Mudanças
32 Capítulo 32
Notas iniciais
O sábado passou voando. Dulce Maria tinha muito o que contar para as amigas, ou seja, passou boa parte do dia na casa da vizinha.
Cecilia não tinha do que reclamar. Quando acordou, a filha já tinha tomado café, o namorado já havia lavado a louça... Ela não tinha pressa pra nada. Tomou seu banho como sempre, quase implorou por companhia, mas Gustavo está irredutível. Nada de sexo no banheiro. Ele estava preocupado. Cecilia ainda não entendia o que o sexo no banheiro tinha haver com isso.
Logo que saiu do banho, parou em frente ao espelho. Olhou sua barriga. Continuava lisa como sempre fora. Se não tivesse visto os exames, jamais acreditaria. Por mais quê, sutilmente já via uma mudança. Principalmente nos seios.
Gustavo entrou no quarto, e olhou para ela com curiosidade.
– O que você tá fazendo?
– Procurando uma barriguinha... Mas ela ainda não apareceu!
– Mas eu imagino que logo, logo, a gente vai notar. Você vai ficar mais linda. Toda redonda!
Cecilia deu uma bela de uma cotovelada nele.
– Nada de redonda!
Gustavo riu.
– Eu não quis dizer nesse sentido!
– Tudo bem... Meus seios estão maiores!
– Eu notei... E como notei!
E ela foi premiada, com aquele sorriso. Aquele sorriso que lhe tirava o fôlego.
Antes que qualquer coisa, pudesse ser pensada, batidas na porta, anunciava uma filha nada paciente, esperando para sair.
– Ei! Vocês ficaram de me levar pra sair e não saem desse quarto!
Cecilia foi abrindo a porta e saindo do quarto, logo acompanhada por Gustavo que estava rindo.
– Mocinha eu estava trocando de roupa...
– Mamãe você nunca foi uma mulher feminina de demorar pra escolher roupa! Pra onde a gente vai?
– Eu pensei em darmos uma volta no shopping e depois irmos comer no seu restaurante favorito. O que você me diz?
– Eu digo que você é um Papi muito inteligente!
No shopping foi uma correria, nada de compras mas Dulce ficou de lado para o outro na loja de games, jogando onde sua mãe alcançar. Gustavo até tentou ganhar em alguns jogos, mas a filha não dava chance. Depois de uma tarde cansativa, por estarem de um lado para o outro atrás da pequena, hora de comer.
Chegar ao restaurante foi familiar. Já tinham jantando e almoçado tantas vezes ali, que já tinham uma mesa preferida e garçons que os conhecia por seus nomes. Ou seja, clientes cativos.
– Mamãe a gente pode ir mais cedo pra casa do papai?
– Mais cedo?
– É mais cedo, tipo hoje! Eu quero conhecer meus tios logo!
– Por mim tudo bem!
Gustavo voltava do banheiro. Via de longe suas duas meninas conversando. Dulce ria de alguma coisa, dava pra perceber que ela estava agitada. Gesticulando bastante pra mãe. Enquanto Cecilia, era a calma em forma de pessoa. Sempre com aquele sorriso bondoso no rosto.
– Muita conversa... Posso saber do que se trata?
– Papi nós vamos dormir na sua casa hoje! Eu não aguento esperar até amanhã pra conhecer meus tios! É isso!
– Tudo bem! Comemos e vamos!
A comida foi posta na mesa. Todos comiam e sem mais nem menos, Dulce largou o garfo.
Cecilia olhou pra filha e a via com a testa enrugada.
– O que foi meu amor?
Dulce Maria respirou fundo. Olhou pra mãe e fez a pergunta, que no fundo lhe angustiava o dia todo.
– Você acha que eles vão gostar de mim?
Gustavo também havia parado de comer, e prestava total atenção a filha.
– Meu amor, não tem do que eles não gostarem. Você é uma menina inteligente, carinhosa, linda. Não precisa se preocupar com isso.
– Sua mãe tem toda razão. Você é a menina mais especial que eu conheço. Sempre pensei em você assim. E eles também vão perceber a mesma coisa.
– Tudo bem. Eu fiquei mais tranquila agora. Isso tava apertando a minha barriga!
O jantar foi finalizado. Gustavo aproveitou um momento em que ficou a sós, e ligou pra casa e avisou a Estefânia que estava indo com Dulce, pois ela estava ansiosa para conhecê-los. Gustavo no mesmo instante, percebeu que ansiedade era dupla.
O caminho para casa foi tranquilo, e um tanto silencioso. Cecilia colocou a mão na sua perna e a apertou. Era pra tranquiliza-lo. Já basta Dulce.
O apartamento não estava movimentado como eles esperavam. A mesa estava posta, mas com doces.
O barulho vinha da cozinha. Eles continuaram na sala a espera. Estefânia foi a primeira a entrar, ela causava um grande efeito. Eles já sabiam disso, mas para uma criança de seis anos. Era como ver uma boneca de verdade. Estefânia toda vestida de roxo, olhava encantada para a menina. Quando se aproximou já tinha lágrimas nos olhos.
– Oi. Meu nome é Estefânia e eu sou sua tia.
– Muito prazer, meu nome é Dulce Maria Santos, mas meus amigos de Dulce! Porquê você tá chorando?
– Porque eu estou emocionada em te conhecer. Você me lembra sua mãe, mas você tem o olhar bondoso da sua mãe.
– Fiquei confusa?
– O que eu quis dizer bonequinha, é que você me obra a Teresa mas tem o mesmo olhar bondoso da Cecilia. Afinal, você tem duas mães.
Dulce se aproximou da Tia. Acariciou seu rosto, tocou na peruca e quando ninguém esperava, jogou-se nos braços dela.
