Notas iniciais
E finalmente tudo é revelado, quase tudo.

Os dois primeiros hospedeiros foram encontrados. Havia o último ainda solto, o hospedeiro do museu.

15:54 — Cemitério

As duas hospedeiras permaneciam imóveis, em choque. Maria Mello rôia as unhas imaginando se aquilo á deixaria mais gorda, se deixasse, não se importava. Estava desesperada demais para pensar em seu corpo agora.

Carmem estava de olhos arregalados ainda olhando para suas mãos, como poderia ter matado sua melhor amiga?

- Dona Morte, quem pode ajudar a gente é só o Franja, ele trabalha no museu... Conhece o lugar como a palma da mão. — Disse Mônica.

- Certo, hã... Chame-o... Eu preciso... É... Vá logo.

As lembranças dançavam nos olhos de Dona Morte, será que ele havia voltado? Mas... Não era possível. Ela agora era Dona Morte, apenas a ceifadora de almas, ele devia ter sido destruído assim que ela assumiu o cargo. Mas...

16:13 — Garagem-laboratório do Franja

A garagem de Franja estava aberta, o lugar estava mais tecnológico do que nunca: Com frascos multicoloridos e borbulhantes em prateleiras de aço, um enorme monitor "tela de cinema" ocupava o final do lugar e botões de todos os formatos e cores possíveis inundavam o teclado ligado á tela.

– Franja... Nós viemos aqui por que... — Começou Magali

- Eu sei porque.

- Você sabe sobre o cara que matou a Isadora?! Mas... Como?!

- Porque ele sou eu. — Bufou Franja. — Eu encontrei digitais na arma que tem compatibilidade com os ferimentos do corpo da Isadora. Eram minhas. O que aconteceu? Eu não me lembro de ter feito nada! Eu juro!

- Tamo ligado dessa parada aí, mas agora não é mais tempo... Precisa vir com a gente. — Disse Cascão.

- Mas pra quê?

– Anda logo!

17:54 — Cemitério

O cemitério estava mais assustador do que nunca. O dia parecia ter escurecido mais cedo, as lápides exibiam uma crosta de musgo verde pistache e em algumas, doces flores murchavam obrigatoriamente.

- Sabemos quem matou Isadora, foi o próprio Franja... Mas assim como os outros ele não se lembra de nada, Dona Morte. — Disse Mônica.

- Como ele sabe?

- Digitais na arma no crime.

- Ah... Sim. Bom, agora temos os três hospedeiros... O que falta ?

– Ei, não tinha algo haver com um triângulo ?

Dona Morte fez um gesto com a mão e os fantasmas de Aninha, Isadora e Denise surgiram. Todos usando túnicas cristalinas ofuscando em conjunto com a pele transparente, era a única coisa clara no ambiente.

- Aninha, Isadora e Denise, façam um triângulo ao lado dos devidos hospedeiros que tiraram a vida de vocês.

Logo, o espiríto de Aninha se juntou ao de Maria Mello, que ficou ainda mais assustada. Carmem não se aguentou e chorou mais ainda tentando tocar a amiga e Franja se juntou ao espiríto de Isadora.

- M-me desculpa Dê... N-não e-era eu... — Soluçou Carmem.

- Me perdoe. — Disse Franja.

- Eu sinto muito, você sabe que eu não... Queria fazer aquilo... — Maria Mello completou.

Os espirítos assentiram ao mesmo tempo e sorriram, menos o de Denise que também se derretia em lágrimas.

O triângulo estava formado, os espirítos e os hospedeiros formavam o equilátero e estava na hora. O ciclo havia se completado.

Quando algo surgiu do chão, uma figura sorridente encapuzada, parecida com Dona Morte, porém, mais esguia, com um sorriso frio e malicioso, olhos profundos e negros.

- Muito bem, outra eu. Chegou a hora de lembrar que eu existo e enfrentar seu passado. Achou mesmo que eu ficaria pra trás até o fim dos tempos? Que escaparia dessa luta? Não, não...

– Você, mas... C-como ? — Tremeu Dona Morte.

– Ah, primeiramente, as apresentações, não é mesmo? — Gargalhou o espectro. — Olá, eu sou a esquecida da história. Tentaram me apagar como se eu nunca tivesse existido, não é mesmo? Eu vou lhes contar uma história, human...

– NÃO! VOCÊ NÃO VAI! DEIXE-OS FORA DISSO! SUA LUTA É COMIGO!

- Mas e a diversão? Fica tão sem graça sem reféns...

Com um estalo, algemas feitas de ossos amarelados prenderam os pés e mãos de todos os vivos presentes. Os espirítos haviam desaparecido.

– LUTE COMO GENTE! SOLTE-OS!

– Mas você se esqueceu Ceifadora, eu não sou gente e você também... NÃO É MAIS.

– Espere, se você é... M-mas... ISSO É O ID DA DONA MORTE! — Gritou Mônica.

- Isso não é possível Mônica, a Dona Morte não é um humano como nós... E se fosse, ela teria dominado o ID dela assim que se tornasse adolescente, não é mesmo? — Disse Cebola.

- Existe uma história, uma história muito antiga. — Disse Dona Morte cabisbaixa e por um segundo, parecia estar chorando.

– Mas eu prefiro uma nova, Dona Morte. O dia em que você finalmente se ajoelhou em frente do seu melhor lado! — Gargalhou.

– NUNCA!!!