Monster

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Então, espero que gostem =)Boa leitura x

Pov. Austin

Hoje é terça-feira, estou em casa, de noite tenho um show, mais não estou me sentindo muito bem para isso. Tornei-me famoso aos 16 anos quando postei um vídeo meu no youtube fazendo um cover, hoje tenho 19 anos, moro com meu pai e minha prima, Ally, Dez não mora aqui, mas parece, ele tá aqui quase sempre, quando não tá, ele está com a Trish, melhor amiga da minha prima, organizando minhas coisas. Quando tinha 9 anos, realmente queria ser famoso, agora não sei mais, minha carreira anda meio torta e canso de mais, acabo não tendo tempo para descansar o que me deixa com raiva e acabo virando outra pessoa.

– Austin, a gente tem que ver as roupas que você vai usar hoje à... – Ally disse entrando no meu quarto, fiz sinal para ela calar a boca, o que ela fez.

– Quero descansar, to com sono. – Disse virando a cabeça pro outro lado da cama.

– Mais Austin a gente tem que ver sua roupa do show!

– Mais tarde Ally. – Disse tentando não me irritar com ela, a mesma saiu do quarto e bateu a porta em seguida, observei meu quarto por algum tempo, havia apenas móveis brancos, era tudo branco ali, exceto as roupas. Acho que dormi apenas umas duas horas, não adiantou nada, me acordaram.

– Trish, você sabe que odeio quando me acordam.

– Está na hora do show Austin! Ainda nem escolhemos a roupa nem nada! Você tem que se apressar. – Ela disse jogando uma toalha em cima de mim e saindo do quarto logo em seguida, me levantei, tranquei a porta do quarto e voltei a dormir, ou meu mau humor não ajudaria nada na hora do show, nem estou muito afim hoje de cantar.

– AUSTIN! AUSTIN! ACORDA! – Era meu pai e dessa vez esmurrava a porta, parecia que ia quebrar a mesma. – AUSTIN! ACORDA MERDA! – Ele gritou e socou a porta uma única vez, fui ao banheiro, lavei meu rosto e fui à caminho da porta e destranquei-a. – O QUE VOCÊ PENSA QUE TAVA FAZENDO?! VOCÊ TINHA UM SHOW! HOJE, SABE, HOJE! AGORA TÁ TODO MUNDO QUERENDO O DINHEIRO DE VOLTA OU SHOW PRA AMANHÃ.

– Eu estava com sono. Não sei que tipo de pessoa marca um show pra uma da tarde! – Disse colocando minha camisa branca de manga cumprida, passando por ele e caminhando lentamente até a cozinha. – Podemos marcar pra amanhã.

– Não! NÃO PODEMOS! Iria atrasar sua agenda do tour. – Ele disse e Trish junto com Ally apareceram, irritadas. Meu pai jogou a mão pro ar e saiu da cozinha, Trish e Ally me observavam do outro lado da bancada, sérias, enquanto comia biscoito com queijo e manteiga. Gosto do normal, ao invés dessas comidas de gororoba que os famosos comem, é muita frescura em minha opinião.

– Seu pai quer te matar. – Ally disse e Trish se sentou comigo pra comer. Dei de ombros.

– Você tem que levar isso mais sério, é o seu futuro. – Trish disse ao me lado.

– Trish, se Austin quisesse esses conselhos ele ligava pra mã... Desculpa. – Ally disse e rapidamente se calou.

Minha mãe. Não gosto de tocar nesse assunto, ela morreu. E ainda não suporto aceitar isso, proibi de tocarem naquele nome em casa ou perto de mim.

– E aí, resolveu o quê vai fazer da vida senhor que acha que pode fazer tudo no tempo dele? – Disse meu pai parando atrás de Ally. Não respondi, nem sequer olhei em seus olhos, voltei minha atenção para minha comida. — Não me ignore. – Disse ele com raiva na voz. – Olhe pra mim Austin, e me responda!

Não o olhei, levante, guardei a manteiga, o queijo e o biscoito, passei por ele e fui andando em direção à sala de jogos.

– AUSTIN MÔNICA MOON, PARE AGORA E ME RESPONDA! – Ele gritou a plenos pulmões.

Não me importei, desviei o caminho e dobrei no corredor que chegava ao meu quarto e entrei no mesmo trancando a porta em seguida, fui até a sacada do meu quarto, abri a porta de vidro e deixei que o vento bagunçasse minha franja, tirando-a do meu olho.

– Música... – Disse e peguei meu violão, me sentei em uma das cadeiras na sacada e por uns instantes observei o mar e a praia, as ondas se quebravam quando chegavam perto da areia, a praia estava deserta como sempre, escutei o barulho de motor de barco (único meio de acesso à minha ilha) e logo avistei duas lanchas chegando, quando se aproximaram o suficiente do píer pude ver Dez, minha tia Helena e meu tio Oswald, minha prima de primeiro grau (que ainda por cima gosta de mim), Anne e no outro vinha dois seguranças mais sacolas de supermercado. Meu pai parecia ter desistido da ideia de me tirar do quarto ou de falar comigo, ele agora ajudava minha tia com as malas e minha prima, que havia acabado de descer da lancha, perguntava de mim freneticamente ao meu pai que repetia “no quarto dele”, mais parecia que a garota não ouvia. A minha concentração neles foi tirada quando Ally me chamou do outro lado da porta, olhei mais uma vez pro píer lá embaixo e agora Trish aparecera e ajudara, junto com Dez, a pegar as compras.

