Motsatt

12 Capítulo 11 - Chi fa da sè, fa per tre


Notas iniciais
Ohaaaaaaaaaay Bem, espero que gostem deste capítulo, pois tive que lutar contra a minha internet para fazê-lo! e.e Eu inclusive descobri um dicionário de palavrões italianos e coisas bem estranhas o.o' Bem, este é o terceiro e último ponto de vista "oficial" de Motsatt. Estava apenas esperando para poder estreá-lo! Ah, e a tradução do título é "Quem trabalha sozinho, trabalha por três". Estejam livres para interpretá-lo como quiser. Bom capítulo! E... Eu não resisti postá-lo, até porque a programação de postagem do Nyah! não me ajudou muito -_-

Capítulo 10 — Chi fa da sè, fa per tre

Dante agarrou seu cordão no momento em que este esquentou insuportavelmente como o fogo em seu peito. Grunhiu baixo quando percebeu-o queimando seus dedos, então retirou-o rapidamente do pescoço e o jogou dentro da fonte na qual se encontrava sentado na beira.

Arregalou o único olho ao perceber o vapor começando a sair da água, além das borbulhas surgindo na superfície.

–...Che merda... –murmurou, olhando envolta para ver se havia mais alguém ali, mas nada.

Ainda estava amanhecendo, e mesmo que a maioria das pessoas naquela cidadezinha italiana levantassem cedo, ainda não havia ninguém, que de certa forma o aliviou.

Godofredo piou ao seu lado, chamando sua atenção. Jurava que aquela coruja-buraqueira ainda estava dormindo... Ou talvez só havia acordado naquele momento. Soltou mais um som agudo e estridente, os olhos bem abertos, olhando ao redor, antes de bater asas foi até uma esquina como um raio. Dante jurou ter escutado o som agonizante de um rato que foi rapidamente abatido.

Corujas como aquela certamente não eram comuns por ali, mas as pessoas assumiam que ela fugira de um tratador ou coisa do tipo. Passara quase todo tempo sendo apenas algo como uma corujinha de estimação, até Heidi começar a chamá-lo de Godofredo. O nome pegara, e mesmo sem saber se era macho ou fêmea, todos o chamavam daquele modo, mesmo que Dante soubesse que era um macho, e soubesse que não era uma coruja.

Uma bolha de calor estourou muito próxima a si, fazendo-o pular, percebendo o quão quente ainda estava o seu colar. Olhou para o fundo da água, vendo-o perfeitamente incandescente pousado na pedra ao fundo. Franziu o cenho. O que estava acontecendo?

Seu olho direito deu uma pontada, fazendo-o silvar e esfrega-lo sobre as bandagens. Normalmente este apenas doía quando os “homens água” – como havia apelidado – estavam atrás de si, mas apenas por correr seu olhar pelo local, era mais que óbvio que não havia ninguém ali.

– Ei Dante, acha que falta muito para o signor Alberti abrir as portas? Estou faminto!

– Você só veio para este trabalho pois provavelmente ele irá lhe dar comida? – questionou, revirando o olho e se ajeitando, numa tentativa de encobrir a água fervente com o corpo.

– É!

Stronzo. – murmurou.

– Eu escutei isso!

– Era para escutar.

Piero bufou, cruzando os braços e armando uma carranca, enquanto Dante apenas sorria de maneira petulante. Segundo seus cálculos, deveria ter em torno de seus dezessete ou dezoito anos, e o rapaz a sua frente possuía dezesseis anos. Era apenas um pouco mais baixo que o ruivo, mas bem mais franzino. Tinha olhos de um flamejante tom de verde e cabelos acinzentados, cortados bem curtos, além de algumas sardas douradas no rosto.

Se enrijeceu quando este sentou-se ao seu lado na fonte, olhando nervosamente para o colar, e então retornando ao rapaz perigosamente próximo... Tanto dele quanto da água. Ora, poderiam ser dois homens, mas não havia nada de errado em apenas sentir algo, não é?

