Notas iniciais
Quero agradecer e dedicar este capítulo á "Jana" e "Pequena Tigresa" pelas primeiras recomendações, vocês são incríveis e agradeço pelo carinho à história imensamente. Muito obrigada mesmo, de coração!

6. Nossas fraquezas

Astrid P.O.V

Uma ótima noite de sono, realmente boa fora até eu sentir a luz do sol no meu rosto de repente, quanta claridade para tanta preguiça...

— Hora de levantar – Cantarola Temp abrindo as cortinas.

— Já vou... Mais dois minutinhos...

Então o alarme toca, aquele som detestável.

Me sentei na cama e desliguei o despertador querendo o jogar pela janela.

— Bom dia Tempestade.

A dragoazinha sorriu enquanto brincava com um de seus brinquedos favoritos em cima da cabeceira, Temp adorava brincar, parecia uma criança com a diferença de milênios de idade.

— Bom dia, Astrid!

Suspirei antes de levantar da cama e ir me aprontar. Sem detalhes. Quando fiquei pronta peguei minha bolsa e Tempestade entrou nela se conectando no jornal daquela manhã assim ela saberia se precisassem de nós, ela também tinha uma obsessão por vídeos de pássaros na internet que eu não entendia...

— Está vendo só? – Tempestade colocou só sua cabeça para fora. – Você não tá atrasada hoje! Tudo é possível.

Revirei os olhos para ela.

— Entrei na rotina. – Disse sorrindo – Na rotina de cinco alarmes, detesto lutar contra Nanodragões a noite toda.

Desci as escadas do meu quarto aparecendo na cozinha, onde encontrei minha tia Anne fazendo algo no fogão.

— Bom dia, Tia Anne.

— Bom dia, Astrid.

— Cadê o tio Finn? – Perguntei ao pegar a jarra de café e servindo as xícaras enquanto ela terminava de arrumar a mesa.

— Ele saiu cedo – Respondeu Anne.

— Ah.

Conversamos durante o café, o cheiro de pães frescos era tão intenso que eu juro que era possível vê-lo pela casa encantando tanto ao olfato quanto ao paladar. Adorava falar com Anne, era uma mulher incrível que dirigia um ateliê de costuras um pouco famoso no centro da cidade na avenida Black Bird, embora as roupas que ela me presenteava fossem do estilo “patricinha de Beverly Hills” ainda eram confortáveis, embora não sejam meu estilo.

Anne tinha cabelos curtos num tom ruivo claro com uma mecha platinada, sua pele era tão rosada quanto glacê e, apesar da idade, era tão determinada quanto eu quando queria alguma coisa, espero realmente ter puxado isso dela. Ela tinha quadris gordinhos que a faziam bater em tudo enquanto cozinhava, eu morria de rir quando a assistia preparar o almoço e nós duas fazíamos piada disso.

— Vou indo, tia. – Beijei sua bochecha pegando minha bolsa.

— Você tem aula de balé hoje?

Parei de andar e me virei para ela.

— Ah, tenho sim – Menti outra vez. – Mas não precisa se preocupar. Já lhe disse que vou bem sozinha e que na volta a professora me dará uma carona.

— Tudo bem, querida. Era só pra saber. – Ela sorriu tranquilizadora.

— Tudo bem. Até mais tarde! – Retribui o sorriso e fechei a porta.

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As aulas se passaram no ritmo mais lento que você possa imaginar, sou boa em uma porção de matérias, mas algumas de cálculo me deixavam louca. Aplicar o cálculo em algo como ângulo de voo? Moleza, já havia tirado uma nota boa num teste surpresa por causa disso; Quer saber o lançamento de algo na atmosfera? Tudo bem, faço isso todo dia (embora eu deseje fazer isso realmente com meu despertador); Agora, se você quiser saber a massa do sol com base no peso de um gato, não cone comigo.

Nunca fiquei tão feliz ao ouvir um toque na minha vida, eu estava faminta e precisava realmente comer algo até que minha única amiga, Heather, a repórter mais eficiente desse mundo, insistiu que eu conhecesse alguém.

— Vamos lá Astrid!
— Por que você quer tanto isso?

