Mudanças
36 Capítulo 36
Armando acompanhou Alejandra até a saída e fez companhia para ela até o táxi chegar. Despediu-se cordialmente dela e rumou para a sala da presidência. Entrou sem bater e encontrou Betty de cabeça baixa. Ela não viu quando ele entrou. Ele se aproximou e colocou a mão sobre as costas dela. Ela se assustou.
–Desculpa, não queria te assustar. –Ele disse.
Armando percebeu que Betty tinha chorado. Ele se preocupou e ajoelhou-se próximo a cadeira dela para ficar na mesma altura.
–Meu amor, o que houve? Você chorou?
–Achei que tivesse ido levar a senhorita Zinng em casa.
–Eu só fui acompanha-la até o táxi. Já vinha para cá. Mas chorou por isso?
–Me desculpe, doutor.
–Desculpa-la por quê?
Betty lhe olha com os olhos cheios d’água e ele finalmente compreende o motivo do choro. Ela tinha desconfiado dele novamente. Ele se levanta furioso e fala:
–Será que nossa conversa hoje não serviu de nada, Beatriz? Meu passado sempre vai estar entre nós dois, não é? Vejo que nunca vai acreditar que mudei.
–Me perdoe.
Betty se levanta e tenta abraça-lo, mas ele a evita.
–Agora não. Quando realmente confiar em mim, se é que isso seja possível, me procure. Armando diz e sai da sala batendo a porta.
–Mas eu já confio. –Ela fala num tom baixo, quase choroso.
Armando entra na sua sala possesso. Ele queria socar a parede, mas sua mão enfaixada não permitia e ele também não queria ter que ir ao hospital novamente por machucar a outra. Decidiu que a melhor maneira de extravasar seria beber. Pegou uma de suas garrafas de uísque, encheu um copo e começou a beber. A raiva que sentia era tanta que jogou o copo contra a parede o estilhaçando em centenas de pedaços. Sandra, do lado de fora ouviu e entrou na sala assustada.
–Seu Armando, o senhor está bem?
–Saía!
–É que ouvi um barulho.
–Foi o copo que quebrou. Agora saía!
–Quer que...
Armando a interrompe:
–Qual parte do saía você não entendeu, Sandra?
Sandra prefere não discutir mais e sai de lá com medo do chefe. Ela decide falar com Betty como ele está e corre para a sala da presidência.
–Betty?
–O que quer, Sandra?
–É o seu Armando. Escutei um barulho lá na sala dele e acho que ele jogou um copo na parede. Ele está muito nervoso.
–Deixe-o lá.
–Aconteceu alguma coisa? Percebo que você também está um pouco nervosa.
–Não aconteceu nada.
–Tem certeza? Vocês estavam tão bem. Depois que ele saiu daqui que ficou assim. Vocês discutiram?
–Assuntos de trabalho.
–Deve ter sido feio o assunto. Só vi o doutor assim quando você foi viajar. Ele destruiu a sua salinha. –Diz apontando para a pequena sala.
–Ele destruiu?
–Destruiu. Betty, o seu Armando sem você aqui para trabalhar, ficou péssimo e ainda teve o rompimento do casamento dele.
–Sandra, me faça um favor: volte para seu posto e se escutar mais alguma coisa vindo da sala do doutor, se achar que ele ficou muito alterado, me chame, por favor.
–Sim, Betty. Vou pra lá agora mesmo.
Sandra sai da sala e Betty fica preocupada por Armando. Sentia medo dele se machucar novamente como fez de manhã ao socar a parede, mas também não queria dar o braço a torcer e se render tão facilmente. Armando também errou e não era só ela que devia pedir desculpas.
Armando, em sua sala, estava aflito. Já havia tomado quase meia garrafa de uísque e já sentia os efeitos do álcool em seu organismo, mas, ao contrário de acalmá-lo, só o deixou mais nervoso. Agora, pensando melhor, sabia que havia sido duro com Betty, mas não tinha coragem de ir pedir desculpas para ela. Ela também deveria confiar mais dele depois da conversa que tiveram.
O restante do dia se passou assim, Armando chegava até a porta de Betty, mas desistia de entrar e Betty chegava até a porta dele e também desistia e voltava para a sala dela para trabalhar. Armando, porém, a cada tentativa falha, se embebedava mais. Já era tarde e todos os funcionários já tinham ido embora, na empresa só estavam Armando e Betty, cada um em suas respectivas salas.
Armando estava debruçado sobre sua mesa. Já estava Em um estado lastimável de bebida. Pegou a caixinha de joia em seu bolso, abriu-a e ficou falando com o par de anéis:
–Hoje era para você estar no dedo de uma pessoa muito especial para mim, mas como sou um bruto que só sabe gritar, estraguei tudo. Agora, sua dona deve estar em casa, chorando trancada no quarto por minha culpa.