Sentir silenciosamente, pois se alguém descobrisse, aí sim teria problemas. Numa cidade pequena e quase esquecida como aquela, em que boa parte da população era extremamente religiosa, se alguém ficasse sabendo era capaz de que fosse executado por sodomia em praça pública... Sem jamais sequer ter encostado um único dedo em Piero.

Se bem que poderiam acusa-lo de bruxaria... E não estarem tão errados assim.

Entretanto, tentava não pensar no assunto na maior parte do tempo. O que era difícil quando se morava com ele, trabalhava com ele, e acabava por passar a maior parte do tempo com ele. Tudo era uma questão de respirar fundo e se acalmar.

Enquanto o outro rapaz resmungava sozinho sobre algo, silenciosamente pôs sua mão na água, as lágrimas vindo tanto ao olhos exposto quanto o coberto enquanto sentia sua pele praticamente cozinhando. O calor e o fogo nunca o machucavam, mas por algum motivo, naquele momento estava. Mordeu os lábios, tentando não emitir som algum e atrair a atenção de Piero enquanto pegava o colar no fundo e a puxava silenciosamente.

Sentia sua pele pulsando, mas fingindo que nada acontecia, pegou um cigarro da cartela do bolso, estalou os dedos para que a chama surgisse entre eles, acendendo-o. Como a temperatura de seu corpo também aumentava, a água de seu braço evaporava e secava a manga de sua camisa. Manteve-se assim durante algum tempo, e após vários minutos, os cidadãos comuns saíam de suas casas rumo suas jornadas de trabalho, rapidamente a vida se instalando na cidade adormecida.

Godofredo voou para o alto de um poste, mantendo-se empoleirado em apenas uma perna. Quando ouviu o “Finalmente” de Piero, soube que Antonella aparecera no portão, abrindo-o para ambos. Levantou-se, pegando o amuleto. Estava do mesmo modo.

Deixou Piero entrar, indo na direção oposta. Sabia que o outro rapaz não se importaria, portanto seguiu por entre as pessoas que já estavam na rua, parando de vez em quando para roubar a carteira de algum desavisado e também roubou o seu café da manhã numa das barracas da feira. A pobre senhora sequer percebeu que tortas e frutas dispostas para possíveis compradores haviam sumido.

Até que possuía algum dinheiro, mas preferia usá-lo para coisas mais em conta, como guarda-lo para comprar um vestido para Heidi, remédio para caso algum dos meninos do celeiro ficarem doentes, ou até mesmo pagar um médico. O sonho de comprar uma casa era algo que não possuía, pois conseguiam ter uma moradia até que confortável com coisas abandonadas. Aquelas pessoas eram tão mesquinhas que às vezes jogavam fora coisas em perfeito estado de uso.

Mais afastado, fez um som semelhante ao pio de uma coruja, e não demorou a Godofredo aparecer voando. A corujinha se acomodou confortavelmente ao seu ombro e ambos seguiram até fora dos limites da cidadezinha, onde ficava o celeiro abandonado que chamavam de casa. Passou silenciosamente para não chamar a atenção, indo pelo poço e pegando a trilha atrás dele, onde os garotos tinham medo de passar. Mas não Dante.

Foi dar um lago rodeado de árvores que o deixava escondido a tudo e todos. Talvez só soubesse de sua existência devido ao fato que fora arremessado ali quando tinha catorze anos.

Sim, arremessado.

Godofredo saltou de seu ombro, transformando-se em homem ao mesmo tempo em que se jogava no chão, com a comida ao seu lado e desenfaixava seu olho, gemendo baixinho de dor. Sentia-o latejando a ponto de repuxar toda sua face.

Ah, e seu nome não era Godofredo. Era Phaeron.

Ele era mais baixo que Dante, e mais esguio também, de feições aquilinas. Possuía olhos de águia, num incrível tom de laranja, e seu cabelo era negro, preso num rabo de cavalo frouxo e baixo, na metade do cabelo que lhe escorria como tinta preta por suas costas. A pele era bem branca, quase doentiamente pálida, e trajava roupas semelhantes às couraças militares gregas.

