Mudanças

45 Capítulo 45


Notas iniciais
Fala, pessoal! Gente, mil desculpas por essa demora em postar. Tenho andado muito sem tempo por causa da faculdade e do estágio, acabei também tendo uns problemas pessoais que me tiraram o ânimo para escrever. Não pensem que abandonei, não é isso, é apenas falta de tempo. Esse ficou um pouco curtinho, mas tentarei escrever um outro o mais rápido possível. Sem mais, aqui vai o capítulo e, novamente, me desculpem da demora.

Os dias que se passaram foram os mais agradáveis para Beatriz e Armando. Tiveram muito trabalho na Ecomoda e a marcação cerrada de Hermes, mas estavam leves. Já nada os atormentavam. Apesar de a dívida, do embargo, sabiam que era uma questão de pouco tempo até pagarem tudo e se verem livre de mais esse peso. Combinaram de jantar com Roberto e Margarita, depois do expediente, para discutirem os assuntos acerca do casamento.

Beatriz, apesar de tudo, ainda tinha certo receio de falar com os pais de Armando, não por Roberto, mas mais por Margarita. No fundo, sabia que sua sogra ainda não a aceitava completamente.

Depois do expediente, Eles foram para o tal jantar. Hermes os recomendou muito para não demorarem com sua famosa frase: “o diabo é porco”. O trajeto até a casa dos pais de Armando foi silenciosa. Ele sabia que Betty não queria falar nada e, vez ou outra durante o trajeto, ele colocava sua mão sobre a perna de Beatriz e apertava suavemente para passar confiança e a acalmar.

Chegaram à casa de Roberto e Margarita. Armando ajudou Betty a sair do carro e ainda ficaram um tempo parados de frente para a porta, antes de baterem.

–Está pronta, meu amor? Se quiser podemos ir embora e eu invento uma desculpa. –Armando disse.

–Estou bem, amor. É que é estranho para mim. Mas vamos logo. Seus pais devem estar esperando.

–Tem certeza?

–Tenho. Sabíamos que esse momento teria que passar.

Armando dá um leve selinho em Betty e bate à porta. Dentro de poucos segundos uma empregada os atende e os conduze até uma elegante sala de jantar previamente arrumada que os aguardava.

–Armando, Beatriz, Sejam bem vindos. –Roberto os cumprimenta com um cordial abraço.

–Obrigada, seu Roberto.

–Agradeço, papai.

Margarita, um pouco receosa, mas vendo que já não há escolha a não ser aceitar que aquela é a mulher que o seu filho ama, faz o mesmo que Roberto e os cumprimenta. Após essa breve saudação, se sentam à mesa para jantarem.

–Finalmente aceitaram meu convite. –Roberto fala.

–Pois é papai. Estamos muito atarefados lá na empresa e só agora tivemos tempo. –Armando diz.

–Isso é bom, mas não deixem a vida passar só dentro de uma empresa. Depois que essa crise acabar, não vivam só para o trabalho. –Roberto aconselha.

–Isso será só até tirarmos a Ecomoda do embargo, seu Roberto. Devemos isso ao senhor. –Beatriz fala.

–A empresa já está muito bem, mas vamos trocar de assunto. Vamos a algo mais interessante: o casamento de vocês. –Margarita pede.

–Sobre o que quer saber, mamãe?

–Para quando é o casamento de vocês?

–A data certa ainda não temos, não é amor? Mas será daqui a. aproximadamente, uns 5 meses. –Armando respondeu.

–Nossa, tanto tempo? –Roberto exclamou.

–É que eu e o Armando queremos primeiro ficar livre do peso da empresa para podermos nos casar com tranquilidade. –Betty respondeu.

–O bom disso é que podemos preparar tudo com calma. Podemos alugar o clube, mandar fazer os convites, o vestido, seu fraque...

–Mãe, calma. –Armando a interrompeu.- Eu e a Betty queremos algo mais simples. Ainda não decidimos nada e precisamos conversar com os pais dela primeiro. Pensamos em organizar os detalhes mais para frente.

–Mas o tempo passa rápido, meu filho. Essas coisas devem ser planejadas com o máximo de antecedência. –Margarita disse.

–Sei disso e prometo que, quando começarmos a organizar, chamaremos a senhora para nos ajudar. –Armando falou.

–Está bem então. Assim terei tempo para pensar em tudo. –Margarita resignou-se.

