Mudanças

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Gostaria de deixar meu agradecimento especial para a querida Paula Caroline que recomendou a fic. Muito obrigada, querida leitora. :) Sem mais, deixo-lhes mais esse capítulo e espero que gostem. Grande abraço!

Após passar alguns bons momentos com Betty, Armando estava esgotado de cansaço. Não queria se afastar dela, queria passar a noite inteira ao lado da mulher que amava, dormir abraçado a ela e acordar assim, mas sabia que não podia. Após deixar ela em casa, voltou para seu apartamento e deitou-se em sua cama. A viagem que teria que fazer não lhe saia da cabeça. Não queria se afastar da mulher que mais amava e tinha medo de que, no tempo em que ficasse longe, ela descobrisse o canalha que ele fora e se apaixonasse por alguém que a merecia. Pela primeira vez em sua vida sentia-se inseguro em relação a uma mulher. Com pensamentos como esse, adormeceu. O cansaço o venceu.

Assim que acordou no dia seguinte, Armando levantou-se tristemente, arrumou-se e saiu. Dali a poucas horas estaria num voo para longe de tudo o que mais amava. Antes de chegar na empresa, passou numa floricultura e comprou um buquê de rosas brancas. Seguiu direto para a empresa. Ninguém poderia vê-lo entrar com aquelas flores. Por sua sorte, foi um dos primeiros a chegar, seguiu direto para a sala da presidência e se enfiou na caverna. Ali esperaria a sua adorada chegar.

Betty em sua casa também levantou cedo. Seu pai estranhou e logo resmungou falando que ela estava trabalhando demais, reclamou que o diabo era porco e que ela deveria se cuidar. Betty não discutiu, apenas disse que o trabalho era muito e necessitavam dela. Odiava mentir para seu pai, mas não havia outra opção. Queria chegar cedo na empresa para se despedir de Armando. Tomou um rápido café e correu para lá.

Assim que chegou na empresa, foi para sua sala. Armando, na caverna, escutou o barulho da porta se fechando e logo saiu de lá, assustando a Betty. Ela assim que o viu logo lhe abraçou. Ele retribuiu com um apaixonado beijo.

–O que faz aqui tão cedo na empresa? -Beatriz questiona.

–Já que vou ficar 30 dias longe de você, eu quero aproveitar o pouco tempo que tenho para estar ao seu lado. Imagino que teve a mesma ideia.

–Sim, tive.

–Não sei se vou conseguir ficar assim tanto tempo longe de você. Não quero ir nessa viagem.

–Também será difícil para mim, mas a empresa depende disso.

–Sei disso. Tenho mesmo que ir?

–É o melhor.

–Você me tortura desse jeito, Betty. Me promete que vai me ligar todo dia?

–Claro que ligo.

Armando sela o acordo com um beijo e se afastam rapidamente ao ouvirem a porta se abrir. Era Freddy.

–Não sabe bater antes, Freddy? -Armando pergunta.

–Doutor, doutora, me perdoem. Não sabia que já estavam aqui.

–O que quer?

–Nada, doutor. Vim apenas deixar essas faturas pagas na mesa da nossa presidenta. Faço isso toda manhã.

–Me dá aqui. -Armando pega os papéis. -Agora se manda.

Freddy vê que Armando já está irritado e prefere não discutir. Sai rapidamente de lá.

–Onde estávamos, doutora?

Armando já ia volta a beijá-la quando Aura Maria bate na porta. Betty se afasta dele e a manda entrar.

–Será que todos os funcionários resolveram chegar cedo hoje? -Armando resmunga.

Aura Maria fica confusa pelo comentário do chefe e Betty faz sinal para ela não falar nada.

–O que deseja, Aura Maria?

–Nada, Betty. É que chegaram umas flores para a senhora. -Aura Maria diz mandando um rapaz entrar carregando um enorme arranjo de rosas vermelhas.

Armando estava morrendo de raiva e ciúmes. O entregador deixou o enorme arranjo sobre a mesa e se retirou.

–Admirador secreto, Betty? -Aura Maria questionou com um sorriso malicioso.

–Não sei, Aura Maria. Deve ser algum engano. -Betty tenta disfarçar.

Aura Maria se retira da sala rindo e fecha a porta. Assim que ela Saiu, Betty correu e abraçou a Armando. Ele, porém, não retribuiu o gesto, apenas se manteve imóvel.

–Muito obrigada, amor. Não precisava. Sabe que é arriscado ficar mandando essas lembranças para a empresa. –Betty comenta.

Armando se afasta dela e fala de forma ríspida:

–Mas não mandei. As que trouxe estão lá na sua salinha junto ao cartão que eu escrevi. Deixei lá para que encontrasse depois que eu saísse. Essas daí deve ser de algum admirador.

