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11 Capítulo 10 - Som da Realidade


Notas iniciais
Bem pessoal, minha garganta está me matando, então não sei exatamente o que escrever aqui x.X Serei sincera, meus planos para o 10º capítulo eram outros, mas devido a procrastinação que tive com o outro jeito, decidi fazer este encima da hora. Bem, é isso, boa leitura!

Capítulo 10 – Som da Realidade

Nero segurava Jake enquanto este regurgitava sangue, assustado com a reação repentino do irmão. Jurava que ao este ler o jornal teria um ataque de raiva, incredulidade ou até mesmo choraria. Mas jamais imaginava que ele teria um ataque.

Repentinamente a força do mais velho desapareceu de seu corpo e ele simplesmente caiu, e pegou-o pelos ombros para impedi-lo de cair sobre a poça formada no chão. Mesmo inconsciente, ele tremia quase convulsivamente, enquanto o sangue ainda vertia de maneira assustadoramente descontrolada. Não era preciso olhar muito para saber que Jake havia perdido sangue demais, e que aquele ataque poderia mata-lo de hemorragia.

Olhou para cima, em busca de ajuda, vendo o olhar surpreso, quase horrorizado de Arenai, e sabia de apenas ao olhar aquele homem, que ele era alguém muito difícil de se quebrar a compostura. Rarac também parecia não saber o que fazer e Aegis empurrava algumas tralhas de um canto, retornando para o imenso Denor ao seu lado.

– Leve-o para lá e o deixe deitado.

– De peito para cima? Ele pode se entalar com o próprio sangue. – Arenai disse de maneira sombria.

– De lado então...

– A questão é que temos que parar este sangramento. – Rarac ressaltou. – Uma hemorragia é algo que não podemos lidar agora!

– Como então? Os ataques só param quando terminamos de vomitar! – Nero exclamou.

– Você diz como se fosse normal ter isso! – O Talbordai exclamou enquanto Rarac carregava Jake como uma criança, levando-o ao local que Aegis limpara, pondo-o de lado, enquanto, mesmo inconsciente tossia sangue.

– Eu... Nós... Sempre tivemos isso.

Arenai franziu o cenho, a estranheza tomando conta de sua expressão. Ambos possuíam ataques como aquele?

– Temos que tirá-lo daqui, escondê-lo na casa dos outros não é a melhor ideia que podemos ter. – Rarac anunciou. – Tirá-los, para dizer a verdade. Tanto Naphees quanto Klodike são alvos prioritários dos Bergais, e Klodike infelizmente se tornou procurado da polícia. As coisas estão numa situação péssima.

– Klodike não pode se apresentar à polícia? Não seria capaz de inocentá-lo, pois acredito que seus ferimentos são bastante convincentes.

– E que álibi ele teria? – Aegis disse num tom pesaroso. – Mesmo com as feridas, poderiam muito bem assumir que ele teve um acidente enquanto tentava fugir. Além disso, se ele se apresentasse, tomando em conta a repercussão que o assassinato dos Silverman tomou, seria a mesma coisa que pô-lo sob os holofotes. Os Bergais os encontrariam muito mais rápido, e as coisas se tornarão piores.

Nero suspirou. Mas onde poderiam esconder Jake num local onde nem a polícia nem os Bergais poderiam encontra-lo? Como na segunda-feira muitas pessoas haviam visto a ambos, era óbvio que seria interrogado. Até mesmo fariam uma vistoria em sua casa para verificar se Jake não se esconderia por lá.

E se bem que... Havia os Bergais atrás de ambos. Quando Arenai o encontrara, tivera que também explicar toda a situação a ele. Obviamente muita coisa agora fazia sentido, porém a ideia de estar sendo perseguido não era nem um pouco aconchegante.

– ... E a prioridade agora é proteger a Klodike e Naphees! – Pegou apenas a última parte da conversação que ignorara. – Phaeron e Kapheliria estão certamente cuidando de Esben e Vannes!

– Temos a certeza dos dois Galrdai estarem vivos, mas não que os Denores estejam. – Arenai disse calmamente. A compostura realmente retornando a sua voz. – E Klodike... Ele parou de sangrar?

– Sim. – Rarac respondeu. – Mas estou preocupado com ele. Faz um dia que não se alimenta, além de ter recuperado a consciência há pouco tempo, mas este ataque é grave. Será difícil sobreviver assim se isto se repetir.