– Você vai ser minha tia perucas! Já é a minha melhor amiga de infância!
Enquanto estava sentada no colo da tia, os pais observavam tudo do outro sofá. Não tinham o porquê de estarem preocupados, afinal, a filha sempre foi receptiva. Sempre tratava a todos com carinho. Enquanto contava sua vida para tia, o Vítor entrou na sala. Observou a esposa, que a minutos atrás estava tão apreensiva em conhecer a sobrinha.
– Posso interromper?
– Bonequinha, esse daqui é o meu marido, seu tio Vítor.
Vítor aproximou-se e estendeu a mão para a menina. Ela apertou a sua, lhe disse seu nome, mas lhe disse que podia chama-la apenas de Dulce. Afinal, era o seu tio. Lhe perguntou o que ele fazia.
– Eu sou chef!
– Você é chefe de quem?
A família gargalhou e Dulce pareceu não gostar, afinal, ela também queria sorrir. Mas não entendeu onde estava a graça.
– Não querida, eu sou chef de cozinha. Ou seja, eu cozinho!
– Aaaah! Agora sim eu entendi! E foi você que fez toda essa comida?
– A maioria, mas a Fran e o Silvestre me ajudaram! E então, você gosta de brigadeiro?
– Tio Vítor, você já tá falando a minha língua!
Ela se deixou levar pro colo do tio, e foram em direção a mesa. Cecilia até tentou frear a filha em relação ao excesso de doce. Mas a mesma lhe disse, que seria falta de educação não experimentar o que o tio fizera para ela com tanto carinho.
Uma hora depois, uma Dulce Maria com excesso de açúcar pulava pela casa. Já havia visto a coleção de perucas da tia, tinha feito Franciely lhe ensinar a sambar e parecia que a bateria não acabava.
– Tudo bem filha, eu sei que amanhã ainda é Domingo, mas você precisa dormir.
– Mamãe, eu não vou conseguir. Eu sinto muito!
Enquanto a menina lhe dizia isso, balançava a cabeça de um lado para outro, perguntando se tinha um cabeção. Ela era um furacão em construção.
– Tudo bem Dulce, banho e cama. Estou falando sério.
– Cecilia amanhã...
Gustavo ao olhar para namorada, calou-se.
– Não vai adiantar Papi...
A menina despediu-se dos tios. E saiu da sala sendo carregada pela mãe.
A parte fácil, foi o banho. Mas a menina continuava na agitação. Pediu por uma história, depois por outra, perguntou o que eles fariam no dia seguinte. Perguntou se podiam ir a uma piscina, se tinha no prédio... Nesse momento o pai entrou.
– Nada de sono?
– Nadinha... Papi a gente pode ir pra piscina amanhã?
– Claro! Acordamos cedo e vamos todos a um hotel que eu conheço. Eles tem uma programação especial para crianças. O que você acha?
– Sim pi ri rim!
Cecilia aproveitando a deixa, já foi cobrindo a filha.
– Tudo bem amor, hora do sono. Ou você não acorda cedo pra gente sair.
– Tudo bem. Mas, vocês seguram a minha mão até eu dormir?
Os pais seguraram a sua mão. Era o seu momento de conforto, sabia que independente do que viesse a acontecer, ela sempre estaria protegida. Tinha a sua mãe e agora seu pai. Tinha ganhado tios. Quem sabe, quem logo não ganharia primos... Se tivesse sorte, um irmãozinho também.
Cecilia observava a filha, ela já havia dormido. Mas estava sorrindo. Era dessa forma, que ela sempre quer ver a filha. Sorrindo. E que nada destrua isso. Deu mais um beijo e acendeu uma lâmpada e saíram do quarto.
Voltaram a sala. Conversaram sobre os planos para o dia seguinte. Todos concordaram.
– Cecilia ela é uma menina fantástica. Você fez e faz uma coisa incrível com ela.
– Estefânia, ela já chegou de jeitinho.
– Não. Da pra ver que ela tem muita coisa sua. Sua personalidade, seu jeito de olhar. É claro, tem um jeitinho próprio também.
– Ela é encantadora, nada menos que isso.
Declarou Vítor.
– Espero que ela tenha algo meu...
– Deve ter primo... Sua teimosia!
Eles riram. Logo depois se despediram.
Cecilia e Gustavo estavam deitados. A mão de Gustavo encontrava-se na sua barriga, era o seu lugar favorito, desde que descobriram a gravidez.
– Cecilia eu estava pensando, em fazer um quarto de verdade pra Dulce aqui. O que você pensa disso?
– Eu acho que ela vai adorar, amar na verdade. O da nossa casa é bem simples...
– E eu quero que o daqui também seja, mas podemos mima-la um pouco e colocar o que ela quiser. Um exemplo, a cama, eu sei que ela não gosta.
– Eu sei. Ela também é sua filha. E você tem todo o direito de dar pra ela o melhor.
Ele a beijou. Mas sabia que ela estava cansada, via em seus olhos. Não era preciso dizerem nada.
– Eu tenho mais uma coisa pra conversar com você. Mas isso, pode esperar até amanhã. Eu te amo. Na verdade, amo vocês.
– Te amamos muito.
A noite passou num piscar. Dulce acordou cedo e foi acordar os pais.
Pulou na cama e se jogou entre os dois. Em vez das risadas que esperava, acabou levando uma bronca do pai.
– Dulce você não deve pular desse jeito! Por favor, filha!
– Mas eu não tô mais doente!
– Isso nós sabemos, mas você pode machucar a mamãe.
Ele falou sério. Dulce via isso. Será que sua mãe estava doente e ninguém lhe disse nada.
– A mamãe tá doente? É por isso que eu não pular?
Cecilia só conseguia pensar, muito obrigada Gustavo por isso!
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