Mudanças

33 Capítulo 33


Betty ficou temerosa pela reação que Armando pudesse ter se contasse que Daniel a beijou. Não achou prudente contar a noticia por telefone. Não queria esconder nada dele, mas não teria coragem de contar isso assim. Preferiu esperar ele retornar.

Por sorte de Betty, os negócios de Daniel se complicaram e ele precisou ficar mais que o esperado em Medellín. Armando, em contrapartida, conseguiu adiantar as coisas na Venezuela e voltaria dois dias antes do esperado, mas não disse nada para Betty. Queria lhe fazer uma surpresa.

Os restantes dos dias sem Armando foram tranquilos para Betty. Apesar do trabalho em dobro, ela estava tranquila porque Daniel havia parado de mandar presentes. Ela estava ansiosa porque sabia que dali a dois dias seu adorado doutor estaria de volta. Com esse pensamento animador foi trabalhar. Chegou à empresa, cumprimentou cordialmente Aura Maria e foi para sua sala. Chegando lá se sentou na sua cadeira. Armando já estava na empresa, mas ninguém o havia visto chegar. Esperava ansiosamente Betty na salinha, na caverna. Assim que ouviu Betty chegar, saiu de lá silenciosamente e a abraçou por trás da cadeira. Ela se assustou, levantou-se bruscamente da cadeira derrubando a Armando e soltou um grito.

–Ei, calma. Sou eu. –Armando diz se levantando do chão.

–Doutor?

–Esperava outro?

–Mas o senhor não volta só daqui a dois dias?

–Consegui vir mais cedo. Mas que raios de recepção é essa? Achei que ficaria feliz de me ver e correria para meus braços.

Betty não resiste mais e se lança nos braços de seu amado. Armando dá lhe um leve beijo e começa a aprofunda-lo cada vez mais. Só param quando lhes falta o ar.

–Isso sim é recepção. –Armando brinca abraçando a Betty.

–Que saudades estava de você.

–E eu de você, Betty. Não sabe a vontade que tenho de ficar com você. Te sentir novamente. Vamos fugir daqui, vamos para um lugar mais privado.

– Doutor, acabamos de chegar. O que as pessoas irão falar se sairmos os dois juntos e ficarmos fora a tarde toda?

–Ninguém me viu chegar. E, se não podemos sair, que tal se ficarmos aqui? –Ele questionou enquanto dava beijos pelo pescoço de Betty.

–Doutor, não faça assim. Não vou resistir e alguém poderá nos ver.

–Não resista. Eu também já não aguento mais. Já estou ardendo de desejo.

Nesse momento batem na porta. Armando solta Betty e corre para a salinha. Betty tenta se recompor e manda a pessoa passar. Era Aura Maria.

–O que quer, Aura Maria?

–Vim trazer aqueles papéis que me pediu quando chegou.

Aura Maria coloca as pastas sobre a mesa de Betty e começa a olhar para a patroa.

–Que foi? Por que me olha tanto?

–Você está com uma marca vermelha no pescoço. – Diz apontando.

Betty fica sem graça e se encolhe com o intuito de esconder a prova dos beijos de Armando.

–Foi um mosquito, eu acho.

–Parece um chupão, mas você chegou sem ele e como não há nenhum homem aqui, só pode mesmo ter sido um mosquito. Depois eu peço para dedetizarem aí. Aqui tem dado uns insetos chatos ultimamente.

–Depois resolvemos isso.

–Quer mais alguma coisa, Betty?

–Não, obrigada.

Aura Maria sai da sala e Armando sai da salinha rindo.

–Vem cá com o seu mosquitão. –Armando brinca e puxa Betty enchendo o pescoço dela de beijos.

–Para, doutor. Que explicação vou dar para isso? –Aponta para o pescoço

–Mosquito. Um mosquitão que te adora e está sedento de você.

Armando continua com os beijos e Betty começa a ceder. Dentro de pouco tempo ela se vê sem seu blazer e Armando começa a desabotoar alguns boatões da camisa dela. Ela segura sua mão o impedindo.

–Doutor, podem entrar. –Ela fala com a voz embargada pelo desejo.

Armando A solta, vai até a porta e a tranca. Ele volta a acaricia-la, a Beija-la com desejo. A conduz até o sofá da sala. Dentro de pouco tempo estão ambos sem roupa e satisfazendo, com fervor, o desejo que os consumia.

