Mudanças

34 Capítulo 34


Notas iniciais
Queridas leitoras, me perdoem pela demora, mas estou ficando sem tempo nenhum para escrever. Sei que não interessa a vocês, mas gostaria de me justificar. Curso história e estou num período de provas e trabalhos, por isso, pode ser que até inicio do mês que vêm eu não consiga postar, mas não se preocupem, passando essa fase, voltarei como antes, postando mais de uma vez na semana. Novamente, peço desculpas pela demora. Sem mais, deixo-lhes mais esse capítulo. Forte abraço para todas.

Quando chegou a hora do almoço, Betty deu um jeito para que todo o quartel fosse almoçar pagando uma refeição completa para elas no correntazo. Como Patrícia não iria almoçar, ela tratou logo de arrumar um trabalho para ela realizar no atelier de Hugo. Feito isso e com o caminho livre, ela e Armando foram para o hospital. Saíram pela garagem para que Wilson não os visse e pegaram um táxi na esquina.

Armando foi atendido e realmente tinha quebrado o dedo anelar da mão direita. Como não era uma fratura grave, o médico colocou uma tala e lhe deu alta. Betty o acompanhou até seu apartamento. Ao chegarem, ela entrou para tomar um pouco de água.

–Como está o dedo? –Betty questiona.

–Melhor. Já não incomoda mais.

–Já que o doutor está melhor, eu já vou. Ainda tenho muito a fazer na Ecomoda.

Betty vai se despedir dele com um selinho, mas Armando a puxa para si e lhe dá um apaixonado beijo que os deixa sem fôlego.

–Não vá. Fique aqui. –Ele pede.

–Sabe que não posso. Por mais que queira ficar, tenho que voltar. Que explicações daria para as meninas do quartel se não aparecesse mais hoje?

–Você é inteligente, vai pensar em uma desculpa.

–Não posso, doutor.

–Vai passar aqui depois do trabalho então?

–Posso tentar.

–Tá bom, te espero então.

Eles de despedem com mais alguns beijos e Betty vai embora, vai para a Ecomoda. Armando fica, só, em seu apartamento. Ele aproveita o tempo para desfazer a mala. Arruma suas coisas em poucos minutos. Após feito isso, ele sente o peso da solidão daquele local. Sem sua Betty, nada mais lhe trazia o prazer que tinha antes. Suas músicas o aborrecem, a televisão não o distrai.

–Já não sei mais viver sem você, Betty. Minha Betty. –Diz após desligar a televisão.

Ele pega as chaves de seu carro e sai. Desde que havia saído de viagem ele estava pensando em uma possibilidade, mas, ao ter Betty novamente em seus braços e sentir o vazio que se converterá seu apartamento, não restava mais dúvidas. A possibilidade se tornaria real: pediria Betty em casamento. Com esse pensamento dirigiu até uma luxuosa joalheria e não pensou duas vezes quando um atendente veio perguntar-lhe se precisava de algo e pediu logo para ver os anéis de compromisso que tinham disponíveis. O atendente prontamente lhe mostrou os melhores pares. Após ver vários, finalmente se decidiu. Para ele escolheu um simples de ouro, sem detalhes, liso. O dela também era de ouro, simples, mas com vários diamantes minúsculos incrustrados ao seu redor. Após pagar pelas joias, colocou a delicada caixinha no bolso e saiu de lá sorridente.

Betty estava trabalhando em sua sala quando escuta um burburinho vindo de fora. Ela sai irritada e vai ver o que acontece. Dá de cara com as secretárias cercando a Armando. Elas festejavam seu retorno e indagavam sobre sua mão e seus dedos enfaixados. Após dar uma pequena desculpa, se desvencilhou delas e caminhou até Betty. Ela o olhava com um leve sorriso no rosto.

–Doutora, como vai? –A cumprimentou.

–Vou bem, doutor. Voltou mais cedo pelo que vejo. Não era para estar descansando e cuidando dessa mão?

–Até era, mas não consigo me afastar da empresa por muito tempo. Tenho uns assuntos para tratar com você. Será que poderíamos ir até sua sala?