Estávamos sentadas num banco conversando pois já tínhamos acabado de comer.
— Sei lá! Você precisa conhecer gente nova. E pra você não reclamar que segurou vela quando eu estiver com o Asgard.
— Segurar vela? Heather, eu não sou desse tipo, não estou desesperada por ninguém, mas minha tia está louca para que eu conheça gente nova então eu vou aceitar um novo amigo. Quem é?
— Ele é um amigo do Asgard e é bem educado. — Respondeu ela.
— Qual é o nome dele?
— Soluço Haddock.
— Soluço? — Olhei estranho para ela.
Não era a primeira pessoa que eu ouvi falar que tem um nome estranho.
— Não sei se você já percebeu, mas algumas pessoas dessa cidade têm nomes... diferentes.
— Certo — Então mudei de assunto — E como vai o seu blog?
Vi os olhos de Heather brilharem, ela adora falar sobre seu blog. Seu sonho de ser jornalista, e ela já está indo pelo caminho certo.
— Maravilhoso! — Exclamou — A cada dia o público aumenta, não que seja muito, mas pra mim é ótimo!
Sorri para sua animação.
— Já tem planos para a próxima matéria?
— Apenas o melhor plano de todos — Ela ergueu os braços simbolizando o titulo – Miraculous blog entrevista Fúria da Noite e Nadder Mortal!
Parei por um momento. Eu, a Nadder Mortal, detesto a imprensa, não as pessoas obviamente, mas os flashes. Os olhos da Nadder Mortal são feridos pela luz dos flashes e ela acaba ficando temporariamente cega e eles pareceram não notar isso desde a primeira vez que me vira então eu tenho de me esconder deles.
Por sorte, Heather não percebeu e consegui disfarçar antes que ela pudesse, e entrei na onda.
— E como pretende isso? Esses dois não dão as caras para ninguém da impressa.

Porque eu ficaria cega, minha querida.

— Ainda não sei — Admitiu Heather. — Mas desse jeito é mais emocionante.
Então bateu o sinal para a próxima aula. Heather e eu nos levantamos e voltamos para a sala.
— Qual a próxima aula? — Perguntei como nos sentamos em nossos lugares.
— Física. — Respondeu Heather.
— Ah não...

Nos dirigimos as salas, eu estava praticamente me arrastando para sala, os dias seriam tão monótonos e entediantes sem a Nadder Mortal.

Não evito sorrir.

Talvez realmente exista uma razão para escolherem a dedo os protetores da humanidade, mas uma garota entediada? Isso me soa engraçado, tão inacreditável... Mas tão libertador pra mim. O que seria de mim sem a Nadder? Nunca teria conhecido meu melhor amigo (nunca mais vou admitir isso de novo), Fury, aquele cabeça de melão ou sequer ter enfrentado o meu medo de voar desde o acidente dos meus pais, poderia até não ser tão chegada a Heather quanto eu sou...

O professor adentra a sala.

— Força, Astrid! – Ouço o murmuro da torcida de Temp de dentro da minha bolsa, ela sacudia pompons feitos de papel pecado e fita adesiva.

— Oh, Temp – Ri baixinho.

— Bom dia, classe – Diz o professor – Continuemos nosso assunto de Hidrostática?

A torcidinha da Tempestade foi boa o suficiente para que eu não fechasse a cara e me esforcei para tentar aprender o máximo que eu conseguisse, mas no fim eu realmente espero ter aprendido o suficiente para ficar na média.

Suspiro indo para a próxima aula, Filosofia, tínhamos de nos apressar para pegar nosso lugar favorito, eu e Heather somos possessivas como gatos de estimação e suas camas quentinhas, lembro-me do dia que arremessamos nossas bolsas para que Melequento e seus amigos não sentassem lá. Heather adora mencionar o quão habilidoso foi aquela manobra.

Senti o chão tremer e uma figura assombrosa adentrou a escola, todos estavam curiosos, eu e Heather já tínhamos nossas suspeitas do que aquilo poderia ser e não era nada bom.

— MELEQUENTO... – ele chama – SAIA PARA BRINCAR...

Não sei quem era, mas o Nanodragão estava no lugar mais óbvio, a testa, eu realmente estava preocupada com uma fraqueza tão exposta assim. Drago pode ter caprichado nesse.

Ele vestia um terno branco com algumas coisas escritas numa caligrafia de dar inveja, mas seu corpo não era elegante como as vestes, pois ele era, literalmente, um lobo; cinzento, com dentes tão afiados que serviriam de agulha no ateliê da minha tia sem problemas. Precisava sair dali, nem me preocupei com Heather, ela já havia desaparecido para filmar tudo para o seu blog.

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— Agora só falta a Nadder Mortal. – Disse Encyclopedium ao Fúria da Noite amarrado a sua frente.

— Falando de mim? – Perguntei.