– Vai se repetir. – Nero constatou, fazendo com que os dois homens o encarasse, enquanto Aegis desviasse o olhar. – Tanto com ele quanto comigo. Se isto acontece há tantos anos, porque simplesmente vai parar agora?

– Este seu desde sempre é desde quando? – Arenai questionou.

– Desde meus dez anos, aproximadamente.

– Antes vocês não possuíam isso. – Rarac anunciou em voz baixa, quase um rosnado.

– Você está com Klodike há pouco tempo... – Aegis interveio com uma voz pesarosa e suave. – Querido, estou com Naphees neste mundo há mais tempo, e realmente isto acontece com ele de vez em quando. Recentemente se tornou mais comum. Creio que o mesmo se passa com Klodike.

Nero tentou entender porque Aegis se referira a Rarac como “Querido”. Por seu tom de voz era óbvio que ela não se referia a ele como um amigo ou como um conhecido. Na realidade, sua cabeça não conseguia processar a imagem da minúscula Aegis com o gigante Rarac, embora fosse isto o que desse a entender.

Mas sua maior preocupação era realmente seu irmão. Tirou a mochila das costas, pondo-a no chão, e se arrastou até ele. Ele realmente havia parado de verter sangue em quantidades absurdas, entretanto ainda havia um filete escorrendo pelo canto de sua boca. Abaixou-se para limpá-lo, porém outra coisa lhe chamou a atenção; os olhos de Klodike se encontravam abertos e completamente revirados, deixando apenas a esclera, e sob sua cabeça havia algo...

Era água? Cristalina e parada, mas água dourada?

Antes que tivesse qualquer reação, a mínima poça se moveu, e o líquido já saltava sobre si. Tentou ir para trás num reflexo, mas ela invadiu sua boca e seu nariz, fazendo o gosto amargo espalhar por sua boca, o desespero de um afogamento tomando conta de seu ser. Levou as mãos até o pescoço, seus olhos queimando, as lágrimas de sangue começando a verter. Sua cabeça pareceu pesar insuportavelmente e a vibrar.

Sentiu mãos o agarrando, porém não conseguia distinguir quem era. As sombras negras começaram a surgir pelas paredes, e para seu desespero, rondavam seu irmão. Tentava respirar e ao mesmo tempo tentava chegar até Klodike, as risadas e chacotas sendo atiradas em sua direção.

Quando seus pulmões pareciam prestes a explodir, fez a mesma coisa que Jake havia feito há pouco tempo. Simplesmente esticou-se para frente e vomitou sangue. O zunido doloroso tomando conta de seus ouvidos antes que perdesse a consciência.

Os olhos amarelos reviraram-se nas órbitas, e sua cabeça pendeu para trás, e este tornou-se completamente branco, sem qualquer resquício de cor em seus cabelos em sua pele, as palavras saindo de sua boca como se não pronunciadas por ele:

No seio da Grande Mãe

O grande tesouro se encontra

Esquecido, não perdido

Visível porém invisível

Guardado pelos reis, aqueles a quem todos temem

Redescoberto será pela fria chama

Seu esplendor mais uma vez retornará ao mundo

As palavras do profeta esquecido se cumprirão

E os criadores reerguidos realizarão seu destino

A Princesa, a Deusa, o Rei, o Abismo e os Quatro

Eis a chave para o início do fim

Para a queda e ascensão

Os pecados jamais serão esquecidos

Saberão disso, almas fracas em corpos poderosos!

Logo após, quando as sombras soltaram gritos de puro horror e desapareceram, o corpo de Nero amoleceu e caiu finalmente nos braços de Aegis. As mãos pequenas tocaram a face do corpo imóvel, que sequer parecia respirar, quando um silêncio quase agonizante tomava conta do ambiente.

Arenai reconhecera aquilo. Era a mesma coisa que por vezes tomava sua esposa. Já vira algo do tipo quase que incontáveis vezes desde que a conhecera.

Uma profecia.

Havia uma ligeira diferença entre ser um profeta e ser um clarividente, portanto não dera muita importância quando Klodike o alertara. Mas aquilo fora indubitavelmente uma profecia, e isso significava que Naphees era certamente instrumento de um deus. Aproximou-se lentamente, vendo o garoto ainda desprovido de qualquer cor, então seus olhos indo pairar no amuleto que pendia em seu pescoço. O amuleto do terceiro filho, o amuleto de Akhir, o deus da morte.

