Mudanças
44 Capítulo 44
Notas iniciais
O resto da semana foi tranquilo para Betty e Armando. Eles haviam tirado um enorme peso de suas costas com a aceitação de Roberto e Margarita. Tudo se encaixava, tinha apenas uma coisa que ainda deixava Armando aflito: Daniel. Desde a confusão no desfile, ele havia sumido e o vice presidente sabia bem que ele estaria armando algo.
–Você está bem, Armando? –Betty perguntou ao entrar na sala da vice presidência e ver Armando distraído, olhando para o nada.
–Claro que sim, doutora. –Ele respondeu e deu um selinho nela.
–Não minta para mim, doutor. Estou te achando estranho há uns dias.
–Não é nada, são bobagens minhas. O que te traz aqui?
–Vim te ver. Será que não posso, doutor monstro? –Diz, o abraçando.
–Claro que pode. Só estranho do seu pai deixar.
–Ele foi ao banco com o Nicolás e depois iam almoçar em casa.
–Foi é? E nós podemos almoçar sós? –Ele pergunta enquanto deposita leves beijos pelo rosto dela
–Podemos, doutor.
Armando a puxa para o sofá e começa a beijá-la com paixão. Sabiam onde aqueles beijos terminariam, mas foram interrompidos pela entrada brusca de Sandra na sala.
–Me perdoem! –Sandra diz, envergonhada e tapando a cara para não ver demais.
–Quantas vezes preciso pedir que batam? –Armando questiona, irritado.
–Me desculpe, doutor.
–Não há problema, Sandra. O que deseja? –Betty questiona.
–É que o doutor Daniel está aí e quer falar com vocês.
Betty fica tensa e Armando percebe. Ele sentia vontade de espancar Daniel, mas sabia que precisaria se controlar.
–Nos dê cinco minutos e o mande passar, por favor, Sandra. –Armando pede.
Sandra sai e ele levanta do sofá e ajeita seu terno que estava um pouco amassado.
–Armando... –Betty o olha com medo ao ver como ele ficou sério.
–Não se preocupe, doutora. Não farei nenhuma besteira. Não dessa vez.
Ele a tranquiliza com o olhar e ela se sente mais calma. Armando lhe passava confiança. Dentro de poucos minutos, Daniel entra na sala.
–Sala da vice presidência. Achei que seria recebido numa sala mais adequada como a presidência ou a sala de reuniões. –Daniel alfineta.
–Não acho que sua visita seja dessa importância, mas podemos trocar de sala, se faz tanta questão. –Betty retruca.
–Não, doutora. Aqui não é o melhor lugar, mas servirá.
–O que quer, Daniel? –Armando questiona.
–Quero minha parte do bolo, Armando. Preciso de dinheiro para investir nos meus negócios. Quero vender minha parte da empresa.
–Ficou louco? Sabe que não temos capital para comprar nada agora. Ainda estamos saindo de um embargo. –Armando diz.
–Embargo esse que só está por culpa de vocês. Mas isso não me interessa. Preciso de dinheiro.
–Não me interessa do que você precisa ou não. Você está recebendo seus lucros mensais corretamente e isso já é o suficiente. –Armando responde de uma forma ríspida.
–Pra mim não é suficiente. Se vocês não quiserem comprar minha parte, serei obrigado a vender para outros.
–Isso não será possível, doutor Valencia. Pelo que sei, somente acionistas podem comprar outras ações da empresa. –Betty fala.
–Sei disso, doutora, e por isso estou aqui. Nenhum dos outros acionistas possui dinheiro para comprar minha parte e, se vocês não a comprarem, entrarei com uma ação que me permitirá vender para quem eu quiser.
–Você não seria capaz. –Armando diz.
–Tem certeza que não? Já fui capaz de coisas bem piores só por coisas bem menos valiosas. –Daniel diz olhando para Betty.
Armando percebe que ele se refere a tentativa de conquista de sua amada e se irrita. Fecha o punho e, antes de levantar para acertá-lo, Betty se põe entre os dois.
