Mudanças

19 Capítulo 19


Marcela já não sabia mais o que pensar a respeito de Armando. Ela queria saber a verdade, saber o nome daquela que arrematou o coração do seu ex noivo, mas, se suas suspeitas estiverem corretas, ela teme a resposta. Sentia que enlouqueceria daquele jeito.

Armando estava conversando com Mario na sala deles.

–Armando, eu ainda vou continuar trabalhando nessa empresa? A Betty não falou nada e eu continuei no meu cargo, mas sei lá, ela não gosta muito de mim e pode querer colocar algum dos amiguinhos dela no meu lugar.. -Mario comenta

–Não seja bobo, Calderón, ela nunca faria isso.

–Não sei, eu que não coloco minha mão no fogo por ela.

–Prometo falar com a Betty se isso te deixar mais tranquilo.

–Melhor não dar essa ideia pra ela, senão acho que já vou começar a empacotar minhas coisas. Desde o ocorrido, não sei se você reparou, mas a sua Betty nem sequer me dirige a palavra. Me olha até com ódio.

–Não era pra você reclamar depois de tudo o que fez.

–Você também não foi nenhum santo e ela te ama.

–Ao menos me arrependi de tudo. Você continua o mesmo cafajeste de sempre.

–Assim que se cansar dela você também voltará a ser o cafajeste que era, Armando.

–Eu já estou bem resolvido, Calderon, já sei o que quero pra minha vida. Você é que me dá pena.

Em sua sala, Betty liga para casa e seu mãe atende.

–Filha, o que aconteceu?

–Nada, mãe. Só liguei para avisar que hoje vou chegar tarde novamente. Vou sair com as meninas. A senhora pode avisar o papai, por favor?

–Aviso sim, Betty. Pode ficar tranquila.

–Obrigada, mamãe.

–E Betty, mande lembranças ao doutor e não se demore muito para voltar senão teu pai te mata.

–O doutor, mamãe?

–Sim, o doutor. Vai sair com ele, não é? Me diga a verdade.

–Como sabe, mamãe?

–Você tem andado mais feliz e há dias reparei que o doutor tem te trazido em casa.

–Como sabe que ele tem me levado?

–O barulho do carro dele. Já estou conhecendo só de ouvir.

–Mamãe, só a senhora mesmo.

–Só quero que você seja feliz, filha. Te cuida.

–Obrigada, mãe.

Betty desliga e fica pasma de como sua mãe percebe as coisas sem que diga. Pensa também como tem sorte por seu pai não ser assim, caso contrário, ela estaria esganada e Armando morto.

Nesse momento Aura Maria bate na porta e Betty a manda entrar.

–Achei que o doutor estivesse aqui. Ultimamente ele não sai mais da sua sala. Deve estar de olho em você. -Aura Maria comenta rindo.

Beatriz fica sem graça com o comentário e percebe que as meninas já estão notando algo.

–Não, ele não está. Ele também tem ficado muito aqui para revisarmos uns contratos. -Betty explica gaguejando um pouco.

–E então, Betty, vamos sair hoje com as garotas? Marcamos uma leitura de cartas lá na casa da Sandra.

–Adoraria, Aura Maria, mas hoje não posso.

–Vai dizer que está cansada de novo?

–Não é isso.

–Vai sair com seu namorado?

Betty fica um pouco nervosa, mas não deixa transparecer.

–Não, Aura Maria, como crê?

–Então o que, Betty? Me dê uma boa desculpa para não sair conosco hoje.

Nesse momento Armando estava entrando na sala e ouve o final da conversa.

–Por que ela vai sair comigo, Aura Maria. -Armando diz

Betty olha com desespero para ele e mais desesperada ainda para Aura Maria ao ver que ela esboçou um sorriso malicioso no rosto.

–É um jantar de negócios. -Armando completa.

–Com quem? Não vi nada marcado em sua agenda. -Aura Maria comenta.

–Comigo e com ela, Aura Maria. Precisamos revisar alguns contratos e não estou a fim de ficar aqui enfurnado nessa sala então a chamei para jantar. -Armando responde já ficando irritado.

–Deixa pra outro dia então, Betty. Aproveite bem esse jantar. -Aura Maria diz dando uma piscada para Betty e se retira da sala.

Betty está vermelha de vergonha e Armando não consegue conter o riso.

–Vamos, doutora?

–Doutor, isso está ficando perigoso. Viu como Aura Maria nos olhou?

–Não se preocupe, aquela ali é igual o Mario, vê perversão sexual em tudo.

–Mas ela não é boba, vai espalhar para o resto do quartel e amanhã todos estarão comentando.

–Deixe que comentem. É bom que se acostumem com a ideia. Em breve pretendo apresentar-te como minha namorada.

Betty prefere não discutir com Armando e apenas bufa. Ele a levanta da cadeira e ambos saem juntos, lado a lado, sobre olhares curiosos do quartel e da Patricia.

Aura Maria logo convoca um 911 no banheiro e lá fofocam sobre o possível caso deles. Tirando Sofia, as outras acreditam que Aura Maria enlouqueceu e que Armando nunca olharia dessa forma para Betty.

