Mudanças
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Betty, apesar de ter lido a carta e saber de tudo o que Armando lhe fez, não poderia deixa-lo sozinho. Concordou em maquiar o balanço e o ajudar, nem que essa fosse a última vez, já que viajaria com Catalina depois da reunião.
Tudo andava dentro do "normal" até Betty ouvir parte da conversa de Armando com Mario. Foi uma nova facada em seu coração. Já não poderia mais sequer olhar para Armando, não aguentaria.
Ela encaminhou-se para sua sala, pegou as duas pastas, uma com o balanço original e outra com o maquiado, as colocou na mesa, pegou uma folha em branco e começou a escrever enquanto teimosas lágrimas rolavam de seu rosto e, inevitavelmente manchavam o papal.
Doutor Armando,
Sei de tudo, já descobri faz um tempo. Tinha esperanças de que tudo fosse um erro, um engano, mas comprovei que não é assim.
Sinto muito por tudo o que fiz o senhor passar, sinto muito pela minha feiura, por não poder ter sido, por não ser uma modelo igual aquelas que tanto lhe agradam.
Não era necessário esse jogo, mesmo que nunca olhasse para mim, o seguiria, o acompanharia até o inferno se fosse preciso.
Já não posso mais.
Agradeço por tudo, mesmo sendo da forma errada, o senhor me fez feliz. Fui feliz enquanto durou.
Deixo na mesa os balancetes, o original e o maquiado. Siga seu coração.
Deixo também o documento que lhe restituirá a Terramoda, nunca a quis, ela sempre pertenceu ao senhor. Nunca, nem eu e nem o Nicolás nos apropriaríamos dela.
Deixo também todos seus "bilhetes" e "presentes".
A partir de hoje, peço demissão e não quero receber nenhuma restituição a que eu tenha direito. Já não quero mais nada do senhor.
Até nunca mais,
Beatriz Pinzón Solano.
Ao escrever essa triste carta, ela a coloca em um envelope, juntamente com a carta de Calderón e o lacra. Coloca a bolsa que continha todos as lembranças sobre a carta em sua mesa. Já não lhe restava forças para ficar ali. Com enorme dor no coração ela se despede em pensamento do local onde, uma vez, foi muito feliz.
Betty vai embora, por sorte as meninas do quartel não estavam e não viram quando ela saiu.
Armando custou muito a admitir, mas era fato, já não conseguia viver longe de Betty. Ele a amava. Entrou em seu escritório e seguiu direto para a sala de Betty com um sorriso no rosto, sorriso esse que logo se desfez ao não ver Betty em seu habitual espaço. Receoso, sentia que algo estava errado, se aproximou da mesa e avistou o envelope com seu nome. O abriu e a primeira coisa que retirou de dentro foi a carta de Calderón. Um punhal lhe atingiu em cheio. Com as mãos trêmulas retirou a outra carta e começou a ler. Cada linha que lia era como se tomasse um soco no estômago. Ele se debulhava em lágrimas quando terminou de ler o conteúdo e, em um ataque de fúria, quebrou toda a pequena sala de Betty.
Todos do lado de fora escutavam e não compreendiam o que se passava, Sandra tomou coragem e foi ver o que se passava. Armando, assim que a viu, a tirou aos gritos de lá. Mario que passava foi abordado pelo quartel e entrou na sala.
–Armando, o que se passou aqui? -Ele pergunta vendo o estrago que estava a sala.
–Aconteceu que somos duas porcarias, Mario. Betty já sabe de tudo. Ela achou sua maldita carta e, mesmo assim, ainda me deu a escolha, maquiou o balanço. -Armando diz tacando os balancetes em seu amigo.
–Ao menos a morceguinha foi fiel. -Mario zomba.
–Eu vou contar a verdade, Calderón. Já não posso mais continuar com isso depois de ler essa carta. -Ele entrega a carta ao Mario.
Mario lê com um sorriso debochado no rosto.
–Quanto romantismo! Não vai me dizer que acreditou nisso?
–Isso só prova como Beatriz me ama. Eu vou acabar com tudo nessa reunião e pedir, implorar de joelhos, se preciso for, para que ela me escute, me perdoe.
–Mas ela deixou o balance maquiado. Não precisa se desesperar.
–Já está decidido, Mario. Eu serei um homem e enfrentarei meus erros de frente, mesmo que isso seja demasiado tarde.
Continua.
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