– O que houve?

– Meu olho dói... E o cordão. – Estendeu-o para Phaeron, ainda pressionando o olho com a outra mão. – O que está acontecendo? Ele nunca fez isso...

Phaeron franziu o cenho, tomando o amuleto. Assim como Dante, ele pareceu se queimar, mas apenas fez uma careta e girou-o entre as mãos.

– Péssima hora para você ter o amuleto de Yangin, sinceramente. – bufou.

– Relembre-me... Quem é Yangin?

– Deus do fogo. Teoricamente falando, você é protegido por ele. E também é o caçula. Talvez isto esteja acontecendo porque um de seus irmãos esteja em perigo.

– Irmãos? Você diz aquela história de eu ter outros três irmãos gêmeos? – deu um muxoxo. – Eu já tenho problemas demais por mim mesmo, não preciso ter que lidar com o dos outros.

A expressão de censura na rosto de Phaeron o fez quase revirar os olhos, se não fosse a dor no direito.

– Que é? Nem me lembro deles!

– Continuam sendo seus irmãos. – repreendeu. – E lembre-se do que aconteceu da última vez que disse isso para alguém, hoje você tem que carregar Heidi nas costas por ela ter ficado aleijada.

– E você tem que ser chamado de Godofredo. – retrucou, tentando não demonstrar que a resposta afiada do Denor conseguira atingir um ponto fraco. Era verdade que se culpava de ter apenas olhado para o próprio nariz, e agora a menina de quatro anos era incapaz de andar.
Mas literalmente já havia problemas o suficiente. – Acha que é algo a ver com os “homem água”?

– Não era você que não se importava? – Phaeron ergueu uma sobrancelha, mas Dante apenas fulminou-o com o olhar, fazendo-o sorrir, revelando suas presas. O sorriso desapareceu entretanto quando disse. – Não são “homens água”, são Bergais, e lembre-se, você é metade deles.

– E você fala como se eu quisesse ser um deles.

– Sua mãe ficaria muito decepcionada em ouvir isso.

– Dane-se! Sequer lembro dela! Cazzo!

– Do mesmo modo, você provavelmente só está aqui, sentado, conversando comigo, por causa dela. Continuando, acho bem capaz sim de ser culpa dos Bergais. Talvez tenham encontrado um de seus irmãos.

– Você disse que eles estavam mortos.

– Eu disse que eu não sabia o que tinha acontecido com eles. – rebateu. – É muito diferente da informação “eles estão mortos”.

Suspirou, retirando a mão do olhos. A visão do direito com o esquerdo se chocou, fazendo com que tapasse o que usava normalmente.

Com o olho direito, via o mundo como se fosse negativo. Tudo era negro, entretanto via a cor das coisas, e dependendo do que eram, do que eram feitas, tinha cada uma específica. Via a Phaeron, por exemplo, como um desenho de si mesmo em vermelho, com sua silhuetas e expressões. A árvore atrás dele era amarela, e ao olhar para baixo, sob a terra, via um amontoado de bolinhas que poderiam talvez ser filhotes de coelho.

Sim, conseguia enxergar através das coisas.

Mas seu olho doía tanto...

O olho esquerdo de Dante era verde. Não como os de Piero, eram extremamente claros, quase um verde água, mas mantinha o direito às escondidas não apenas por ter uma visão diferente, mas por sua própria aparência. A esclera que em qualquer pessoa era branca, mas a sua num tom estranho de azul, a íris cor de gelo e a pupila vermelha. Muito além disso, desde a testa até um pouco acima da boca havia uma cicatriz prateada em forma de um cristal de neve.

Ganhara aquilo com catorze anos. E fora por causa daquilo que Phaeron se revelara a ele.

– Como está? – o Denor questionou, pegando cuidadosamente seu rosto e virando-o para que visse a cicatriz.

– Ardendo como o fogo do inferno. – respondeu. – Mas é gelado.

– Foi deixado por uma criatura Bergal, óbvio que é gelado.