E Akhir era especialmente conhecido por suas formas: A morte cruel, quando um pecador morre, em que se encontra completamente negro e a morte gentil, quando se encontrava absolutamente branco, ao buscar uma alma virtuosa.

Também era conhecido por em toda a história só haver possuído um único profeta, um homem chamado Perso, há cerca de cinco mil anos. Lembrava-se de Naiga, quando mais nova e estudava sobre tal, antes mesmo de sequer sonharem em terem um relacionamento, mencionar que Perso tornava-se completamente branco.

Como Naphees se encontrava no momento.

E se ele fosse um profeta de Akhir, a situação se tornaria milhares de vezes mais séria.

Quando se aproximou, seus pés bateram na mochila que o mesmo deixara cair momentos antes. Olhou-a, vendo-a confeccionada em couro negro e maleável, sem nada que pudesse chamar a atenção como se feita de breu. Suas alças poderiam ser ajustadas para serem levadas tanto nas costas quanto no cinto.

Aquele material era couro das salamandras vulcânicas.

E apenas o Esben utilizava-se de tal couro.

Olhou para o garoto, vendo as luvas negras que subiam por seus braços. Arenai usava um par idêntico.

Abaixou-se, pegando-a, finalmente chegando próximo aos gêmeos. Klodike quase morto e Naphees... Daquele modo. Franziu o cenho, ao perceber então a poça próxima a cabeça do ruivo, os olhos se arregalando ao ver a água dourada.

– Aos Sthanom! – exclamou. – Os Bergais já os acharam!

Como se apenas esperando por aquele momento, as portas do porão abriram-se num rompante, um vento como o de uma nevasca assolou o local. O membro do Esben pôs o braço à frente do rosto para poder protege-lo, mas quando percebeu, já havia um Bergal avançando em sua direção.

Reagiu bem rápido, conseguiu empurrar a lâmina para o lado com as mãos, acertando-lhe um chute que o fez se apoiar em um joelho. Pegou uma de suas lâminas, pronto para lhe fincar no crânio, mas o Bergal pensou mais rápido e congelou o chão sob si, fazendo-o cair.

Arenai quase cuspiu sangue quando o outro lhe deu um pisão bem no peito, tirando-lhe o ar. Grunhiu, reunindo uma bola de fogo na mão direita e atirando-a certeira no rosto do Bergal.

Ele gritou, saindo de cima de si e cobrindo seus olhos com as mãos. Arenai rolou, lutando para respirar e percebendo finalmente que aquele não era o único ali. A primeira coisa que viu foi Aegis com a mão estendida, prensando um outro soldado contra a parede utilizando-se da pressão do ar, e com a outra, usou a terra para encobrir e sugar outro até os ombros no chão. Este grunhiu e tudo ao seu redor começou a congelar.

O Esben saltou para trás, pois ele era o único ser ali que o gelo era nocivo, mas pegou sua lâmina caída, atirando-a certeira no pescoço do Bergal. Um rugido porém, chamou sua atenção e antes que se virasse sentiu algo lhe perfurar por trás na altura da cintura, saindo pela frente. Revirou os olhos de dor e foi bater contra a parede, com a coisa ainda empurrando seus chifres ainda mais contra si.

Arquejando diante a dor alucinante, conseguiu descer uma das mãos até a cimitarra presa ao seu cinto. Com um esforço quase desumano, retirou-a da bainha e cravou-a na nuca do ser que o atacara. Este soltou um rugido como o de um porco, saltando para trás. Arenai se segurou numa das estantes de ferro dispostas naquele porão, sentindo o chifre sendo arrancado de si, mas a estante vergou, caindo. Soltou-se bem a tempo, correndo para trás enquanto ela caía estrondosamente ao chão.

Quem quer que fosse o dono daquela casa certamente já havia acordado.

Rarac agarrou um dos soldados pela cabeça, acertando-o contra a parede, fazendo com que desviasse o olhar ao ver o crânio literalmente quebrando como um ovo. Ele atacava de maneira bruta, como um animal, mas certamente era o ser mais poderoso daquele local.

Aqueles garotos sem dúvidas eram abençoados por possuírem aqueles Denores.

