Mistakes

5 Capítulo 04 — Let Your Heart Hold Fast


Notas iniciais
Olá, pessoas o/ Demorei mais tô de volta! E com uma boa notícia: o próximo capítulo está quase pronto, ou seja, a próxima atualização não deve demorar tanto. Claro, meus professores vão ter que lembrar que eu tenho uma vida além dos estudos, mas isso são detalhes. Estou tentando controlar o tamanho dos capítulos, mas acho que esse ficou maior do que o esperado. Desculpem, de verdade. Link da música que dá título a esse capítulo: http://letras.mus.br/fort-atlantic/let-your-heart-hold-fast/traducao.html Capítulo ainda não betado. Quando ele for betado, eu vou editar ele aqui. Não quis esperar por que tava sumida a tempo demais, então só dei uma lida pra ver se não tinha erros grosseiros. Enjoy o/

Mistakes

Autora: Iamela Freitas

― Capítulo 04: Let Your Heart Hold Fast ―

― Anos atrás ―

Algumas semanas tinham se passado desde o jogo e tudo estava aparentemente normal. Beckendorf tinha chamado Silena para um encontro no final de semana anterior, e todos apostavam que o pedido de namoro oficial estava próximo. Jason, que no início vinha se mostrando tão solícito com Piper, vinha mantendo uma cuidadosa distância, e a garota começou a ficar insegura. Então, quando a turma se reunia na casa dos garotos, para não ficar um clima estranho, ela passava a maior parte do tempo com Annabeth e Bianca, ora assistindo o campeonatos de vídeo game que eram feitos, ora apenas conversando na varanda, o único local arrumado da casa.

― Você está bem, Piper? ― Annabeth perguntou em uma tarde de sexta, enquanto as duas voltavam do mercado, depois de comprarem alguns lanches para levarem para a tarde de filmes na casa dos amigos. ― Uns dias pra cá você está estranha...

― Não é nada. ― A outra sorriu, trocando as sacolas da mão direita para a esquerda. ― Nem rolou nada entre mim e Jason, então... ― Deu de ombros. ― Acho que vou parar de pensar nisso, se eu conseguir.

― Acho que vocês fazem um bonito casal.

― No começo também achei isso, mas quando eu comecei a demonstrar interesse, ele começou a se distanciar. ― Piper suspirou frustrada. ― Acho que ele tem alguma coisa com a Reyna.

― Ah, não sei, no dia do jogo ele também não deu mais atenção pra ela do que pra você. ― Annabeth lembrou. A essa altura já viravam na esquina e entravam na rua da casa a que se dirigiam.

― Como pode saber? Você só ficou xingando os jogadores do Red Sox e os juízes. Ah, e ficou de clima com o Percy.

A Chase bateu na amiga com a sacola que carregava, a fazendo parar de andar.

― Você quer parar de ficar falando nisso? ― Pediu, olhando pros lados.

― Quem não deve, não teme! ― Piper sorriu provocativa.

― Não é esse o ponto. ― Annabeth se defendeu. ― Não quero nenhum mal entendido entre mim e Luke. Naquele dia, Percy e eu só ficamos muito empolgados com o jogo, não foi nada demais.

― Não tem como criar um mal entendido entre você e uma pessoa que raramente aparece. ― Piper dizia enquanto as duas voltavam a caminhar. ― Qual foi a última vez que o viu fora da escola?

― Pra sua informação, agora estamos indo estudar juntos na Biblioteca todos os dias. ― Annabeth sorria convencida. ― Não é o encontro dos sonhos, mas ele precisa se esforçar pra entrar pra uma Universidade e eu gosto de ler. Pelo menos assim, passamos um tempo juntos.

Piper revirou os olhos como resposta. A Chase estava prestes a retrucar, quando um carro estacionando na frente da casa, e Percy desceu. Quando viu as duas garotas, as esperou para que entrassem juntos.

― Ei, Pips, Annabeth. ― Ele cumprimentou enquanto pegava as sacolas que eles carregavam e os três entraram na casa.

Percy se dirigiu a cozinha para deixar as compras, e Leo logo o seguiu, provavelmente esperando beliscar alguma coisa antes. Annabeth foi se sentar com Piper perto de Bianca, que estava em um canto jogando no PSP de Nico.

― Cadê todo mundo? Só vi Leo e Percy. ― Piper se esticou no tapete, de bruços.

