Mudanças

43 Capítulo 43


Notas iniciais
Pessoal, me desculpem pela demora. A minha inspiração me deixou um pouco de lado e eu tive algumas provas essa semana que consumiu meu tempo e minha mente. Também estou ajudando um amigo num projeto em que terei que apresentar uma palestra. Como a inspiração vem nos momentos menos inesperados, ela veio justamente quando estava fazendo esse projeto. Acabei de escrever esse capítulo e me perdoem por ele estar um pouco curtinho. Compenso no próximo. Espero que gostem. Forte abraço!

Passou-se 15 dias. Nesse período, Marcela e Patrícia se despediram da empresa e foram, indefinidamente, trabalhar no polo dos Estados Unidos. A maioria se alegrou com a partida das duas. Apenas Hugo e Nicolás não gostaram daquilo. O estilista porque perdeu duas aliadas e o economista por seu amor ter se afastado. Para Betty e Armando foi bom. Eles estavam mais tranquilos, mais calmos. Sentiam uma paz naquele ambiente que há tempos não sentiam. Já não precisariam se esconderem dos olhos de Marcela e poderiam se aceitar sem culpas de a ferir mais.

Armando estava se comportando bem e ganhando, cada vez mais, a confiança de Hermes. O velho sogro ciumento ainda vigiava sua cria, mas começava a ceder em algumas situações. Betty estava alegre ao ver que seu pai e seu noivo finalmente começavam a se entender.

Desde que souberam na saída de Marcela, Roberto e Margarita estavam pressionando o filho para uma conversa. Armando tentou adiar o máximo que pôde. Sabia que a conversa não seria só sobre Marcela, mas também sobre seu repentino noivado. Ele sabia como sua mãe o recriminaria e não sentia vontade de ser questionado por algo que julgava certo, mas, como sabia que não poderia fugir durante muito tempo, marcou de almoçar com seus pais naquele dia. Estava perdido em seus pensamentos, na sua sala, quando Betty entrou e o chamou.

–Armando?

–Sim, amor?

–Você está bem? Estou te achando distante.

Betty se aproxima dele, que estava no sofá, senta-se ao seu lado e lhe acaricia o rosto.

–Estou bem. Só estou pensando.

–É hoje que você vai encontrar com os seus pais, não é?

–É. Vou almoçar com eles.

–Quer que eu vá junto? –Ela perguntou, um pouco insegura.

–Adoraria, mas acho mais prudente eu conversar com eles primeiro.

–Será que eles irão me aceitar?

–Se irão, eu não sei, mas isso não importa. O que importa é que vamos casar de qualquer maneira, com ou sem o consentimento deles.

–Eu também quero me casar com você, mas não quero que seja assim, doutor. Eu não quero que se afaste e brigue com os seus pais por mim.

–Betty, eu sempre fiz o que eles queriam sem me importar com o que eu sentia. Depois que te conheci, isso mudou. Nesse mundo já não há nenhuma pessoa mais importante do que você para mim. Meus pais, querendo ou não, terão que te aceitar.

–Mas e se eles não deixarem você casar?

–Eu já sou um homem adulto, não vou pedir permissão. Só vou comunica-los. E, por falar nisso, preciso ir.

Armando se levanta, dá um selinho em Betty e sai. Ele tentava aparentar tranquilidade para não preocupa-la, mas, por dentro, estava apreensivo. Sabia que a conversa não seria fácil, especialmente por sua mãe.

Chegou, dentro de poucos minutos, no restaurante em que seus pais estavam e, após cumprimenta-los cordialmente, se sentou à mesa.

–O que queriam falar comigo? –Armando questionou.

–Primeiro eu queria parabeniza-lo pela excelente situação em que a empresa se encontra.

–Esse mérito não é meu, papai, mas si da doutora Pinzón.

–Ela fez um excelente trabalho. Queria que ela estivesse aqui com você para poder parabeniza-la pessoalmente.

–Um excelente trabalho? Você está louco, Roberto. Por causa daquela moça é que a Marcela foi embora.

–Mamãe, a senhora vai me desculpar, mas eu não permitirei que fale mal de minha noiva.

–Ainda com isso, Armando? Será que já não passou esse capricho? Você deixou a Marcela ir embora por esse seu casinho.

–Não, mamãe. A Marcela foi embora porque viu o que ela melhor para ela e eu não tenho um “casinho”, eu tenho uma relação perfeitamente estruturada.

–E você está feliz, meu filho?

–Como nunca estive antes, papai.

–Então não há porque discutir. Também o parabenizo por essa relação, Armando. A Beatriz se mostrou uma ótima mulher e fico feliz que você a tenha escolhido.

–Obrigado.

–Roberto!

–O que foi, Margarita? A vida é do nosso filho. Se ele está feliz, eu fico feliz. Você deveria se alegrar por ele ter encontrado uma boa moça. Também preferia que tivesse sido a Marcela, mas isso são coisas que não controlamos como nos negócios.

–E você aceita assim? E a Marcela, como acha que ela está?

–E o que podemos fazer, hein? Armando errou muito com a nossa Marcela, mas não acha que nós erramos mais por apoiar uma relação que já estava propensa ao fracasso? Fico sim muito feliz por ele e também pela Marcela. Agora pode doer, mas tenho certeza que ela encontrará alguém melhor que o nosso filho, sem ofender, Armando.

–Não ofendeu papai. Muito obrigado por essas palavras.

Margarita, vendo que não teria outra opção a não ser aceitar para não perder o carinho de seu marido e do seu filho, finalmente fala:

–Como não há mais nada mesmo para se fazer, só espero que essa moça te faça feliz, Armando.

–Ela já faz.

–Seria bom também se marcássemos algo para decidir os detalhes do casamento, não é? –Margarita diz.

–Claro que sim. Podemos marcar, se não tiver inconveniente para vocês, na semana que vem.

–Não há problemas. Acho que semana que vem estará ótimo e, além dos assuntos pessoais, poderemos falar também sobre os negócios. Sei que faltam apenas poucas parcelas para acabar com o embargo e, se vocês aceitarem, gostaria de efetivá-la como presidente da Ecomoda. –Roberto fala.

–Por mim não há problemas, papai e acho que ela vai adorar.

O restante do almoço seguiu um clima agradável. Armando agora poderia respirar aliviado. As coisas estavam se encaixando, cada vez mais, nos seus lugares corretos.

Continua.