No pouco tempo que levei para me transformar, Fúria da Noite o levara para a estação metrô abandonado em “West Cane”, a policia já estava lá fora levando as pessoas para suas casas em segurança.

Pulei do trem, onde estava, e planei até pousar ao lado do Fúria da Noite desamarrando-o com um dos espinhos da minha cauda.

— Bom te ver m’lady. – Disse Fúria.

— Nessas circunstâncias não posso lhe dizer o mesmo. – Disse sinalizando ao Encyclopedium.

— Podemos começar ou vocês vão continuar flertando um com o outro? – Perguntou Encyclopedium cruzando os braços.

— Bem... quanto antes começarmos antes terminaremos. – Fúria deu de ombros e atacou o lobo.

Encyclopedium facilmente desviou de seu ataque, fazendo Fúria da noite passar reto por ele, e jogou algo em suas asas. Assim que sentiu algo nas asas, Fúria olhou para elas e tentou mexê-las, mas assim que uma encostou na outra, as duas grudaram juntas.

— Mas que...

Ao atacar um dragão escolha as asas e os rabos, se eles não podem voas, bem, não podem fugir— Explicou Encyclopedium sorrindo – E não sai com água.

Notei que a informação sobre dragões que ele mencionara começara a se escrever em seu terno como se o tecido fosse um bloco de anotações. Interessante, ele parece entender do assunto... Estou mais preocupada.

Tentei aproveitar a pequenina distração para atacar, puxei um espinho da minha cauda o posicionando no meu arco e atirei nele, mas Encyclopedium parecia estar esperando por isso. Ele segurou a flecha com aquela pata grande e peluda sorrindo para mim, um sorriso cheio de dentes, dentes afiados enormes...

— Nadders... tão previsíveis.

Pensei rápido, as flechas não iriam adiantar no momento então parti para o combate corpo a corpo. Estava próxima a ele, quando uma luz muito forte foi posta a minha frente me cegando. Parei de correr na hora e tentei tampar com as mãos piscando repetidamente. Já disse que luzes assim ferem muito os meus olhos? Bem, provavelmente Encyclopedium está com uma lanterna ou holofote apontado para os meus olhos. E isso dói muito, acredite é como ser forçado a encarar o céu claro por horas e a dor vem toda de uma vez junto com uma cegueira.

Nadders Mortais são tão sensíveis a luz quanto insetos à eletricidade, a mínima concentração não natural em seus olhos pode acabar com sua visão por tempo indeterminado dependendo de quanta luz você o expõe.

“É tão interessante saber de tudo isso, meu jovem e talentoso aliado” A voz de Drago ecoa no ar.

— Argh! – A luz aumentou, senti meus caninos aumentarem no lado mais selvagem de dragão, minhas pupilas finas com as de um gato diminuíram ainda mais.

— Ei! – Fúria da Noite gritou. Então ouvi um som de trombada e a luz desfocou de mim – Não mecha com a lady, por favor, você não seria tão grosso. Honre o terno que veste!

Demorou um tempo, mas minha visão voltou ao normal e nesse tempo pude ouvir os sons da luta entre Encyclopedium e Fúria. Quando pude enxergar de novo, vi o lobo literalmente espancando o Fúria da Noite. Fúria é ágil, mas suas asas o ajudavam a planar e o davam uma ajudinha na hora de se defender e como estas estavam “coladas” entre si, era difícil para ele... se defender tão sozinho, quero dizer, eu não queria que ele tivesse de fazer isso só...

Corri até eles e soquei Encyclopedium com força bem naquele focinho ridículo, fazendo com que ele tropeçasse para o lado. Fúria estava ajoelhado no chão respirando pesado e com um corte na cabeça que sangrava.

— Eu realmente preciso te ensinar a lutar logo. – Comentei oferecendo uma mão a ele.

— Isso seria bem vindo. – Ele aceitou minha ajuda e se levantou, só a tempo de me puxar para baixo, desviando de um dos carros da polícia que Encyclopedium jogara em nós.

— Qual é! – Exclamei me virando para encara-lo. Mas Fúria me impediu de virar segurando meu rosto com ambas as mãos contra seu peito e uma luz extremamente forte foi acesa em minhas costas. – Dá onde ele tira esses holofotes?!

— Espere um pouco – Fúria correu em direção a luz, meio mancando por causa dos ferimentos que Encyclopedium lhe fizera, me deixando lá só podendo esperar que aquela luz se apagasse... E ela apagou, logo em seguida de um som de vidro quebrando.

Virei-me para ver o que tinha acontecido e vi o holofote portátil quebrado em milhares de pedacinhos e Fúria da Noite desviando dos dentes do lobo com sua espada, pelo menos tentando.

