Mudanças

42 Capítulo 42


Notas iniciais
Olá, pessoal! Me desculpem pela demora, mas é que final de período na faculdade é corrido. Trabalhos e provas me deixaram sem tempo. Mas aqui estou com mais um. Espero que gostem. :)

Armando queria convidar Betty para almoçar. Depois da conversa que ele tivera com Marcela, a presença de sua amada lhe faria bem, mesmo que para isso tivesse que levar o seu sogro. Foi até a sala da presidência e abriu devagar a porta para não alertar a Hermes. Queria uns segundos a sós com sua amada. Estranhou ao não ver ela em seu local habitual. Já ia procura-la na pequena salinha de seu sogro quando escutou um barulho na sala de reuniões. Sem pensar, foi direto pra lá. Se desesperou ao ver sua adorada com os olhos rasos d’água. Correu até ela, se ajoelhou de frente para a cadeira e a abraçou.

–O que aconteceu, meu amor? Por que chora tanto? –Questionou, tentando se manter calmo.

–Armando...- Disse, com a voz falha.

Armando a abraçou mais forte e ela desatou a chorar ainda mais. Ela começava a soluçar. Armando percebeu que não seria bom que Hermes a visse naquele estado. Então, a ajudando a se levantar, foram embora dali. Assim que passaram pelas secretárias, Bertha logo veio correndo e questionou:

–O que aconteceu?

–Não sei, Bertha. Se o seu Hermes perguntar, eu fui ao banco e Beatriz está na produção. –Armando responde.

–Vai mentir, doutor?

Armando não respondeu, apenas a olhou com o semblante fechado.

–Tá bem, o senhor está no banco e a doutora na produção, entendi.

–Obrigado, Bertha.

Armando levou Betty até sua sala. Mario, por sorte, tinha saído para almoçar. Assim que entraram, ele trancou a porta e se acomodou no sofá com ela.

–Está mais calma? –Perguntou, enquanto acariciava o rosto dela.

–Sim, doutor.

–O que aconteceu?

–Aconteceu que eu sou a pior pessoa desse mundo. Não te mereço, Armando.

–Ei, não fale assim. Eu que não te mereço.

–Se não fosse por mim, agora você estaria casado com a Marcela. Acho que a minha chegada aqui arruinou a vida de muitas pessoas.

–Ela foi falar contigo, não foi?

Betty apenas confirma com a cabeça e começa a chorar mais ainda. Armando a abraça com mais força.

–Imagino também que ela jogou o meu passado entre nós.

Betty confirma o abraçando mais forte.

–Betty, olhe para mim. –Ele pede a fazendo olhar. Acha mesmo que eu seria feliz casado com a Marcela? Acha que eu seria feliz casado com alguém que eu não amava?

–Acho que não.

–E então?

–Já não sei, doutor. Às vezes sinto que estou fazendo o certo, às vezes acho que não. Eu tenho medo, muito medo.

–E como acha que eu me sinto? Beatriz, eu sei que fui o pior dos homens, sei que não mereço estar ao seu lado. Eu sempre tive tudo o que desejei. Levava uma vida vazia. Tinha várias mulheres, não nego, mas nunca me senti como me sinto quando estou com você. Isso é tudo muito novo para mim, esses sentimentos. Tem horas que sinto que vou surtar, fico desesperado. Não sei como lidar com isso e só de pensar que quase te perdi, eu morro por dentro. Me entende?

–Eu me sinto da mesma forma. Isso também é novo para mim. Não sei agir. Eu nunca namorei antes. Tenho medo de fazer as coisas erradas e você se cansar de mim. –Confessou e abaixou o olhar.

Armando então, com paciência, segurou o rosto dela, banhado em lágrimas e a olhou nos olhos.

–Nunca poderei mudar o que fui. Sei que fui um ser desprezível, tanto para você quanto para Marcela, mas mudei, mudei por você. Betty, eu só conheci o que é amar com você. Depois que estive contigo, no seu aniversário, não consegui ficar com nenhuma outra mulher. Eu custei a aceitar, mas hoje falo sem medo: Eu me apaixonei, pela primeira vez na minha vida me apaixonei. Sei que erramos muito, principalmente eu, mas será que podemos tentar superar isso tudo e confiarmos um no outro, juntos?

