Mona Lisa

14 Perdidamente Apaixonado


Notas iniciais
Legenda
Narração: (Ponto de Vista dos Personagens - 1a Pessoa
)Mudança de POV - Point of view (Ponto de vista): ●๋..●๋
Diálogos: - Então por que? Por que nos fazer lutar? Só não consigo descobrir o propósito.
Poesia: "Itálico"
Lembrança: Negrito

●๋•..●๋•

“Sob seu feitiço de novo,

Teu toque é quente:

Como mil granadas explodindo contra os meus lábios.

Não devia ter deixado você me conquistar tão rápido,

Agora estou submerso em um sonho

E não — não desejo despertar.

Não consigo mais resistir aos seus encantos,

Virei escravo de minha própria alma

Ouço o palpitar do seu coração — forte e rápido

Um som que pra mim vai muito além.

E agora me encontro aqui

Dependente dos lábios de alguém

E eu ainda estou esperando a chuva cair
Derramar a melancólica da vida real sobre mim.”

Miguel

Havia sido audacioso e não considerara as consequências — mas não estava nem um pouco arrependido...

— Dean, Dean! — Sammy fora ao encontro do irmão, que encontrava-se muito machucado e cedera no chão; estava semi-consciente. Bobby o amparava, ajudado pelo rapaz. Ele precisou ser muito corajoso para afrontar um ser tão poderoso como um anjo (e sobretudo, muito tolo). Porém, de certa forma, o ato estúpido do mesmo fizera com que eu percebesse o quanto estava sendo covarde ao submeter-me aos caprichos do meu irmão. Afinal, se meu próprio receptáculo era ousado (além de muito burro) à ponto de cometer insanidades como aquela, por que eu, ser superior à este, não agia como tal? Chegara a hora de enfrentar meus temores.

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Obrigado. - Murmurei, próximo aos irmãos Winchesters, para que apenas estes pudessem escutar; toquei a testa de Dean e o mesmo recobrou os sentidos, erguendo-se logo em seguida, totalmente recuperado. Agradecia à Sam pelo conselho e à Dean pelo exemplo. Ambos sorriram, igualmente cordiais.

— Aconteceu algo que eu devesse saber, Miguel? — Pela primeira vez, Lucífer se pronunciava. Encarava-me de modo frio, enxergava todo o ódio que o mesmo nutria por mim; eu havia dado um basta. Desafiá-lo fora o suficiente para despertar sua ira; temi o que estava por vir: não por mim, mas pelo que o canalha poderia fazer com a minha Alice.

— Nada que o interesse. — Respondo, seco. Prossigo para a menina, que encontrava-se ao seu lado, com um olhar fixo no vazio — Desejo falar com você, à sós. — Dou ênfase, voltando-me para Lucífer novamente. Noto que só então ela me encara — E, quando terminar, espero não encontrá-lo aqui, irmão.

— Fez a sua escolha; para o seu próprio bem, é melhor que não tenha mágoa ou pesar dos erros ou faltas cometidas mais adiante. Passar bem. — Diz, antes de ir. Alice me olha, sem nada compreender. Como seria difícil fazer o que eu pretendia...

— Olha, se você não tivesse feito isso, acho que à essa hora eu já estaria morto, porque ia socar esse infeliz até não poder mais; o idiota riu da minha cara! — Dean falava de modo indignado, chegava a ser irônico e, tenho de admitir, de certa forma, engraçado. Sorri.

— Quer nos contar o que houve, rapaz? — Singer fizera-lhe a indagação que passava-se pela cabeça de todos nós.

— O Cass apareceu e disse umas coisas... Quer que a gente desista. Eu disse não, o cara continuou a me encher e eu soquei ele. — Fez uma pausa, deslizando uma das mãos pelo próprio rosto. Suspirou — E eu me senti ótimo... — Completou, logo em seguida.

— Então, quer dizer que agora o Diabo não 'tá mais do nosso lado? — Sam olhou-me de forma inquisidora.

— Creio que não. — Falei, sentindo um enorme bem estar; acho que agora entendi o que Dean quis dizer.

