Mudanças

41 Capítulo 41


Notas iniciais
Mais um capítulo. Espero que gostem. :)

Armando e Betty sabiam que não seria fácil com Hermes para os vigiar. Não havia se passado nem um dia e Armando já sentia o peso das exigências que o esperava. Como prometera para sua amada, chegou cedo na casa dela. Tocou a campainha um pouco receoso. Betty, assim que escutou, correu na frente de seus pais e abriu a porta. Ele deixou um largo sorriso surgir assim que viu sua amada.

–Estava com saudades. –Armando disse.

–Eu também, doutor.

Betty o empurrou para fora e o beijou, mas não puderam aproveitar pois logo Hermes gritou os mandando entrarem. Assim que entraram Armando cumprimentou cordialmente seus sogros e se sentou à mesa. Betty havia ido se arrumar.

–Já tomou café, meu filho? –Júlia questionou.

–Não, dona Júlia.

–Então fique aí que eu vou preparar rapidinho um pra você.

–Não precisa se incomodar.

–Claro que preciso. Vocês trabalham muito. Precisam estar alimentados.

Julia começou a coar um café e Hermes começou a puxar assunto com Armando, falando sobre política. Ele já estava ficando entediado com o papo de seu sogro quando escutou um grito vindo do banheiro. Era Betty. Sem pensar duas vezes saiu correndo e quase colocou a porta do banheiro no chão. Betty o abraçou assim que o viu.

–O que foi, meu amor? O que te passou?-Armando questiona, preocupado.

–Uma barata!

–Uma o quê?

–Barata, Armando! Está atrás do vaso.

Nesse momento Julia e Hermes aparecem. O pai ciumento logo dá uma falsa tossida e Betty solta a Armando.

–O que é o motivo dessa gritaria? –Hermes questiona, furioso.

–Uma barata, seu Hermes. Uma barata. –Armando diz rindo.

–Quando vocês sumirem com esse bicho, me chamem. Odeio baratas. Vem, filhinha. Vamos deixar os homens cuidarem disso. –Julia diz e sai arrastando Betty para a cozinha.

–E então, homem, tá esperando o quê? –Hermes resmunga.

–Como?

–A barata. Me ajude a procura-la.

Hermes e Armando começam a buscar pelo bicho. Hermes a vê e tenta dar uma chinelada, mas a barata é mais rápida e foge. Corre na direção de Armando, mas ele se assusta e acaba pulando para a barata não lhe subir pelos pés.

–Mate esse bicho, homem. Tá com medo dessa baratinha?

Armando não responde. Com um pouco de nojo, vai até a pequena barata e pisoteia-a. Ele quase passa mal ao ver o bicho destroçado no chão. Hermes ainda lhe entrega uma pá para ele retirar o que sobrou do inseto.

Com o problema resolvido, os dois descem para tomar café. Julia serve a Hermes, mas Armando desiste. A cena da barata pisoteada o havia feito perder a fome.

–Vou acabar de me arrumar. Ainda tenho que alisar o meu cabelo. –Betty diz já se retirando.

No momento que ela passa perto de Armando, ele a segura pelo braço e pede:

–Deixe o seu cabelo cacheado. Você fica linda assim, ao natural.

Betty concorda com a cabeça e vai acabar de se arrumar. Após ficar pronta e tomar café, Eles se dirigem para a rua. Hermes cisma de ir com o seu carro, mesmo Armando se oferecendo para leva-los. Betty, mesmo querendo ir no carro de Armando, é obrigada por Hermes a ir no dele. Armando, um pouco triste, os segue com o seu carro. Assim que chegam na empresa, Hermes vai logo para a sua salinha e Passa um sermão para Betty não se demorar com o doutor, para deixa-lo trabalhar.

–Achei que o seu pai não nos deixaria mais sozinhos. –Armando desabafa.

–Deixou, mas por pouco tempo. Se eu não entrar na minha sala em 5 minutos ele logo virá me procurar.

–Então vamos aproveitar esses minutinhos e aproveitar que as meninas devem estar fofocando no banheiro.

Armando, sem se importar que estavam próximos às mesas das secretárias, a puxa e a beija apaixonadamente. Nesse momento Sandra os interrompe:

–Doutor?

–O que quer, Sandra? –Ele grita.

–Me desculpe por interrompê-los, mas a dona Marcela quer falar com o senhor e pediu para passar na sala dela.

–Claro. Agora, se me dá licença, será que poderia voltar lá para o banheiro e ir fofocar com as outras?

Sandra sai de lá antes que o chefe a demita. Armando iria voltar a beijar Betty, mas Mario passa por eles dando bom dia com um sorriso de deboche no rosto.

–Eu vou matar um nessa empresa hoje, Betty. –Armando resmunga.

–Calma, doutor. É melhor irmos trabalhar. Nossos 5 minutos já estão terminando e daqui a pouco meu pai aparece.

–Acho que tem razão, mas vou querer almoçar contigo.

–Claro que sim.

Armando se despede de Betty com um selinho.

–E vamos para o abatedouro. –Ele diz indo para a sala de Marcela.

Assim que chega lá, Marcela o olha com ódio. Armando não diz nada, apenas se acomoda na cadeira de frente para a dela.

–Queria falar comigo, Marcela?

–Por quê?

–Porque eu a amo.

–Será que eu não tinha o direito de saber, Armando?

–E você iria, mas no momento certo.

–Isso tudo foi para me humilhar? De todas as mulheres por quem você podia ter me trocado, por que justamente a Beatriz? Essa mulher que eu mais odeio.

–Não sei. Ela mexeu comigo como nenhuma outra havia mexido antes.

–A mulher misteriosa sempre foi ela?

Armando confirma com a cabeça e abaixa o olhar.

