Mudanças
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Betty ficou tensa o resto do dia. Apesar de ter trabalhado até tarde, um nome não lhe saía da cabeça: Alejandra. O fantasma da incerteza começou a atormenta-la novamente. A tentação de ligar para Armando e tirar satisfações era forte, mas estava na empresa e alguém poderia perceber. Também não queria ser possessiva como era Marcela, mas aquilo estava a matando por dentro. Decidiu esperar ele ligar à noite.
Foi para casa, tomou banho, jantou um pouco e se dirigiu ao seu quarto para aguardar a ligação. Depois de quase uma hora esperando, seu celular tocou e Betty atendeu ao primeiro toque.
–Meu amor? –Armando falou.
–Oi, Armando. –respondeu, secamente.
Armando estranhou o tom de voz de sua Betty, deduziu que algo se passava.
–Que voz é essa, Betty? O que se passa? Daniel te fez algo?
–Nada, Armando.
–Por que essa indiferença? Beatriz, se você não me contar o que se passa, te juro que volto no primeiro avião que conseguir.
–Quem é Alejandra?
–Quem é quem?
–Alejandra, Armando. Você me entendeu. Ouvi ela te chamando hoje cedo quando te liguei.
Armando começa a rir descontroladamente e deixa Betty irritada.
–Pare de rir, doutor. Quer fazer o favor de me explicar quem é ela?
–Está com ciúmes, doutora? –Ele diz em tom de deboche.
–Armando Mendoza, estou falando sério! –Mais irritada ainda.
–Me desculpe, Beatriz. É que achei adorável perceber que está com ciúmes. Alejandra é uma executiva aqui da moda. Ela está bastante interessada em nossa franquia. Acho que ela pode vir a se tornar uma importante cliente.
–Alejandra é uma executiva? –Mais calma.
–Sim, meu amor. Não achou que eu arrumaria uma amante por aqui sabendo que tenho uma belíssima mulher que espera por mim aí, achou?
Betty percebe que agiu sem pensar e se sente envergonhada por ter suspeitado de Armando. Fica sem saber o que dizer.
–Betty, ainda está aí? –Armando questiona após alguns segundos de silêncio.
–Doutor, me perdoe.
–Te perdoar por quê? Por me amar e sentir ciúmes? Betty, não há nada para lhe perdoar.
–Mas estou o sufocando. Não tenho motivos para sentir desconfianças.
–Não me sufoca, muito pelo contrário, adoro essa sua preocupação, seu ciúme. Betty, suas desconfianças tem fundamento. Não me orgulho do meu passado, fui um canalha, talvez a pior das pessoas, mas mudei. Mudei por você. Você me ensinou a amar. Hoje eu não quero mais saber de casos vazios. Só quero você. Só desejo a mulher que está em meu coração. Só amo você.
Betty se emociona e começa a chorar.
–E eu só amo você, doutor. No meu coração também não há espaço para mais ninguém.
–Te amo, Betty. Não vejo a hora dessa maldita viagem acabar para estar aí ao seu lado.
Eles continuam a conversarem uns minutos mais.
No dia seguinte Betty acorda revigorada. A conversa que teve com Armando lhe devolveu as forças. Após se arrumar e tomar café, seguiu para a Ecomoda. Chegou lá sorridente e logo foi recebida por Aura Maria.
–Bom dia, Aura Maria!
–Bom dia, Betty, Que sorriso, hein! A noitada deve ter sido daquelas.
–Tive uma boa noite sim, mas não dessas a que se refere. Depois me passe a agenda de hoje, por favor.
–Claro. Ah, Betty?
–Que foi, Aura Maria?
–O doutor Valencia está na sua sala. Chegou cedo e insistiu te esperar lá. Como é um dos donos, não pude negar.
–Não há problema. Você não tem culpa.
Betty entra em sua sala e encontra Daniel sentado em sua cadeira. Ele se levanta ao vê-la, se aproxima dela e lhe dá um cordial beijo na bochecha. A direciona até a cadeira e puxa para que ela se sente. Ele se senta na cadeira de frente para ela.
–O que quer, doutor Valencia?
–Vim apenas me despedir.
–Vai viajar?
–Por mais que não queira me afastar de você, terei que viajar. Estou começando uns negócios e terei que me ausentar uns dias. Viajarei para Medellín e não sei quando volto.
–Me alegro. Ao menos terei paz por uns dias. Espero que suas negociações saiam bem.
–Tenho certeza que sairão. Agradeço pela preocupação.
–Doutor Valencia, peço desculpas, mas hoje tenho muito trabalho. Se não tiver nenhum assunto relacionado à empresa, peço que me deixe trabalhar.
–Claro que sim, doutora. Não tomarei mais seu tempo. Só vim mesmo me despedir e lhe dar uma explicação sobre minha ausência.
Daniel se levanta e Betty faz o mesmo. Ela estica a mão para ele, mas ele quer mais que um aperto de mão. Ele contorna a mesa e Betty começa a se afastar. Ele a encurrala na parede e a prende com os seus braços.
–Me deixe ir, doutor Valencia!
–Não, doutora. Não sei se reparou, mas hoje não trouxe nenhuma lembrança, nenhum presente para você jogar no lixo. O que te darei hoje, você não poderá jogar fora e lhe garanto que será o melhor que já lhe dei.
Dito isso, Daniel cola seus lábios nos de Betty. Ela resiste e ele tenta aprofundar o beijo. Ele só para depois de alguns segundos. A solta e se afasta dela. Betty fica em choque e Daniel sai rindo.
–Para não me esquecer, doutora. Nos vemos dentro de alguns dias. –Daniel fala antes de sair da sala.
Betty, com dificuldade, caminha até sua cadeira e se senta. Sentia suas pernas bambas. Estava nervosa e tensa.
–Se Armando souber, ele o mata, o mata. E agora, meu Deus, conto ou não?
Betty fica pensativa em sua cadeira enquanto limpa a boca com um lenço de papel. Sentia nojo do beijo de Daniel. Agora viveria um dilema: contar ou não contar o ocorrido para Armando. Qualquer uma das decisões que tomasse traria resultados indesejados para sua vida. Se contasse, Armando se enfureceria e ela não sabia, ao certo, a reação que ele teria. Se não contasse, Daniel continuaria a importuná-la. Estava entre a parede e a espada.
Continua.
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