― Nico está lá em cima, Jason foi alugar os filmes, Beckendorf ligou dizendo que está chegando com Silena. ― Foi a resposta da irmã mais velha de Nico, enquanto Percy entrava na sala acompanhado de Leo, que estava ocupado esvaziando um pote de sorvete.

Nesse momento Nico descia a escada com um notebook debaixo do braço. Cumprimentou as recém chegadas com um aceno de cabeça e foi até Leo, entregando o notebook.

― Eu não acredito que você já quebrou isso outra vez. ― O Valdez fez uma carranca. ― Isso parece uma pinhata pra você? ― Ele largou o sorvete e pegou o aparelho. ― É a última vez que eu conserto isso! ― Ameaçou.

― Primeiro, você diz isso toda vez. ― Nico disse em um tom entediado. ― E segundo, não fui eu. Culpe Jason. Como ele saiu antes de você chegar, pediu pra eu te entregar.

― Se ele quer ficar falando com a Thalia a madrugada inteira, ele que use um telefone. ― Leo resmungou mal-humorado. ― Alias, quando ela volta?

Annabeth sutilmente se levantou e foi para a cozinha, esperando não ter chamado muita atenção. Não queria saber de notícias sobre Thalia, queria parar de se preocupar com ela. Abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água e quando a fechou, levou um susto ao perceber Percy parado logo ali.

― E eu que achava que só Nico precisava andar por ai com um sino pra não me provocar um ataque cardíaco! ― Ela reclamou ainda se recuperando.

― Desculpe. ― Ele não parecia se sentindo culpado, o que não a ajudou a melhorar o mal humor.

― O que você quer? ― Perguntou irritada, abrindo a garrafa e começando a ingerir o líquido.

― Você saiu de repente.

― Estava com sede.

― Acho que você não queria ouvir falar sobre Thalia.

Annabeth colocou a garrafa no balcão com talvez mais força do que o necessário e olhou para Percy forçando um sorriso.

― Então você acha isso e veio falar justamente sobre ela?

― Annabeth, quando a Thalia voltar do intercâmbio, ela vai provavelmente vir morar nessa casa. ― Ele disse sem rodeios, olhando pro chão. ― Mas eu não quero que você pare de andar com a gente, ou pare de vir aqui.

A garota mexeu nos próprios cabelos e bebia mais água, enquanto pensava no que dizer. Queria falar que não tinha raiva de Thalia e nem nada ― o que realmente Annabeth sentia era ciúmes ― e que nada mudaria, mas ela sabia que não era verdade. E outra coisa agora a preocupava: já que Silena com certeza logo começaria a namorar Beckendorf, passaria mais tempo com a nova turma, e Piper talvez preferisse andar mais com a irmã.

― Eu também não quero deixar de andar com vocês. ― Annabeth se ouviu dizendo. ― Mas o que eu posso fazer?

― Se tem alguém que é sabe-tudo aqui, esse alguém não sou eu. ― Percy disse com um sorriso discreto. ― Mas se aceita uma sugestão, acho que você deveria conversar com ela.

― E do que adiantaria?

― Não sei. ― Ele deu de ombros. ― Mas no mínimo daria uma boa briga e teríamos uma roda de apostas.

Annabeth riu.

― Ninguém apostaria em mim, não contra Thalia. Ela bate em garotos maiores que Luke.

― É, talvez. ― Percy ria junto com ela. ― Mas eu tenho a impressão é que não é bom apostar contra você.

Annabeth sorriu pra ele, ainda rindo um pouco. Percy sustentou o olhar por alguns instantes, mas depois, sem saber o porquê, desviou rapidamente, pra dois segundos depois, voltar a olhar pra garota. E antes que conseguisse evitar, saiu a pergunta:

― Ei, quer ir à praia amanhã?

–x-

Annabeth na verdade não tinha planejado aceitar o convite. Como não quisera recusar imediatamente, para não ficar nenhum clima ruim, dissera que ia conferir se poderia ir. Seu plano era ir sair com Luke, e assim ter a desculpa perfeita, mas ele teve que ficar em casa cuidado da mãe, que estava com catapora. Como ela ainda não tinha pegado a doença, ficar na casa do namorado o ajudando não parecia uma boa decisão. Piper ia aproveitar que seu pai estava na cidade a trabalho e ia passar um tempo com ele. Silena ia sair com Beckendorf, assim como Clarisse ia sair com Chris. Alias, todas as suas amigas tinham compromisso.