– Existe água quente.

Phaeron pareceu ponderar, antes de assentir.

– Talvez se tentar controlar água melhore.

– De onde tirou isso?

– Você foi ferido por um ser Bergal, você é meio Bergal, mas insiste em usar só o seu lado Talbordai. Talvez isso crie um choque e faça com que doa mais do que deveria.

– Boiata.

– Não, isto não é inútil.

– Você realmente aprendeu o que é boiata?!

– Não estou conversando nesta maldita língua com você?

– Sim, e eu não disse há pouco tempo que não tenho nenhuma intenção de tentar controlar água ou coisa do tipo?

– Esben. – disse de maneira pausada e entonada de modo que parecesse frisar seu nome. Quase estremeceu. Phaeron apenas o chamava de Esben caso estivesse estressado ou o assunto fosse sério. E seriamente, uma das poucas coisas que o davam medo era Phaeron estressado. – Eu estou dizendo isso para o seu próprio bem, agora pare de tentar dar uma de teimoso e vá controlar a porcaria da água. Aproveite que tem um lago bem aqui.

– E como espera que eu faça isso? Nunca tentei controlar água!

Phaeron respirou fundo, e Dante viu o esforço desumano que ele fez para não revirar os olhos. Quase o escutava o xingando mentalmente.

– Faça o contrário do que você faz pra controlar fogo, idiota.

“Nossa, que fácil” ironizou mentalmente, mas preferiu se manter quieto, senão seria capaz que Phaeron lhe arremessasse um rochedo ou o mandasse voando para algum lugar. Na Índia, talvez.

Olhou para a água do lago. Quase dava para ver o desprezo em seu olho, e decidiu fechá-lo.

Tomando um pouco de coragem, decidiu tentar. Quando ia controlar o fogo, sentia como se concentrasse uma grande quantidade de calor em suas mãos, ou em qualquer outro lugar que quisesse que as chamas viessem. Inspirando, decidiu então imaginar a textura da água e ela fria. Talvez fosse melhor pôr a mão no lago para verificar a temperatura?

Sentiu como se houvesse um repuxão incomodo em sua nuca, puxando-o para baixo. Rangeu os dentes e tentou ignorá-lo, mas era impossível. Ergueu sua mão, e sentiu como se o repuxão fosse junto a ele, e o som de algo como uma enorme onda se levantando soou por um momento.

– Oh, pensei que estivesse enferrujado depois de praticamente dez anos...

Abriu o olho esquerdo, vendo uma imensa bola de água pairando e girando ao ar. Tivera a intenção de controlar apenas um pouco, mas havia drenado praticamente toda a água do lago!

– Tente movê-la. – Phaeron instruiu.

Sem saber exatamente o que fazer, tentou imaginar o globo se expandindo, movendo a mão na direção desejada. O incomodo pareceu dar uma volta em seu pescoço, e a água formou um arco. Apenas por curiosidade, trocou de olho, indo para o direito. No meio da escuridão, a água era uma massa de nada que movia-se com um quê de azul, e em seu interior várias formas brilhantes nadavam freneticamente. Os peixes também estavam aprisionados ali dentro.

– Dependendo da forma que for usada, a água pode ser ainda mais mortífera que o fogo. – Phaeron começou. – Os Bergais sem dúvidas tem uma imensa vantagem. Mesmo que possam apenas controlar água se ela estiver no local, podem congelar o ar e derrete-lo. Podem aprisionar alguém em uma esfera como essa e congelá-lo. Podem controlar o sangue ou enredar uma substância no corpo de alguém e mata-lo por dentro.

Dante fez um movimento de corte e a água caiu como se fosse feita de cacos nas delimitações do lago.

– Você é uma das primeiras pessoas que podem controlar tanto água quanto fogo. Por algum motivo, o controle tanto seu quanto dos seus irmãos é maior do que qualquer um. E ei, você fica bem de cabelo branco.

