Motsatt

21 Capítulo 20 - A Reunião


Notas iniciais
FINALMENTE estou conseguindo postar! O terceiro ano está conseguindo ser pior que as minhas expectativas... Vinte e sete matérias, provas (valendo 10) a cada duas semanas, notas baixíssimas... e.e (Gente, eu sou aquele tipo de aluna que um cinco é uma tragédia, imagina receber um 1,25 numa prova valendo 10...), mas, enfim, consegui postar esse capítulo. Demorou MUITO fazer ele, me enrolei um pouco, tive uns três bloqueios no caminho, um barraco na page que pedi a capa de Coração de Porcelana, tá, vamos ao capítulo.

Capítulo 20 – A Reunião

Teve pesadelos horrendos durante toda a noite. Pesadelos onde degolava, mutilava e esfaqueava sem dó, quase como um louco, alternados com visões de Far presa e sua mente o obrigava a vê-la sendo torturada como ele fora. Havia também imagens da torturadora continuando sua tortura a ponto de estar ainda pior do que Winter. Assim, quando acordou, sentiu como se não houvesse pregado os olhos durante a noite, além de estar profundamente perturbado. Porém, tiveram de arrumar todas as coisas para que finalmente pudessem continuar a viagem. Gostaria de conversar com sua mãe, lhe fazer perguntas, porém simplesmente não houve como.

Os cavalos eram capazes de carregar mais peso do que aparentavam, e ainda havia os camelos. Dois equinos traziam em sua lateral uma espécie de rede pequena, onde puseram Kapheliria e Rarac, já que ambos estavam incapazes de andar. Tentou oferecer comida para o seu, mas o cão apenas virou a cabeça, não aceitando, deixando-o preocupado, e Winter também não teve um bom resultado com sua gata.

Arenai estava próximo, então viu quando ele levou os dedos até os lábios, soltando um alto assobio. Não demorou muito para que um cavalo aparecesse correndo e quase sentiu seu queixo caindo: O cavalo de Arenai era imenso! Deveria ter 1,80 de altura ou até mesmo mais.

Ele era extremamente semelhante a um cavalo da raça Shire, principalmente levando em conta os pelos compridos pouco acima de seus cascos e pelo tamanho. Sua crina e sua cauda eram compridos de um brilhante tom dourado, enquanto o resto da pelagem de seu corpo era arroxeado, e possuía flamejantes olhos vermelhos. Seu olhar desceu pelo animal magnífico enquanto Arenai o selava, e percebeu que havia preso entre seus dentes, enquanto este ainda mastigava. Depois percebeu ser o corpo semidestruído e sangrento de uma raposa do deserto.

– Seu cavalo... – Começou, atraindo a atenção do assassino. – Ele come carne?

– Sim. – respondeu como se fosse algo normal, e esfregou uma mão na crina do animal. – Também o deixo solto para que cace. É só chama-lo que Zurl irá retornar.

Como se em resposta, Zurl balançou a cabeça, resfolegando e abandonando o restos de seu alimento, arreganhando os dentes ainda manchados de sangue para Jake, que recuou ligeiramente. Ele possuía presas aparentemente afiadas, e não estava com muita vontade de verificar se elas realmente eram tanto quanto pareciam.

– Irá retornar... – Um dos Bergais que vira no dia anterior comentou enquanto passava. – Se você for Arenai. Ou alguém que compartilhe o mesmo sangue que ele.

– Sim, sim. – Arenai murmurou distraidamente, montando em Zurl, e então estendeu a mão para o Galrdai, que olhou-o em dúvida. – Ora, vamos, não há cavalos para que você monte sozinho. E se eu já estou montado nele, Zurl não irá derrubá-lo ou coisa parecida.

Aproximou-se cautelosamente, pois apesar dos apesares o equino ainda o olhava de maneira ameaçadora, e pegou a mão de Arenai. Se preparava para fazer algum esforço para montar também quando o Talbordai simplesmente puxou-o sem esforço com apenas um braço até sobre o cavalo. Jake se assustou, afinal poderia ser até magro, mas Arenai simplesmente o carregara como se não pesasse mais que uma sacola.

– Tudo pronto? – ouviu um soldado questionando quase num grito para que todos escutassem. Todas as tendas e previsões haviam sido devidamente guardadas e estavam sendo carregadas ou pelos camelos ou pelos cavalos de carga, além de haver grandes carroças semelhantes a trenós. Não demorou muito para que toda a caravana se pusesse em movimento.

