Morning Star
22 Frente a frente
Notas iniciais
Boa leitura
A novidade ainda era o assunto principal, na manhã após o ocorrido nós nos despedimos de nossos primos e retornamos para casa. O fim de semana veio e foi com rapidez descomunal e então a rotina reiniciou-se. Em plena segunda-feira eu já estava entediada. Passei a maior parte do dia no quarto, os dois cachorrinhos dessa vez haviam se mudado para baixo da cama de Jake. Rosalie debochou, dizendo que eles gostavam mais do quarto de Jake devido ao cheiro deles ser familiar.
Também gastei cerca de uma hora e meia em frente ao espelho tentando fazer com que meus olhos brilhassem novamente, mas foi em vão. Porém eu continuaria persistindo. Enquanto meus dons especiais não se manifestavam, resolvi treinar minha força física.
– Ocupado? — perguntei a Emmett, assim que entrei na sala e fiquei entre ele e a televisão
– Sabe muito bem que eu assisto os desenhos a essa hora. — ele respondeu calmamente e abriu um sorriso sem motivo, deixando bem mais a mostra suas covinhas das quais Rosalie tanto se gabava — Mas, se minha sobrinha favorita quer alguma coisa, é só falar.
– Sou sua única sobrinha. — revirei os olhos ao notar seu olhar de brincadeira — Ok, eu quero treinar. Lá fora, eu e você, corpo a corpo. Agora.
– Ora, ora, além de poderosa está ficando mandona. — Emmett brincou, já de pé — Tudo bem, me espere lá... vou colocar minha roupa de te dar uma surra. Quer dizer. Minha roupa de te treinar.
– Muito engraçado. — devolvi quando ele passou por mim, corri para o jardim e comecei a pular de um pé para o outro, numa forma de aquecimento
Pouco mais de dois minutos depois, Emmett saiu de dentro de casa com sua já gasta regata branca e calça cinza de moletom. O par de tênis que ele guardou para os treinos também estava quase estourando. Em seus braços estavam também os dois filhotinhos.
– Por que os trouxe? — perguntei arqueando uma sobrancelha — Quer platéia pra te ver no chão?
– Não devia ter dito isso. — Emmett me alertou com seu típico sorriso malicioso, em seguida colocou os dois filhotes no chão ao lado da porta e deu alguns passos a frente, apenas cerca de dez metros nos separavam — Não vou pegar leve com você.
– Digo o mesmo. — retruquei posicionando os braços
Nos olhos ficaram hipnotizados um pelo outro por alguns segundos e quando menos esperei Emmett disparou em minha direção como uma flecha, cobriu os dez metros em menos de um segundo e se atracou comigo, nos levando ao chão. Ele segurava meus ombros e em defesa agarrei seus braços.
O impacto de nossa colisão fez com que nos arrastássemos pelo gramado, levantando a terra por onde passávamos. Num piscar de olhos, Emmett se desvencilhou de meus braços e tentou golpear meu estômago com seu cotovelo, porém fui mais ágil e me pus de pé no segundo seguinte.
Emmett lanou seu braço em minha direção e seria sua vitória caso eu não tivesse girado em torno de seu corpo fazendo com que ele golpeasse o ar. Meu tio rosnou por ter sido feito de bobo. Me impressionei, minha boca formou um ''O'' quando notei que tinha agarrado-lhe pela camiseta e o joguei contra uma árvore, que caiu.
Ele se levantou boquiaberto e de olhos arregalados, assim como eu estava. Ninguém jamais fora capaz de sequer erguê-lo, ainda mais arremessá-lo a uma distância como essa. Muito menos alguém apenas meio-vampiro. Ele sorriu como um sinal para que eu continuasse. Parti em sua direção e bati as duas mãos em seu tórax, levando-nos ao chão novamente, dessa vez fiquei por cima. Agarrei sua cabeça e a bati no chão um par de vezes. Emmett com uma de suas mãos pegou meu rosto, tentando me empurrar, enquanto a outra segurava um de meus braços.
