Mona Lisa

15 Entre Deus e o Diabo


Notas iniciais
Legenda Narração: (Ponto de Vista dos Personagens - 1a Pessoa) Mudança de POV - Point of view (Ponto de vista): ●๋..●๋ Diálogos: - Então por que? Por que nos fazer lutar? Só não consigo descobrir o propósito. Poesia: "Itálico" Lembrança: Negrito

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"Essas alegrias violentas têm fins violentos,

Falecendo no triunfo:

Como fogo e pólvora

Que num beijo se consomem.”

Castiel

Ele era o último que eu esperava encontrar naquele momento. E, no entanto, Lucífer permanecia ali, me encarando, frio. Ainda que sem compreender o porque daquela situação, estava, de certa forma, intrigado com a presença do mesmo. Como atravessara as portas do Paraíso? Não fora exilado?

— O que quer, Satanás? — Indago, desdenhoso, não permitindo que o mesmo use-me como seu passatempo; não iria deixar eu se divertisse às minhas custas, já me sinto péssimo o suficiente.

— Castiel... Castiel... — Ri, enquanto balança a cabeça num sinal de negação; passo a fitá-lo, confuso — Lembra-se da primeira vez em que conversamos? É, você se lembra. - Constata, perante meu silêncio; é verdade, aquele dia continuava intacto em minha memória — Recordo-me de ter dito que você e eu deveríamos nos entender, já que tínhamos muito em comum: dois rebeldes, que ousaram desafiar a maldita hierarquia celeste. E veja só: nós dois estamos aqui agora; não somos tão diferentes, afinal, não é? — Aquela falsa cordialidade incomodou-me.

— Não entendo: onde pretende chegar com isso, Lucífer? — Era mentira; eu sabia exatamente o que aquilo significava.

— Vamos, Cass! — Detestei ouví-lo me chamar dessa forma; fazia-me pensar nos rapazes. Apenas os meus amigos podiam... Amigos? Não, eles não são mais meus amigos. Eu não tenho amigos; não mais — Deu uma oportunidade ao safado do Crowley, certo? Qual o problema de confiar em mim também? — "Porque você é o Diabo, irmão." Foi o que quis dizer. No entanto, pensar em algo e concretizar essa ideia abstrata são coisas diferentes. Por isso, somente lhe falei:

— Me dê uma boa razão para fazê-lo. — Ele pareceu refletir por um instante. Estou ficando interessado em ouvir o que tem à dizer. Era óbvio que Miguel e o mesmo ainda pretendiam iniciar a Guerra, entretanto, haviam detido-se por causadela. Ah, sim, necessitava saber com quem estava lidando, a ponto de, em dado momento, fazer com que os dois Generais voltassem à seus postos e preparassem-se para o combate iminente.

Os anjos ainda temem Miguel? — Estremeci. Imediatamente deixei de lado meus devaneios, para dar atenção a figura malígna diante de mim. Mas como era possível que soubesse daquilo? — "Mantenha seus amigos por perto... E osinimigos mais próximos ainda*"; é, Cass, conheço Miguel à bastante tempo. Estou nisso há mais tempo do que você e os Winchesters. Sei que nosso irmão impõe respeito aos seus subordinados e que, embora tenha consquistado o Éden, eles ainda veem Miguel como o General, o líder. Sim, realmente frustrante... Já passei por isso, acredite.

— Se é assim, por que tenho a impressão de que, naquela outra tarde em que nos encontramos, se não me engano, em setembro, na presença desse nossoirmão e de Dean, você ficou ao lado dele, chegando ao extremo de espalhar minhas células pelo cosmo por ter afastado o mesmo do campo de batalha? — Ainda recordava-me claramente do rosto irado de Lucífer, furioso comigo, e, no minuto seguinte, estava morto; e depois, vivo outra vez.

— O importante não é derrotar Miguel; sou EU quem deve fazê-lo, sem interferência, sem auxílio; entenda: eu preciso... — O modo como sussurrou a última frase fez com que uma brisa gelada entrecortasse, violentamente, o ambiente naquele momento. A relva sob meus pés cedeu um pouco e a pipa que antes flutuava no azul límpido desapareceu, dando lugar a um céu escuro, repleto de pesadas nuvens. Um trovão, seguido do clarão de um relâmpago. A chuva começou a cair torrencialmente sobre nós.

— Como ultrapassou os portões do Jardim? Pensei que houvesse sido banido eternamente... — Aquela era uma curiosidade que ansiava por saciar desde que o encontrei no meu Paraíso favorito, aquela eterna quinta-feira primaveril que Lucífer acabara de transformar numa tarde cinzenta de inverno...