Aegis saltou a frente, ergueu os braços e os abaixou rapidamente, então todos os resquícios de corpos e inimigos foram literalmente sugados pela terra, incluindo o buggane que havia atacado Arenai. Mas sem dúvidas ainda havia sangue aos borbotões.

Gemendo de dor, pôs a mão sobre o ferimento, o sangue vertendo de maneira abundante. Não sabia magia o suficiente para curar algo como aquilo rapidamente, apenas o suficiente para que fosse se fechando lentamente. E não poderia voltar a Aurtrai naquele estado, seria suicídio. Deveria esperar pelo menos um dia.

– Droga, aquele buggane te feriu feio. Pode ter acertado o rim ou algo do tipo...

– Isso não importa agora, temos que sair daqui. O dono desta casa com certeza acordou depois de toda essa barulheira!

– Consegue andar assim?

– Já passei por situações piores. – foi a resposta.

Respirou fundo, pegando a mochila de Nero do chão, e murmurando algumas palavras para que a dor e o sangramento apaziguassem o suficiente para que pudessem dar o fora dali o mais rápido quanto o possível.

Rarac pegou os dois garotos, enquanto Aegis se transformava numa coruja branca e voando num claro sinal para que a seguissem. Segurando sua dor, correu atrás dela, dizendo para o Denor que o acompanhava sem grandes dificuldades, apesar de estar carregando duas pessoas.

– Envenenados.

– O quê?!

– Creio que os Bergais conseguiram envenená-los quando foram mandados a este mundo. Aquela água que usaram para nos localizar, ela deve ter entrado em Naphees quando ele teve aquele ataque.

– Teremos que retirar isto deles.

– A pergunta é como! Por mais que vocês controlem água também, os únicos que detêm o conhecimento de como controlar algo do tipo dentro do corpo de alguém são os Bergais!

Rarac estancou porém ao perceber onde Aegis havia os levado, o que Arenai compreendeu. Fora a casa onde encontrara Klodike inconsciente, e que provavelmente onde sua família adotiva fora encontrada morta. Ela se encontrava rodeada por uma fita que parecia ter sido posta para impedir a passagem. A Denor pousou, transformando-se mais uma vez em mulher.

– Enlouqueceu?! – Rarac grunhiu entredentes.

– Às vezes os locais mais óbvios são os melhores esconderijos. – rebateu. – Podemos entrar no porão e cavar um túnel para escondê-los, apenas abrindo-o e fechando-o quando necessário, ficando escondido da vista de humanos e Bergais. Só demandará um pouquinho de tempo, alguns minutos.

Pareceu-lhe uma boa ideia, e nos braços de Rarac, Nero gemeu. Talvez não estivesse inconsciente como havia assumido, mas se encontrava fraco demais para se mover com certeza. Soltando arquejos, adentrou o local indicado com os dois Denores.

Aquele porão era bem mais limpo e organizado do que da casa que se encontravam antes. Rarac pousou os gêmeos Galrdai no chão e junto com Aegis começou a escavar um túnel com seu domínio sobre terra. Arenai se sentou – não havia nada que pudesse fazer. – e procurou meios de curar um pouco mais, mesmo que sua energia estivesse se consumindo perigosamente. Não descansava desde a invasão de Cvasq, não dormia certamente há mais de dois dias. Também não lembrava-se de comer. Na realidade, sequer sabia como estava consciente até o momento.

Entrou no túnel quando foi o suficiente para poder entrar, arrastando os garotos consigo. Eles eram extremamente jovens, mas já eram um pouco maiores que Arenai em altura. Os pôs contra a parede escavada e se jogou no chão, pressionando o ferimento.

Precisava comer. E descansar. Urgentemente.

– Creio que assim está bom. – Aegis constatou, fechando a passagem por onde haviam entrado. – Precisaremos depois sair para buscar água e comida, mas por enquanto... Arenai, você está bem?

Negou com a cabeça, mas manteve-se quieto.

– Creio que é melhor você procurar comida.

– Por que eu?! – Rarac exclamou.

– Porque sim, vá logo!

O Denor revirou os olhos, claramente contra sua vontade, mas levantou-se, indo em direção a uma das paredes recém-criadas, abrindo-a e sumindo do campo de visão de ambos. Arenai tinha que admitir que a mulher tinha uma aparência muito mais simpática que o homem, apesar de ter visto claramente o que ela poderia fazer.