– Austin? Abre, por favor. – Disse Ally, larguei o violão na outra espreguiçadeira e corri até a porta, destrancando-a.

– Ally – E a observei, ela estava linda com um vestido vermelho e uma rasteira. – Oi. – Disse e a observei corar, não, não era a maquiagem. Ela realmente corou. Sorri.

– Você tá bem? – Ela disse enquanto a puxava pra dentro do quarto e trancava a porta em seguida, tinha ouvido Anne lá em baixo chamando “Austeco”, revirei os olhos, Alls logo entendeu e riu. Sorri.

– Estou bem sim Alls. Bom, é, to bem. – Disse e fomos nos sentar na pequena sacada do meu quarto, ela se sentou no meio da espreguiçadeira e cruzou as pernas.

– Seus tios vão morar aqui por um tempo. – Ela disse. – Seu pai acabou de receber a informação, depois que parou de tentar de falar com você. – Suspirei. – Anne vai gostar. – Ela disse mais senti um tom de frustração na sua voz.

– Vou cancelar meu tour, vou adiar, quero férias. – Disse mudando de assunto, sua expressão também tinha mudado.

– Ah... Por quê? Falta apenas mais três semanas de tour e o próximo só daqui dois meses.

– Não, to muito cheio disso. Vou dar no mínimo uma semana de férias pra mim.

– Seu pai não vai gostar nada disso. Acho que ele nem vai gostar. – Também não queria falar no meu pai, peguei meu iPhone tela rachada e coloquei I Need Your Love – Calvin Harris ft. Ellie Goulding para tocar, me levantei e peguei a mão da Alls, ela hesitou mais em seguida pegou, senti seus dedos gelados pelo vento frio nos meus quentes, ela soltou um leve gemido quando pisei no seu pé.

– Desculpa. – Disse sério, mais ela riu, ri também.

– Tudo bem Austin. – Ela disse e a puxei para dentro do quarto, havia um “buraco” no meio do meu quarto, onde não havia nada exceto um tapete de veludo. Ela tirou a sandália pra poder pisar, não achei necessário mais tirei também. Ficamos no meio do tapete e ela me guiou nos primeiros passos, não sabia como começar uma dança, sem ao menos notar, ela rodopiava e parava nos meus braços, a girava no ar e quando a musica foi cessando estávamos dançando com ela apoiada a cabeça no meu ombro e a minha na dela, nos separamos e olhei nos olhos dela, ela sorriu e comecei a rir junto com ela que tropeçou no meu pé e caiu deitada no tapete, a ajudei a levantar e alguém começou a bater na porta, era Anne.

– Austeco do meu coração, abre a porta? – Olhei para Ally que observava meu álbum de fotos, ela estava sentada no tapete de pernas cruzadas, hesitei por um instante, mais uma vontade surgiu e abri a porta. – Austeco meu priminho. – Ela disse e pulou em cima de mim me abraçando. Não tinha segurado-a então logo o abraço acabou.

– Ah, você aqui? – Anne perguntou como se tivesse insatisfeita com a presença de Alls.

– Eu moro aqui. – Disse Alls se levantando e colocando meu álbum no criado-mudo. Anne fez cara de nojo e disse: — Bom, é melhor não ir se acostumando a ficar tempo de mais com ele menina. -

Ally olhou intrigada para Anne, a mesma continuou a falar. — Não sei como ele te suporta, olha pra você e olha pra ele, me poupe. Isso foi o suficiente para eu ver os olhos de Alls brilharem e sair do meu quarto indo para o seu. Seus olhos estavam cheios d’água.

– Ally, não. – Disse e fui atrás dela, a segurei pelo cotovelo, ela olhou pra mim e ao mesmo tempo em que se soltava uma lágrima rolou pela sua bochecha.

– Quer saber, ela se bem que tem razão, não devo ficar nessa casa, é só para famosos e eu não sou nada, já o Dez e a Trish aparecem e sua família também, sou sua prima de terceiro grau, ou seja, aquela sem mãe e pai que mora na casa do tio por opção já que não tem para onde ir, sou apenas uma largada e agregada, aquela que me chamam de aproveitadora. Sou a mesma coisa que nada. – Ela disse entre soluços, dos seus olhos saíam várias lágrimas.

– Você é minha prima. Você mora nessa casa por que eu quero que você more. Pra lhe proteger de qualquer idiota, de qualquer coisa que esse mundo trás. Você mora aqui pois quero cuidar de você como primo, quero lhe divertir e me distrair dessa vida que levo. Eu quero que você more nessa casa. – Disse e a olhei. – Agora, para disso, e nada aconteceu. – Disse e voltei ao meu quarto, se eu sou um desalmado? Sou. Se sou um sem sentimentos pelos outros? Sou. Se sou um monstro? Sou.

