Mudanças
35 Capítulo 35
Armando, Betty, Alejandra e Aura Maria ainda estavam na sala da presidência e Betty estava sentindo imensos ciúmes de Alejandra que só aumentaram ao descobrir que eles se tornaram amigos na Venezuela.
Armando notava que ela estava com ciúmes, mas não poderia destratar uma cliente como Alejandra. Sabia que estava em sérios problemas com Betty, mas teria que se segurar para não gritar ali mesmo, na frente de todos, o quanto a amava.
Alejandra notou que Armando estava um pouco estranho, mas preferiu ficar calada. Ele havia sido muito amável na Venezuela e agora estava arredio. Deduziu que a mulher que ele amava só poderia trabalhar naquela empresa para ele estar com aquela atitude.
–Se não estiver cansado, Armando, eu gostaria de conhecer a empresa. –Alejandra pede.
Armando olha com receio para Betty e responde:
–Alejandra, agora eu acho que não poderei. Estava aqui tratando um assunto com a nossa presidente, mas posso pedir para uma das secretárias lhe acompanhar.
–Não, doutor. Depois resolvemos nosso assunto. Leve a senhorita Zinng para conhecer a empresa. –Betty fala.
–Tem certeza, doutora? –Ele pergunta estranhando a atitude de Betty.
–Certeza. Nosso assunto pode esperar, mas uma cliente importante como ela não.
–Tá bem, mas não quer vir junto? Adoraria que nos acompanhasse.
–Agora não posso, estou atolada de trabalho. Mas vão vocês.
Armando e Alejandra saem e Betty fica sozinha na sala com Aura Maria.
–Até que formam um bonito casal, não é Betty? Esses dois devem ter tido algum rolo lá na Venezuela. Se tratam com tanta intimidade.
Betty olha com os olhos arregalados para a amiga e responde:
–Você também não tem trabalho para fazer, Aura Maria?
Aura Maria vê que Betty está ficando irritada e se retira. Betty senta-se no sofá e começa a se sentir novamente insegura em relação a Armando.
–Será que Aura Maria está certa e que Armando teve algo com a senhorita Zinng?
Armando mostra toda a empresa para Alejandra e, por onde passaram, os funcionários comentaram que aquela deveria ser a nova conquista do chefe.
Após o tour pela empresa, Armando deixa Alejandra na sala da vice presidência, pede para aguardar um pouco lá e manda que Sandra lhe leve um café. Aproveita esse momento e vai falar com Betty na sala da presidência. Ele entra com um largo sorriso para ela. Ela estava trabalhando em seu computador e finge que não o vê.
–Meu amor? –Armando diz um pouco receoso.
–O que quer, doutor? –Pergunta, irritada.
–Queria ficar um pouco com você.
–E a senhora Zinng, já foi?
–Está lá na minha sala. Pedi para Sandra levar um café para ela.
–Vá lá ficar com ela. Não é certo deixar uma cliente como aquela sozinha.
–Mas eu quero ficar com você. Não me importa que a Alejandra fique sozinha, me importa se você ficar.
–Mas ela ficava com pena de você lá solitário na Venezuela e, pelo que entendi, se tornaram bons amigos.
Armando finalmente compreende que sua Betty está morrendo de ciúmes. Sabe que está enrascado, mas não deixa de colocar um sorriso bobo nos lábios. Lhe alegrava saber que causava ciúmes na amada. Ele se aproxima de Betty e se ajoelha em frente a cadeira dela. Ela mantém o semblante fechado e os braços cruzados.
–Ficamos amigos lá sim, não nego. Alejandra me proporcionou boas conversas.
–E diz isso assim na minha cara?
–Calma, não falei quais eram os assuntos.
–E quais eram?
–Eu só falava sobre a pessoa maravilhosa que eu amo e que estava longe de mim. Alejandra, coitada, não aguentava mais ouvir eu falar o quanto amo uma mulher muito especial que conheci e por qual eu me apaixonei perdidamente.
Betty começava a ceder. Seu semblante começava a ficar sereno e Armando percebe isso. Ela havia até mesmo descruzado os braços e os apoiado sobre os apoios na cadeira.
–Doutor...-Sua voz soou fraca.
–Não se atormente. Entre ela e eu só há uma amizade. Ou acha que se eu tivesse tido algo com ela eu iria chegar tão sedento de você?