Com o braço disponível, o soquei uma vez e seu rosto trincou e cicatrizou no mesmo instante. Cansado daquilo ele pegou minha cintura e me girou para longe dele. Quando parei ajoelhada, Emmett já estava atrás de mim. Ele vingou o golpe que lhe dei quando fez com que eu golpeasse o chão com meu rosto. Seu próximo movimento foi me dar uma chave de braço.
– Você melhorou, gatinha. — ele debochou me tendo a sua mercê — Mas o seu tio ainda é o melhor da família.
Eu rosnei furiosa quando não consegui me livrar de seu abraço, que seria mortal caso eu fosse uma inimiga de verdade. Seria impossível sair daquela posição. Rosnei outra vez e fiz o único movimento que consegui: joguei a cabeça para trás violentamente, golpeando seu rosto e fazendo com que ele cambaleasse alguns passos, assim me libertando. Não tive piedade em esperar por seu ataque seguinte e pulei no ar, girando e chutando seu rosto.
Emmett caiu próximo a uma árvore e se pôs de pé no mesmo segundo. Ficamos novamente separados por uma distância de poucos metros, que foi diminuindo em milésimos conforme ele se jogou em minha direção novamente. Fui ao seu encontro e tentei golpeá-lo com uma braçada, do mesmo modo como ele tentou fazer. Mais algumas braçadas em vão e ele pega meu pescoço. Tento repetir o gesto mas ele imobiliza meu braço e novamente me pega numa chave de braço.
Outra vez impressionada, vejo que lancei minhas mãos para trás e o agarrei pela camiseta. O ergui mais uma vez e joguei-o longe. Meus braços doeram, porém ignorei a dor e alcancei Emmett antes que ele se levantasse. Segurei seus dois braços e posicionei meu pé em sua garganta. Simbolizando seu fim caso fosse um real adversário. Eu ganhei.
– Perdeu. — exclamei vitoriosa enquanto lhe ofereci a mão para levantar
– Gatinha, se você me derrotou, ninguém mais pode com você. — Emmett comentou já em pé, batendo as mãos pelo corpo para tirar a sujeira — Parabens.
– Obrigada. — sorri brevemente — Mas devo isso ao seu treinamento. Se não você teria acabado comigo agora.
Ele riu e então retornamos para dentro de casa. Os filhotes nos seguiram. Estranhei que Emmett não pediu uma revanche mas pelo que sei, minha vitória não ia durar muito.
Tomei um banho rápido e coloquei outra roupa qualquer e como todos os dias após o treino, passei o resto da tarde com meu tio na sala até que Jake chegasse. O que levou horas.
– E quando o cachorro chega, ela esquece que eu existo. — Emmett brincou quando eu e Jake subíamos a escada logo após Carlisle passar para o deixar em casa
– Sabe que eu te amo. — gritei já no corredor do andar de cima e pude ouvir a risada nada discreta dele, beijei Jake rapidamente — Como foi o dia?
– Normal e estranho. — Jake respondeu jogando a mochila no canto de seu quarto, atrás da porta, ele sentou-se na beirada de sua cama para tirar o tênis e me encostei na porta de seu guarda roupa enquanto continuávamos a conversar
– O professor de História continua no seu pé? — dei um palpite e ele assentiu, esperou alguns segundos até falar, enquanto mexia seus dedos, finalmente livres do tênis e da meia
– Ele parece estar mal. — Jake começou a falar — Hoje ele passou mal, não deu as caras depois do almoço. E no horário em que tive aula com ele, percebi que ele se abaixo atrás de sua mesa para tomar alguma coisa. Um comprimido talvez.
– Por que ele se esconderia só pra tomar remédio?
– Não sei, mas desde então não seria a primeira vez em que ele age estranhamente perto de mim. Está começando a me dar medo. É muito esquisito.
– Já pensou em falar sobre isso com a direção da escola. — sugeri — Pelo que diz, ele olha estranho apenas para você. Age estranho apenas quando te vê. Isso parece ser perseguição.
– Não, o que eu tenho como prova? — ele comentou em voz tão baixa que parecia estar falando consigo mesmo — Ninguém vai acreditar em mim. E vai ver, pode ser coisa da minha cabeça. Afinal, eu não vejo ele o dia todo, não posso dizer que ele é estranho apenas comigo.