Fui para a cozinha e minha tia assim que me viu veio correndo me abraçar e me beijar nas bochechas, cumprimentei meu tio e chamei Dez para a sala de jogos.

– E aí cara, o que houve? – Ele perguntou enquanto jogava um dos controles pra ele.

– A Anne disse umas merdas aí, ah, a Caitlin tá vindo aí.

– A namorada do Austin Moon vindo pela primeira vez à casa dele? Vai apresentar ela pro sogrão é? – Ele disse e riu enquanto escolhia uma arma na tela de cima.

– Cala a boca. — Disse e ri.

Ficamos mais ou menos uma hora e meia jogando Kill Zone, quando era seis da tarde Caitlin me ligou informando que já estava saindo da costa, ela iria jantar com a gente, só havia avisado à Lorraine, filha da Marta (nossa empregada), que viria mais uma pessoa para o jantar fora meus tios e Anne, por isso as compras a mais. Fui para frente de casa e me sentei numa das cadeiras na parte de madeira, à espera de Cat. Quinze minutos depois ela chegou acompanhada de Jim, nosso motorista. Ela trazia uma bolsa normal e outra que era com roupas, ela dormiria aqui. E não ligo se meu pai não gostaria.

– Austin! – Ela disse e me beijou enquanto eu a abraçava. – Quanto tempo amor. – E bagunçou meus cabelos. – Desculpa, estive ocupada nesses dias, por isso não deu para vir antes. – Ela disse e sorri, peguei sua bolsa com roupas e fomos para dentro de casa, logo de cara demos de cara com minha tia, fiz as apresentações e fomos para cozinha onde encontramos meu pai e Oswald conversando.

– Quem é essa? – Perguntou meu pai, ele parecia com medo da resposta.

– Caitlin esse é meu pai, James, pai essa é a Caitlin, minha namorada. – Disse sem medo de sua reação. Eles apertaram a mão, Cat sorridente e meu pai, sério. Meu tio a recebeu calorosamente, com um abraço e acompanhado de uma piadinha de mim de quando era criança. Revirei os olhos e a levei pro meu quarto, Anne não estava mais lá, Dez certamente ainda jogava vídeo game e Ally deveria estar em seu quarto.

– Seu pai não deve ter gostado. – Ela disse quando bati a porta, joguei sua bolsa no chão ao pé da porta de meu closet e a empurrei pra cama, sorrindo.

– Austin vamos, o jantar está pronto. – Minha tia me chamou batendo na porta e entrando pondo apenas a cabeça para dentro do quarto, já havia saído de cima de Cat e estávamos sentados.

Acenei com a cabeça que sim e puxei Cat para a cozinha, assim que chegamos lá Ally nem olhou na minha cara muito menos na da Cat, não falou com a gente. Anne soltou um suspiro de raiva e Dez conversava freneticamente com Trish, ninguém exceto tia Helena havia falado com nós, nem mesmo Marta havia cumprimentado-a. Durante o jantar todos comiam e conversavam entre si, meu pai e tio Oswald conversavam sobre motores de barcos, Dez e Trish discutiam em voz baixa sobre a duração da bateria de um iPhone, Ally comia em silêncio e Anne conversava com tia Helena sobre roupas que viram nas vitrines de lojas, elas não pareciam mãe e filha e sim amigas.

Cat se sentia ruim, assim que terminou de comer foi para a praia, Dez e Trish estavam por lá também, antes de ir passei no meu quarto e peguei uma caixinha que continha um anel dentro, daria para Cat de aniversário de namoro, dois meses. Quando saí de casa acompanhei com os olhos o largo da praia atrás de Cat, assim que a vi ela beijava Dez e Trish gritava.

– AUSTIN, OLHA AUSTIN! – Ela gritava. Me aproximei o suficiente e empurrei Dez pra trás. – ELA AGARROU O DEZ E...

– CALA A BOCA TRISH. – Disse, estava pra me explodir em raiva.

– POR QUE VOCÊ AGARROU MINHA NAMORADA DEZ?

– O QUÊ?! – Trish deu um grito fino. – NÃO FOI ELE AUSTIN! FOI ELA.

– JÁ MANDEI CALAR A BOCA! – Disse e voltei meu olhar para Dez.

– ACHAVA QUE VOCÊ FOSSE MEU AMIGO CARA! – E o empurrei.

– QUAL É AUSTIN? EU NÃO PEGARIA UMA RAPARIGA DESSAS.

– NÃO FALA MAL DELA! – E me virei para Cat. Nisso meu pai e Oswald tentavam me segurar mais eu os empurrava.

– POR QUE VOCÊ DEIXOU? FOI VOCÊ QUEM AGARROU ELE?

– Claro que não Austin! Endoidou? – Ela disse desesperada.

– SOME DA MINHA CASA DEZ! SOME. –

Notas finais
Qualquer erro me avisem! Espero que tenham gostado. Beijos até o próximo.