Mudanças
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Betty conversou com Armando e marcaram dele jantar aquela noite na casa dela. Hermes, durante todo o período laboral, manteve marcação cerrada com o casal. Na hora de irem, Armando os levou em seu carro e ao chegarem foram alegremente recebidos por Julia que os convidou a entrarem. Betty e Armando se acomodaram no pequeno sofá da sala e Hermes na poltrona para vigiá-los. Julia foi para a cozinha terminar de preparar a janta.
–Vocês vão ficar aí calados? Aproveitem para conversarem. Finjam que nem estou aqui. –Hermes falou.
–Como se isso fosse possível. –Armando resmungou, entre os dentes.
–O que disse, doutor? –Hermes questionou.
–Nada, seu Hermes. Acho que só pensei alto.
Betty havia entendido o que Armando dissera e, não se aguentando, começou a rir da falta de jeito do noivo.
–Do que ri, Betty? Está louca? –Hermes perguntou.
–Não é nada, papai, me desculpe.
–Sei...O diabo é porco.
Nesse momento Julia chama Hermes na cozinha para ajuda-la e ele vai reclamando de ter que deixar o apaixonado casal sozinho. Armando e Betty sorriem, mesmo que fosse poucos minutos, poderiam finalmente conversar em paz.
–Já falei como gosto da sua mãe? –Armando brinca.
–Não, mas olha que assim fico com ciúmes.
–Não precisa. Sabe que há muito que só tenho olhos para você, doutora monstro.
Armando olha para a cozinha e vê que Hermes ainda está reclamando e, aproveitando esse tempo dá um apaixonado beijo em Betty. Se perdem nessa carícia e voltam para a realidade com uma falsa tossida de Hermes que os olhava furioso.
–Não falei que o diabo é porco? Não posso deixa-los sozinhos nem um minuto. E vamos logo que o jantar já está servido. –Hermes resmunga e vai para a cozinha.
Armando e Betty, envergonhados, o seguem. Eles se acomodam à mesa para jantarem. Era uma comida simples, mas Armando estava apreciando aquele alimento. Aquela comida tinha um gosto de família que há muito ele não sentia, já que só se alimentava em restaurantes. Tirando alguns resmungos de Hermes ao perceber os olhares que Armando e Betty trocavam, o jantar foi silencioso.
Após o jantar, todos se acomodaram na sala e Hermes abriu uma garrafa de uísque que tinha guardada. Ofereceu um copo ao doutor e as mulheres se serviram de um suco. Hermes queria falar sobre o casamento.
–E então, para quando pretendem se casarem? –Hermes questiona.
–Na verdade, seu Hermes, ainda não pensamos direito nisso, mas, se Betty concordar, pode ser para daqui a um mês.
–O quê? Assim tão rápido? Por um acaso vocês não fizeram besteira, não é? Betty, você não está grávida, está? –Hermes resmunga.
Armando que estava tomando um gole de bebida se engasga. Betty morre de rir e Julia os olha com medo da resposta.
–Grávida? Não, não está. Como poderia? –Armando diz e olha Betty com medo.
Betty, com o olhar, lhe tranquiliza e calmamente responde para o seu pai:
–Claro que não, papai. Assim o senhor me ofende.
–Espero mesmo que não, Betty. Se não está grávida, por que essa pressa toda em casarem?
–A verdade, seu Hermes, é que já não sei como ficar longe de sua filha. A Beatriz me completa. Quero logo casar com ela, comprar uma casa e formar família.
–Mas um mês é muito rápido. Vocês precisam de mais tempo para se conhecerem melhor e preparar as coisas e eu faço questão de bancar o casamento.
–Quanto ao casamento, não se preocupe, eu posso financiá-lo.
–Sei que pode, doutor, mas e a tradição? O pai da noiva é que deve arcar com isso, por isso, não discuta mais. O que acham de marcarem para daqui a um ano?
–O quê? É muito tempo. Três meses.
–Quê? Não, doutor. Um ano acho que será tempo suficiente para nos estruturarmos e vocês se conhecerem melhor.
–Mas eu não vou aguentar um ano dormindo sozinho.
–O quê?
–Digo, sem Betty ao meu lado.
Betty, não aguentando mais segurar o riso e vendo que seu pai e Armando já estavam ficando alterados, decide intervir.
–Por que não entramos num acordo? O que acham para daqui a 6 meses? Não é muito tempo, mas também não é pouco.
–Pra mim é muito. –Armando resmunga entre os dentes.
–Concorda com isso, doutor? –Hermes questiona.
–Bom, se não tem outro jeito. É melhor 6 meses do que um ano.
Hermes e Armando apertam as mãos para fecharem o acordo.
–Considere-se oficialmente da família agora, doutor.
–Obrigado, seu Hermes.
Eles continuam a conversar até que começa a ficar tarde e Hermes faz menção do tempo e de que está com sono. Armando, entendendo, se despede dos seus sogros e Betty vai até a porta com ele.
–Será que eu vou aguentar esses 6 meses com essa marcação do seu pai?
–Vai ser um pouco difícil, mas passará rápido, vai ver.
–Assim espero. Agora venha cá que estou doido para te dar um beijo, mas seu pai não deixa.
Armando a puxa e a beija com paixão, mas são obrigados a se separarem ao escutarem Hermes gritando para Betty se despedir logo que estava tarde.
–Passará rápido, você verá. –Betty fala, rindo.
–Tomara, Betty, tomara. Amanhã passo por aqui para apanhá-los.
Armando se despede dela com um selinho e vai embora. Ele sabia que esse tempo seria uma eternidade, mas por Betty, por sua Betty, valeria esperar.
Continua.
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