Mudanças
23 Capítulo 23
Betty já estava na empresa trabalhando havia pouco mais que uma hora. Armando sempre que podia arrumava uma desculpa para ir até a sala de sua amada. Estava conversando animadamente sobre a noite anterior, em ele dançou com o quartel, quando Daniel entra sem bater. Armando rapidamente se levanta de sua cadeira e se põe em frente para Daniel.
–Já ouviu falar em bater na porta, Daniel? -Armando pergunta ríspido.
–Já, mas acontece que não tinha nenhum inútil dos seus empregados para me anunciar. Não é de se estranhar que essa empresa está como está. -Daniel alfineta.
–E o que quer aqui?
–Vim falar com a nossa presidente. Acho que ainda tenho o direito de saber como anda o pouco que me restou da herança de meus pais. Me permite uns minutos de seu tempo, doutora?
–Será que não está vendo que estamos ocupados aqui, Daniel? -Armando resmunga.
Betty fica um pouco assustada ao ver o olhar de ódio de Armando, mas prefere não contrariar Daniel e decide permitir os poucos minutos a ele.
–Está bem, Daniel, mas sejamos rápidos. Ainda estamos com muito trabalho por aqui. -Betty diz.
–Se precisar de mim, basta chamar. Estarei em minha sala. -Armando comenta enquanto sai batendo a porta.
Daniel coloca um sorriso no rosto e se senta na cadeira de frente para a mesa de Beatriz.
–Se veio aqui para a saber sobre a situação da empresa, já lhe informo que tudo caminha muito bem. Dentro de poucos meses a empresa voltará para as mãos de vocês.
–Me alegra saber disso, mas meu interesse aqui é outro.
–Outro?
–Sim, outro. Ontem eu te vi com a Catalina na rua. Não pude deixar de reparar como você está distinta. Sabe, Beatriz, você sempre me chamou a atenção, sua inteligência, sua segurança para os negócios. Você foi a única com capacidade para me contrariar, mas sua aparência não era das melhores.
–Eu era feia. Mas onde quer chegar com isso?
–Disse bem, você era feia. Agora está melhor apresentável, bem melhor.
Betty já estava ficando nervosa ao ver o rumo que a conversa estava tomando e Daniel percebeu isso.
–Senhor Valencia, estamos aqui para falar de assuntos profissionais ou para ficar comentando sobre minha aparência?
–Calma, doutora. Não precisa ficar na defensiva. Eu também vim aqui para falar da empresa, mas a senhora já me fez o favor de falar da situação dela e, para ser sincero, não é isso que me traz aqui no momento. O motivo de minha presença é você.
Betty fica desconcertada com a confissão de Daniel. Ele se diverte ao ver isso.
–Acho que estamos confundindo as coisas aqui. Nossa relação é estritamente profissional.
Daniel se apoia sobre a mesa e segura as mãos da Betty. Ela logo as puxa.
–Nossa relação não precisa ser só profissional, Beatriz. Sempre gostei de você, mas não ficaria bem para minha imagem que te vissem ao meu lado. Agora já não temos esse impedimento. O que me diz de sairmos para um jantar hoje?
–Eu o respeito muito, senhor Valencia, peço que faça o mesmo por mim. Nossa relação sempre foi profissional e gostaria que continuasse assim.
–Não sei o porquê tanto medo de mim, doutora. Eu não vou te morder. Dê-me uma chance de mostrar que podemos ser muito bons amigos ou até um pouco além disso.
Beatriz fica extremamente constrangida pelo comentário dele.
–Não, prefiro manter tudo no âmbito profissional e, se já terminamos de falar sobre a empresa, peço que se retire. Tenho muito trabalho pendente.
–Tudo bem, vou me retirar já que essa é sua vontade, mas não me darei por satisfeito. Nosso jantar fica para outro dia.
Dito isso, Daniel se retira da sala com um sorriso vitorioso. Armando estava disfarçando conversando com Aura Maria. Assim que viu Daniel entrar no elevador, largou a pobre mulher falando sozinha e correu para a sala de Betty. Chegando lá a encontra um pouco nervosa. Fecha a porta com chave e corre para abraça-la.
–O que aconteceu, meu amor? Por que está desse jeito? Se o maldito do Daniel te fez alguma coisa, me fale que eu mato ele agora.
–Não foi nada de mais, doutor.
–Você não estaria assim por nada, Beatriz. Me conta.
–Ele me chamou para sair, para jantar e insinuou que poderíamos ser mais que amigos.
–Eu mato aquele desgraçado.
Armando solta Beatriz e já vai em direção à porta, mas Betty é mais rápida e o detém.
–Não, meu amor. Não vale a pena. -Betty comenta segurando Armando pelo braço.
–Eu vou fazer ele te respeitar, Betty.
–Com qual desculpa? Ninguém sabe que eu e você estamos juntos, doutor.
–Isso é o que tem me matado. Principalmente agora que você está mais linda do que nunca, Beatriz. Eu te amo e não me sinto bem tendo que fazer tudo escondido, como se fossemos dois procurados.
–Também não me agrada, mas acredito que é o melhor. Podem pensar mal do senhor e de mim. Prefiro continuar assim até que o embargo acabe.
–Eu não. Deixem que pensem mal, que falem o que quiserem. Deixa eu gritar que te amo. Betty, eu tenho medo de que você ache alguém melhor que mim e que se apaixone. Sei que não fui o melhor dos homens e que você consegue arrumar algo melhor do que eu...
–Você é o único que eu amei, que eu amo e que eu vou amar, Armando. -Betty o corta.
–E eu a você.
Armando a beija de forma carinhosa, mas são interrompidos pelo telefone. Betty, mesmo com os protestos de Armando, sai para atender.
No telefone era Aura Maria e Betty fica alegre enquanto fala, Armado percebe e não gosta muito daquilo. Ela manda que Aura Maria deixe alguém passar. Assim que desliga o telefone, Betty vai até a porta e a destranca. Armando ainda está parado no meio da sala curioso com aquilo tudo. Dentro de poucos segundos Michel entra e dá um caloroso abraço em Betty. Armando fica parado, estático observando a cena.
–O francês! -Armando pensa alto.
Continua.
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