–Não acredito! Eu sempre soube de suas traições, mas nunca achei que pudesse ser trocada por uma feia.

–Mais respeito, por favor, com a mulher com quem vou me casar.

–Então aquela cena lá no desfile foi verdadeira? Você realmente vai se casar com ela?

–Vou sim, Marcela.

Marcela olha para as mãos de Armando e percebe o anel de compromisso que ele usa.

–Não acredito, juro que não acredito no que eu ouço. Você que sempre fugiu do nosso compromisso agora vai casar assim? Eu te odeio, Armando! Odeio a você como nunca odiei a ninguém!

Marcela se levanta, caminha até o ex noivo e lhe dá um tapa tão forte que faz com que seus óculos saiam de seu rosto e se espatifem no chão, trincando uma das lentes.

–Me perdoe por todo o mal que te fiz, Marcela. Sei que será feliz sem mim ao seu lado.

–E eu espero que seja infeliz.

Marcela sai, batendo a porta, e Armando recolhe o que restou de seus óculos e o coloca.

Betty estava em sua sala trabalhando quando batem na porta. Ela manda entrar e tamanha sua surpresa ao ver que ela Alejandra. Elas se cumprimentam com um cordial abraço.

–O que faz por aqui? –Betty questiona.

–Eu vim me despedir. Volto para a Venezuela hoje.

–Já vai tão cedo?

–Já não tenho nada para fazer aqui. O contrato já foi assinado e a produção corre bem. Eu também tenho outros trabalhos para fazer lá.

–É uma pena que tenha que ir tão rápido.

–Foi rápido, mas foi um prazer conhece-los e trabalhar com vocês.

–Para nós também foi um prazer.

–Bom, tenho que ir mesmo. Meu voo sairá daqui a 2 horas.

Alejandra dá um abraço de despedida em Betty e se dirige para a porta, mas para antes de sair e se vira, falando:

–Beatriz?

–Sim?

–Cuide bem do Armando. Aquele homem realmente te ama. Nunca vi alguém assim tão apaixonado.

Alejandra vai embora e Betty fica suspirando na sala.

Armando, após a conversa com Marcela, vai para a sua sala. Lá ele encontra com Mario esparramado no sofá. O amigo, assim que vê o estado do óculos dele, cai na gargalhada e fala:

–Além de ter te posto a coleira –Apontando para o anel de compromisso-, ainda te bate? Tem certeza de que quer realmente casar, amigo? Se ela já te trata assim antes do casamento, imagine depois...

–Isso foi a Marcela, Calderón.

–Outra vez? Ela já não tinha te acertado no desfile?

–Já, mas isso não é nada se pararmos para pensar no que fiz com ela.

–Nisso eu concordo. Só espero que a sua morceguinha não tenha a mesma ideia. Se ela resolver te cobrar com tapas o que fez, você fica desfigurado.

–Mario, será que você pode parar, ao menos por hoje?

–Tá, eu não falo mais nada, mas vai consertar esses óculos. Posso não falar, mas vou rir toda vez que olhar para você e imaginar esse tapa.

–Ha, ha, ha, muito engraçado. Ironiza- Vamos fazer algo de útil e trabalhar.

Marcela, em sua sala, chora suas dores com Patrícia:

–Não vou mais suportar ficar aqui, Patrícia. Não vou conseguir ficar aqui e ver os dois juntos.

–O que pensa fazer, Marcela?

–Vou renunciar, talvez mudar daqui.

–Não pensa em me deixar aqui sozinha, não é? Aqui eu não fico no meio dessas pobretonas. Você não pode aceitar essa derrota para aquela lá.

–Eu já perdi. Ele não é mais meu há muito tempo. Talvez o mais digno seja eu me afastar. Me fará menos mal.

–E para onde vai?

–Pensei em ir para os Estados Unidos, representar a filial que temos lá.

–Se você sair, eu vou junto.

–Vou sair sim, mas antes terei que conversar com uma pessoa.

Mais tarde, Pouco antes do horário do almoço, Betty trabalhava tranquilamente quando Aura Maria anunciou que Marcela queria falar com ela. Betty permitiu sua passagem. Assim que ela entrou, a presidente a conduziu para a sala de reuniões. Já imaginava a conversa que teriam e não queria que Hermes ouvisse da pequena salinha. Após se acomodarem nas cadeiras, Marcela começou a falar:

–Em primeiro lugar, Beatriz, gostaria de falar que a partir de amanhã não me verá mais nessa empresa...

–Dona Marcela... –A interrompe.

–Por favor, não me interrompa, só me escute. Me mudarei para os Estados Unidos, mas isso não significa que renunciarei à Ecomoda. Trabalharei lá na nossa filial. Em relação ao Armando, já não posso fazer nada. Só esperava mais de você. Nunca poderia ter imaginado que era você, mas estava tão na cara que não acreditei.

Os olhos de Betty já haviam se enchido de lágrimas, mas isso não deteve Marcela, ao contrário.

–Ele, um dia, também esteve apaixonado por mim e olha como acabei: trocada. Acha mesmo que isso vai durar? Armando é um homem que se cansa facilmente das mulheres. Acaso esqueceu como ele me traia? Ainda acho que isso está durando muito. Acho que você é uma espécie de capricho, um tipo que ele nunca provou. Uma hora ele vai cansar como se cansou de mim.

Betty já se debulhava em lágrimas.

–Acho que isso é tudo o que tenho para falar, Beatriz. Até nunca mais. Espero que vocês sejam infelizes.

Marcela sai e Betty fica destroçada. Apesar de amar a Armando e saber que ele também a amava, aquelas palavras a haviam ferido e ela não podia negar o passado dele. Sabia que isso era uma coisa que sempre estaria entre os dois.

Continua.