Betty sabia que seu pai não iria gostar dessas ideias mirabolantes e chiques de sua sogra acerca do casamento e cutucou Armando. Ele entendeu sua agonia e a tranquilizou segurando sua mão. Armando não deixaria mais seus pais tomarem as rédeas de sua vida e faria o casamento como sua futura mulher queria, mesmo que isso desagradasse sua mãe.

–Beatriz, você está gostando de ser a presidente da Ecomoda? –Roberto questionou.

–Ah, seu Roberto, é um pouco cansativo, mas me sinto honrada por estar nesse cargo.-Beatriz respondeu.

–Mas você gosta?

–Mentiria se dissesse que não.

–E o que acha de continuar ali depois que o embargo acabar?

–Eu?! Não...Não poderia. O cargo pertence a Armando e...

–E aquela cadeira nunca esteve tão bem ocupada.- Armando a interrompeu.- Beatriz, aquele lugar é seu, sempre foi, mesmo quando eu estava lá. –Armando a tranquilizou.

–Mas ... –Ela ainda não acreditava.

–Mas se você quiser, será a presidente da Ecomoda. Sei que ainda falta um conselho para decidir isso, mas isso já é certo. Eu, o Armando possuímos a porcentagem necessária da empresa para decidir isso na votação. E agora você também, ainda há uns trâmites legais para fazer, mas é coisa mínima. Esse é o seu presente de casamento. –Roberto diz e entrega para Betty um envelope.

Betty segura o envelope por um tempo, ainda assimilando o que acabara de acontecer. Ela então abra e vê uma parte das ações da empresa em seu nome.

–Seu Roberto, eu não posso aceitar. Isso é demais.

–Por que não? Você será esposa do meu filho, presidente da Ecomoda e, nada mais justo, do que ter uma participação na empresa.

–Mas os outros sócios não irão gostar disso, o doutor Daniel, a dona Marcela.

–Daniel já não é mais sócio, essas ações eram dele e ele me vendeu. A Marcela deixou uma procuração comigo para que eu tomasse as decisões por ela. Aceite.

Beatriz olha para Armando e ele faz sinal para ela aceitar, em seguida, olha para sua sogra e Margarita lhe passa tranquilidade no olhar e faz sinal com a cabeça de que estava tudo bem. Betty então decide aceitar.

–Acho que não há outra opção a não ser aceitar. –Ela finalmente cede.

Armando, Roberto e até Margarita comemoram. A partir daquele ponto o jantar segue mais tranquilo, com conversa sobre o cotidiano, a empresa e coisas triviais. Beatriz terminou aquele jantar sem mais um peso. Sua sogra finalmente a aceitara. Sabia que não podiam ser melhores amigas, mas faria de tudo para manter uma convivência pacifica.

Assim que entraram no carro, Betty soltou um suspiro aliviada.

–Te falei que meus pais não são aqueles monstros. –Armando brincou.

–Sei que não, querido. Me desculpe ter sido tão insegura.

–Não, me desculpe você por não ter te assumido antes, não tê-los enfrentado e tomado o controle da minha vida, por ser aquele mau homem que conheceu. Me desculpe você por tudo que eu já te fiz.

Betty percebe que Armando estava remoendo os traumas do passado e decide interrompe-lo.

–Amor, não. Isso já passou. Você já não me deve nenhuma desculpa. Vamos esquecer isso e vamos embora para casa.

–Tá bom. Você tem razão, Betty.

Armando dá um suave beijo nos lábio dela e parte com o carro. A viagem segue silenciosa, até Beatriz ver que o caminho que ele pegou não era o de sua casa.

–Armando, esse não é o caminho de casa. –Ela protestou.

–É sim.

–Não é não. Nós prometemos ao papai de ir direto para casa ao terminar o jantar com os seus pais.

–Mas nós vamos para casa. Eu disse ao seu pai que te levaria para casa, só não especifiquei qual casa.

–Armando...

–Calma, nós vamos para meu apartamento. Não quer?

–Não é isso, só não gosto de enganar o papai.

–Não estamos o enganando. Estou fazendo o que disse: Te levando para casa. Vamos?

–E eu consigo te falar não?

–Não. Eu também não sei te dizer não.

–Mas vamos rápido senão papai começa a ligar nos procurando.

–Suas palavras são uma ordem, doutora monstro.

Eles seguiram para o apartamento dele. Poderiam ter apenas umas poucas horas a sós, mas aproveitariam o máximo. Sabiam que esse momento acalmaria a paixão que lhes corroía por dentro. Eram poucos e raros esses momentos, mas Armando sempre dava um jeito de escaparem da marcação de don Hermes.

Continua.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.