— 'Tá... — Pelo visto, não era o único à ficar feliz com isso — Mas e você, Miguel? Continua com a gente? — Talvez fosse a primeira vez que o loiro me tratava com algum respeito. Os três me miraram em expectativa. Pela primeira vez em muito tempo, senti-me uma autoridade novamente.

— Se assim o desejarem... — Disse, sem deixar transparecer qualquer reação. Porém, no meu íntimo, estava satisfeito comigo mesmo.

— Legal; voltem quando quiserem. — Samuel sorri para nós. É, quem sabe, só talvez, numa mera hipótese, os Winchesters não fossem tão ruins quanto eu julgava...

— Aonde vamos, Miguel? — A voz de Alice desperta-me de meus devaneios. Ela escutara a tudo calada, tentando entender a situação. Teria de dar-lhe explicações sobre isso também... De repente, fiquei apreensivo.

— Você verá. — Dizendo isto, a levo comigo para o lugar onde estivera anteriormente, refletindo. Foi ali onde as palavras do caçula dos Winchesters me atingiram mais profundamente e ecoaram em meus pensamentos — Pronto.

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Alice

Ouvia nítidamente, em meus pensamentos, a gargalhada sombria de meu irmão. Naquele momento, ele não era o Lucífer que eu amava, mas sim o Satã que tanto desprezava por ser cruel e transformá-lo naquela coisa. Não podia me concentrar em mais nada depois daquilo. Subitamente, as palavras de Miguel ecoam em minha mente: "Desejo falar com você, à sós." Foi o suficiente para trazer-me de volta a realidade. Seriam, enfim, as respostas que tanto buscara?

— Por que trouxe-me aqui? — Pergunto, enquanto rodopiava em meio às árvores e arbustos da densa floresta; as copas destas são tão altas que mal se pode enxergar o Sol. Estávamos em uma parte afastada da Floresta Amazônica; o cheiro da grama úmida me entorpecia. A penumbra nos envolvia de tal modo, que chegava a ser demasiado difícil vislumbrar o rosto de Miguel.

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Miguel

Embora eu não pudesse ver qual seria sua reação quando contasse-lhe tudo, meu semblante também encontraria-se oculto pelo breu negro. Nos sentamos embaixo de uma das árvores.

— Como disse, precisamos conversar. — Minha resposta é vaga, o que atiçou ainda mais a curiosidade da minha pequena Mona Lisa.

— Então diga... — Tenho a impresão de que esta tarefa não será nada fácil.

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Alice

— Como já deve ter percebido, Lucífer e eu nunca nos reconciliamos. — Enfim, parece que ele havia decidido-se por me contar a verdade!

— O modo explícito como o enfrentou ainda a pouco fez-me suspeitar disso... — Ri — Embora já tivesse minhas dúvidas. No entanto, se é assim, por que...?

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Miguel

Ela não precisou terminar de fórmular a pergunta para que eu compreendesse aonde eu pretendia chegar.

— Lucífer não é bom; o motivo pelo qual ele foi expulso do Éden... — Respiro fundo, antes de prosseguir. Não, ainda não é o momento: primeiro, direi-lhe o que sufoca-me, depois, conto sobre Lucífer — Não vem ao caso, neste momento. Você precisa saber outra coisa primeiro, pois apenas assim entenderá tudo.

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Alice

— O que seria? — Aquilo parecia-me muito estranho. Miguel estava sério, só que, ao mesmo tempo, nervoso; podia sentir isso. Finalmente, após suspirar, ele começa a falar.

— Lucífer coagiu-me à aceitar seus termos. Ele descobriu uma coisa sobre mim que desejava manter em segredo, como já vinha o fazendo à muitas Eras, e usou isso para me chantagear. A razão pela qual quis ir até os rapazes, bom, isto não sei ao certo; imagino que foi uma forma de expôr-me e humilhar-me diante dos nossos maiores adversários e receptáculos originais e, principalmente, para aproximar-se de você e nos fazer sofrer. O que irei lhe contar é a causa pela qual fui submetido às ameaças constantes de nosso irmão; porém, analisando os fatos agora, percebo que nem tudo foi tão ruim assim. Descobri que os Winchesters não são tão insuportáveis, arrogantes, presunçosos...

Miguel! — Repreendo-o, rindo. Para minha surpresa, ele me acompanha.