Betty, em sua sala, acabou de recolher seus pertences e já iria para sua casa. Estava triste, achava que Armando tinha ido embora sem se despedir dela. Não gostava de ficar brigada com ele. Saiu de sua sala, mas não conseguiu evitar dar uma última olhada na sala de seu amado. Queria ver se ele tinha quebrado mais alguma coisa além do copo.
Assim que entrou a sala tomou um susto ao ver Armando. Ele também se assustou e, rapidamente e sem que ela percebesse o que era, jogou a caixinha do anel em uma gaveta e a fechou.
–Betty. –Ele disse com os olhos cheios de emoção.
–Doutor, não sabia que ainda estava aqui. –Fala surpresa.
–Também achei que já tinha ido embora.
–O senhor pretende ficar muito tempo aqui?
–Não, na verdade já ia embora.
Armando se levanta, mas como estava um pouco bêbado, cambaleia um pouco. Betty sente um aperto no coração ao ver ele daquele jeito e se aproxima dele e o segura, para lhe dar apoio. Armando estremece ao sentir a proximidade.
–Deixa que eu lhe ajudo, doutor. O senhor não está bem.
–Obrigado, Beatriz.
Betty o escora até a garagem. Seguem sem falar mais nenhuma palavra. Armando sente medo de falar algo que a ofenda. Apenas aproveita a companhia e a proximidade dela. Assim que chegam ao carro dele, Betty o faz apoiar-se no veiculo.
–A chave, doutor. –Ela pede.
Ele pega a chave do carro no bolso da calça e a entrega para ela. Betty destranca o carro. Ele já ia entrando para o lugar do motorista e Betty o impede.
–Vai no do passageiro hoje. Não está em condições de dirigir.
–Estou bem, doutora.
Ele tenta entrar novamente no seu lugar habitual, mas Betty se coloca em sua frente.
–O senhor escolhe: ou me deixa dirigir ou vou chamar um táxi. Nesse estado eu não permitirei que o senhor pegue no volante.
Armando suspira e sorri ao ver a preocupação de sua Betty com ele.
–Você dirige. –Diz e se senta no lado do passageiro.
Betty, assim que entra no carro, percebe que ele não colocou o cinto. O olha feio e olha para o cinto. Ele entende o recado e coloca o dispositivo de proteção. A viagem segue silenciosa até o apartamento dele. Assim que chegam, Betty o ajuda a chegar até o seu quarto e o deita na cama. Ele não para de olhá-la com segundas intenções. Beatriz percebeu, mas fingia que não reconhecia aquele olhar.
–Obrigado, doutora. Obrigado por tudo.
–Por nada, doutor.
Betty já ia se virando para ir embora, mas Armando a chama:
–Betty?
–Sim doutor? –Ela se vira
–Me perdoe por hoje. Fui um grosso. Não devia ter falado daquela forma com você.
Betty se aproxima e se senta na cama.
–Eu também agi errado, doutor. Não devia ter desconfiado de você. Não depois de tudo pelo que passamos.
–Não. Você tem todo o direito de se sentir insegura, de não confiar em mim. Sei que não fui um santo, mas mudei. Só peço que me fale sobre qualquer insegurança que sentir. Prometo não agir mais da forma como agi hoje. Eu te amo, Betty e não sei mais viver sem você. A simples possibilidade de te perder me apavora.
–Eu também te amo, doutor e não quero te perder.
Armando a puxa para si e dá um terno e demorado beijo nela.
–Tem uma coisa que queria te falar hoje, antes da nossa briga. –Ele diz
Ele começa a tatear os bolsos de sua calça, mas não acha a caixinha dos anéis. Betty fica curiosa com a cena.
–Perdeu algo, doutor?
–Não sei. Acho que esqueci na empresa.
–Me diz o que é e, se quiser, posse ir lá buscar para você.
–Não é nada importante. Amanhã eu acho. -Finge
–E o que você queria me falar de tão importante antes da briga?
Armando percebe que não poderá fazer o pedido sem o anel e decide deixar para um momento mais especial, um momento em que não estivesse bêbado.
–Eu te falar algo? –Dissimula.
–Sim, você acabou de falar que tinha algo para me dizer.
–Falei? Nossa devo estar muito bêbado. Acho que esqueci.
Armando começa a rir e Betty desconfia que ele esconde algo, mas ele a puxa para mais um beijo apaixonado e ela logo esquece suas suspeitas. Apesar de todos os mal entendidos ocorridos, ambos estavam felizes de estarem novamente um nos braços do outro.
Continua.
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