–Doutores, acalmem-se. –Ela ordena.
Daniel, com seu jeito abusado de ser, cochicha no ouvido dela:
–Estou calmo. Esse seu troglodita que não está. Péssima escolha a sua, doutora. Eu poderia te fazer bem mais feliz do que ele.
Armando se irritou com tamanho descaramento do seu suposto rival e o agarrou pelo colarinho com uma mão, já ia, com a outra, dar o soco, mas uma voz o deteve.
–Solte-o, Armando. –Roberto, que acabara de entrar, falou.
–Pai...-Armando disse em uma suplica.
–Solte-o!
Armando obedeceu e o largou.
–Daniel, venha comigo. Pode me emprestar sua sala por um momento, Beatriz? –Roberto pediu.
–Claro, seu Roberto. A sala é sua.
Roberto e Daniel saíram. Betty, vendo como Armando ainda estava nervoso, o abraçou e o sentiu relaxar um pouco.
–Calma, meu amor. Lembra da última vez que você socou a parede e quebrou os dedos.
–Já estou mais calmo, Betty. Fique tranquila que não farei nada.
Eles permanecem ali, abraçados, sem dizer nada. Ficaram assim durante vários minutos até que Roberto entrou na sala.
–E então, papai? Cadê o Daniel? –Armando questionou.
–Já foi. Eu conversei com ele e ele concordou em deixa-los em paz. Podem ficar tranquilos daqui por diante.
Armando não podia acreditar em como seu pai conseguiu, em tão pouco tempo, persuadir Daniel.
–Como conseguiu, papai?
–Com uma boa conversa, eu conheço o Daniel e sei como lidar com ele. Não se preocupem mais. Futuramente saberão o que fiz.
Armando e Beatriz não podiam acreditar que finalmente se veriam longe de mais esse pesadelo. Ficaram felizes. Eles mostraram para Roberto os novos contratos que a empresa conseguiu, os balanços com a atual situação e todas as mudanças que estavam ocorrendo. Roberto ficou feliz com o rumo que a Ecomoda estava tomando e os parabenizou.
–Fico muito feliz pela empresa e por vocês. Vejo que Armando encontrou uma boa mulher. –Roberto disse.
–Obrigada, seu Roberto. –Betty agradeceu.
–Se me dão licença, preciso ir. Depois quero marcar um almoço ou jantar com vocês para tratar os assuntos do casamento.
–Claro, papai. Depois marcamos.
Roberto se despediu cordialmente e saiu. Armando então, com um sorriso malicioso, se aproximou de Betty e a abraçou.
–E então, doutora monstro, vamos ou não almoçar a sós?
–Ai, doutor. Já não dá tempo. Meu pai já deve estar pra chegar.
Armando a solta, bruscamente, e olha incrédulo para o relógio em seu pulso. Não acredita que a visita de seu pai levou tanto tempo.
–Não, não acredito. Como esse tempo foi passar tão rápido? –Ele resmunga e começa a andar de um lado pro outro.
Betty acha graça no jeito um pouco infantil de Armando e começa a rir.
–Do que ri?
–De você.
–De mim?
–Sim. Parece uma daquelas crianças birrentas que perdeu o doce.
Armando se surpreende com o que ouve e, num ato ainda mais infantil, levanta Betty e a coloca no sofá e começa a dar vários beijos por sua face e seu pescoço, enquanto fala:
–Eu posso parecer aquelas crianças birrentas, mas não perdi meu doce.
Nesse momento a porta se abre e Hermes entra. Os dois, sem graça, se ajeitam no sofá. O velho homem os olha com desaprovação e resmunga sua autentica frase de “o diabo é porco” entre os dentes e entra em sua salinha. Armando e Betty têm um ataque de risos que tentam abafar. Eles sabiam que agora ficaram sem sua saída e sem almoço. Teriam que esperar novamente outra oportunidade para estarem juntos.
Continua.
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