–Não foi você?

–Claro que não. Não sou tão imprudente assim.

Betty corre até as flores e retira o cartão. Fica pasma quando lê o que estava escrito:

Esse é o primeiro dos 30 dias que tenho para te conquistar. Como disse, sou paciente Espero que goste dessa pequena lembrança.

Daniel Valencia

–Mas é muito descaramento da parte dele. –Betty comenta assim que termina de ler o cartão.

Armando, num impulso, retira o cartão das mãos dela e o lê. Ele fica possesso e começa a andar de um lado para o outro da sala e, num acesso maior de raiva, soca a parede e machuca a mão. Betty prontamente o abraça e começa a limpar a ferida que fez com o soco.

–Ei, calma. Tá bem?

–Eu vou matar aquele desgraçado, Betty. Dessa vez eu juro que mato ele. Como ele ousa olhar para você?

–Você não vai fazer nada contra ele. Ele só está fazendo isso para me chatear. Ele nunca me viu como mulher, tenho certeza.

–Eu não vou mais viajar então. Não posso te deixar aqui sozinha com ele.

–Você vai viajar sim. A empresa depende disso. Daniel não me fará nada. Quantas vezes ele já tentou e quantas vezes ele conseguiu o que queria?

–Você sempre o venceu. Ele nunca foi páreo para sua inteligência. Nem ele e nem ninguém. Você é monstruosa.

–Sou o que? –Betty questiona surpresa pelo comentário.

Armando vê que falou besteira e tenta contornar:

–Monstruosa, mas no bom sentido da palavra. Quer dizer que ninguém pode com você.

–Eu entendi. Só estou brincando, doutor.

–Ah, minha doutora monstro.

Armando puxa Betty para si e lhe dá um terno beijo.

Após conversarem mais um pouco e trocarem algumas juras de amor, Armando se despede, com dor no coração, e vai para o aeroporto. Betty, após jogar as rosas de Daniel no lixo, lembra-se que Armando mencionou que deixara uma lembrança para ela na salinha e corre até lá.

Marcela havia acabado de chegar na empresa e, ao passar pelas secretárias, escuta o burburinho acerca das flores que Betty recebeu. Logo imagina que foi obra de Armando. Não resiste e vai até a sala da presidência. Precisava falar com Beatriz.

Beatriz, na caverna, deixava teimosas lágrimas escorrerem ao terminar de ler o cartão, mas era um choro de alegria. Não resistiu e releu novamente o cartão:

Minha Betty,

Mal te deixei em casa ontem e já sentia sua ausência doer em meu peito. Sua essência já se entranhou em minha pele. Seu cheiro é o ar que preciso para viver. Já não suporto acordar no meio da noite e não te ter ao meu lado. Você é meu melhor vicio. Já não sei mais viver sem você, meu amor.

Beatriz, não sei como ficarei um mês sem te ver, sem poder te tocar, te beijar... Não me mate por possíveis ligações na madrugada, sei que não resistirei. Desde já conto os minutos para te ter novamente ao meu lado. A saudade já me corrói.

Espero que não me esqueça nesse tempo.

Do seu eterno apaixonado,

Armando Mendoza.

–Nunca o esquecerei.

Nesse momento Marcela entra na caverna e Betty tenta, em vão, esconder o buquê de rosas. Marcela já o tinha visto.

–Posso ajudar em algo, dona Marcela? –Betty pergunta surpresa pela presença dela ali.

–Você é um passatempo para ele. Isso –Ela diz apontando para as flores- ele também fazia no inicio no nosso relacionamento. Essa viagem será uma tentação. Se eu não consegui prende-lo, você também não conseguirá. Ambas sabemos como ele é.

Betty entendera perfeitamente sobre o que Marcela falava, mas se fez de desentendida. Não sabia como ela descobriu.

–Não sei do que fala, dona Marcela.

–Sabe sim, sabe melhor do que eu. É um conselho que te dou: se afaste antes que ele te largue como me largou.

Marcela se vira e sai da sala. Ela se segurava para não chorar. Ver as flores nas mãos de Betty era doloroso. Armando nunca havia sido tão atencioso a detalhes como esse quando eram noivos. Aquilo lhe partia o coração. Faria o que fosse para os separar. Não admitia ter perdido para Beatriz.

Betty em sua sala se perguntava como Marcela descobrira, mas o que mais a incomodava eram as dúvidas que ela havia deixado no ar. Apesar de amar Armando incondicionalmente, não era cega e sabia que o passado dele não era dos melhores. Ainda tinha receio de ele voltar a ser como antes. Marcela havia feito o favor de lembra-la disso. Agora ela sabia que essa viagem seria decisiva para o futuro dos dois como casal.

Continua.