– Quando ele dá aulas na sua classe, ele é estranho apenas com você.
– Eu sei, eu sei. — Jake falou e então se levantou e veio até mim, me abraçando, o que entendi como um pedido para mudar de assunto — Eu vou tomar um banho e te vejo daqui a pouco, ok?
– Ok. Estarei lá embaixo com meu tio.
Jake e eu nos soltamos e deixei seu quarto para que ele pudesse tomar banho e retornei para a sala. Cerca de trinta minutos depois Jake se juntou a nós. Fizemos nada além de assistir televisão até que todos chegassem. Primeiro Rosalie, trazendo Alice consigo e em seguida Edward, trazendo Bella e Jasper. Duas horas depois, Carlisle e Esme chegaram também.
Minha vó preparou o jantar para Jake e eu. Tivemos nossa já tradicional hora da TV, porém naquela noite Carlisle não ficou conosco e sim em seu escritório.
– Emmett! — disse ele saindo do escritório e vindo até nós na sala, sentou-se ao lado de Esme — Preciso que faça uma breve viagem.
– Viagem?
– Sim. Se lembra de Guinevere? Persephone e Orlando?
– Claro, aqueles seus amigos que estavam no aniversário da Nessie. Me lembro deles sim, mas o que isso tem a ver com a viagem?
– Guinevere precisa de nossa ajuda. — Carlisle explicou — Ao que parece, há um casal de vampiros nômades que os está incomodando e pelo que ela me disse, eles planejam atacá-los. Então ela perguntou se poderíamos ajudar e eu disse que você poderia ir até eles.
– Com certeza. — Emmett sorriu em satisfação, afinal fazia tempo que ele não travava uma luta de verdade — Quando?
– Você vai amanhã logo pela manhã.
– Mas e a Nessie? — ele disse e os olhares se voltaram a mim, por um momento tive a esperança de me permitirem ir junto mas não sabia que não seria assim
– Não tem problema, eu fico. — Alice disse se voluntariando para o cargo de minha babá por um dia
– E você vai sozinho, querido? — Rosalie disse a Emmett em sinal de preocupação — Não seria melhor eu ir junto?
– Creio que não, Rose. — Carlisle a tranquilizou — Com a ajuda de Emmett, vai ser muito fácil. Depois de amanhã ele já deve voltar.
– Ursinha, até parece que não me conhece. — disse ele e então a beijou — Eu vou ficar bem. Os nômades que se preparem. Quase ninguém nunca me venceu.
– Quase?
– Ah, eu não contei? A pirralha me deu uma surra hoje. Fiquei impressionado, nem vampiros experientes lutam da forma como ela lutou hoje.
– Filha! Isso é sério? — Bella perguntou a mim, maravilhada
– É. — sorri — Até eu me assustei. Mal posso esperar para enfrentar um inimigo de verdade. Podiam deixar eu ir junto.
– Não! — todos disseram em coro e me recolhi no sofá
– Tudo bem, tudo bem.
Como o combinado, Emmett partiu antes que eu acordasse. Por um breve e único segundo pensei em seguí-lo mas a ideia foi descartada antes que um certo pai telepata descobrisse. Quando desci as escadas, Alice já tinha preparado meu café da manhã e confesso que ela sabe fazê-lo melhor que o grandalhão. Eu não treinaria com ela, seria injusto comigo afinal ela sempre saberia quais movimentos eu faria. Passamos boa parte do dia sem dizer nada, não havia assunto. E provavelmente ela devia estar monitorando Emmett a pedido de Rosalie.
– Essa não. — ela exclamou apavorada
– O que houve? — perguntei indo imediatamente até ela — É o tio Emmett? Aconteceu alguma coisa com ele?
– Não, pelo contrário, ele está bem. O problema é aqui. — a voz dela saía calmamente embora ela estivesse desesperada — Nessie, você tem que sair daqui. Fuja, agora. Vá!
– O quê?! Do que está falando? Tia Alice, o que está havendo?