Não conseguiu identificar onde sua mãe ou seus irmãos estavam em meio aqueles muitos animais, mas Arenai lhe afirmou que ao menos Nasi estaria com Sion ou Kotaro, os dois Bergais que haviam se juntado ao lado Talbordai. Os cavalos os machucavam, já que também eram de chamas, então eles tinham de ir em camelos.

Mesmo em trote, Zurl era extremamente rápido. Saíram pela lateral do grupo e chegaram em pouquíssimo tempo até a fronte, onde Agaumine montava um cavalo da mesma raça que o de Arenai, só que o seu era totalmente dourado de crina branca. Os olhos eram verdes e ele parecia milhares de vezes menos ameaçador que o arroxeado, apesar de haver um rastro visível de sangue escorrendo da boca pelo pescoço brilhoso, resultado da última vez que se alimentara.

– O deserto me acalma. – ela comentou. – Sem água, sem ataques inesperados.

Bem, Jake sabia que para os Bergais, sem água significava “desespero”, assim como para os humanos.

– Temos de ter cuidado com os oásis.

– Sim, mas também teremos de parar em um, caso a água de Kotaro e Sion acabe.

– Chegaremos em Naif Na’il antes do entardecer. – O soldado que aparentemente liderava o caminho respondeu. Era um homem baixo, mas extremamente musculoso, de cabelos lisos curtos cor de sangue. Seu cavalo era semelhante a um árabe. – Provavelmente a água deles não acabará até lá, e mesmo que acabe, não ficarão sem por tempo o suficiente para lhes provocar uma privação. Além do mais...

Ele deixou a frase morrer, mas Jake sabia que ele iria dizer que eles apenas estavam no lado do fogo porque quiseram. Entretanto, a frase não fora interrompida por pura educação, e sim pelo fato de Agaumine estar lhe lançando um olhar ameaçador.

Arenai suspirou e revirou os olhos, antes de mais uma vez sair do grupo, mas dessa vez se direcionava para a extrema retaguarda.

– Kotaro é filho adotivo de Agaumine. – Comentou para Jake. – Ela o cria desde que ele possuía uns onze, treze anos.

– Por isso que aquele soldado não terminou de falar?

– Ele não ousaria. Não com ela por perto para eletrocutá-lo.

Os camelos andavam num passo um tanto quanto lento, e havia três ou quatro cavalos mais atrás deles, os últimos da caravana, mas era claro que eles estavam ali para caso ocorresse um ataque por trás. Zurl resfolegou impaciente quando foi posto naquele passo extremamente lento, mas Arenai lhe deu algumas batidinhas carinhosas em seu pescoço, em resignação.

Jake tentava ignorar os olhares claramente curiosos lançados em sua direção, além de conseguir ver claramente alguns avaliando-o de cima para baixo. Era óbvio que era devido ao velho fato de ser um dos “quatro primeiros”, e algo lhe dizia que a tendência era piorar.

As horas no deserto não foram tão ruins quanto esperava. O calor do sol quente não o afetava como normalmente esperaria. Na realidade, a temperatura escaldante era de certa forma aconchegante.

Parecia que assim como ele, Arenai também não era de falar muito, apenas respondendo quando perguntas eram direcionadas a si. Seus olhos dourados estavam longe, olhando para frente.

Arenai estava na realidade pensando na conversa que tivera com Nasi na noite anterior. O fato dela ter sido a primeira mulher Bergal a ter sido capaz de gerar filhos de um homem Talbordai sem dúvidas atraíra tanto a atenção dos membros do acampamento quanto os trigêmeos, levando que vários soldados a enchessem de perguntas a ponto de ser obrigado a dar uma ordem para deixarem-na em paz.

Ela era nova. Muito nova. Mal havia completado quarenta anos, e acabou por contar a Arenai e Agaumine que havia sido capturada logo após de haver enviado dois de seus filhos à Terra para salvá-los do ataque à Nirllys. Num ato desesperado para proteger tanto as crianças quanto o marido, ela pusera um selo em sua própria mente para se impedir de dar qualquer informação, não importasse o quanto fosse torturada. Era capaz de lembrar de todo seu passado, só era incapaz de dizê-lo diretamente.

E devido aos anos de privação, sua magia atualmente era insuficiente para retirar os selos das memórias de seus filhos e a sua, então primeiramente deveria se recuperar. E isso era outra coisa que poderia levar anos.