Chamando sua atenção, olhou para os próprios fios que flutuavam ao vento como submersos com o olho, percebendo-os realmente brancos. Quando ergueu a mão para tocá-los em perplexidade, viu que sua pele, tão bronzeada pelo sol que chegava a ser morena, estava assustadoramente pálida.

Enquanto isso, Phaeron ria da expressão de Dante. O olho agora azul gelo como os de Jake fulminou-o.

– O que aconteceu?!

– É apenas um efeito colateral de estar controlando água. Você parece um Bergal agora.

Dante agiu como se aquilo fosse uma ofensa, o que fez Phaeron rir mais ainda. Aquele garoto certamente o divertia.

Não que culpasse Dante por ter ressentimento dos Bergais. Eles haviam-no encontrado quando possuía catorze anos e era um pacato ladrãozinho de rua e o atacaram-no sem escrúpulos. Era o primeiro dos irmãos a ser localizado, mas de alguma forma, conseguiu novamente o controle de suas habilidades, sendo o fogo o que se manifestou encima da hora e o salvou. Dante matara a tudo e todos o que perseguiam, tendo como únicas sequelas a cicatriz e a transformação da visão no olho direito. Isso o obrigara a revelar o passado do garoto, mesmo que provavelmente não fosse esta a vontade de sua mãe.

– Está bem, não estou conseguindo voltar ao normal, Phaeron!

– Acalme-se, tente relaxar. Provavelmente é como faz com o fogo.

– É difícil relaxar com você rindo da minha cara! – bufou, enfaixando novamente seu olho e pegando sua comida quase que com raiva, começando a comê-la evitando o olhar do Denor.

Mesmo como um Bergal, aquele garoto realmente parecia com o pai...

Obviamente, não na índole, lembrou-se Phaeron. Seu pai era absurdamente composto, raramente se alterando em seus trabalhos, face que não demonstrava com sua família, mas que surpreendia quem visse a diferença. Sério, frio, inabalável.

Um assassino perfeito.

Mesmo que já soubesse perfeitamente como matar, Dante certamente não era como o pai. Não mesmo. Movendo-se nas sombras, tornando a morte silenciosa. O garoto matava isolado, mas quando o fazia, fazia muita bagunça.

Bem, ele não era um membro do Esben...

Ironicamente, seu próprio nome verdadeiro era Esben, homônimo ao grupo de assassinos do exército. Dependendo de como pronunciado poderia significar “Chama silenciosa” ou “Fogo violento”. Talvez seu pai tivera a pretensão de treiná-lo quando este chegasse a idade correta, mas esta oportunidade nunca chegara.

E o filho pendia muito mais para o segundo significado de seu nome...

Ouvia-o se remoer sobre algo, quando os passos deixaram-no alarmado. Levantou-se rapidamente enquanto o rapaz apenas olhava para o lado, apenas para se deparar com Piero. Ele não parecia muito feliz.

– Isso! Suma e não me avise onde vai! Se não soubesse que gostasse de se enfurnar aqui, passaria o resto do dia atrás de você! Espere... Por que você está assim?

– Ideia de Phaeron. – acusou, fazendo com que o Denor revirasse os olhos.

– Estou apenas fazendo-o aceitar sua verdadeira natureza. – defendeu-se.

– Vocês dois, sinceramente... – suspirou, jogando-se sentando ao lado de Dante, que enrijeceu. – Mas continuando, falei com o signor Alberti.

– E o que ele quer dessa vez?

– Parece que Bardo Pasini está lhe arranjando problemas. Ele quer que lhe dê um susto para mostrar com quem ele está mexendo.

– Bardo Pasini? Caspite! Qualquer um sabe que ele se tranca naquele casarão dele cheio de jagunços e que somente algumas pessoas possuem a chave...

–... Como sua jovem esposa Floridia, que é dito pela boca miúda ser uma baldracca e que ela não perde uma chance de trair o velho do marido dela com qualquer homem mais novo.

Olhou para Piero, que lhe deu um sorriso tão cínico que xingou-o mentalmente. Então era isso? Queriam que seduzisse a esposa de um dos maiores proprietários de terras da região, roubasse a chave dela e invadisse sua casa para lhe dar uma surra?