– Venha, venha comigo. Tenho que te tirar daqui. — ela disse, e se levantou do sofá, me arrastando pelo braço em direção ao jardim para que de acordo com ela, fugíssemos — Droga! É tarde demais.
Assim que cruzamos a porta, percebi o motivo de sua preocupação. Alice se colocou a minha frente em forma de proteção. Eu estava paralisada, como se houvesse um espelho diante de nós. Elas eram idênticas, com exceção do comprimento do cabelo mas ainda sim seria possível confundir. Ninguém disse absolutamente nada por longos momentos.
– Ora, ora. — disse a outra Alice em tom sarcástico, dando alguns passos a frente — E finalmente estamos frente a frente, irmã. É como dizem por aí: ''se somos imortais, estamos destinados a nos encontrar de tempos em tempos afinal, o mundo não é infinito.''
Alice parecia uma rocha de tão quieta, ela estava na minha frente, de costas para mim, o que impossibilitava que eu visse seu rosto mas eu sabia que ela estava em choque. A intrusa era o quase-perfeito reflexo de Alice num espelho.
– Demorou, demorou muito mas aqui estamos. — disse o reflexo dando mais alguns passos, não agressivamente, ela apenas estava caminhando pelo jardim enquanto falava, provavelmente tentando tomar nossa atenção para que esquecêssemos do vampiro que estava logo atrás dela
Ele tinha uma pose agressiva, porém presumi que ele não fosse um recém-criado, afinal, não ficou louco ao sentir o cheiro de meu sangue. Seu olhar fez com que um arrepio percorresse minha espinha. Eu estava tão paralisada quanto minha tia que por um instante mal ouvia meu coração bater, muito menos minha respiração. Só me lembro de semelhante situação no encontro com os Volturi.
– Cynthia. — Alice finalmente falou, com certa amargura na pronuncia — Por que quer fazer isso?
– Você sabe melhor do que ninguém o motivo. — a outra retrucou impetuosamente, o olhar tomado pelo ódio, as mãos fechadas em punho — Por sua causa nossa família foi morta, ou pelo menos quase toda a nossa família.
– Eu não tive escolha.
– Isso não é justificativa. Deixasse o rastreador destruir você, mas não fizesse com que ele achasse nossa família. Isso é covardia, você é uma pessoa cruel.
Eu não piscava os olhos, atenta aos movimentos tanto de Cynthia como aos do outro vampiro. Eu não sabia se Alice estava em condições de perceber qualquer possível ataque devido ao estado emocional no qual se encontrava.
– Ah, claro. Permita-me apresentar meu novo companheiro. — a invasora disse se referindo á ele — Este é Ronnie, eu o encontrei no Canadá.
Ronnie, um nome bastante comum para uma figura assustadora como ele. Não no sentido literal, ele era bonito, como a maioria dos vampiros mas sua postura e olhar eram amedrontadores. Ele não era corpulento como Emmett, ninguém era, mas seu tipo físico me lembrou bastante de meu pai. Seu cabelo era loiro e os olhos estavam vermelhos de sede. Meu olhar e o dele se encontraram e meu corpo estremeceu e engoli em seco. Me perguntei se eu poderia encará-lo caso atacasse. Ele seria um inimigo de verdade, e o conflito não seria nada parecido com o treinamento afinal ele não teria misericórdia.
– Vá embora. — Alice falou com firmeza — Vá embora agora.
– Está louca? — Cynthia retrucou arqueando a sobrancelha com ironia — Eu não cheguei até aqui, para olhar em seus olhos, e ir embora. Eu vou vingar a morte da nossa família, aliás, da minha família.
– E Margaret? O que aconteceu com ela?
– Como se você se importasse. — Cynthia finalmente parou de andar de um lado para o outro e então pude me concentrar apenas em Ronnie — Mas já que quer saber, eu deixei ela sob os cuidados de Aro. Afinal, ele gosta de ter na guarda membros com talentos excepcionais. E Meg com absoluta certeza tem talentos excepcionais. Mas chega disso, eu não vim aqui para matar a saudade, eu vim aqui pra matar você.