Assim, quando fizeram perguntas sobre o pai dos garotos, ela não conseguia dizer quem ele era, apenas que era um soldado do Esben, e que haviam se conhecido em Nirllys. Também não sabia para onde havia enviado dois de seus filhos, só sabia que fora para a Terra. Portanto, não havia nenhuma pista de onde o último poderia estar.

E também...

Balançou a cabeça discretamente. Não era hora de pensar naquilo. Mesmo que fosse uma possibilidade...

Teria de pensar também no que faria com aqueles garotos. Para os padrões de Aurtrai eles não eram muito além de crianças. Akhter, o antigo comandante do Esben havia sido assassinado há uma semana por um soldado que havia surtado ao perder a família pelo simples fato do ego de Akhter não permitir que enviasse tropas até uma cidade que estava sob um ataque covarde. Com isso, Arenai se tornara o novo comandante.

Como ele que havia dado as informações sobre Nero e Jake, além de ser ele que estava os levando, então era Arenai que deveria treiná-los. Só havia treinado duas pessoas em toda sua vida, no caso, seus dois filhos. Rhelt terminara vivo. Dragol não.

E aquilo lhe dava calafrios. Teria de lidar com fatores muito mais delicados, e nem gostaria de pensar nas consequências caso um acidente acontecesse, o que era uma ocorrência comum se considerando o Esben.

Quando era por volta da uma da tarde, Naif Na’il surgiu no deserto, com suas construções que pareciam ser desbotadas pela areia, além de vastas muralhas. Jake pegou-se constatando que era daquela maneira que imaginaria uma cidade árabe ao observar as pontas arredondadas e abobadadas das torres que eram visíveis daquela distância, além de ver os prédios quadrados e interligados, os quais davam total acesso para transeuntes utilizarem também seus telhados como caminho alternativo.

Nos portões haviam soldados usando turbantes vermelhos e com carrancas não muito amigáveis, suas armaduras eram cor de bronze com o símbolo de um dragão vermelho. Parte da caravana seguiu com eles, enquanto alguns soldados, Arenai e Agaumine seguiram em outra direção. A cidade que assemelhava-se a um organismo único e compactado, as casas eram bem próximas e a individualidade era visivelmente inexistente.

As ruas estavam apinhadas e eram estreitas; vendo pelas dúzias de becos e ruelas, eram muito semelhantes à labirintos. Parecia que todas elas levavam ao bazar, e a todo momento aparecia homens e mulheres gritando suas ofertas, demonstrando seus produtos com as mãos. Foi uma questão de tempo até as barracas começarem a surgir, e toda uma confusão de cores e sons prendendo a atenção de Jake por um bom tempo. Foi impossível não perceber como era ao mesmo tempo ligeiramente diferente deles. Todos tinham uma pele mais escurecida, rostos e narizes mais fortes, enquanto a pele de Jake era pálida e possuir feições mais angulosas e finas, quase como Bergais, como a torturadora havia apontado dias antes. Agora via que era realmente daquele modo. A pele de Arenai era bem mais bronzeada que a dele, mas era ligeiramente mais clara do que a maioria das pessoas.

Ainda havia outra rede de muros fortemente guardadas por inúmeros soldados, e ela se estendia até onde conseguia enxergar. Mas o que mais lhe chamou a atenção foi uma imensa torre que se erguia a mais de trinta metros de altura, com uma cúpula ao topo e repleta de mármore com diversas cerâmicas envidraçadas, e diversos padrões decorativos em sua extensão, como um mastro no meio do deserto.

Foi bem em frente a ela que Arenai e Agaumine desmontaram. Os dois soldados que levavam Nero e Winter ajudaram-nos a descer. Outros abriram o portal da torre, que dava para um simples salão sem escadas, o símbolo do dragão gravado no piso de pedra alaranjada, tão lustroso que era capaz de ver seu próprio reflexo ali como um espelho.

Os trigêmeos se assustaram quando com um estrondo soou, sendo então acompanhado pelo som de engrenagens. O chão tremeu, antes de começar a se mover como um imenso elevador. Os dois Talbordai espanaram brevemente a areia de suas roupas, que se tornou diversos pontos claros no chão impecável.

Olhou para Nero, sem saber o que deveria esperar do que aconteceria, então seu olhar seguiu para Winter, percebendo que ele mexia distraidamente num tecido branco... Idêntico ao seu prateado e ao dourado de Nero. Sem dúvidas o mais velho parecia mais isolado que os outros dois.