— Uma ajudinha? – Fúria pediu quando Thor lhe acertou um chute em sua perna, fazendo-o cair.

Corri até Encyclopedium e começamos um mano a mano eu desviava de suas dentadas aplicando os golpes que aprendera, talvez se eu o deixasse inconsciente... Espero que todo o treinamento pesado tenha valido a pena.

O Lobo se pôs em quatro patas avançando com a boca espumando, saltei sobre ele e aterrissei de joelhos tirando uma flecha de espinhos da minha cauda, mas não fora eficiente, pois ele a mordeu e me jogou contra o metrô.

— Argh! – Quando vi ele estava indo bem na direção de Fury e eu não iria deixa encostar um dedo nele.

Me aproximei silenciosamente enquanto eles dialogavam, minha cauda estava preparada. Pequei um dos espinhos longos, subi em suas costas e pus contra sua garganta. Encyclopedium tentou lutar, mas eu o pressionava mais e mais forte, não iria matá-lo obviamente, mas ele acabou caindo para trás e quem sofreu com o peso dele fui eu.

— Nad!

Um lobo macho adulto pesa, no máximo, 80 quilos, mas como aquele tinha o tamanho de um humano, quase como um lobisomem, eu sofri bem mais. Não conseguia me mexer, só conseguia ouvir os gritos de Fury do lado de fora, a minha sorte fora que eu conseguira me posicionar (mesmo sendo esmagada) os meus pés no chão, eu não vou morrer assim.

Usei toda a força dos meus braços para levantar aquela coisa e eu sei o que está pensando: “Ser metade dragão não aumenta sua força?” Bem, a resposta é não, mas ganhamos resistência a peso, ou seja, seria difícil eu morrer esmagada por algo que esmagaria um humano comum.

Estava de joelhos no chão , conseguira levantar o lobo até as minhas costas, porém seu peso diminuiu quando Fury foi para debaixo do Encyclopedium junto comigo, mesmo sabendo os riscos de ser esmagado também e começou a erguê-lo comigo. O jogamos para longe e senti a circulação dos meus braços morrer, mas isso era devido ao abraço que Fury estava me dando.

— Quer me matar do coração?

Corei.

Ele me soltou sem graça e procuramos o Nano Dragão no corpo daquela criatura.

— Peguei! – Exclamei apontando para o dragãozinho.

Fúria sorriu para mim e assentiu.

— Suas fraquezas estão sendo expostas, tolos! – Mumurava Encyclopedium – Drago sabe muito mais de onde veio essas... Graças a mim, criaturas ridículas!

Encyclopedium começou a se debater e tentar me tirar de suas costas com as mãos, aproveitei para agarrar uma delas e torcer seu braço forçando-o a cair no chão. Fúria da Noite rapidamente pegou sua espada e fez os gestos para a “explosão de plasma” que libertou o Nano dragão e concertou os estragos, incluindo nossos ferimentos.

— Hãm? O que aconteceu? – Perguntou Perna de Peixe de volta ao normal.

Pois é, mais uma missão cumprida. Mas o que me incomoda, é que elas estão cada vez mais difíceis.

De qualquer jeito eu preciso parar de me preocupar e me concentrar em obter algumas respostas sobre nossos Miraculous, porém não exatamente agora, o dia está quase no fim e eu realmente preciso socar alguma coisa.

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Soluço P.O.V

Entrei no meu quarto exausto e dolorido. Hoje foi um dia duro como pedra.

— Que dia. – Murmurei cansado.

Joguei minha mochila na cama e Banguela saiu da gola de minha camisa.

— Cadê o sushi? – Perguntou esfomeado.

— Em cima da mesa.

Banguela voou rápido para a mesa e comeu vários sushis de uma vez só. Mas não prestei atenção nele. Pensei em como os pontos fracos do Fúria da Noite e da Nadder Mortal estão interferindo cada vez mais nas missões, Drago já deve saber desses pontos fracos. Isso é o que mais me preocupa.

Suspirei e me encaminhei para meu laboratório, com Banguela me seguindo com certa dificuldade carregando vários sushis. Talvez lá, eu conseguiria ter alguma ideia.

Notas finais
A parte boa e envolvente já está chegando, tenham apenas um pouquinho de paciência, próximo capítulo vai prometer bastante, por isso vai demorar um pouquinho. Por favor, não desistam da história, o melhor está por vir e aqui vai uma dica: O livro dos Dragões. Bjs! Próximo capítulo: 07/05