Betty o abraça e o beija com ternura.

–Me perdoe por ser essa boba, doutor. Não sei como ainda posso duvidar do senhor.

–Eu sei como, mas, por favor, qualquer coisa que sinta fale comigo. Juntos podemos enfrentar o que for.

–Eu o amo.

–E eu a ti. Você é minha vida.

Armando a abraça e, enquanto alisa seus cabelos, pergunta:

–Mais calma?

–Agora estou, mas ainda me sinto mal pela Marcela.

–Eu também, mas não podemos fazer nada. É o melhor para nós três.

Nesse momento o telefone toca e Armando atende.

–Alô!

–Seu Armando?

–Sim, Sandra. O que foi?

–É que seu Hermes já ligou algumas vezes procurando pela Betty. Ele disse que se ela não aparecer, vai procura-la.

–Obrigado. O avise que ela estará lá em 10 minutos.

Ele desliga e volta para o sofá com Betty. Só então ela percebe que o óculos dele está trincado.

–O que aconteceu com os seus óculos?

–Marcela me deu um tapa, mas não a recrimino. Merecia bem mais que isso.

Betty se levanta e começa a acariciar a parte do rosto dele esbofeteado.

–Tadinho! está doendo? Está até um pouco roxo.

–Na verdade, não, mas um beijinho cairia bem, doutora monstro.

Betty entende o recado e começa a distribuir beijos pelo local. Armando sente que aquilo terminaria em outra coisa e a para. Não poderia deixar Hermes esperando.

–O que foi, doutor?

–Seu pai. Ele está te esperando. Falei pra dizerem que você foi na produção. Vá no banheiro retocar a maquiagem que eu vou ganhar um tempo para você.

Armando dá um rápido selinho em Beatriz e corre para a sala da presidência. Assim que entra lá, Hermes estava saindo da salinha.

–Doutor. Me falaram que o senhor foi no banco.

–Fui sim, seu Hermes. Tinha umas coisas para acertar. Onde está a Betty?

–Na produção.

Hermes também percebe o óculos trincado de Armando e se aproxima para ver melhor. Além do óculos, ele também percebe a mancha roxa no rosto dele.

–Apanhou na cara, doutor? –Pergunta, desconfiado.

–A porta do carro me acertou.

–Precisa ter mais cuidado. Trate logo de trocar esse óculos antes que pensem besteira do senhor. Sabe como o diabo é porco, não é?

–Sei sim. Mais tarde eu levo para arrumarem. O senhor sabe se a Betty vai demorar?

–Já era para ela estar aqui. Acho que vou procura-la.

Nesse momento Betty entra esbaforida pela porta.

–Olá, Armando.

–Oi, Betty.

Armando dá um rápido selinho dela. Hermes o olha torto.

–Demorou, Betty.

–Me desculpe, papai. Tive que resolver um problema na produção. Aconteceu alguma coisa?

–Não, eu espero que não. –Ele olha desconfiado para os dois.

–E então, vamos almoçar? -Armando questiona.

–Claro, estou mesmo faminto. Conheço um bom lugar. Vamos no meu carro. –Hermes diz e sai arrastando os dois.

Betty, sem falar e apenas gesticulando com a boca pede desculpas para Armando. Ele dá de ombros passa seu braço sobre os ombros dela a puxando para si para provar que estava tudo bem.

Hermes os leva a um a uma simples, porém acolhedora lanchonete. Betty fica encantada com o local, era ali que costumava ir com os seus pais quando criança, Armando se sentia como um estranho no ninho, mas ficou feliz ao ver o entusiasmo de Betty e de seu sogro. Pediram uma comida simples e enquanto se alimentavam, Betty e seu pai recordavam velhas histórias daquele lugar. Armando, sem falar nada, olhava os dois embevecido. Estava encantado de conhecer mais sobre o passado de sua amada. Vê-la tão feliz depois do dia que tiveram deu-lhe uma paz que há muito não sentia. Se lhe restava alguma dúvida sobre se casar, elas foram sanadas ao ver sua adorada Betty sorrindo.

–Mal posso esperar que passe esses 6 meses. –Ele pensou alto enquanto suspirava.

Continua