O som foi apaziguando e quando chegaram ao topo em forma de cúpula, sentiu o nervosismo apertando-o internamente. Havia ali seis pessoas sentadas em tapetes no chão, além de haver outras sete de pé, no centro estando um homem de pele negra com uma faixa dourada em sua testa e olhos penetrantes de um estranho tom de roxo, quase como se fosse misturado com verde e laranja, e havia outro, grande de cabelos cinzentos e uma elegante armadura alaranjada. Pela postura de ambos soube dizer que eles eram os com mais alta patente no local.

Seus olhos desviaram-se, vistoriando o local. Separando ligeiramente as vidraças havia diversos tablados entalhados com arabescos tão intricados que via claramente as minúsculas pétalas de diversas flores semelhantes a fogo, além de folhagens e um imenso pássaro que só após percebeu ser uma fênix. Pegou-se perguntando quanto tempo quem quer que houvesse entalhado aquilo levara para fazer apenas um. E havia pelo menos trinta por toda a circunferência do local. Também havia diversas aberturas sobre cada vidro, permitindo que o ar quente fosse expelido e o ar se tornasse mais fresco.

– Admito... – um homem de cabelos roxo-avermelhados que escapavam de seu turbante dourado começou. Jake viu quando Arenai e Agaumine foram até dois dos tapetes vazios, assumindo-os. Atrás de Arenai havia um homem de estatura média com cabelos loiros e ondulados, cujo olho esquerdo era tapado por diversas tiras de couro, mas via claramente a curiosidade e algo mais que não conseguiu decifrar no único olho dourado à mostra. – Que eles são diferentes de como eu imaginava.

– Sim, sim, parecem Bergais com cores Talbordais. – O negro disse de forma quase impaciente com uma voz retumbante que seriamente o assustou. Ele levantou-se, revelando-se ser um imenso homenzarrão, os ferros de sua armadura tintilando. Ele rodeou os três como se os inspecionasse, e mais sentiu do que viu Winter e Nero se agrupando ao seu redor como se estivessem sendo arrebanhados. – Mesmo que sinta o calor de vocês, há certa frieza... – seus olhos foram para os cabelos de Nero. – Vejo também que possuem os Nauri Talbor, porém, onde está o quarto?

Um profundo silêncio se seguiu. Jake não sabia se era para um deles ou Arenai e Agaumine responderem. Mas tinha de admitir que se sentia acuado. Não apenas os olhos observadores daquele homem os analisava, mas sim todo o restante da sala.

–... Eu não sei. – Nero começou com um fio de voz, atraindo a atenção de seus dois irmãos. – Não sabemos onde ele está. – Sua voz pareceu vacilar quando o homem de armadura se levantou. – Ele está na Terra, isto sabemos, mas onde... Não.

– Você disse que havia encontrado os quatro primeiros. – O de cabelos acinzentados disse num tom incisivo a Arenai.

– Eu disse que havia encontrado dois dos quatro. – Argumentou de volta. – Akhter pode ter dado a informação errada, mas há seis meses, informei que havia encontrado o segundo e terceiro filhos.

– Hm... – Os olhos roxos do homenzarrão desceu em direção aos amuletos dos três. – Falta apenas o mais novo. Não fazem realmente nenhuma ideia de onde ele poderia estar?

– Não. – foi a resposta dos três.

– O quanto de informação Akhter deu a vocês? – Ouviu Arenai questionar em voz baixa para uma mulher de cabelos aparentemente negros ao seu lado.

– Que você havia encontrado os quatro primeiros, apenas.

Arenai acabou fazendo um som nasal que acabou chamando a atenção dos dois homens de pé, que o olharam imediatamente.

– Algum problema, Arenai?

– Sim, parece que o antigo comandante deu apenas metade das informações. – Respondeu. – Os garotos possuem um selo mental em suas memórias. Assim, para eles é como se houvessem se conhecido há pouco tempo.

Novamente todos os olhares voltaram-se para eles. Jake sinceramente queria abrir um buraco no chão e virar um avestruz.

– Selo mental? – Outro homenzarrão questionou. Ele possuía uma imensa cabelereira ruiva e cacheada, presa a um rabo de cavalo, e barba da mesma cor, e era um dos que estavam de pé.

– De quando são suas primeiras memórias?

– Oito anos. – Winter respondeu. – Ou assim penso eu.

– Nós tínhamos dez. – Jake maneou para si e Nero. – Mas apenas nos encontramos à alguns meses...

– E vocês sabem algo sobre a relevância de vocês?

