Mudanças
26 Capitulo 26
O resto da semana foi tranquila para Beatriz e Armando. Com a sobrecarga de trabalho que tinham, trabalhavam quase o dia inteiro, de segunda a sábado. Armando só não gostava do domingo que era o dia que ficava longe de sua amada.
Para o azar dele, domingo havia chegado. Estava sozinho em seu apartamento. Rolou a noite inteira na cama e não conseguiu dormir direito. Levantou-se esbravejando. Nunca, até conhecer Beatriz, havia se sentido solitário. Nenhuma das coisas que fazia antes lhe trazia mais prazer. Queria apenas estar com ela. Com esse pensamento, tomou um rápido banho, colocou um de seus ternos e saiu de casa.
Betty, em sua casa, também não estava muito diferente de Armando. Sentia a falta dele, se sentia solitária, mas, diferente de seu amado, conseguia controlar seus sentimentos. Virou-se em sua cama e tentou voltar a dormir. Talvez conseguisse e o dia passasse rápido. Também não adiantaria levantar e ficar zanzando pela casa. Nem seus pais, que acordavam cedo, tinham levantado.
Poucos minutos depois que adormecera, acordou com uma insistente campainha que não parava de tocar. Ainda cambaleando de sono, levantou-se, colocou um roupão e dirigiu-se para a sala. Percebeu que seu pai e sua mãe também acordaram. Hermes estava resmungando e amaldiçoando o sujeito que os acordara tão cedo.
Hermes abriu a porta e se espantou ao ver que era Armando.
–Bom dia, seu Hermes! Perdoem-me ter aparecido tão cedo, mas preciso urgentemente falar com sua filha. -Armando diz.
–Nessa hora da manhã e num domingo? Será que já não basta todo o tempo que ela passa lá naquela empresa? -Hermes resmunga.
–Acredite que se não fosse realmente necessário eu não viria. Sei que sua filha dedica muito tempo pela empresa, mas o trabalho nunca acaba. Um importante fornecedor está no país e acabei conseguindo uma reunião com ele, mas terá que ser hoje. Ele vai embora amanhã.
–E o senhor não pode resolver isso sozinho?
–Bem que eu queria, mas a Beatriz é a presidente e essa é uma das decisões que não cabem só a mim.
–Grandes cargos, grandes responsabilidades. Beatriz, vá se arrumar que eu aguardo aqui com o doutor.
Betty estava assustada e feliz ao mesmo tempo de ver seu amado parado na porta de sua casa. Já foi um milagre seu pai ter deixado e não iria discutir. Correu como uma bala para o seu quarto.
Julia logo puxou Armando para dentro e o acomodou à mesa. Hermes sentou ao lado do doutor de cara fechada. Julia preparava o café.
Dentro de poucos minutos, Betty desceu arrumada e com o cabelo ainda molhado pelo banho que acabara de tomar. Armando, ao ver sua amada daquela forma, precisou se segurar para não beija-la ali mesmo. Levantou-se da cadeira, deu um comportado beijo no rosto de Betty e puxou a cadeira para ela. Assim que ela se sentou, ele voltou-se a sentar em sua cadeira.
Hermes olhava aquilo irritado.
–O diabo é porco! -Hermes resmungou.
–Deixa de reclamar tanto, Hermes. -Julia o repreendeu.
Tomaram café em silêncio. Armando e Beatriz trocavam vários olhares. Hermes resmungava coisas com Julia e ela apenas o cutucava.
Assim que terminaram o café, se dirigiram para a porta. Betty despediu-se de seus pais e saiu com Armando. Hermes, da porta, ainda gritou para tomarem cuidado porque o diabo é porco. Armando já estava rindo das vezes que ouviu aquela frase.
Assim que entraram no carro dele e arrancaram de lá, Betty finalmente tomou coragem para falar.
–Quem é o fornecedor, doutor?
–Não tem fornecedor nenhum. Só não aguentava mais ficar longe de você.
–Mentiu?
–Sim, me perdoe. Fiz mal?
–Não, pra falar a verdade, eu também estava com saudades.
–Quero confessar uma coisa: A imensidão do meu apartamento nunca me incomodou. Nunca me senti vazio, mas, desde que te conheci, nada mais pra mim faz sentido. Sem você ao meu lado eu me sinto incompleto. Fico pensando em você e suspirando pelos cantos. A verdade é que já não sei mais, não vejo mais minha vida sem você ao meu lado.
Betty estava com os olhos cheios d'água e Armando também não segurava mais suas lágrimas.
–Me sinto da mesma forma, doutor.
Armando encostou o carro e deu um apaixonado beijo em Betty.
–Vamos para o seu apartamento? -Betty questiona.
–Talvez depois. Agora quero que conheça o meu mundo. Vamos para o club.
–Mas lá tem muitos conhecidos, doutor.
–Não me importa. Se perguntarem, nos encontramos por acaso.
Assim que chegam ao club, Armando estava animado. Tratou logo de mostrar seus cavalos para Beatriz, de explicar como ocorriam as provas, do que os cavalos gostavam ou não.
Betty percebeu que aquilo era uma das poucas pelas quais Armando tinha amor. Percebeu também que ele conhecia e se importava mais com os cavalos do que com a Marcela. Só então se deu conta de que não o havia roubado dela, que ele nunca foi dela. Com esse pensamento começou a chorar e Armando logo tratou de abraça-la.
–O que houve, meu amor? -Armando questionou assustado.
–Eu percebi uma coisa agora, Armando, que me deixou menos culpada. Vi que o senhor conhece e se importa mais com esses animais do que com a Marcela, quando ainda era noivo dela. Eu sempre me sentia culpada achando que eu tinha roubado o senhor, mas, só agora, percebo que o senhor nunca foi dela.
–Acho que meu coração esperou pela pessoa certa. Hoje ele só pertence a você.
–E a esses cavalos. Nunca imaginei que o senhor pudesse conhecer tão bem alguém como conhece esses animais.
–Por muito tempo eles foram minha companhia. Acho que me compreendiam até melhor do que a Marcela. Mas isso mudou. A pessoa que me conhece melhor do que a mim mesmo e que eu amo mais do que esses animais, é você, Beatriz Pinzón Solano, a mulher de minha vida.
Armando não resiste e dá um beijo em Betty. Ela logo o afasta ao lembrar do local em que estão.
Armando, após apresentar todo o club para Beatriz, a convida para almoçar lá enquanto assistem algumas apresentações de hipismo. Tudo corria muito bem. Conversavam de coisas triviais, sobre o que gostavam e aproveitavam a companhia um do outro, até que uma pessoa indesejada apareceu: Daniel.
Continua.
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