Mirai Nikki The True Game - Interativa
35 Yuni Liannar
Notas iniciais
Ruas de Sakuyama
12:00 da noite
– Mais um se foi... O jogo está mais perto de terminar — disse Nikolai observando seu livro que informava a morte de um portador, olhou a casa que estava em frente — " A casa daquela garota " — pensou lembrando da garota desesperada que chorava pela mãe — " Kuroi era seu sobrenome eu acho " — logo olhou para o céu negro sem entrelas, lembrando do que lembrará naquele dia, sangue, balas e corpos, balançou a cabeça rapidamente tentando afastar tais pensamentos, sem sucesso, respirou fundo e olhou para frente, voltando a andar — " Saí para descançar um pouco, mas isso me pertubou mais ainda "
OoOoOoOoO
Um carro capotado, os vidros quebrados, as portas amassadas, algumas gotas de sangue escorrendo pelo vidro quebrado, uma boneca de pano jogada no chão também manchada com um pouco de sangue e um choro ensurdecente de uma criança, uma garota no chão se rastejando até o carro enquanto chorava, não conseguia se mexer direito, todo seu corpo doía, mas mesmo assim queria chegar até sua mãe que estava dentro do carro de olhos fechados e sangue saindo da cabeça, quando estava perto não conseguiu mais se mexer e desmaiou
– Foi assim que perdi meus pais — disse Yuni abrindo os olhos e encostada em uma parede quase inexistente, não era possível vê-la, mas pelo fato de conseguir encostar nela era possível saber que ela existia, estava tudo escuro, mas não muito, tinha uma luz em um certo ponto da onde queria que aquilo fosse, mas ela não estava abaixo dela, estava afastada, e lembrava de seu passado de olhos fechados — Essa é a minha mais antiga lembrança — informou fechando os olhos — Por estar sozinha sempre estive lutando por minha vida, procurando lugares para dormir, o que comer, o que beber e essas coisas, já dormi até ao ar livre, fiquei sem comer nos dias em que não tinha aula, sempre comi na escola já que não tenho condições para nada e pelo menos água... Nunca me faltou, água se acha em vários lugares, pelo menos isso — deu uma pausa em sua fala um pouco embargada — Minha família não era muito conhecida e onde aquele acidente aconteceu era um lugar quase deserto, um casal de idosos me achou jogada na rua e cuidaram de mim e de meus ferimentos, mas... Eles não tinham muito tempo de vida, em um mês com eles, os vi morrer acho que era ataque cardíaco não sei bem, fiquei tão assustada que saí correndo e só voltei dois anos depois, a casa tinha um odor horrível, por conta de seus corpos já se decompondo, peguei alguns documentos e consegui, por algum milagre, fazer minha matrícula em uma escola com apenas 7 anos — parou de falar e abriu os olhos olhando a luz daquele lugar ouviu uma voz grave
– Apenas bonecos, minha vontade — e tudo ficou em silêncio
– Bonecos? O que quer dizer? — perguntou a garota, esperou alguns minutos e quando ia voltar a falar uma voz infantil, mas séria foi ouvida
– Nada, nada, pode continuar
– Apartir disto comecei a procurar lugares para viver, nunca fiquei em um lugar fixo e isso era cansativo, muito cansativo, mas apartir de minhas caminhadas pelas ruas de Sakuyama vi coisas, muitas coisas, mas comecei a reparar nas que mais me chamavam a atenção, e elas eram o que eu queria ter... Com todas as minhas forças, sentir na pele o significado de amor e carinho e nada mais, via mães com seus filhos brincando em parques e praças, ficava feliz por eles, mas era doloroso para mim ficar só assistindo, como uma telespectadora, queria sentir aquilo também, mas não tinha niguém que podesse me dar pelo menos um pouco, não tive uma família por muito tempo, meus pais não tinham irmãos, então não tinha tio ou primos a quem recorrer, quando nasci meus avós já estavam mortos, então estava sozinha, completamente só, e como eu disse antes... Vi muitas coisas, o que fez eu me tornar uma pessoa um tanto fria, realmente não estava me importando em matar aquela mulher, mas acabei pensando impulsivamente, mesmo fria minha cabeça é quente digamos assim e por isso ao invés de pensar em algo melhor, prefiri fazer algo rápido, talvez se eu tivesse esperado mais um pouco, quem sabe eu teria ganho aquela luta
– Talvez... Quem sabe não é? — falou a voz infantil meio duvidosa
– Consegui um celular roubando de um cidadão na rua, ele estava distraído conversando com um amigo, acho que tinha acabado de comprar, peguei a sacola que tinha o aparelho e saí correndo, mas a sacola fez barulho e ele me ouviu, saiu correndo atrás de mim junto ao amigo, tentando me fazer parar me xingaram de vários nomes, tacaram pedras, mas mesmo assim, não parei, eu queria muito aquilo, via todos com um e queria saber como era, invadi uma casa e o coloquei para carregar, quando comecei a mexer acabou sendo algo... Mágico, nunca tinha mexido em um antes, mas depois aquela magia havia se perdido, talvez eu... Tivesse enjoado, era sempre a mesma coisa, quando já sabemos de algo esse algo acaba ficando chato e acabamos por procurar novas coisas, mas eu não tinha como fazer isso... Não tinha nada — parou de falar para tomar folêgo
– Como se sentiu ao ter um diário do futuro? — perguntou a voz
– Me senti muito bem, esperançosa até, saber que com isso eu poderia ter o que sempre desejei ou melhor, fazer com que crianças assim como eu pudessem sentir o mesmo, com tal poder eu... Iria reconstruir o mundo — respondeu sorrindo — Mas, agora isso é impossível, já estou morta e perdi o jogo
– Será mesmo? — perguntou a voz
– O que quer dizer com isso? — perguntou Yuni
– Nada, nada — respondeu cantarolando como se um sino estivesse tocando — Terminamos por aqui, bye
A visão da garota começou a escurecer e antes de qualquer coisa, caiu. Em segundos se sentiu molhada e deitada em algo gelado e duro, olhou ao redor e viu uma luz fluorescente iluminando um pouco, sentiu um pano atrás de si e uma camara a sua frente com o vidro quebrado, tinha um nome nele, mas antes que pudesse ler, em um piscar de olhos estava no salão de Deus Ex-Machima
– Onde estou? — perguntou
– Sempre as mesmas perguntas — falou Miku-Miku revirando os olhos — Onde estou? — repetiu a pergunta sarcastica
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