Então Annabeth se deu conta que estava tentando fugir sem razão nenhuma de uma tarde tranquila de diversão com os amigos. Jason, Leo, Nico e Bianca também iriam, então não tinha como confundir aquilo com um encontro. Ela estava fazendo tempestade em copo d’água e sem saber por que. Portanto, quando o carro de Percy parou na frente da sua casa na manhã de sábado, ela entrou decidida a ter um dia divertido com seus amigos.

― Oi, Annabeth. ― Ele cumprimentou sorrindo.

― Oi, Percy. ― Ela sorriu ao ver que o amigo quase não conseguia conter a animação. ― Parece que você não vai na praia a séculos.

― Na verdade eu vou toda semana velejar um pouco com meu pai. ― Percy falou dando a partida. ― Os outros vão no carro de Bianca, vamos só passar lá pra seguirem meu carro, e também por que temos que ir todos juntos por que talvez a gente precise ajudar Bianca a enterrar um corpo, se Leo não parar de dizer como ela deve dirigir.

Annabeth riu.

― Isso é a cara do Leo. ― A garota abaixou o vidro do carro e observou o céu azul, quase sem nuvens. ― O dia está lindo hoje.

Mas Percy aproveitou o sinal fechado para olhar pra ela.

― Está mesmo.

–x-

A manhã ia correndo tranquila, apesar do incidente onde Nico tentara acertar um chute em Leo, depois de ele gentilmente alertar o Di Ângelo de como era perigoso vampiros se exporem ao sol. O garoto ainda teve que aguentar ser chamado de Volturi pela própria irmã, mas agora enquanto eles almoçavam hambúrgueres em um quiosque, as brincadeiras estavam esquecidas.

― Ei, Percy, você não vai sair com o tio hoje? ― Jason perguntou enquanto o grupo terminava de comer.

― Ele ainda não chegou de viagem. ― Foi a resposta.

Depois de alguns minutos o grupo saiu do quiosque, Jason e Leo se apressaram a correr para o mar, apesar dos gritos de Bianca de que eles tinham acabado de comer.

― Bianca é bem maternal, não é? ― Annabeth comentou andando pela praia com Percy.

― Ela é a prima mais velha, acho que se sente responsável pela gente ou algo do tipo.

― Achei que fosse Thalia a mais velha.

― Thalia é mais nova alguns meses que Bianca. Ai depois sou eu, depois Jason e Nico.

― Então você não tem irmãos?

― Um irmão mais velho, na verdade meio-irmão. ― Percy respondeu meio desconfortável. ― Mas ele não conta. Ele já é adulto, tá se formando em Yale. Ele nunca foi próximo da gente nem nada do tipo.

― Ah, sinto muito. ― Annabeth mordeu o lábio, arrependida de ter feito a pergunta.

― Tudo bem. ― Percy a empurrou pro lado com o ombro, para quebrar o silêncio e o clima pesado. ― Ei, quer ir ver o barco que eu e meu pai usamos pra velejar? As docas são aqui perto.

Annabeth sorriu e assentiu. O garoto perguntou a Bianca e a Nico se os dois queriam ir, mas ambos resolveram ficar na praia. Depois de alguns minutos de caminhada e conversa casual, Percy e Annabeth chegaram nas docas.

― Então você tem medo de aranhas? ― Ele perguntou andando por entre as embarcações.

― Pavor. ― Annabeth afirmou tristemente, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo. ― E agora vamos começar a estudar aracnídeos em biologia. Se aquele professor trazer uma daquelas coisas horrorosas pra sala...

― Vamos dar um jeito nisso. ― Percy prometeu. ― Vamos falar com o professor ou diretor. Você pode pelo menos ganhar uma dispensa dessas aulas e... ah, chegamos. ― Ele apontou um barco a vela e depois pulou facilmente a bordo. ― Annabeth, essa é a Lady Sally.

― Gostei do nome. ― A garota sorriu. ― Mas se planeja que eu suba ai, precisa me dar uma ajuda.

― Sally é o nome da minha mãe. ― Ele explicou estendendo a mão para Annabeth e a ajudando a subir. ― Meu pai resolveu homenageá-la.

Annabeth com alguma dificuldade subiu na borda do barco, mas quando foi descer para o convés, se desiquilibrou e teve que ser aparada por Percy. Ela fez uma careta, agradecendo por ele não poder ver seu rosto vermelho naquele momento. Era de uma situação assim que ela tinha medo, não queria que as coisas ficassem estranhas entre eles. Percy a colocou com os pés bem seguros no convés e ela olhou pra ele e murmurou um agradecimento, ainda ciente da proximidade dos dois, porém foi Percy que deu um passo atrás e soltou a mão dela, colocando as próprias nos bolsos da bermuda.