– Deixe a garota ir. — Alice pediu, obviamente se referindo a mim — Ela não tem nada a ver com isso. Deixe que ela parta.
– Ahh, é claro. A híbrida que abalou o orgulho dos Volturi. Um ato sem igual devo admitir mas será que ela consegue sobreviver sem toda a família e todas aquelas testemunhas para lutar por ela? Você destruiu minha família, nada mais justo eu destruir a sua.
Eu tinha que pensar em algo. Mesmo que permitissem, eu não abandonaria Alice, assim como não abandonaria ninguém da família. Eu lutaria até morte, assim eles fariam por mim. A conversa das duas não ia durar muito mais tempo, e eu não sabia se Ronnie esperaria um sinal de Cynthia antes de pular em minha direção. Quando tempo eu duraria? Por quanto tempo eu conseguiria manter Ronnie ocupado até que Alice estivesse livre da irmã? Ela seria capaz, teria coragem de matar a irmã? Cynthia queria matá-la mas seria o sentimento mútuo? E se Cynthia fosse melhor lutadora?
Mal conseguia me mover, Alice também. O medo corria por meu corpo como o sangue em minhas veias. Minha respiração estava ofegante, e todos podiam ouvir meu coração batendo. O sorriso sádico no rosto de Ronnie talvez fosse devido ao meu medo. A essa altura com certeza Jake já devia ter sentido que eu estava em perigo. Eu rezava para que meus gritos não-verbais chegassem ao pensamento de Edward.
– Admita que minha estratégia foi perfeita. — Cynthia falou e me assustei, como se tivesse sido acordada a gritos — Fazer com que o grandalhão tivesse que viajar para que eu encontrasse você aqui. Da Itália pra cá eu fiz algumas amizades, ou pelo menos aqueles dois pensam que sou amiga deles, por sorte um deles conhecia a família de Carlisle e sabia que o doutor certinho tinha amigos no Canadá. Então eu pedi que eles fossem ameaçar a integridade dos amiguinhos de Carlisle e ele então mandou o grandalhão pra ajudar. E por sorte você quem se voluntariou para ficar aqui. Veja só como a sorte está do meu lado.
– Cynthia, por favor...
– Chega! — ela se exaltou, farta de conversa — Não quero mais ouvir, eu vim aqui por um motivo.
O momento se aproximava e não era o frio que estava fazendo eu me tremer por completo. Alice murmurou um ''essa não'' quando percebeu algo que não detectei.
– Surpresa! — Cynthia ironizou e Ronnie um sorriso malévolo, os três sabiam de algo que eu ainda não havia notado — Parece que descobriu meu trunfo irmãzinha. Caso não tenha entendido, eu vou lhe explicar antes de arrancar sua cabeça. Meu querido Ronnie é dotado de um dom extraordinário. Ele é capaz de paralisar o oponente, impedir seus movimentos. Então vai ser mais ou menos assim: eu vou te fazer em pedaços, o Ronnie vai fazer o que bem quiser com a híbrida e vocês não vão poder fazer nada pra se defender. Simples assim.
Então era isso, era o dom dele. Não era o medo me paralisando, ou talvez tivesse grande influência disso, mas Ronnie era o culpado. Eu não precisava ser vidente para saber quer aquele seria nosso fim. Cynthia retomou sua caminhada, mas dessa vez em nossa direção. Ronnie também vinha, alguns metros mais longe. A distância diminuía a cada passo, assim como nossos últimos instantes.
Cynthia esmagava a grama conforme andava, com fúria, e ao mesmo tempo feliz por estar a poucos passos de conseguir o que tanto queria. Ronnie logo atrás dela não tirava os olhos de mim. Eu e Alice mal saímos da varanda e quando Cynthia subiu um após o outro, os cinco pequenos degraus, respirei fundo e me preparei para o pior.
As gêmeas, uma estava a centímetros da outra, tão perto que até eu podia me ver no reflexo produzido pelos olhos de Cynthia.
