Momentos
6 Capitulo 6
Notas iniciais
***
Emma entrou no escritório decidida a conversar com Regina. Ela passou direto pela secretária, que já não precisava mais anunciar a chegada da sheriff, e entrou na sala, fechando a porta em seguida. Quando olhou para a prefeita, pronta para começar a falar, reparou em sua pose séria e concentrada enquanto lia algum papel com seus óculos.
Ela ficou ali, estática. Sempre achara Regina bonita, mas aqueles óculos acrescentavam algo que a deixava, de alguma maneira, mais sexy. Quando a prefeita levantou o rosto e percebeu que Emma estava ali, tirou os óculos do rosto e colocou-os sobre a mesa. Só então a loira conseguiu sair do transe que se encontrava e conseguiu andar pelo lugar, se aproximando da morena.
–Nós precisamos conversar. – Emma disse.
–Estou cheia de coisas para resolver aqui, Em. – Regina se levantou da cadeira e aproximou-se da sheriff.
–Você está fugindo.
–Não, — Regina apertou a ponte do nariz entre os dedos. – não estou. Jantar na minha casa hoje, às oito. Não se atrase.
Sem espera uma resposta, Regina delicadamente empurrou Emma porta á fora, fechando-a em seguida. Ela sentou novamente, suspirando diante da quantidade de trabalho que ainda tinha a frente.
***
Emma passou um bom tempo na frente de seu espelho experimentando roupas. Suas calças não fechavam direito e era difícil encontrar algo que não lhe fizesse sentir gorda. Acabou optando por uma calça que sempre esteve escondida no fundo do armário por ser larga, mas que agora fechava perfeitamente, e uma blusa acinzentada de manga longa. Calçou suas botas e saiu do apartamento. Ela andou em seu fusca pelas ruas da cidade, estacionando na frente da casa da prefeita. Sabia que Henry não estaria ali, mas sim na casa de Hansel e Gretel, juntamente com Grace.
Ela apertou a campainha e esperou um tempo até que Regina aparecesse, com sua saia preta e a camisa branca. Elas entraram na casa e Emma acompanhou a morena até a cozinha, observando-a enquanto tirava a torta do forno. Elas sentaram na mesa, onde uma travessa com peixe e alguns legumes. Durante o jantar ela falaram pouco e na maioria das vezes sobre Henry. Quando terminaram, Emma ajudou Regina a levar a louça até a pia e a ambas se serviram da torta que Regina tinha feito.
Após estarem satisfeitas, elas foram até a sala, sentando-se no sofá, viradas de frente um para a outra.
–O que exatamente foi aquilo? – Emma perguntou de forma direta.
–Um beijo. – Regina corou e abaixou o rosto. – Foi algo que simplesmente tive vontade de fazer.
–E não significou mais nada para você?
–Significou alguma coisa para você? – a morena devolveu a pergunta.
–Você não pode responder uma pergunta com outra pergunta, Regina. – Emma passou a mão pelos fios loiros. – Mas se você quer saber: sim, significou algo para mim. Eu gosto de você, Regina. Então não venha brincar com meus sentimentos porque eu não quero me machucar novamente, principalmente porque no nosso caso temos o Henry envolvido.
Regina segurou o rosto da loira entre as mãos e colou os lábios rapidamente. Emma suspirou profundamente e olhou dentro dos olhos castanhos.
–Eu não quero te machucar, Emma. – a morena sorriu. – E também não quero me machucar. Mas não podemos negar que, de alguma forma, acabamos nos envolvendo sentimentalmente.
–Podemos tentar. – Emma sorriu levemente. – Mas somente se ambas tentarem de verdade.
–Podemos tentar. – Regina passou o nariz pelo pescoço da mulher. – Mas vamos com calma.
Ela se aproximaram, juntando os lábios novamente em um beijo sem pressa. A mãos de Regina escorregaram do rosto da loira para os ombros e ela enrolou os fios loiros em uma das mãos. As mãos de Emma estavam no quadril da outra, puxando-a para mais perto. Regina começou a empurrar Emma no sofá, obrigando-a a deitar, enquanto tomava cuidado para não soltar o peso do corpo por causa da barriga da loira. Elas separaram os lábios em busca de ar e então sorriram uma para outra.
–Estamos namorando? – Emma perguntou.
–Não sei. – Regina mordeu o lábio inferior da loira. – Estamos?
–Acho que sim. – Ela olhou para a outra com uma sobrancelha levantada. – O que você acha?
–Pode ser.
Ambas riram baixinho e ficaram mais um tempo no sofá, aproveitando o resto da noite. Em um dado momento, Emma começou a bocejar e resolveu que era hora de voltar para casa. Regina a acompanhou até a porta.
–Você tem mesmo que ir embora? – a morena perguntou. – Poderia dormir aqui hoje.
–Tenho. – Emma se aproximou, beijando-a levemente. – É capaz do meu pai sair me procurando se eu não estiver em casa amanhã cedo. E também não quero que a minha namorada pense que sou uma tarada que mal começou a namorar e já quer sexo.
–Quem te disse que você iria ter sexo hoje? – Regina gargalhou. – Você vai desmaiar assim que deitar na cama, Swan. E eu também não sou uma tarada.
–Viu, mais um motivo para eu ir embora. – Emma puxou a prefeita para perto de seu corpo e Regina colocou a mão em sua barriga. – Minha libido só tende a me deixar pior daqui para a frente.
–Você já sentiu ela mexer? – Regina cariciava o abdome de Emma.
–Não. – a loira fez um biquinho. – Mas a médica disse que daqui a alguns dias eu vou conseguir sentir.
–Vou te deixar ir embora. – a morena disse quando viu a namorada bocejar novamente. –Boa noite, Emma.
–Boa noite, Regina.
Elas se beijaram novamente e Emma andou até o carro, dirigindo para casa.
***
Cerca de duas semanas depois...
O celular de Regina tocava sem parar. Agindo de forma automática, Regina pegou o aparelho e atendeu a ligação.
–Gina?
–Emma! – Regina olhou para o relógio e se preocupou. – Aconteceu alguma coisa?
–Não. – a loira disse de forma incerta. – Quer dizer, mais ou menos.
–É bom que você tenha um bom motivo para me acordar as seis horas da manhã de um sábado, Em.
–A bebê. – a morena podia perceber a alegria na voz da outra. – Ela mexeu.
–Isso é incrível. – Regina sorriu. – Deve ser mágico.
–Eu precisava contar para alguém e você foi a primeira pessoa que me veio na cabeça.
–Obrigada por pensar em mim, namorada.
–De nada, namorada.
Elas se chamavam de namorada em alguns momentos, brincando uma com a outra. Nesse tempo em que estavam juntas, ainda que ninguém soubesse, elas estavam mais próximas do que nunca. Snow vivia perguntando para Emma se ela estava escondendo alguma coisa, já que vivia sorrindo e praticamente voava no celular cada vez que ele recebia um mensagem nova.
As duas trocavam várias mensagens e ligações durante o dia e Emma sempre dava um jeito de aparecer na prefeitura, principalmente por estar afastada da delegacia, que se tornara responsabilidade de seu pai, devido a gravidez. Ela planejava voltar assim que a bebê estivesse grandinha.
–Em. – Regina chamou, após um tempo em silencio. – Apareça aqui em casa mais tarde e traga o Henry.
–Pode deixar. – a morena escutou a loira bocejando.
–Vamos voltar a dormir.
–É uma ótima ideia. – a loira riu. – Até mais tarde, Gina.
–Até mais tarde.
***
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