–Claro que sim.

Armando caminha com Betty até a sala da presidência e assim que fecham a porta ele agarra Betty e começa a beijá-la com desespero. Só para quando lhe falta ar nos pulmões. Betty se afasta um pouco dele e fala:

–Doutor, pare. Estamos em horário de trabalho. Já não basta hoje cedo?

–Deixe-me pensar... Não. Não basta o de hoje cedo. Eu preciso de você 24 horas do meu dia.

Armando volta a beijá-la, mas Betty se afasta dele rindo.

–Doutor!

–Que foi?

–Se acalme um pouco. Minha roupa ainda está amarrotada de hoje e o meu pescoço marcado. Não podemos mais, não aqui.

–Tá bom. Você venceu.

Armando suspira e se senta no sofá e convida Betty para sentar-se ao seu lado. Ela obedece.

Agora me diga o que veio fazer aqui de novo.

–Fiquei com saudades e não tenho nada para fazer naquele apartamento. Aqui eu consigo trabalhar e me distrair um pouco.

–Já que quer trabalhar, me diga como foi na Venezuela.

–Fui bem. O contrato já foi fechado e não precisamos mais nos preocupar.

–E a tal Alejandra?

Armando começa a rir e deixa Betty irritada.

–Ciúmes de novo, doutora monstro?

–Não, apenas quero saber quem são as pessoas com quem negociamos. –Emburrada.

–Ei, pergunte logo o que você quer, sem rodeios. Quer saber se ela é bonita, é isso? Se eu olhei para ela?

Betty fecha mais ainda a face e Armando acha graça.

–Se é isso, permita-me falar que você é muito mais bonita que qualquer Alejandra e que só tenho olhos para você.

Betty se vira para ele com um brilho no olhar.

Armando sorri para ela, já iria beija-la novamente quando Aura Maria entra sem bater. Ela dá um salto e se levanta do sofá.

–Não sabe bater antes, Aura Maria? –Armando questiona com certa irritação.

–Me desculpe, doutor. É que tem uma mulher aí querendo falar com o senhor. –Aura Maria informa.

–Pois diga que não estou. Será que não percebe que agora estou ocupado conversando com a nossa presidente?

–Mas acho melhor o senhor recebe-la. Ela parece ser importante.

–Não interessa. Mande-a embora e que volte daqui a dois dias que é quando eu estarei oficialmente de volta para a empresa.

–Tem certeza, doutor? Não é melhor o senhor ir a ver primeiro.

–Não quero ver ninguém, Aura Maria.

Nesse momento a tal mulher se aproxima da porta e questiona:

–Nem mesmo a mim, Armando?

–Alejandra. Mas você não viria só daqui a dois dias?

–Assim como você, adiantei minha viagem.

Alejandra adentra a sala e dá um caloroso abraço em Armando. Aura Maria fica com um sorriso malicioso e cutuca Betty para ela ver também a intimidade entre os dois. Betty se corrói por dentro de ciúmes ao perceber como era bonita a executiva.

Alejandra, após o abraço, percebe que Armando machucou a mão e a segura.

–O que houve com sua mão, Armando? –Ela questiona ainda segurando a mão dele.

Armando percebe o olhar de ódio que Betty tem e rapidamente puxa sua mão das mãos de Alejandra. Ele responde:

–Não foi nada. Um pequeno acidente, bati com ela na parede. Não se preocupe. Alejandra, já conhece nossa presidente?

Armando as apresenta e elas trocam um forte aperto de mãos e de olhares.

–Armando falou muito de você, doutora Pinzón. –Alejandra comenta.

–Então tiveram bastante tempo juntos lá para poderem conversar? –Betty questiona.

–Um pouco. Ficava com pena dele tão solitário lá e acabamos nos tornando bons amigos. –Alejandra responde.

Armando sorri sem graça pelo comentário e Betty apenas o olha com desaprovação.

Armando sabia muito bem que aquele olhar de Betty não traria boas coisas para ele. Ela estava enciumada e com raiva.

Continua.