― Então esse barco foi meio que um presente pra sua mãe, ou algo assim? ― Ela perguntou apressada, para quebrar o silêncio estranho.

― É, foi. ― Percy confirmou a guiando até a proa, de onde se tinha uma ótima vista do oceano. ― Claro que a esposa dele não gostou nenhum pouco, até hoje ela tem ataques histéricos quando vem aqui e vê esse barco, então meu pai sempre me pede pra eu levar pra outro lugar quando ela cisma de vir.

― Ah, então seu pai se casou outra vez?

― Não. ― Ele sorriu triste e envergonhado. ― Não te contei? Meu pai traiu a esposa dele com a minha mãe. Mas antes que você pergunte, minha mãe não sabia. Ela achava que meu pai era só um cara legal que ela tinha conhecido em um jogo dos Yankees e que trabalhava em uma fábrica de barcos.

― Não precisa contar nada, se não quiser. ― Annabeth se apressou em dizer. Não queria deixar ninguém desconfortável.

Mas Percy só deu de ombros.

― Você ia ficar sabendo de qualquer forma. Ou vai me dizer que nunca se perguntou por que eu, Jason, Thalia, Bianca e Nico, sendo que somos da mesma família não temos o mesmo sobrenome? ― Ele sorriu de um jeito travesso e Annabeth sentiu seu rosto avermelhar.

― Só uma vez ou outra. ― Ela sorriu envergonhada.

― Bianca e Nico são filhos do primeiro casamento do pai deles, a mãe deles morreu de tuberculose quando eles eram bem pequenos. Foram criados pela madrasta, e até que se dão bem. Eu fui assumido pelo meu pai no cartório e tudo, mas eu mantenho o sobrenome da minha mãe por que gera menos perguntas, ou foi isso que me explicaram. Mas Thalia e Jason não tiveram tanta sorte. O pai deles tem tantos filhos por aí que não dá conta de assumir todos. Só sabemos deles por que meu pai é um tagarela, e como a mãe deles é amiga da madrasta de Bianca e Nico, fizeram que meu tio pelo menos os ajudasse financeiramente.

― Família é coisa complicada, não é? ― Annabeth comentou. ― Eu não fazia ideia.

― A gente aprendeu a não ligar muito. Thalia até parou de ser presa pra chamar a atenção do pai.

Annabeth riu.

― Eu quase fui presa uma vez com ela. A sorte é que conseguimos fugir.

― Ei, quer saber uma coisa muito engraçada? Sabe o nome do pai da Thalia e Jason, né?

― Sei sim. Zeus.

― O nome do meu pai é Poseidon e o nome do pai de Bia e Nico é Hades.

Annabeth soltou uma risada baixa.

― Sério isso? E se eu te disser que o nome da minha mãe é Atena?

A essa altura, os dois riam juntos.

― Sabe, estou feliz de ter vindo. ― Annabeth disse a uma certa altura. ― Agora descobri que eu e meus amigos somos todos filhos dos deuses do Olimpo.

― Eu também gostei de você ter vindo. ― Percy sorria com os olhos apertados por causa do vento, e Annabeth gostou de vê-lo assim.

Só não sabia descrever o porquê, mas sabia que era algo... real.

–x-

Nico e Jason estavam jogando com um frisbee, enquanto se dirigiam ao carro de Bianca no estacionamento, Leo e Percy estavam conversando sobre ir à Comic-Com que aconteceria na semana seguinte e Bianca e Annabeth debatiam sobre algumas compras que tinham feito.

Estava tudo certo em um momento. Era apenas um grupo de adolescentes voltando pra casa depois de um dia divertido na praia. Então o frisbee foi longe demais e Jason correu para pegá-lo, olhando para cima, sem perder o disco de vista. E depois uma freada, uma batida, gritos preocupados, cinco jovens rodeando um amigo caído no chão e uma poça de sangue surgindo no asfalto e crescendo.

–x-

― Ele acabou de entrar na sala de cirurgia. ― Bianca disse se sentando com os outros na recepção do hospital. ― Vocês podem ir pra casa, eu vou ficar aqui esperando.

Nico apenas lançou um olhar sombrio para a irmã, indicando claramente que não ia dar um passo para sair dali.

― Eu também vou ficar. ― Leo cruzou os braços. ― É meu melhor amigo lá dentro.

