Mona Lisa

16 Uma Visita Inusitada


Notas iniciais
Legenda Narração: (Ponto de Vista dos Personagens - 1a Pessoa) Mudança de POV - Point of view (Ponto de vista): ●๋..●๋ Diálogos: - Então por que? Por que nos fazer lutar? Só não consigo descobrir o propósito. Poesia: "Itálico" Lembrança: Negrito

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Cartas Perdidas: Parte I

Para Lúcifer — Lembre-se disso...

“Observe ela agora

Curve-se e a encare com admiração

Você não sabe o quanto os traiu

E eu ainda não acredito que tudo começou com uma canção

De alguma forma

Você fez todo mundo de idiota

Sem a máscara onde é que você vai se esconder?

Não consegue encontrar a si mesmo, perdido em sua mentira

Estão todos cansados de sofrer — por você

De alguma forma agora ela é a tola dos tolos

Obscurecendo e confundindo a verdade

Agora ninguém sabe o que real e o que não é

Você faz mesmo parte da realidade?

Prove.

Estão afundando

Estão se torturando

Terão que passar por isso

Só mais um pouco

Está com tanto medo de abrir seus olhos — hipnotizados

Covarde, mentiroso, desgraçado

Os deixe viver sem você — respirar

Antes que eles o tornem o sacrifcio.

Da sua carne irão provar

Assim como você se deliciou com o sangramento deles

Agora aquiete-se e veja.

Observe-os cuspirem em você

E lembre-se que voc adorou cuspir neles

Lembre-se disso..."

Miguel

Quatro dias haviam se passado; eu estava cada vez mais apaixonado por minha Alice. Lucífer desaparecera; suspeito que foi tentar aliar-se a Castiel. Imagine: o suposto Deus e o maldito Diabo! Certamente crê que pode me derrotar. Mas não, não pode; pois agora há um motivo pelo qual não hesitarei em lutar:Mona Lisa. Ao lado dos Winchesters, sei que derrotaremos Lucífer uma vez mais – que seja a última, espero.

— Quando vai contar pra ela? — Deixei meus pensamentos de lado para encarar a figura do loiro sentado a minha frente, que segurava o amuleto entre os dedos como se pudesse absorver a sua essência.

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— Não sei, Dean. — Suspiro — Não é tão fácil pra mim...

— Mas ela sabe quem ele é de verdade; uma hora vai descobrir, mais cedo ou mais tarde. – Tinha razão; não podia discordar. Era um argumento bem plausível.

— Entenda: apesar de tudo, ele ainda é nosso irmão. Não iria suportar ver a tristeza em seus olhos quando soubesse que sua existência ao lado dele não passou de uma ilusão: foi tudo uma máscara, outra das mentiras de Lucífer. — Explico, dando o assunto como encerrado. Não gostaria de falar daquilo. Não agora, quando finalmente tenho a oportunidade de dar um fim nisso.

— Toma. — Diz, entregando-me o cordão. Fito-o surpreso — Eu confio em você. Só... Acaba logo com isso, ‘tá bem? — Sorri. Eu assinto.

— Prometo fazer o possível. — Não estou tão certo quanto a minha vitória contra o dragão; entretanto, estou confiante de que o Senhor ficará ao meu lado.

— Sei que vai. Você não é tão chato assim, sabe? — Ele ri. Pela primeira vez desde que toda essa Guerra começara, eu ouvia um elogio de verdade; sim, esta era a forma dele mostrar que gostava de mim.

— Queria que tivesse sido assim desde o começo... — Lamento nossas desavenças do passado.

— É, eu também; sinto muito. — Fala pouco constrangido.

— Depois que isso acabar provavelmente não nos veremos mais; só gostaria que soubesse que aquilo que eu disse sobre o livre-arbítrio... — Não pude concluir a frase, pois fui interrompido.

— Ah, qual é, Miguel, justo agora! — Dean parecia decepcionado e indignado; acho que fui mal interpretado.

— Não, não é isso! — Apresso-me em corrigir o erro — É só que... Talvez eu estivesse errado; vocês mostraram que a Destino nem sempre pode controlar suas vidas.

— É, coitada da bibliotecária... Acho que Castiel ser proclamado o novo Deus não estava nos planos dela; esquece, ela só ‘tava fazendo o trabalho dela. Que nem você.

— Que cena mais adorável! — Bobby acabara de entrar na sala e escuta parte da nossa conversa — Nunca pensei que viveria pra ver isso... Olha só, garoto: parece que seu irmão tem um novo amigo! — Sam e Alice riam. Aquele era um momento feliz; uma recordação que gostaria de guardar como a minha última lembrança, acaso perdesse a Última das Batalhas – Vamos caçar Deus ou não?

— Estamos prontos, Bob. — Eu e o rapaz nos levantamos, prontos para partir. Todos portavam armas: o caçula dos Winchesters trazia o Colt, enquanto Dean portava uma lâmina celeste e um coquetel de molotov, carregado com óleo santo, preparado para enfrentar os anjos, e Singer levava uma pistola, acompanhado de muito sal e água benta; se Lucífer estava realmente ao lado de Castiel, haveriam muitos demônios para tentar nos deter — É isso aí, agora somos nós contra o Céu e o Inferno.