Betty enrubesceu com o comentário.
–Betty, eu só desejo você. Só de ficar aqui ao seu lado eu já me sinto queimar por dentro. Não sabe quantos banhos gelados tive que tomar esse mês por não te ter. O simples fato de pensar em você já mexe comigo.
Armando se levanta e puxa Betty para si a beijando. Ela cede ao beijo e corresponde.
–Acha que isso eu consigo sentir por qualquer mulher. Acha que ele fica assim por qualquer uma com apenas um beijo? –Armando pega a mão de Betty e a leva até seu sexo.
Betty envergonhasse na hora ao ver como Armando já estava ficando excitado e retira sua mão.
–Agora compreende o que sinto por você? Só você faz isso comigo. E esse traidor-Apontando para sua calça. -não me obedece mais. Parece que ele tem obsessão por você.
Betty envergonhasse mais ainda pelo comentário e fica vermelha de vergonha.
–Aí, doutor. Não fale essas coisas. Me deixa sem graça.
–Mas é a mais pura verdade. Sabe, Betty, tem uma coisa que vim disposto a fazer antes da Alejandra chegar. Ela acabou me atrapalhando um pouco.
Armando começa a procurar o anel em seus bolsos. Quando finalmente o acha e está prestes a tira-lo de lá para fazer o pedido, Aura Maria entra na sala sem bater. Armando desiste da ideia e deixa o anel do bolso. Vira-se para Aura Maria e, furioso, diz:
–Aura Maria...
–Já sei, bata antes de entrar. –Ela o interrompe. –Mas é, doutor, que a doutora Alejandra quer ir embora e pediu para o chamar.
Betty fecha novamente seu semblante e Armando olha para os céus como se pedisse paciência.
–Um minuto e já vou, Aura Maria. Avise-a, por favor. –Ele diz.
Aura Maria se retira da sala.
–Vá lá, doutor. Vá atender a sua boa amiga. –Ela fala de uma forma ríspida.
Armando abriu a boca para contestar, mas desistiu. Se recomeçasse a discutir com Betty não sairia dali tão cedo. Colocou a mão no bolso e sentiu a caixinha do anel. Também não poderia fazer o pedido naquele momento. Era provável que os dois acabassem em choro e entre o sofá, novamente. Então, com um último suspiro e antes de sair da sala, disse:
–Não saia daqui. Vou lá ver o que Alejandra quer e volto já.
Assim que Armando saiu, Betty sentou-se pesadamente em sua cadeira e várias dúvidas, que há tempos não a atormentavam, começaram a pairar sobre sua mente. Lembrou-se, em especial, das últimas palavras que Marcela havia lhe dito antes de viajar. Será que era apenas um passatempo para Armando?
Armando chegou rapidamente em sua sala e encontrou Alejandra pronta para sair.
–Já vai? –Ele questionou.
–Vou sim. Vejo que você tem muitas coisas para fazer na empresa e eu estou cansada pela viagem. Quero me deitar um pouco.
–Sendo assim, eu lhe acompanho até a saída.
–Muito gentil.
Alejandra sai em direção ao elevador com Armando. No caminho eles conversam sobre pequenas coisas que passaram na Venezuela e se divertem, riem das situações lembradas. O quartel, porém, fica atento a ver como sorriem e conversam descontraidamente. Assim que adentram o elevador, Aura Maria corre para a sala de Betty para contar a mais nova fofoca.
–Betty! –Fala esbaforida.
–O que foi, Aura Maria?
–Tenho uma fofoca daquelas. Seu Armando com certeza tem algo com essa daí. Tinha que ver como ele passou agora. Estava todo sorridente e feliz. Acho até que ele foi levar ela para o hotel. Aí sabemos que essa carona vai terminar na cama.
Aquelas palavras haviam sido como espinhos no coração de Betty. Era segurou o choro para que Aura Maria não percebesse.
–Isso é uma coisa que diz respeito somente a eles, não nos interessa.
–Mas eu achei que fosse gostar da fofoca.
–Aura Maria, eu tenho que trabalhar.
Aura Maria sai da sala reclamando. Betty desaba sobre sua mesa em choro.
–Que boba fui. Realmente não mudou, Armando Mendoza.
Continua.
Fale com o autor