― Sério que vão ficar aqui com essas roupas molhadas e sujas de areia da praia? ― Bianca colocou as duas mãos na cintura. ― Pra casa. Todos vocês. ― E olhou irritada para o irmão mais novo.

― Já liguei pro Beckendorf pedindo pra ele me trazer roupas limpas. ― Nico disse sem emoção. ― Ele vai trazer alguma coisa pra você também.

― Eu vou levar Annabeth em casa e depois eu volto. ― Percy se pronunciou, se levantando. ― Na volta trago a minha mãe, pra ela agilizar a papelada.

― É, Thalia disse que vai tentar pegar o primeiro voo, mas talvez só chegue amanhã. ― A garota Di Ângelo disse cansada, enquanto Percy guiava Annabeth rumo a saída. ― E eu nem consigo achar a mãe deles, sério, pelo menos pra isso... ― A voz dela diminuía conforme os dois se afastavam pelo corredor.

― Thalia está vindo? ― Annabeth perguntou cruzando os braços, e cravando as unhas na pele.

― Desde que ela se emancipou, ela é a responsável legal pelo Jason. ― Percy disse enquanto saiam e andavam rumo ao carro. ― Ela está voltando e sinceramente, acho que é pra ficar.

― Dias de hoje ―

Annabeth fechou a porta depois de Percy sair, para que a mulher pudesse conversar calmamente com Audrey. A Chase duvidava que houvesse alguma chance de conversa calma, mas agradeceu o gesto. Depois de respirar fundo, foi para a cozinha, preparar o jantar, que consistia na última pizza congelada do frizzer. Ela nunca fora boa em cozinhar. Audrey não demorou em aparecer, atraída pelo cheiro.

― Estava mesmo morrendo de fome! ― A garota disse se sentando a mesa. ― Percy já foi pra casa?

Annabeth só fez que sim com a cabeça, enquanto servia a pizza, tão calada que sua filha não pode deixar de notar o desânimo da mãe.

― Fiz mal em deixa-lo entrar? ― Audrey perguntou receosa. ― É que é tão difícil aparecer um amigo seu, achei que ia gostar de vê-lo, e o Percy é tão legal!

― Não, querida, você não fez mal. ― Annabeth se apressou em dizer, se sentando ao lado da filha. ― É só que... tivemos uma conversa difícil. Eu me afastei dos meus amigos a muito tempo.

― É, ouvi falar que quando um filho nasce, as pessoas acabam se afastando dos amigos. ― Audrey sorriu meio triste e pegou um pedaço de pizza, mas não deu nenhuma mordida.

― A culpa não foi sua. ― A mulher acariciou o cabelo de sua menina, os olhos cinzentos já marejados. ­― Foi única e exclusivamente minha. Querida, tem algo que eu preciso te contar sobre isso.

― O que, mamãe?

Annabeth olhou o rosto da filha e encarou aqueles olhos verdes, tão parecidos com o de Percy. Só naquele momento ela percebera o quanto fugir fora inútil.

― Luke... ― Seus olhos se desviaram dos da menina, e ela respirou fundo antes de voltar a olhar pra ela. ― Luke não é seu pai biológico.

Audrey congelou, os olhos arregalados, em choque.

― Ele e eu éramos grandes amigos, tínhamos sido namorados, e ele assumiu você, mas naquela altura não tínhamos nada além de amizade. ― Annabeth continuou.

― Então meu pai, meu verdadeiro pai... ― Audrey se levantou, os olhos inquietos voando pela cozinha até olhar para a mãe novamente. ― não me quis?

― Foi justamente o contrário. Seu pai te quis mais do que tudo.

― Então o que aconteceu? Por que ele não me assumiu?

― Por que eu fugi de casa, ainda grávida de você. ― Annabeth confessou, e por um momento, se sentiu leve sem o peso daquele segredo. ― Mas não me pergunte o motivo.

― Eu passei a minha vida achando que Luke não me amava! Agora eu descubro que além de ele não ser meu pai, você me escondeu meu verdadeiro pai! E ainda não quer que eu pergunte o motivo?

Annabeth ouviu as acusações em silêncio, não tinha como rebatê-las.

― Quem é meu verdadeiro pai? Será que isso eu posso perguntar?

― Percy. Percy é seu pai.

― Percy? ― Audrey ficou tão surpresa que sua fúria sumiu.

― Ele passou todos esses anos te procurando. ― Annabeth sentiu que devia dizer. Tanto Percy quanto Audrey mereciam isso. ― Até que hoje...