Precisam de ajuda? — A chegada daquele ser maligno me surpreendeu; nunca pensei que houvesse um demônio sequer que não temesse meu irmão. Até que o Apocalipse teve início e conheci Crowley: o demônio que tentou surrupiar o trono de soberano do Inferno pertencente a Lucífer. Afinal, o que ele queria conosco?! Todos nos colocamos numa posição defensiva; os rapazes erguem as armas e eu puxo minha Mona Lisa pra perto de mim.

— Mas o que? Crowley? Que é que ‘cê ‘tá fazendo aqui? — Assim como todos os presentes, Dean estava possesso; confuso e possesso.

— Ora, pensei em me juntar a vocês! — Disse, como se fosse algo muito evidente.

— Como assim?! — Eu o mirava de cima a baixo, tentando compreender.

— Simples: Lucífer me odeia porque tentei tomar o lugar dele lá embaixo; Cass e eu éramos parceiros nisso tudo, até ele tentar me chutar, eu ir atrás de Raphael, e perder pro cretino; agora ele também odeia. Como podem perceber, de qualquer forma, estou ferrado: por isso aqui estou eu! — Faz sentido: somos os únicos insanos o suficiente para desafiar anjos e demônios.

— Caí fora, BANDEIRINHA! Escuta aqui, eu já perdi a conta de quantas vezes você ferrou a gente, então não me vem falar de encrenca não, por que eu já levei uma surra do Diabo, fui torturado no Inferno, me tornei um dos aprendizes de Alastair, impedi que o fim do mundo começasse antes e posso fazer de novo agora; vê se cala essa boca! — Realmente, a mágoa que nutriam um pelo outro ainda era mútua...

— Ótimo; se acha que pode com eles sozinhos... Mas não esqueçam: eu tenho meus seguidores, conheço uns amigos de Raphael que estão sendo perseguidos como o Miguel aí — Apontou pra mim — e que estão desesperados procurando por um novo líder.

— E pensa que eles te ouviriam? — Pergunto, com desdém.

— Não; mas aposto cem pratas como escutariam você... — Este me sorri presunçoso.

— E o que você ganha com tudo isso? — Tinha certeza de que não fazia aquilo por apreço pelos Winchesters e Singer.

— Não é óbvio? Se Lucífer morrer...

— Você volta a ser o Rei... — Dean completou com um sorriso debochado — Desgraçado!

— É pegar ou largar, amigo. — Eu olho os semblantes ali presentes; Sam dá de ombros, enquanto Bobby e Dean se encaram, receosos.

— Eu confio nele, Miguel. — As palavras de Alice chamaram a minha atenção — Dê outra oportunidade ao Crowley.

— Está bem. — Concordo — Unicamente por ser você quem me pediu... — Ela cora. O demônio revira os olhos.

— Não abusa da sorte não, que você ‘tá marcado. – Dean o mira de cima a baixo, desconfiado — Eu tenho o olho do tigre, cara... — Diz, já afastando-se e rumando em direção a porta.

— Que seja. — Ele retruca com um olhar arrogante — Devo chamar mais convidados para a festa? — Balanço a cabeça, numa afirmação. — Então boa sorte, meu General: seguiremos você.

— Espere. — Dou-lhe uma ordem — Vai cuidar dela. — Alice encara-me sem entender. Me volto para a mesma, murmurando — Entenda que é perigoso; sou o alvo de Lucífer. Não posso permitir que você se machuque por minha causa. — Ela compreende, ainda que seu semblante esteja transbordando aflição — Eu te amo. — Trocamos um beijo. Como da primeira vez, hesitava em me separar dela. Porém, foi necessário: o momento havia chegado. Desfaço o abraço no qual ela envolvera-me; seco uma lágrima que escorre por sua face – Não chore por mim.

— Então me prometa que vai voltar! — Sussurra.

— Essa é uma promessa que não sei se seria capaz de cumprir... — Sorrio amargo.

— Não esqueça que eu também te amo.

— Nunca. — Jamais: seria impossível! Esperei por todos esses anos e, agora, quando estava finalmente tão perto...

— Nós estamos esperando! — Maldito demônio.

— Dá um tempo pra eles, Crowley. — Sam intervém.

— Tudo bem. — Digo — É melhor cuidar bem dela. — Aviso sério.

— Pode deixar... — Vejo minha Alice se distanciar de mim e aproximar-se daquele ser repulsivo.

— Humpft. Foi a mesma coisa que disse sobre a minha alma e veja só o que aconteceu! – Bobby tinha assuntos pendentes para resolver com Crowley.

— Ainda tenho a foto do nosso beijo, Singer.

Vai se ferrar!

— Se eu fosse você, seria um garoto bonzinho, do contrário, eu coloco na internet!

— Não se eu te matar primeiro...

— Ô, pessoal! — Dean interrompeu a discussão — Precisamos ir. Acabamos com ele depois, Bobby.

— Com toda certeza! — Este concorda, já indo também em direção a porta. Sam, Alice, Crowley e eu ficamos.

— Tchau, Alice. Foi legal te conhecer... Agradeço por tudo. — Ele se despede. Minha Mona Lisa lhe sorri. Crowley e ela desaparecem diante de meus olhos. Estou imóvel. Samuel toca meu ombro — Vem; quanto mais cedo isso acabar, mas cedo você volta pra ela. – Sorrio. Me junto aos outros e, de posse do amuleto, também partimos, guiando a nossa tropa até onde Lucífer e Castiel nos esperavam.

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Notas finais
Logo, o último... Acabei de escrevê-lo! *---*