— Miguel foi quem sentenciou-me; esta é uma tarefa incubida a ele, que recebeu o desígnio de proteger o Éden de mim... Mas já que você e seus amigosarruínaram, não só a hierarquia do Céu, Inferno e Purgatório, como também deram início a uma série de rebeliões e pequenas guerras civis, fazendo com que nossos irmãos ficassem uns contra os outros (algo que sempre desejei, entretanto nunca consegui), gerando o caos e total desordem; sendo assim, vou aonde quero,quando quero e sem ninguém para me impedir. Parabéns, você é bom; nem eu mesmo teria feito melhor. — Por fim, gargalhou; um riso sinistro e debochado, e foi quando percebi: não possuo o controle sobre coisa alguma — eu não sou Deus! Enfim, agora enxergo que Dean esteve certo, durante esse tempo todo. Como pude ser tão tolo?! Embora poderoso, não posso fazer nada para restaurar a ordem que eu mesmo desestabeleci. Acho que Lucífer imaginou que tais pensamentos estivessem povoando minha mente, já que cessou para encarar-me, de maneira estranhamente amável — Você assumiu o lugar de Raphel porque julgava que nosso irmão fosse um carrasco. Mas olhe para você agora: o que se tornou? — Suas palavras foram fazendo com que sentisse-me cada vez pior — Tudo bem: é pra isso que eu estou aqui; vou te ajudar a reequílibrar as coisas. Porém, precisaremos fazer algumas mudanças. Estaria disposto à concordar comigo em troca de obter auxílio para concertar a bagunça que você mesmo fez, Castiel? — Por um segundo, hesito; estaria fazendo o certo aliando-me, mais uma vez, à um demônio? E não era um demônio qualquer: aquele que me fazia proposta tão tentadora era o próprio Diabo; o verdadeiro Rei do Inferno.

— Sim. — Digo, com convicção.

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Lucífer

Ao ouvir aquilo, senti uma imensa sensação de satisfação e contentamento. A chuva cessou; o céu voltou a ficar claro; a porcaria do pedaço de papel colorido voltou a flutuar no azul do mesmo; o sol secava as poças de água que haviam formado-se na grama. Tudo estava absurdamente tão repulsivoquanto anteriormente!

— Ótimo! — Sorrio, abertamente — Tomou a decisão correta, Cass. - Sei que chamá-lo pelo apelido que aqueles humanos nojentos o deram torna-o mais vunerável, e faz com que o mesmo sinta-se ainda mais culpado (essa é a intenção). Assim, fica fácil manipular alguém! — Agora, a primeira mudança que teremos de fazer é reestabelecer a ordem. Impôr um novo líder para os anjos e demônios, sabe? Acho que você seria um substituto muito melhor do que Miguel... O que me diz? Vai ser o novo General ou não? — Ele assente, ainda que relutante. Prossigo, tentando fazê-lo convencer-se de que havia feito a coisa certa — Acredite, o Inferno precisa de um Diabo tanto quanto o Céu necessita de um anjo capaz o suficiente de manter as coisas nos eixos enquanto Papai não está; no entanto, para que seja respeitado, precisa acabar com o temor que esses soldados estúpidos nutrem pelo antigo Príncipe... — Como foi bom dizer aquilo: antigo, ex, que não é mais, foi derrotado! — Porém, só vai conseguir isso se me deixar matar Miguel; veja pelo lado bom: ele morre, fim do Apocalipse e a paz reina sobre a Terra... — Que ridículo!

— Não deveria ser o contrário? — Questiona-me, franzindo a testa.

— E quem disse que ele é quem tem de vencer? — Por que é que essecretino é sempre tido como o "herói" e eu tenho de ser eternamente o "vilão"? Quem disse que Satanás não pode ser bom? É, tem razão, não posso ser tão estúpido como Miguel; isso seria anti-natural (além disso, não sou idiota).

— Prossiga. — Ele concorda, ainda que à contra-gosto e continuo, triunfante.

— Bom, depois disso, o próximo passo será nos livrarmos dos Winchesters; eles são a anarquia em pessoa, até o Morte odeia eles! Não aceitam a derrota iminente: irão fazer de tudo para arruinar os nossos planos e mergulhar tudo no caos outra vez... Por que têm de ser tão especiais?! Não são melhores do que os demais para nos desafiarem! \"\"

— E o que devo fazer? — Tinha entendido, só não queria crer.

— Mate-os, Castiel; mate-os. - Repito, para dar ênfase. Finalmente ele compreendera.

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Notas finais
*Sun tsu: O autor chinês de "A Arte da Guerra" chama a atenção de que nossos inimigos devem estar constantemente sendo observados por nós. Agora, como saber que um amigo não está sendo também, um inimigo? A história está chegando ao fim... O próximo será o penúltimo capítulo! *---*