― Ele me encontrou. ― A garota disse em voz baixa, voltando a se sentar. ― Onde ele está? ― E se pôs em pé de novo, enérgica. ― E-eu quero falar com ele! Eu preciso falar com ele!

― Eu pedi que ele me deixasse conversar com você em particular. Amanhã você pode falar com ele.

― Eu não quero esperar até amanhã. ― Audrey saiu da cozinha em passos rápidos, e Annabeth levou alguns segundos para notar o que a filha planejava e seguí-la.

― Audrey, você não pode sair agora! ― A Chase disse ao ver a garota pegando um sobretudo no armário de casacos.

― Por que? ― Ela se atrapalhava tentando vestir-se apressada, algumas lágrimas ameaçando cair. ― Mais alguma revelação bombástica? O que mais pode me dizer? Que na verdade você não é minha mãe, mas me roubou da maternidade e agora vai ter que me devolver pra minha verdadeira família?

Annabeth agarrou o braço da filha e a obrigou a encará-la.

― Eu sei que está com raiva, mas ainda sou sua mãe e não pode faltar com o respeito comigo. Vá pro seu quarto, já disse que você vai poder falar com o Percy amanhã.

Audrey empurrou a mãe e bateu na porta antes de se virar para abri-la.

― Me obrigue! ― Foi a última coisa que gritou antes de sair do apartamento, com Annabeth logo atrás.

― Audrey!

― Você mentiu pra mim esses anos todos! ― A garota apertava o botão do elevador, chorando, e gritava com a voz embargada. ― Você nem se importou como essa família que você inventou pra mim me afetava. Por que eu deveria me importar agora?

― Audrey, já é noite! Por favor, são só algumas horas.

― Não!

Annabeth respirou fundo e engoliu o próprio choro.

― Entra, por favor. Eu vou ligar pro Percy agora. Só não saia sozinha.

Audrey não disse uma palavra. Apenas deu meia volta, abraçando a si própria e retornou para o apartamento. Annabeth ficou no corredor, as mãos trêmulas tentando discar corretamente no celular. Ela não teve que esperar muito até que ele atendesse.

― Annabeth? ― Tinha um som de carros ao fundo. Pelo visto ele não tinha perdido a mania que ela tanto odiava de atender ao celular enquanto dirigia. ― O que foi?

― Apesar de não ser seguro atender ligações ao volante, que bom que está no carro. ― Ela não conseguiu conter uma nota amarga. Não admitiria, mas estava magoada com toda aquela situação. ― Apenas... venha pra cá. ― E desligou.

Ela se sentia mais cansada do que se sentia em anos. Entrou no apartamento, mas se sentou no hall de entrada, sem coragem de encarar a filha, que devia estar na sala. Começou em pensar em tudo que teria que fazer agora, as pessoas que deveria voltar a ver... Principalmente seu pai. O que diria a ele? Ouviu o interfone tocar na cozinha, e instantes depois o barulho parou. Logo depois, a voz hesitante de Audrey avisou que Percy estava subindo. Annabeth foi espera-lo no corredor, e não demorou para que as portas do elevador abrissem e ele saísse.

― Como você está? ― Ele perguntou após breve hesitação.

― Não se preocupe comigo. ― A mulher sorriu fracamente. ― Audrey está lá dentro, a porta está aberta. Vou dar privacidade pra vocês.

― Não precisa se expulsar de casa.

Annabeth deu um sorriso um pouco mais animado dessa vez.

― Você a procurou por muito tempo. Não tenha medo. Ela está esperando por você. Eu vou passar um tempo na sorveteria da esquina. Me liga quando estiver indo, mas não precisa ter pressa.

Ela deu um tapinha leve no braço dele e entrou no elevador. Percy acompanhou com o olhar até que as portas fechassem, se sentindo desconfortável. Ele ainda achava muito triste o fato de não conseguir mais confiar em alguém que fora tão importante pra ele. Porém, isso era um problema pra outra ocasião. Ele seguiu até a porta e a abriu hesitante, chamando:

― Audrey?

Notas finais
Então, gostaram? Deixem suas opiniões nas reviews! E meus queridos leitores fantasmas, anuciem sua presença! Eu gosto tanto de vocês, só quero a chance de poder gostar ainda mais! Então, no capítulo passado eu perguntei se vocês preferiam Jeyna ou Jasico. Como ninguém se manifestou contra Jasico, esse shipp lindo chegou pra ficar. *_* Besitos, e até a próxima!!