Monster
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Meu pai apareceu e perguntou:
– O que houve?
– Ally, não quero falar disso. – Disse e saí da cozinha.
– Para aí Austin. – Meu pai falou e parei, andei uns passos de costas voltando a cozinha e depois me virei para ele. – O que houve Ally?
– Quero saber mais sobre a morte da minha mãe.
– Não precisa. – Disse meu tio aparecendo e se sentando num dos bancos da bancada. – A polícia mesmo disse, foi um suicídio.
– Então o que é isto?! – Ally perguntou e mostrou o pedaço de papel com minha anotação, engoli em seco quando meu tio me olhou de esguelha.
– Ah, era a tia que ele mais gostava, era de se esperar que ele estivesse aterrorizado, algo do tipo. – Meu tio disse e devolveu a folha para Ally.
– Não acredito em vocês, e seja o que estiver por trás disso, eu vou descobrir! – Ela disse e saiu da cozinha com raiva.
– Ui, ela ficou putinha. – Disse enquanto colocava um pouco de bebida no meu copo e no do meu tio e meu pai também, ela ignorou meu comentário e sumiu enquanto subia as escadas.
– Tenho que ir... – Disse e sorri para eles, fui para a sala da entrada principal, lá embaixo, e então meu tio chegou, ele estava mais bêbado do que eu.
– Ela vai descobrir! – Ele disse enquanto me levantava pela blusa e me encostava na parede com força, segurando minha camisa. – ELA VAI DESCOBRIR! – E socou minha barriga. – Aprende a fazer trabalho direito! – Ele disse e socou minha barriga outra vez, dessa vez urrei de dor.
– Por que... Eu... Tive... Que... Matar... A... Mãe... Dela...? – Perguntei com dificuldade, estava ficando sem ar.
– Porquê nessa época estávamos praticamente falidos, eu e seu pai tínhamos que sustentar você, Anne e Helena. Comecei a comprar drogas e revender. – Quando ele terminou de dizer senti um certo “eu não queria fazer isso mais era o único jeito” na voz dele e minha boca se abriu um pouco. – E Lilían estava descobrindo! Se ela descobrisse falaria pra polícia. Eu não podia deixar isso acontecer. Então mandei você matar ela e você fez. – Ele disse e me soltou, já estava sem ar então caí sentado no chão. – E se Ally descobrir, sua carreira, fama, dinheiro, tudo já era.
– VOCÊ ME USOU! DISSE QUE ERA POR UMA BOA CAUSA! – Gritei com a pouca força que tinha.
– E NÃO ERA UMA BOA CAUSA?! – Ele gritou se virando pra mim e se abaixando na minha frente.
– Talvez, mais de repente houvesse outro jeito, ao invés de traficar DROGAS.
– Cala a boca. – E me bateu. – Fala baixo seu merda! Agora ela já tá morta, não há nada que se possa fazer.
– Ou tenha.
– O que? Você quer dizer a verdade pra Ally e jogar sua carreira no mato por causa dessa bobagem?
– BOBAGEM? EU MATEI A... Outro soco acompanhado de um chute.
Acordei deitado na minha cama, minha visão estava meio embaçada, pisquei algumas vezes e vi Ally, me assustei e quando fui tentar me levantar, ela me impediu.
– Você levou pontos, tem que descansar. – Ela disse e olhou para minhas costelas, havia uma linha reta e com dez à quinze bolinhas pretas, pontos. Aos poucos as lembranças de umas horas atrás voltaram à minha mente.
– Ah... Sim. – Disse e tombei pra trás na cama novamente.
– Austin... Desculpa-me por ontem, fui besta em achar que você matou minha mãe. – Ela disse e depois riu pelo nariz. – Muito idiota não?
Sorri torto e amarelo. – É, idiota. – Disse e meu tio entrou no meu quarto, meus olhos se arregalaram.
– Posso dar uma palavrinha com ele, Ally? – Meu tio perguntou, “sorridente”.
– Sim, até mais. – Ela disse e saiu do quarto, assim que ela bateu a porta meu tio me olhou e sorriu.
– Você devia prestar mais atenção com o que diz. – Ele disse e sorriu novamente e riu pelo nariz. – Você não é doido de jogar sua carreira por água abaixo por causa dessa garota, ou é?
– Você fala como se eu gostasse dela! – Disse com certo nojo, eu não gosto da Ally, e eu ainda estou com uma certa raiva dela.
– Estou falando que se você contar tudo para ela, quem vai se ferrar é você.
– E VOCÊ TAMBÉM. – Berrei me pondo de pé, os pontos doeram, mais não me importei.
– O mais errado daqui é você. – Ele disse e se aproximou de mim. – Agora vai lá, super herói, e conte tudo para ela. Vai, pode ir. – Ele falou em tom de desafio. – Vai!
O fiquei encarando-o mais não fui, realmente, não vou jogar minha carreira no lixo.
– Sabia que você não ia – Ele disse se retirando do quarto enquanto ria.
Fiquei ali no meu quarto, bebi um pouco e acabei dormindo de novo, acordei no dia seguinte as dez da manhã com gritos.
– NÃO TIAGO! – Era Anne. – DEIXA A GAROTA!
– VOCÊ NÃO VAI TERMINAR COMIGO!
– EU FAÇO O QUE QUISER! VOCÊ NÃO MANDA EM MIM.
– PARA TIAGO!
Dei um pulo da cama e coloquei uma blusa de manga comprida azul-claro e corri para a sala de estar, o local onde tinha levado ponto berrava de dor, mais não me importei.
– Tá difícil ter paz nessa casa hoje em dia. – Disse quando cheguei na sala de estar, Anne segurava Tiago e Ally gritava.
– BOM DIA PRA VOCÊ TAMBÉM AUSTIN! – Disse Anne.
– Ah, sim. – E entrei no meio deles dois. – AQUI NÃO É A CASA DA MÃE JOANA NÃO. Cadê meu pai, Helena, alguém?
– Eles... Eles saíram. E chamei o Tiago por que não queria terminar com ele por telefone. – Ally disse quase chorando.
– Você NÃO vai terminar comigo.
– Ela vai SIM terminar contigo porra. – Disse me virando pra ele.
– Você não manda nela.
– Cala a boca famosinho que se acha. –
– ESSA AQUI É A MINHA CASA, MINHA ILHA, MEU TUDO. E EU QUERO ORDEM NESSA PORRA. – Gritei e ele partiu pra cima de mim, ele me socou na barriga e eu soquei-o no nariz, o mesmo começou a sangra.
– PARA TIAGO! AUSTIN NÃO! – Ally berrava enquanto chorava e ela e Anne tentavam nos separar.
– ME SOLTA. – Disse e sem querer dei uma cotovelada no rosto de Ally.
– Isso não vai ficar por isso mesmo. – Tiago disse e foi para o píer, da onde Jim o levou para a costa.
– Meu deus... Preciso de água. – Anne disse e foi para cozinha. – Papai, mamãe, tio, Lorraine e Marta foram para a costa fazer compras. – Ela disse enquanto subia as escadas, afirmei com a cabeça que sim e olhei para Ally que estava sentada no sofá com as mãos no rosto chorando.
– Ally...
– Não me toca. Fui burra em namorar com ele!
– Você não é burra. – E a puxei pela mão até meu quarto. Quando chegamos lá fechei a porta e a tranquei-a também. – Você é a pessoa mais inteligente que já conheci. Nunca conhecemos bem as pessoas com quem estão conosco. – Disse me aproximando dela e a beijando-a de leve, suas mãos passaram para minha nuca e as minhas para sua cintura.
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