Após o amor feito as pressas no sofá, descansavam um nos braços do outro enquanto esperavam as suas respirações voltarem ao normal.

–Que loucura foi essa que acabamos de fazer? –Betty questiona, um pouco envergonhada.

–Fizemos amor e foi delicioso. Deveríamos repetir mais vezes.

–Mas não na empresa. Isso não é local apropriado. Está cheia de gente agora.

Betty se levanta e começa a recolher suas roupas e a vestir-se, envergonhada. Armando ri da situação.

–Se vista, doutor. –Betty diz enquanto joga a camisa para ele.

–Me vestir agora? Não, terei dois trabalhos.

–Dois trabalhos?

–Me vestir e me desvestir. Ainda estou com saudades e não pretendo parar só nesse sofá.

Armando se levanta do sofá e abraça novamente a Betty e começa a despi-la e beija-la. Ela resiste um pouco no começo, mas acaba cedendo. Dentro de pouco tempo ele a coloca sentada sobre a mesa e termina o que começou.

Ela, ainda sobre a mesa, descansa abraçada a Armando.

–Ainda falta estrear sua salinha. –Armando brinca.

Betty fica vermelha de vergonha e rapidamente se afasta dele e se veste. Armando se senta sobre a mesa e olha a tudo admirado.

–Você terá dois trabalhos, meu amor.

–Só terei um. Chega de fazer amor na empresa em horário de trabalho, Armando. É muita imprudência nossa. Olha só, minha roupa está toda amarrotada.

–Mas valeu a pena, fale a verdade.

–Sim, doutor. Foi lindo. Mas o senhor é um louco e me induz a fazer essas loucuras junto. E, por favor, se vista. Já estou ficando sem graça de ver você aí sem nada.

Armando ri e começa a vestir-se. Betty já está vestida e tenta desamarrotar sua roupa. Armando a abraça novamente e ela se afasta.

–Não que mais me abraçar?

–Claro que quero, doutor, mas não quero amarrotar mais essa roupa e nem mais marcas vermelhas no pescoço.

–Sua roupa não pode ficar mais amassada e o seu pescoço, digamos que foi um uma pequena infestação de mosquitos. –Ele brinca.

Nesse momento batem na porta e Armando corre para a salinha. Betty destranca a porta e se acomoda em sua cadeira para que os amarrotados em sua roupa não apareçam tanto.

–Entre.

Aura Maria entra com um urso de pelúcia que ela mal conseguia segurar por ser quase do tamanho dela e o coloca no chão ao lado de Betty.

–O doutor não desiste mesmo de você, mas dessa vez ele exagerou. –Aura Maria diz rindo.

–Só me faltava essa agora. O Freddy está?

–Não, ele saiu para pagar umas faturas.

–Quando chegar, peça para ele levar esse troço para as crianças no orfanato.

–Mas vai dar esse também? Esse está tão bonito.

–Vou. Não quero nada do doutor Valencia.

–Você é quem sabe. Se eu fosse você, agarrava logo o doutorzinho. Mesmo sendo chato, é um gato.

–Aura Maria, por favor.

–Desculpe. Betty, se eu fosse você, passava alguma pomada ou álcool nessa picada de mosquito. Parece que ficou mais vermelha. –Diz apontando para as marcas no pescoço.

–Depois eu passo. Irritou um pouco porque cocei, mas não é nada.

–Se não precisa mais de mim, me retiro.

Aura Maria sai da sala. Assim que Armando escuta a porta bater, sai furioso da pequena salinha.

–Quer dizer que o Daniel tem te mandado presentinhos?

–Quase todo dia. Ele cismou que quer me conquistar.

Armando se aproxima do urso e pega o cartão que estava pendurado no laço dele e o lê:

Querida doutora,

Me tardarei mais uma semana em Medellín, Desculpe pelos outros dias que não pude te enviar presentes. Fiquei sem tempo e não queria deixar que ninguém escolhesse por mim. Esse urso eu escolhi pensando no nosso beijo. Algo grande para algo importante que nos aconteceu.

Daniel Valencia.

Armando, ao acabar de ler o cartão, se virou para Betty e Perguntou enraivecido:

–Você beijou o Daniel?

Betty havia sido pega de surpresa. Não sabia o que o louco do Daniel tinha posto no cartão. Rapidamente retirou o papel das mãos de Armando e o leu. Armando a olhava com ódio.

–Ele me beijou. –Falou após terminar de ler.

–E você gostou?