Winter assumiu um ar perdido.

– Arenai nos explicou quando nos encontrou. – Nero continuou. – De sermos os quatro primeiros a nascerem de um Talbordai com uma Bergal.

– E sobre seus controles elementares?

– Também. – Jake assumiu. – Bem, acabei vendo o fato na prática alguns dias atrás... – olhou para Winter e continuou em voz baixa. – Creio que matei um Bergal congelado.

Houve diversas exclamações surpresas pelo recinto e os olhares tornaram-se ligeiramente diferentes. Uma estranha mistura de admiração com medo e pareceu-lhe que todos haviam se curvado para a frente para escutar melhor com intenso interesse. Aquilo perturbou-o ligeiramente...

Embora não tanto quando o pensamento que havia lhe rondado durante a noite quando este voltou a sua mente. Nunca havia pensado nisso antes, mas sua consciência insistia em lhe dizer que deveria sentir alguma coisa em relação ao fato. Náusea, terror, alguma reação válida ao fato de ter matado alguém.

Mas não sentia absolutamente nada. Era como se já houvesse feito aquilo antes e se acostumado ao fato, o que fazia pensar se aqueles pesadelos não eram lembranças. Recordava-se de Dekhi retirando parte da névoa em sua mente.

– ...Congelou um Bergal? – O de cabelos cinzentos questionou num tom incrédulo.

– Ah sim, lembro-me disso. – Winter murmurou. – Estávamos fugindo com um mar de Bergais nos perseguindo, e um tentou atacar a Klodike. Creio que foi um reflexo...

– Foi um reflexo.

– ... Mas foi o suficiente para que eles se assustassem, o que aproveitamos para fugir.

– Fugir... – O negro ecoou. – Fugir de onde?

– Eles conseguiram nos capturar. – Winter maneou para si mesmo e seu irmão mais novo.

– Prossiga.

O mais velho relatou sua versão dos fatos, de como havia sido pego enquanto andava à noite, e Jake também deu sua narrativa. Continuou até quando o encontrara e Nezumi os encontrara na cela de Winter e seguiu pela fuga. Viu o transtorno e o horror claros ali quando contou sobre a piscina de sangue e as centenas de corpos.

– Kogen... Deveria saber que ele estava metido nisso. – um homem de cabelos azul-esverdeados murmurou. Jake sobressaltou-se discretamente ao perceber suas feições angulosas e orelhas pontudas, constatando que ele, assim como a mulher alta atrás de si, eram elfos.

– E nunca conseguimos pôr as mãos nele para realmente ter certeza de que é realmente confiável.

Jake gostaria até de discordar, porém mesmo tendo sido ajudado por Kogen, não poderia simplesmente defende-lo com unhas e dentes pois o conhecia tão bem quanto militares sentados à sua frente. Assim, decidiu se manter quieto.

Sinceramente, sentia-se ligeiramente confuso. Não esperava o que... Bem, estava acontecendo. Via-se que dispunham de expectativas extremamente altas para si e seus irmãos, mas... Simplesmente não sabia sequer quem era quem, já que não houvera quaisquer apresentações ou algo do tipo.

Respirou fundo e olhou para Nero, que coincidentemente olhou-o de volta no momento exato. Como seu irmão via o futuro, esperava uma mínima resposta em seus olhos amarelos, porém para sua frustração, o de cabelos prateados parecia haver disposto uma barreira nas orbes.

Demorou uns poucos momentos para que de um modo que não compreendeu percebesse que aquilo significava infinitas possibilidades. O que estava ocorrendo ali poderia ser algo que os orgulhasse ou amargurasse futuramente. Tudo dependeria do que fariam. E Nero parecia estar sendo o espectador de todas as possibilidades.

–... Levando-se em conta todos os fatores – a voz retumbante do homem negro os despertou, fazendo-os perceber que haviam perdido grande parte de uma conversação, ou melhor dizendo, decisão. – vocês deverão entrar no Esben. Infelizmente não poderemos por alguma prioridade para a busca do último irmão devido aos recentes acontecimentos, então quero que saibam que, a partir do momento em que descerem desta torre, e entrarem no Campo Sombrio com Arenai, vocês, os três, serão assassinos versados na arte das sombras.

Notas finais
Bem, aqui está. O que acharam? Estou com a sensação que não vou receber nenhum comentário... e.e Mas não custa nada tentar, certo? Então é isso, dúvidas, elogios, críticas, tudo nos comentários!