Missão Rank-S: Se Apaixonar Pelo Kazekage
7 O PASSEIO DIPLOMÁTICO
Local: Mirante das Dunas
Horário: Fim da tarde.
As sombras se arrastam pela areia como dedos antigos.
O céu parece em combustão, com tons de ouro derretido e sangue diluído no horizonte.
Gaivotas do deserto gritam lá em cima, como se estivessem contando segredos que ninguém entende — ou fingem não ouvir.
Akari sobe. Reclamando mentalmente, claro.
Foi chamada pra “verificar um ponto de risco”.
Mas até agora, o único risco foi perder o fôlego naquela subida miserável com areia entrando pela bota.
Ela chega ao topo. Suando, bufando, de óculos escuros e alma levemente irritada.
E lá está ele.
Gaara.
Parado.
Mãos para trás.
Olhar preso no horizonte como se o deserto estivesse contando pra ele todas as versões da verdade.
O Kazekage parece esculpido ali.
Silencioso. Inabalável.
Lindo de um jeito que dá raiva.
Akari (tirando os óculos e ofegando):
— Se isso for um código pra "palestra motivacional no topo da duna", eu juro que vou jogar areia no seu chá, Kazekage.
Gaara (sem desviar o olhar do infinito):
— Você trabalha demais.
Akari (virando o rosto, olhos semicerrados):
— E você fala pouco.
Gaara (agora olhando direto pra ela):
— O suficiente pra que me escutem.
Silêncio.
O vento sopra mais forte — como se quisesse chamar atenção também.
Partículas douradas dançam entre os dois, feito poeira mágica em cena de filme antigo.
Akari (mais suave, olhando o horizonte):
— É lindo aqui. Parece... intocado.
Gaara (voz baixa, mas firme, como areia escorrendo devagar):
— Nada aqui permanece intocado.
O deserto molda. Esculpe.
(E então, pausa. Longa. Cheia de peso. Cheia de intenção.)
Gaara (com os olhos cravados nela):
— Mas às vezes... aparece alguém que não se curva ao tempo.
Que desafia o molde.
Ela sente um arrepio.
Não é o vento.
É a forma como ele diz “alguém”.
Como se ela fosse um nome preso na garganta dele.
Akari (pensando, tentando não piscar):
"Ele não tá falando do deserto agora..."
Akari (tentando manter o sarcasmo como armadura):
— E essa pessoa… ganha uma vista privilegiada?
Gaara (direto, sem hesitar):
— Ganha meu respeito.
(E uma pausa.)
— E uma rota segura no mapa.
Ele estende um pequeno pergaminho selado com chakra.
Nada grandioso. Nada teatral.
Mas tudo nele é simbólico.
Gaara:
— Para quando quiser voltar... sem precisar pedir permissão.
Ela segura o pergaminho.
Mas o que pesa mais não é o objeto — é o que ele representa.
Uma chave silenciosa.
Um selo de confiança.
Um mapa que não aponta só um caminho… mas uma escolha.
E pela primeira vez naquela tarde em chamas,
ela não sente calor.
Sente outra coisa.
Talvez seja o início de um eclipse.
Talvez seja só ele.
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