Assim que chegam ao apartamento de Armando, Betty logo se acomoda em um dos sofás. Armando vai até a cozinha e volta com dois copos de suco, um para ele e outro para ela. Ele lhe entrega o copo e Betty dá uma golada.

–Suco de amora? -Betty questiona sorrindo.

–Suco de amora. Comprei ontem. Acho que esse é o seu preferido, não é?

–Sim, é. Mas como sabia?

–Das vezes que saímos. Você sempre pedia esse.

–Obrigada por lembrar.

Armando se senta ao lado de Betty no sofá e a abraça.

–Quer que eu peça algo para comermos? Não sabia do que gostava então não me atrevi a comprar nada. -Armando comenta.

–O que o senhor pedir para mim está bom.

–Pode ser uma pizza? Tem tempo que não como uma.

–Claro que pode.

Armando pega seu celular e liga para pedir uma pizza que em poucos minutos chega. Enquanto a devoram, conversam sentados no sofá. Assim que se dão por satisfeitos, precisam satisfazer outro desejo que os consome. Armando começa a dar leves beijos em Betty. O que começa como um carinho inocente se transforma em algo avassalador. O desejo de ambos cresce cada vez mais e, com urgência, se despem e entregam-se àquele desejo no sofá.

Armando, sabendo como sua Betty é tímida, a enrola em sua camisa assim que terminam de fazer amor.

–Mas essa é sua camisa, doutor. -Betty comenta.

–Sei disso e adoraria ter seu cheiro nela. -Armando comenta cheirando os cabelos de Beatriz.

–Te amo, Amando.

–E eu a você, Betty, minha Betty.

Trocam um apaixonado beijo e Betty se encosta em Armando que a abraça e se acomoda melhor no sofá.

–Doutor, posso perguntar algo?

–Claro que sim.

–Vendo como fizemos amor agora, não pude deixar de lembrar de nossa primeira vez.

–O que tem ela?

–Seja sincero, por favor, o senhor não me desejava, não é mesmo?

Aquela pergunta havia pego Armando de surpresa e teimosas lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.

–Vou ser sincero com você. Naquele momento eu não lhe desejava totalmente, ao menos era o que eu achava. Quando chegamos naquele hotel eu me sentia o pior dos homens. Eu ainda não te amava, Betty, mas não queria que sofresse por mim. Me sentia um canalha lhe fazendo aquilo.

–Por isso disse que não podia fazer por mim? -Betty o corta.

–Sim, por isso. Eu não queria que sofresse, Betty. Mesmo ainda não te amando, eu tinha grande apreço e carinho por você. Não queria que o plano chegasse onde chegou. Eu não achava certo me deitar com você que era alguém especial para mim como fazia com qualquer modelo que me desse mole.

Armando já não conseguia segurar o choro e Betty lhe secava as lágrimas.

–O fez por compaixão?

–No começo foi, mas, quando comecei a despir-me e te despir, eu comecei a sentir algo diferente. Um desejo tomou conta de mim. Naquela escuridão, ao fazer amor com você, eu senti algo que nunca havia sentido com nenhuma outra. Você mexeu muito comigo naquela noite. Sua entrega incondicional... Não sei explicar, só sei que foi algo doce.

–Eu te senti um pouco receoso no inicio, mas depois você se tornou tão carinhoso comigo que eu nem acreditei que poderia sentir tudo o que me proporcionou.

–Porque eu consegui enxergar a mulher especial que é. Quisera ter visto isso desde o primeiro momento. Não teríamos sofrido tanto.

–Na nossa segunda noite o senhor já estava apaixonado?

–Já, mas não admitia. -Armando diz rindo.- Naquela noite eu ansiava por estar com você, já não me aguentava mais de desejo.

–Naquela noite eu reparei que você havia se entregado mais e que não fizemos amor só uma vez. -Betty comenta sem graça.

–Isso é uma reclamação? Só não fiz amor contigo mais porque não tínhamos mais tempo. Mas, como ainda é cedo, prometo compensar o tempo perdido.

Armando se levanta do sofá, pega Betty no colo e a leva para o quarto, para sua cama, onde fazem amor novamente só que dessa vez sem pressa, aproveitando cada carícia e cada segundo que dispunham.

Já passava de meia noite quando Armando levou Betty para casa. Antes de ela descer do carro, ainda trocaram algumas palavras.

–Nos vemos amanhã então? -Armando questiona.

–Claro que sim, Armando. Já estou contando os minutos.

–E eu os segundos.

Armando dá um rápido beijo em Betty e ela se retira do carro.

–Meu amor, não se esqueça do quanto te desejo e te amo. -Armando comenta.

Betty lhe sorri e manda um beijo da porta. Armando o recebe todo feliz. Dessa vez Beatriz já não tinha mais dúvidas do quanto era desejada e amada por aquele homem que um dia sentiu nojo dela. O passado ainda podia doer, mas o enfrentaria sempre com a ajuda e o carinho de Armando.

Continua