebola. Apesar dos rolos, aqueles dois não se desgrudavam.
Eu não queria que tivesse acabado daquele jeito.
Não deveria ter sido daquela maneira...
Eu fui extremamente covarde e insensível em não ter falado com ele pessoalmente.
Eu tinha muito medo dele entrar em depressão, já que ele tinha uma tendência a isso. E eu seria a única culpada.
Ele sempre se achava inferior, sempre achou que eu merecia ficar com um cara melhor do que ele, mais inteligente, mais bonito.
Eu sempre tentei ser positiva, sempre tentava ajudá-lo, mas no fim aquilo também me fazia mal porque eu precisava ser forte por nós dois.
Aquela falta de confiança dele na vida era tóxica.
E foi ela que fez com que meu amor por ele acabasse e nosso relacionamento se tornasse mera conveniência.
Resolvi tomar um banho quente para me ajudar a relaxar e esquecer aqueles pensamentos.
Eu precisava estar bem para enfrentar mais uma semana de aulas. Não podia deixar meu rendimento ser afetado. Não podia decepcionar meus pais que estavam se dedicando ao máximo para que eu tivesse um bom futuro.
Desisti de esperar pelo DC, e como já era tarde e eu estava cansada e com sono vesti minha camisola e resolvi ir dormir.
Amanhã eu falaria com o DC e contaria tudo.
Acordei no meio da noite com meu telefone tocando.
Só podia ser o DC me ligando àquela hora.
Quando atendi o telefone, tive uma surpresa, era a Mônica.
— Mônica?
— Miga sua loka, vem pra cá a-g-o-r-a! – ela disse histérica.
— Q — quê, como assim? Ir pra onde? – respondi ainda sonolenta.
— Eu não sei o que aconteceu, mas o Quim tá no bar enchendo a cara e brigando com todo mundo.
— Ele o quê?! Como assim? O Quim bebendo?! – disse incrédula.
— Sim, dá pra acreditar nisso?
— Não, não dá. Mas você tem certeza de que é verdade isso?
— Tenho amiga, é verdade sim! Eu vim visitar meus pais junto com o Cebola. A gente tava em casa vendo um filme quando me ligaram falando que ele tava no bar... Eu nem acreditei.
— E quem foi que te ligou avisando?
Eu ainda estava incrédula, não queria acreditar no que ela me dizia.
— Foi a Denise, mas pelo tom de voz dela eu soube que não era mentira.
— Denise? Mas ela é uma fofoqueira...
— Magá, vocês brigaram feio né? – ela disse me interrompendo.
— Sim, mas...
— Você precisa vir pra cá agora antes que algo ruim aconteça. – disse me interrompendo novamente.
— Mas já é tarde, como eu vou ir até aí? Acho que nem tem mais ônibus essa hora, e você sabe que é pelo menos uma hora e meia de viagem.
— Ai amiga você tem que dar um jeito, mas você precisa ajudar ele!
— Você não pode ir lá? Até eu ver se consigo uma carona ou sei lá o que...
— Eu já fui! Assim que a Denise avisou eu fui com o Cebola. E já tentei conversar também. Ele não quer sair do bar por nada. O Cebola também tentou tirar ele de lá e ganhou um olho roxo!
— Minha nossa, que horror! – disse abismada. – Eu... Eu vou dar um jeito. – respondi.
Fiquei atordoada com a ligação, o Quim bebendo e brigando?
Eu não podia sequer conseguir imaginar uma cena dessas.
O Quim nunca tinha bebido e muito menos arrumado briga em bares...
Jamais imaginei que com o fim do nosso namoro ele faria algo assim. Nunca imaginei que ele pudesse ter tal reação.
Mas, se nem a Mônica com toda a sua força tinha conseguido tirá-lo do bar, o que eu poderia fazer?
Fiquei por alguns segundos pensando no que iria fazer.
Peguei meu celular e liguei para o DC. Ele era a única pessoa que podia me ajudar naquele momento.
Assim que o celular deu o segundo toque, ele atendeu:
— Magá, me perdoa! Eu prometi que ia te ver, mas o meu irmão apareceu aqui e...
— Esquece isso agora DC, eu preciso ir urgente pro Limoeiro e preciso da sua ajuda! – disse lhe interrompendo.
— Por quê? O que aconteceu? — ele disse assustado.
— É o Quim... A Mônica me ligou agora pouco e me contou algo horrível. – respondi chorando.
— Calma, não chora! Fala pra mim, o que aconteceu?
— O Quim... – disse soluçando.
— O que tem ele?
Contei tudo o que tinha acontecido mais cedo. Contei sobre a minha ligação terminando meu namoro com o Quim, a forma como ele reagiu. E também a conversa com a Mônica.
Do Contra ficou pasmado ao ouvir tudo aquilo.
— Wow... Nem dá pra acreditar que aconteceu tudo isso...
— Sim, mas infelizmente aconteceu. – disse com pesar na voz
— Eu sinto muito Magali, não queria que você tivesse passado por isso tudo. – ele disse.
— Eu vou ficar bem, agora eu tenho você! – respondi.
— Sim, eu estou com você.
Ficamos por alguns segundos em silêncio.
— Mas o Joaquim bebendo, brigando? Tem certeza? – ele disse quebrando o momento de silêncio.
— Sim... A Mônica disse que já tentou falar com ele, o Cebola também, mas ele não quer sair do bar.
Ele ficou calado por alguns segundos, depois disse:
— Então nós vamos até lá.
— Não DC, é melhor eu ir sozinha, se ele me vir com você as coisas podem ficar ainda piores.
— Mas eu não posso deixar você ir sozinha, pode ser perigoso, ele tá fora de controle, pode te machucar!
— Por isso mesmo você não pode ir! Se ele vir nós dois juntos, não sei o que pode acontecer.
— E o que você pretende fazer?
— Não sei, mas eu preciso de uma carona urgente...
— Já sei! Eu vou pedir pro meu irmão, ele pode te levar, ele tá de carro. – ele disse me interrompendo.
— Mas o Nimbus não foi embora?
— Não, ele tá aqui em casa, vou falar com ele e ele passa aí pra te pegar! Vai se arrumando enquanto isso. – ele disse encerrando a ligação.
Falar com o DC tinha me deixado um pouco mais calma, mas ainda assim minha mente estava confusa, eu não conseguia pensar direito.
Vesti a primeira roupa que achei na minha frente, uma camiseta branca e calça jeans, e saí da casa sem fazer barulho.
Se a dona Benedita me visse saindo àquela hora provavelmente iria reclamar, ela andava de marcação comigo.
Fiquei na rua, sentada na calçada esperando pelo Nimbus. Em pouco tempo ele apareceu.
— Oi Magá, o DC me contou tudo. – ele disse enquanto eu entrava no carro. — Você tá bem?
— Sinceramente, nem sei Nimbus... – respondi com um suspiro.
— Fica calma, a gente vai dar um jeito, tudo vai ficar bem! – ele disse sorrindo enquanto segurava minha mão.
Sorri de volta num gesto de agradecimento.
Ele e o irmão compartilhavam do mesmo sorriso charmoso e sedutor.
Ele deu partida no carro e seguimos viagem.
Eu fiquei calada o caminho todo. Estava perdida em meus pensamentos.
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