– Você vem tendo uma vida perfeita desde que encontrou os Cullen. — Cynthia pronunciou erguendo o braço, com o punho em direção ao rosto de Alice — Está na hora de mudar isso.
Algo tomou conta de mim naquele momento, nunca tive aquela sensação antes. Vindo a tona, efervescendo em meu corpo. Olhei nos olhos de Cynthia uma outra vez e então vi do que se tratava, lá estava o par de rubis incandescentes. Brilhando maravilhosamente. Apenas um segundo havia se passado desde que Cynthia pronunciou sua última frase. Torcendo com todas as minhas forças para que desse certo, olhei diretamente para Ronnie.
Minha investida pareceu surtir efeito, o que constatei ao ver a expressão de confusão em seu rosto. Cynthia tentou golpear Alice mas a mesma, agora livre para se movimentar, segurou o punho da irmã. As duas se encararam por um instante e então a luta continuou, ou melhor, começou.
Cynthia ajoelhou o estômago da irmã, ação que Alice não pode prever pelo fato de eu estar bloqueando os dons de todos ali. Com o golpe, o reflexo de minha tia foi contrair o corpo. Outra vez Cynthia a ajoelhou, porém dessa vez no rosto, em seguida dando-lhe um soco, e depois outro.
A invasora pretendia continuar com aquilo mas Alice segurou seu braço, e lhe deu uma cabeçada, fazendo a irmã cambalear. Ela devolveu os socos que recebeu e adicionou mais um de graça. Também vingou as joelhadas no estômago e no rosto e chutou Cynthia no rosto novamente, lançando-a contra os vasos de plantas de Esme no jardim, os mesmos se estilhaçaram como era esperado. Cynthia se levantou e correu em velocidade sobrenatural até nós novamente, chutou o estômago de Alice fazendo-a recuar, e com isso eu também.
Comecei a me questionar sobre esse repentino gosto por golpes no estômago. Ronnie estava imóvel, parecia até que seu dom tinha surtido efeito nele próprio mas na verdade ele apenas estava esperando uma oportunidade de me atacar.
Alice bateu o braço no tórax da irmã, levando-a ao chão da varanda e rachando o mesmo. Em seguida a pegou pelos ombros e jogou longe, no chão do jardim. Aquilo doía nela profundamente, dava pra perceber. E de fato, ela não estava machucando Cynthia de verdade, apenas se esquivando dela e fazendo de tudo para que ela ficasse longe de mim.
E num milésimo de segundo tudo aconteceu, Ronnie havia jogado Alice para o canto usando apenas um braço e partiu para cima de mim. Cynthia se atracou com a irmã novamente, não me deixando outra escolha a não ser lutar. Me movi, finalmente saindo do lugar e fazendo com que Ronnie cravasse sua mão no chão.
Desci os degraus rapidamente, indo para o jardim. Se íamos lutar, teria de ter uma boa distância de casa, para que a mesma não fosse facilmente destruída. Ronnie não gostou de ser enganado, correu em minha direção rosnando furiosamente e me arremessou contra uma árvore com um único golpe.
Reprimi o urro de dor que quis berrar para o mundo todo ouvir quando minhas costas encontraram aquele tronco maciço. A árvore estremeceu mas permaneceu firme enquanto caí no chão. Ronnie estava de pé bem na minha frente antes que eu pudesse ao menos me levantar. Alice tentava a todo custo ter uma pequena brecha para que pudesse me ajudar mas Cynthia não permitiria, ela esperou por aquele momento, calculou tudo com precisão.
Ronnie golpeou meu rosto com seus dedos, que naquele momento mais pareceram garras. Senti uma ardência aguda na região golpeada e vi o sangue caindo. Apenas por um breve segundo, Cynthia desviou o olhar na minha direção mas se manteve concentrada na luta com Alice. Ao ver o sangue Ronnie ficou ainda mais ansioso para me dar logo um fim, meu reflexo imediato foi tampar o ferimento com uma das mãos. Inútil.
Ele me atacou novamente e segurei seus braços, tentando me defender. Soltei um grito quando uma mecha do meu cabelo ficou em seus dedos. Em revanche, virei um soco em seu rosto que não lhe agradou nem um pouco.