–... Deixe-me perguntar... Você não veio até aqui em busca de informações sobre os Galrdai, não é mesmo?

Arenai vacilou. Aquela Denor certamente chegara exatamente ao ponto, e aquilo era realmente constrangedor, pelo menos para si, que estava acostumado a nunca ter suas intenções descobertas.

– Pelo visto adivinhei... O que você quer com eles?

–... É pessoal. Não quero machuca-los nem nada do tipo, apenas pensei que...

– Encontraria soldados altamente treinados prontos para virarem uma guerra?

– Não.

A resposta pareceu surpreendê-la. É claro que surpreenderia, qualquer um iria atrás daqueles garotos apenas por suas habilidades, nada mais. Alguém ir com qualquer outra intenção era surpreendente...

E suspeito.

– O que quer com eles? – questionou, aproximando-se lentamente de Nero, que recuperava suas cores.

– Meu filho foi aprisionado há três dias. Para falar a verdade, ele cortou contato comigo e qualquer outro parente meu há vinte anos, apenas o reencontrei no início da guerra pois ele foi a minha casa para pedir que sua mãe cuidasse de suas filhas. Que eu sequer sabia que ele tinha. Quando consegui entrar no Salão de Coral, um dos interrogadores mencionou que ele havia sido preso pois conhecia a possível localização dos Galrdai.

– E você veio na esperança de eles saberem de algo?

– Encontrei duas crianças assustadas e sem memórias. Chega a ser frustrante.

– Eles não são tão imaturos quanto você imagina.

– Mas quantos anos eles tem? Eu tenho sessenta e quatro e sou desrespeitado por muitos por ser extremamente jovem! – tossiu um pouco, o ferimento ardendo. – Estes dois não devem sequer ter dezoito.

– Realmente eles não possuem. Mas você não é a pessoa mais nova a ter entrado na Ordem de Keanls Houvedalec?

– Eu tinha dezenove anos. – afirmou. – Era um pouco mais velho que eles, e esse é um dos motivos por eu ser apelidado de “Criança da Noite”. Mas uma coisa é entrar, outra é possuir o devido respeito. Tecnicamente, sou o primeiro membro do Esben a entrar oficialmente no exército, e também o primeiro Esben a entrar na Ordem. Mas nesta guerra, não sou o comandante do esquadrão, porque sou “novo demais.”.

– Admito que estou surpresa com isso. Quem seria então o comandante?

– Um homem chamado Akhter Bardisan.

Aegis fez uma careta. Já ouvira falar muito sobre aquele homem. E de tudo que ouvira, nada era minimamente agradável.

– Eles preferiram deixa-lo no comando a você?!

– “Ele é mais velho e experiente”.

– Sinceramente, não me surpreenderei se souber que os Bergais estão ganhando. A maior incompetência que alguém pode fazer é por aquele homem para dar ordens. Cabeça quente demais, impulsivo demais, invejoso demais...

– No fundo ele é um bom homem... Num fundo que eu nem sei se existe. Já tive paciência para passar dez anos sob as ordens dele, mas... Admito que estou mais feliz coordenando ataques longe dele.

Aegis balançou a cabeça negativamente, como se achasse graça.

– Mas digamos que você encontrou o que muitos estavam procurando. O que pretende fazer?

– Depois de ver o que aconteceu aqui, creio que o melhor é leva-los para Aurtrai e ir atrás dos outros dois, mas...

– O quê?

– Nesta guerra, eu teria de pedir permissão para leva-los e eles provavelmente teriam de entrar no Esben. – ele olhou para a mochila intocada de Nero. – Creio que eles já possuem alguma base.

– Sim, mesmo perdendo as memórias, acho que eles conseguiriam lembrar por reflexo...

– A questão não é essa. A questão é que eu teria de pedir permissão para Akhter. Conhecendo aquele homem, será muito mais fácil ele mandar deixar estes dois para morrer do que leva-los, mesmo que sejam os primeiros Galrdai.

Notas finais
Serei sincera, eu queria que o 10º capítulo fosse narrado por Vannes ou Esben. Mas a situação tá tensa. Pode ser que ele apareça capítulo que vem, pode ser que não. Mas bem, é isso! Dúvidas, críticas, elogios, tudo nos comentários!