Mona Lisa
11 O Contos dos Três Irmãos*
Notas iniciais
●๋•..●๋•
"Uma conversa escárnia
Uma recaída amorosa
Uma decisão perspicaz:
A Vingança tem mesmo que ser tão saborosa?
Para Lucífer, sim.
Pois é o que move o mundo, mentiras e ameaças
Sujeitas em uma bandeja de prata
Torna tudo tão divertido
E perigoso,
Quem diria que uma atração daria tanto gosto.
Sim, uma atração perigosa:
Um amor proibido.
Lúcifer está gostando cada vez mais,
Está provando do que é capaz,
e que nem a garota mais inocente pode mudá-lo.
Nem um Winchester
E muito menos um humano normal.
Que foi?
Ele está apenas se confortando
Enquanto não chega o resultado final.
Miguel é que deveria se cuidar,
Há algo martelando em seu peito que não o deixará descansar,
E não é o coração.
Talvez o anjo só sinta o gosto do amor
Se antes provar da dor.
Porque esse é o caminho mais rápido
Para se chegar ao um outro coração:
O de Mona Lisa.
Arriscar e Suportar ou Desistir e Resistir?
Eis a Questão."
Dean
Terminamos a nossa discussão muito rapidamente. Como disse antes e repito agora: NÃO CONFIO NELES! Odeio os dois: ambos feriram meus irmãos, e todo mundo sabe que mexer com um Winchester pode ser fatal! Pra mim, são cafajestes que merecem sofrer; afinal, "não há nada demais em saborear aquilo pelo que você quis pagar"... Do contrário, talvez não estivessem vivendo toda essa situação. Bem feito pra eles!
Assim que Miguel saiu, vi a oportunidade que tanto esperava para falar a sós com Lucífer e saber o que o mesmo tramava. Precisava ter certeza, chegar a conclusões, e apenas ele possuía as respostas que eu tanto desejava. De súbito, o mesmo levanta-se. Parecia adivinhar que pretendia dizer-lhe algo. Segui-o. Sam, Bobby e Alice ficaram na cozinha, enquanto rumamos para uma parte afastada do ferro velho. De modo igualmente repentino, ele parou, virando-se para mim.
— Lucífer. - Digo com desprezo.
— Dean Winchester. — Responde-me tão ou mais irônico e sagaz como sempre — À que devo tamanha honra?
— Não se faz de desentendido, não, Mr. Freeze! Nós dois sabemos. — Minha postura era séria. Não iria dar brecha para esse fulano aí ser o imbecíl que eu já conhecia.
— Não entendi. — O sorriso hipócrita estampado o rosto do safado me deu vontade de socar a cara dele como este fizera comigo alguns meses antes.
— Qual é! — Revirei os olhos nas órbitas — Olha só: não sou nenhum tapado...
— Quanto a isto, não estaria tão certo. — Idiota!
— Pois é, mas ainda sim, acabei contigo e com o seu irmão, não é? — Aguenta essa, filho da puta! Que tal ouvir a verdade? Não 'tô nem aí se irritei o Satã; bem, pelo menos ele não pode me matar (acho...).
— Está bem. — Fala após suspirar — Diga de uma vez: o que você quer?
— A verdade. - Disse, sem fazer rodeios, cruzando os braços, esperando pacientemente por uma resposta.
— Sobre? — Fala sério, esse cara não desiste?!
— Você e Miguel se odeiam; ainda ontem queriam se matar. E de repente, decidem ser amigos e, o que é mais estranho, serem nossos amigos. — Completei com uma careta — A questão é: por que?
— Ora, estou surpreso! — Desdenhou, numa salva de palmas — Quer dizer que você pensa?
— Eu sei o que está tentando fazer: e adivinha? Não funcionou. — Cortei-o, já exaltado — Quer saber, desde que a Alice apareceu, vocês andam muito estranhos; e não é só o Cass, tem mais alguma coisa e eu não sei o que é, pelo menos, ainda.
— É tão difícil assim acreditar que estamos trabalhando juntos apenas para atingir um objetivo comum? — Pergunta, fingindo-se indignado, jogando as mãos para o alto.
— Pra ser franco, é sim!
— Que seja! — Resmunga, retirando-se logo em seguida. Filho da puta! Será que o desgraçado nunca cede?! Preciso beber alguma coisa...
●๋•..●๋•
Miguel
Às vezes me pergunto: por que da existência? Afinal, que é a vida, se não uma sucessão de fatos constantes e recordações? Quando penso nisso, chego a conclusão de que nada faz sentido. As emoções, sobretudo. Amar é cofuso; chega a doer, a extasiar, leva a insanidade, causa... indescritível. Nunca compreenderei-o.
— Interrompo? — Estava tão distraído que sequer percebi que Alice me contemplava, mais uma vez surpreendendo-me. Lucífer não estava com ela, então, onde estaria?
— Não. — Respondo depressa.
— Sabe, Miguel, eu sei que nós nunca nos demos muito bem, e que você não gosta muito de mim, mas... — Ouví-la dizer aquilo incomodou-me; por que, se são apenas palavras? — Me preocupo com você. Não gostaria que nada de ruim lhe acontecesse. Por isso, preciso saber: está acontecendo alguma coisa entre você e Lucífer que eu não saiba?
— Por que estaria? — Meu tom não soa nem um pouco convincente. Ela ri.
— Você mente mal. Isso é bom. — Sorri — Me fala, Miguel. Algo muito sério deve ter ocorrido para que meus irmãos fizessem as pazes... E ambos engolissem todo o orgulho, aceitando até mesmo trabalhar com os Winchesters.