Estavam abusando de sua boa vontade...

Porca miseria Dante! Você sabe que ele paga bem! Além do mais, já fizemos isso muitas vezes!

– Alguma vez você teve que ficar se desdobrando para conseguir fazer uma mulher baixar a guarda?

– Não, este é o seu trabalho porque é por você que elas se derretem com esse seu rostinho bonitinho. – pegou a bochecha de Dante, a apertando como se estivesse falando com uma criancinha. O ruivo apenas armou uma carranca e tirou sua mão de seu rosto. – Ora vamos! Eu sempre me meto na confusão contigo!

– Pelo menos isso. – bufou.

– Está agindo como se não gostasse de mulheres.

O silêncio quase constrangedor tomou conta do lugar, enquanto tudo o que ouvia era Phaeron numa falha tentativa de prender o riso. Teve vontade de pegar uma pedra e jogar contra o Denor.

– Certo, vamos...

Interrompeu-se no meio da frase quando a dor lancinante cortou seu olho novamente. Levou sua mão até ele, mas escutou as borbulhas no lago atrás de si. Escutou Piero travando, e virou-se novamente, pegando seu amuleto.

Os Bergais estavam lá?

–... Não há nenhum Bergal que eu possa sentir. – Phaeron sussurrou, aproximando-se do lago, enquanto os outros dois rapazes afastavam-se lentamente. A água começava a formar um redemoinho, e de dentro surgiu uma mulher, talvez uma das mais belas que Dante já vira em toda a sua vida. Era alta e esguia, e seu cabelo imenso era branco e brilhante, seus olhos eram violetas e sua pele era dourada. Certamente como nada que havia visto antes.

– Kapheliria?! – a voz de Phaeron soou cheia de descrença.

– Te encontrei. – Foi tudo o que respondeu, antes de olhar para os dois, seguindo então para o amuleto de Dante, antes de retornar ao outro Denor. – Está mais perto do que eu pensava.

– Isso não importa, você deixou Vannes sozinho! – sibilou. – Não vê que provavelmente algo está acontecendo?!

– É sobre isto que quero falar. – Seu tom de voz deu a entender claramente que ela queria que Dante e Piero fossem embora, enquanto saía da água. Dante olhou para o amigo, e ambos começaram a se retirar. – Vannes está numa situação complicada, e as coisas irão ficar piores. Creio que algo a ver com Naphees e Klodike aconteceu, e isto está chamando a todos...

Já estavam afastados o suficiente quando Dante retornou a sua aparência normal de sempre. Sentia-se tenso. Aquela mulher não era uma Bergal, mas mencionara o nome de seus irmãos, então...

– Ela é como Phaeron? – Piero questionou.

– Provável.

– O que está fazendo aqui então?

– Não ouviu? Algo ruim está acontecendo.

– Bem, você sempre mata aqueles “homens-água’’ quando tentam te atacar. Acha que isto ficará pior?

– Não sei, mas creio que é melhor pensarmos no trabalho que teremos pela frente, não? Soccia! Não estou com vontade de ter que lidar com alguma riquinha, mas precisamos sustentar os meninos do celeiro, não?

Piero apenas deu um sorriso de lado enquanto Dante ia até a construção, atrás das melhores roupas que possuía para poder fazer o trabalho direito.

Era muito divertido vê-lo irritado, pois chegava a ser adorável.

Notas finais
Este é Esben, também pode ser conhecido como "o caçula", ou o "irmãozinho bombadinho". Sim, é meio óbvio que Dante é um dos irmãos perdidos de Jake e Nero... (Dante e Nero, fãs de DMC entenderão xD). Agora... Acho que muita coisa trará surpresas na narrativa dele, mas acho que neste capítulo uma das coisas é a paixonite dele pelo Piero, hehe Dois capítulos num dia, acho que está de bom tamanho, então é tudo por hoje pessoal! Bem, críticas, elogios, dúvidas e sugestões, tudo nos reviews!