Seus rosnados me deixaram apavorada, como um vulto ele saiu de onde estava e chegou até mim, me chutando para longe porém antes que eu atingisse qualquer coisa, lá estava ele. Me aparou e me levou ao chão. Cruelmente e sem pensar, Ronnie se colocou em cima de mim e enfiou a mão na região entre meu seio e meu ombro.
– Arrrght! — urrei, a dor alucinante tomando conta de mim, eu tentava me desvencilhar mas era em vão, ele estava se divertindo em me torturar
Com a mão ainda em mim, ele a torceu lá dentro, fazendo com que eu me contorcesse sob ele. Não satisfeito, Ronnie me ergueu, segurando-me pelo pescoço e me bateu contra a árvore mais próxima repetidas vezes, eu sentia o sangue em minha boca.
Ele me arremessou contra o chão novamente. Uma distância significativa dessa vez, mas mesmo assim eu não estaria regenerada por completo quando ele me alcançasse. A dor era insuportável, eu não conseguia pensar, raciocinar, bolar uma estratégia. Eu queria que alguém me socorresse ou que Ronnie me matasse de uma vez por todas. E caminhando, ele vinha até mim novamente. Naquele momento eu não ouvia direito, era como se estivesse submersa numa piscina, os sons chegavam abafados aos meus ouvidos.
Eu vi primeiramente minha mãe, depois meu pai ao lado dela, e então Jake, Esme, Carlisle, Charlie, Rosalie, Emmett, Alice, Jasper, e assim toda a família foi aparecendo aos meus olhos. E então as testemunhas, desde Nahuel até os romenos. Os que lutariam por mim, para me defender e defender a si mesmos. Eu havia derrotado Emmett na tarde passada, o que Ronnie era, afinal? Comparado a Emmett, nada. Nada além de um inimigo real. Nada além de um inimigo real, que eu poderia vencer.
Ainda não tinha me regenerado totalmente mas fiquei de pé, Ronnie não se impressionou e continuou se aproximando. Eu rosnei e mostrei os dentes, não esperei que ele me alcançasse e fui ao seu encontro. Corri e bati as mãos contra seu peito, fazendo com que ele recuasse até estar encostado numa árvore. Eu agarrei seu pescoço e ele agarrou meus braços, tentando se libertar. O que não demorou, Ronnie me girou e lançou contra a mesma árvore, em seguida me esbofeteou de um lado do rosto e depois do outro.
Vingativo, ele agarrou meu pescoço e diferente dele, eu necessitava respirar, meu lado humano necessitava. Reuni as forças que me restavam antes que perdesse a consciência pela falta de ar e lhe golpeei a testa. Aproveitando o breve segundo que tive, descontei minha cólera em forma de socos no rosto.
Naquele momento lembrei-me de Emmett e apliquei em Ronnie uma chave de braço, apertei até meus braços doerem e então suspirei aliviada quando vi o corpo dele cair para um lado e a cabeça para outro.
Cynthia desferiu um golpe contra Alice mas entrou em pânico ao ver Ronnie decapitado. Alice saltou no ar e chutou o rosto de irmã, que caiu sobre os joelhos mas logo se pôs de pé.
– Isso não terminou. — Cynthia vociferou — Eu vou voltar pra Itália mas se prepare, porque vai ser bem pior do que essa visitinha que lhe fiz. Aro gosta muito de mim, devido a essa maldição que carrego, que chamam de dom.
– Você chamou seu dom de maldição. — Alice disse — Se voltar pros Volturi, eu garanto que será.
Antes que Alice terminasse a frase, Cynthia não estava mais conosco. Corri para abraçar minha tia.
Notas finais
Como tudo que acontece nessa fic, esse encontro das irmãs eu ia fazer de uma forma diferente mas achei melhor elas se verem antes do desfecho da história, para criar uma espectativa maior do que está por vir
E quanto a nossa Nessie? Corajosa ela né? Sim, apanhou, mas chutou o traseiro do Ronnie :p
Espero que tenham gostado e desejo a todos um ótimo final de semana, beijossss
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