— Humpft, aqueles dois são realmente um grande aborrecimento! — Murmuro, estarrecido.
— Sei que não detesta eles tanto assim. — Continua, encostando-se na dianteira de um dos carros velhos, onde encontrava-me. Ela estava ao meu lado, então por que ainda era tão difícil pra mim dizer qualquer coisa? — O Senhor Singer me lembra do Papai: sempre cuidando dos garotos, zeloso, protetor... E Sam se parece um pouco com Lucífer. Acho que Dean e Gabriel seriam bons amigos se nosso irmão ainda estivesse aqui. — Pareceu-me refletir — Miguel... Depois daquele dia... O que aconteceu, exatamente, com ele? — Não deveria mentir, no entanto, contar a verdade não seria certo. Então, que fazer?!
— A morte de nosso irmão foi causada por sua própria imprudência. — Foi a resposta mais vaga que pude encontrar para tal indagação. Talvez por isso ela tenha suspirado.
— Por que você é assim?
— Assim como? — Foi a minha vez de questioná-la. Sem notar, acabei franzindo a testa.
— Mal fala comigo, parece não confiar em mim e... Quer, por favor, ao menos me olhar? — Alice tinha razão: eu evitava a todo custo conversar com ela; sua simples presença era suficiente pra me deixar nervoso e fazer com que agisse desta forma tão fria e seca. Como gostaria que fosse diferente! Porém, não posso. É errado! Até então, fitava o nada a minha frente. Sem outra alternativa, volto-me para encará-la — Me conta o que foi. — Não podia me negar a um pedido daqueles. Estava hipnotizado observando aqueles belos orbes claros; quando dei por mim, mirava fixamente os lábios vermelhos dela. Inevitável.
— Miguel, Alice! — CRETINO, PATIFE, CANALHA, SEM VERGONHA! — Queridos irmãos, o que estão fazendo aqui, sozinhos? — HIPÓCRITA, MENTIROSO, CÍNICO, DESCARADO! — Importam-se que eu me junte à vocês? — ÓBVIAMENTE, SEU IDIOTA! Como tive vontade de bradar estas e outra ofensas quando ele apareceu, arruinando tudo!
— Claro que não, Lucífer. — Alice concordou, sorrindo — Sobre o que você e Dean conversaram?
— Coisas. — Disse num olhar cúmplice.
— Coisas? — Repetiu, divertida.
— Coisas. - Voltou a afirmar. Ambos riram. Não entendi nada!
●๋•..●๋•
Sam
Já fazia algum tempo que Miguel havia saído. Lucífer e Dean também. Estava um pouco nervoso. Olhava para Bobby o tempo todo, mas a expressão deste não era tão diferente da minha. Tentava prestar atenção no que a menina dizia, mas realmente estava começando a me preocupar. Quer dizer, Dean conversando com o Diabo e o irmão insano dele?! Qual é! Estou com a ligeira impressão de que isto será um desastre...
— Bem, acho que o mais prudente seria ir atrás de meus irmãos e procurar saber se está tudo bem. — Ouvi Alice dizer, por fim. Me senti mais tranquilo. Pouco depois que ela saiu, Dean finalmente chegou. E pela cara frustrada, presumi que coisa boa é que não tinha acontecido.
— Por acaso, eu já disse que ODEIO o idiota do Lucífer? — Resmungou, sentando-se de sopetão na cadeira. Fiquei curioso para saber o que se sucedera.
— Algo que precisamos saber? — Bobby foi mais rápido do que eu.
— Nada, já que é do conhecimento geral que o Diabo não presta. — Bufou — Ficou o tempo todo me enrolando, se esquivando das perguntas que eu fazia. Agora me diz: como é que se confia num sujeito desses?!
— E quem disse que confiamos? — Retruquei, sarcástico. Era óbvio que não acreditávamos nele.
— Quer saber? Não ligo se o mundo vai acabar. Eu é que não tento falar mas com esse aí... — Não faço ideia do que ocorreu, no entanto, estou certo de que a conversa entre os dois não fluiu de forma amigável.
— Talvez o Miguel fale com a gente. — Os dois me olharam como se eu houvesse perdido a razão.
— Rapaz, você ficou louco? — Não disse?!
— É, Sammy: estamos falando do infeliz que está possuindo o nosso meio-irmão!
— Dean, eu só 'tô dizendo que... Ah, esquece, 'tá legal?! — Desisto!
— Não, vai lá: fala com o doido; eu falei com o Diabo, nada mais justo, né?! — Detesto quando ele começa a falar assim.
— Quem sabe eu tente! — Disse, me levantando, decidido a ir ao encontro do anjo. Saí, deixando Bobby e Dean se encarando de um jeito atônito.
Estava andando entre as dezenas de automóveis quebrados e pilhas de sucata, quando entendi, por fim, o que estava acontecendo: Miguel estava apaixonado por Alice. Era tão claro! O modo como ele olhou pra ela, só mesmo um idiota não perceberia... É claro! Quando Lucífer chegou, tudo fez sentido. Estava muito óbvio que o mesmo já sabia e o fez de propósito. A menina... Agora sei porque! Provavelmente, o Satã decidiu se vingar do irmão, o chantageando. Aproveito que o mesmo desaparecera novamente, desta vez acompanhado de Alice, e me aproximo de Miguel. Ainda precisava esclarecer algumas coisas.
●๋•..●๋•
Fale com o autor