–Claro que não, doutor. Ele me encurralou contra a parede e me roubou o beijo. Senti nojo.

–Será que foi só beijo mesmo que ele roubou? Um ursão desses aí não é por um mero beijo.

–Está me ofendendo, Armando. Como pode pensar que tenho algo com Daniel se acabamos de fazer amor?

–Não penso nada, mas as provas estão aí.

–As provas estão aí? Que culpa eu tenho se aquele louco está interessado em mim? Se não acredita no que digo, pergunte para qualquer das secretárias os destinos que eu dei para os presentes dele.

–Para os que elas viram eu acredito, mas e para os que elas não viram?

–Não confia mesmo em mim, não é? –Lágrimas começam a escorrer dos seus olhos. –Eu sempre soube que não daríamos certo, mas meu coração teimoso acreditou no senhor.

Aquelas palavras e aquelas lágrimas de Betty foram o balde de água fria que levou Armando de volta para a realidade. Ele percebeu que estava sendo injusto com ela novamente e que se tinha algo que não poderia duvidar era da lealdade daquela mulher. O ciúme o cegou e ele cometera o mesmo erro de antes.

–Betty, me perdoe. Claro que confio em você.

Armando tenta abraça-la, mas ela se afasta dele.

–Beatriz, não se afaste de mim. Não duvido de você, a amo e confio plenamente no que me diz. Se diz que foi um beijo roubado, eu acredito.

–Acredite no que quiser acreditar. Suas verdades são sempre as únicas que valem mesmo.

–Betty, por favor, não faça assim. Sabe que eu sempre levei tudo o que você falava em conta.

–No campo profissional sim, mas no pessoal...

–Eu mudei, mesmo que não acredite. Agora sabe melhor do que ninguém que você é o que há de mais importante na minha vida. –Lágrimas começavam a brotar de seus olhos.

–Já não sei mais no que acredito.

–Por favor, me entenda. Eu estou morto de ciúmes. Esse é um sentimento novo para mim, não sei como controla-lo. Sinto uma vontade enorme agora de matar o Daniel e se ele estivesse aqui na minha frente ninguém me impediria de fazê-lo. Não sabe o tamanho do ódio que sinto por ele nesse momento. Ele, com uma porcaria de uma pelúcia e um cartão, arruinou o nosso dia.

Armando começa a andar de um lado para o outro na sala e soca a parede num acesso de raiva. Rapidamente se contrai de dor. Quebrara o dedo anelar. Betty vê que ele segura a mão e que sua expressão é de dor. Não se aguenta e vai até ele. Puxa sua mão e começa a examina-la.

–Deixe-me ver.

Betty começa a esticar lentamente os dedos de Armando e, ao chegar no anelar ele se contorce de dor.

–Acho que quebrou. Temos que ir para o hospital. –Betty fala.

–Não podemos sair agora. Ninguém, além de você, sabe que eu já voltei.

–Com esse dedo assim é que você não pode ficar.

–Eu aguento, se você ficar perto de mim. Com você ao meu lado eu não sinto dor nenhuma.

–Não comece, doutor. Não agora. Vá para a salinha que eu já volto.

Armando obedece. Em poucos minutos, Betty retorna com uma pequena bolsinha de gelo que entrega para ele.

–Coloque isso sobre o dedo.

–Obrigado.

–Na hora do almoço, darei um jeito de distrair as meninas do quartel para irmos ao hospital.

–Vai comigo?

–Vou.

–Betty, me perdoe. Falei sem pensar.

Betty vira de costas para ele e começa a se dirigir para a porta. Armando vai até ela e a abraça por trás. Ela se detém ao toque dele. Seu corpo era um traidor que tremia, vibrava com a proximidade entre eles.

–Me perdoe, meu amor. Fui um animal por pensar que você poderia ter algo com o Daniel. –Sussurra ao ouvido dela.

Betty continua imóvel, apesar de querer virar e abraça-lo.

–Eu te amo e sei que também me amas. Não duvido de você.

Armando a vira para si e deposita um terno beijo nos lábios dela. Betty se deixa levar e corresponde.

–O perdoo, doutor. Sei que o ciúme é um péssimo conselheiro. –Ela diz quando o beijo cessa.

Armando apenas sorri e volta a beija-la. Ele a amava e não tinha dúvidas disso. Também confiava plenamente na fidelidade dela. A única coisa que ele não sabia era se conseguiria se segurar quando visse Daniel de perto.

Continua.