Um homem que aparentava ser de grande importância andava de modo arrogante pelas ruas de Tokyo. Seu terno e o colarinho da camisa branca estavam levemente abertos. Os passos despreocupados, os cabelos caídos sobre o rosto. Por que é que o observava tão atentamente? Era normal que algumas pessoas tomassem sua atenção, mas este homem em particular; não conseguia desprender seus olhos dele.

Parecendo notar, seus olhares se cruzaram, e o homem de cabelos pretos o olhou provocante, um sorriso escapando por seus lábios. O loiro continuava a deslizar o pincel sobre a tela, não se importava se agora era o moreno que o observava. Ajeitou a boina em seus cabelos, estava começando a ficar apreensivo. Havia parado de olhar em direção ao homem, esperava que ele tivesse ido embora.Mordeu os lábios, pensando em como gostaria de poder pintá-lo algum dia. Sim, seria maravilhoso. Colocaria todo seu talento na pintura.

- É um belo desenho. – o loiro continuou a mirar a tela sem dar a mínima para a pessoa ao seu lado. Achava que estava ruim.

- Está péssimo. Provavelmente jogarei fora. – quando olhou para o lado, constatou que seria melhor ter ficado quieto e ter mantido seus olhos sobre a pintura. Era ele, o homem que observava todos os dias.

- Oh, então será que posso ficar com ela? – o olhou desconfiado, ele estava mesmo querendo aquele garrancho?

- Faça o que quiser, mas não acho que seus amigos de classe alta gostarão de algo tão medíocre. Se quiser um quadro de verdade, poderei pintar para você. – o olhou, esperando uma reação. Havia dito tudo de modo mesquinho, era a maneira como conseguia formar laços com alguém.

- Vejo que é alguém muito difícil de impressionar. – o olhou novamente com aquele olhar desconfiado, o que aquele homem estava querendo? O viu colocar uma mão sobre seu ombro, e corou com aquele ato. – O que me diz se eu pagar por ele, então? – arregalou os olhos, ainda mais espantado.

- Já disse que pode ficar com esse lixo. – tirou a mão que estava em seu ombro e pegou sua mochila e pertences. – Faça o que quiser com ela.

Deu-lhe as costas, mas quando estava pronto para ir embora, o homem segurou sua mão.

- Não creio que seja justo. Gastou muito dinheiro com as tintas que usou e com a tela. Tenho que lhe recompensar. O que quer em troca do desenho?

Bingo! Agora só precisava achar um jeito de driblar sua vergonha para poder perguntar o que realmente queria.

- Bem... Venha ao meu estúdio amanhã, gostaria de lhe fazer uma proposta. – colocou seu cartão na mão que segurava seu pulso, e sorriu para o homem. – Tenha uma boa noite.

Sentiu o olhar do homem sobre sua nuca, e podia jurar que estava sendo desejado.

- Eu terei. – o homem olhou para o cartão em sua mão, um sorriso malicioso em sua boca. – Nao-kun... – brincou com o pedaço de papel, trocando-o de dedos conforme pensava. Pegou a tela recém pintada com cuidado, e a admirou. O garoto realmente tinha talento.Precisava vê-lo novamente. Iria à seu estúdio, e o convenceria de terem um encontro.

Saga pressentia que não iria conseguir dormir naquela noite.