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Miguel

— Acho que também gosto deles. — Concluí, mais para mim mesmo do que para ela — De qualquer forma, precisei passar por isso para perceber que meus temores eram injustificáveis e irracionais; queria ter dito isso à mais tempo, entretanto, jamais tive coragem... Ao menos, até este momento.

— O que? — Sinto minha face arder; estaria rubro?

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Alice

— Atrevo-me à dizer que estou, perdidamente, apaixonado por você. Desde o primeiro instante que a vi, não consigo afastá-la de meus pensamentos. De início, achei que estivesse errado, por isso tentei me distanciar o máximo que pude de você. Porém, depois do Apocalipse, não me importo com os anjos, demônios, ou mesmo Lucífer; acho que... — Ele hesita. Aquilo havia me deixado perplexa. Como nunca notei isso antes?! Quer dizer... Miguel gosta de mim? Eu não tenho certeza se gosto dele. Estou tão confusa! Minha respiração está ofegante. Ainda nervosa, me aproximo dele; levo uma de minhas mãos e, trêmula, toco o seu ombro. Ele levanta os olhos para encarar-me. Tudo o que enxergo são sombras em sua face.

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Miguel

— Não sei o que dizer... — Neste momento nossas respirações se cruzaram. Não sei se foi o perfume dela, ou a mão delicada no meu ombro, ou talvez pela voz tão doce de Alice, que saía num sussurro: o tom que ela empregava ao falar fazia com que ficasse cada vez mais interessado em escutar minha Mona Lisa; na verdade, desejava ouví-la gemendo contra meus lábios num beijo sufocante, extasiante, avassalador... Mesmo que fosse o único: o primeiro e último. Um beijo dela: é tudo o que eu mais quero!

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Alice

Sem saber o que mais fazer, levantei e lhe estendi uma de minhas mãos, num pedido mudo para que me acompanhasse de volta. Por fim, este segurou-a e pôs-se em pé. Sorri, entrelaçando nossos dedos. Dei alguns passos, no entanto, Miguel sequer moveu-se. Parei. Sem compreender o que se passava, fitei-o. Ele encarava os próprios pés, ainda apertando minha mão. Estremeci. De repente, me puxa de encontro ao seu corpo, envolvendo-nos num abraço. Estava hesitante, assim como eu, que correspondi-o, perplexa. Sinto sua respiração mais uma vez ofegante contra o meu pescoço. Nossos olhos se encontram. Seus lábios encostam-se nos meus... Mas ele não me beijou: apenas roçou a sua boca contra a minha. Em seguida, afastou seu rosto do meu, sem que eu pudesse dizer qualquer coisa. Meus pés não seguravam-me mais, por isso tive de me apoiar nele; sentia minhas pernas bambas.

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Miguel

Os devaneios surreias que ainda pouco tivera já não pareciam tão insanos. Agora minha boca buscava a dela, clamando por mais. Era desesperador pensar no que aconteceria quando aquele instante terminasse. Mas pensar era algo que parecia estar acima de minha capacidade naquele momento. Nada mais fazia sentido, exceto os lábios entreabertos dela que estavam me enlouquecendo...

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Alice

Foi tudo tão devagar... Os lábios frios dele pressionados contra os meus...Era o segundo beijo.Não pude evitar de arregalar os olhos, um pouco perplexa. Aos poucos, fui cerrando os mesmos, deixando que uma de minhas mãos pousasse sobre seu peito enquanto a outra subia até sua face.

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Miguel

Aquele toque: macio, suave, quente... Infelizmente, tive de cessar aquela carícia.

Preciso... respirar... — Ela disse, ainda mais ofegante, em meio aos nossos beijos; como odiava o fato de estar naquele corpo humano e necessitar da porcaria do oxigênio! Eu encarei-a nos olhos e, mais próximos do que nunca, finalmente pude ver seu rosto. Notei que ela se divertia, mordendo o lábio inferior, suspirando e sorrindo com doçura; me causando frisson — Acho que... também... gosto de você. - Nunca havia sentido-me tão bem quanto naquele momento.

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Notas finais
Ju, enfim o beijo! rsrs *---* Digam: essa poesia da Jessy está ou não muiiiitooo linda?! Achei super romântica...