Notas iniciais
CAN YOU FEEL THE LOVE TONIGHT?

7. A garota que me tirou o fôlego

— Você tem realmente certeza de que isso é uma boa ideia?

— Absoluta – Pego uma das chaves de fenda largadas no chão – Isso vai nos ajudar bastante nas próximas missões.

— Absoluta absolutíssima? Você está aí há horas...

— Por que tanta preocupação de repente, Banguela? – Pergunto.

— BANGUELA SE PREOCUPA COM CABEÇA DE PEIXE, MAS DO JEITO DE BANGUELA, RAIOS!

Não posso evitar rir de um dragão gritando “RAIOS” comigo como se fosse uma expressão totalmente atual. Desde que eu começara com uma boa ideia, ele não para de fazer perguntas, mas realmente sobre o que ele quer dizer, são apenas algumas melhoras, não é?

Sento no chão bagunçado limpando a graxa do meu rosto.

— Por que você está tão preocupado então, Banguela? Vai poder como qualquer dragão quando eu acabar, isso não te soa bom?

Banguela vira cara, ele odiava falar sobre isso, mas veio andando o mais rápido que suas quatro patas podiam até sentar-se sobre a minha perna. Acariciei sua cabeça enquanto observava a bagunça no meu laboratório, quase não tinha tempo de arrumar aquilo, chegava a ser uma vergonha.

— O dia está tão bonito, por que não saímos para dar uma volta? Eu quase não conheço nada da Berk desses tempos...

Suspiro.

— Tudo bem, vamos dar uma volta, amigão.

Saímos do laboratório, tomo um banho rápido e arrumo algumas coisas para podermos sair sem emergências. Minha casa estava tão silenciosa, sempre ficava assim no fim de semana, meu pai saíra com alguns amigos do trabalho e agora, no final da tarde, era a típica folga de Nicole. Sua substituta mal falava comigo, tanto ela quanto o motorista do fim de semana também, mas preferi sair pelos fundos e ir a pé, pois o clima estava agradável.

— Não vamos passear de carro? – Banguela parecia decepcionado.

— O melhor de Berk fica nas ruas, notei bastante isso enquanto lutávamos contra Drago... Posso nunca ter saído a pé, mas conheço esse lugar com a palma da minha mão agora mais do que nunca.

Havia um cinema que eu e Banguela gostávamos, o dragão adorava soltar seus comentários sobre a humanidade no escuro do cinema, admito que alguns eram engraçados e que quase fomos expulsos uma vez pelas risadas.

Não havia nada de que gostássemos no cinema, mas encontrei Heather passeando na Avenida “Black Bird” (um fato divertido sobre essa avenida: toda vez que passávamos por lá tínhamos de assobiar uma melodia), ela estava parecia esperar alguém então decidi cumprimentá-la.

— Olha só quem eu encontrei em pleno ar livre! – Heather ri – Se não é uma das múmias do museu!

— Olha quem fala – Trocamos um “toca aqui” – Se eu não fosse tão legal comentaria sobre uma seguidora campeã de certos heróis.

— Não confunda trabalho com socialização, Soluço.

Já havia anoitecido, estávamos numa praça em frente ao hotel onde havíamos lutado contra Skelenton, suas luzes eram esplêndidas algumas coloridas no topo destacando as estrelas, mas as luzes daqui debaixo eram bem aconchegantes, pois além dos postes, havia luzinhas decorando tudo, como se fosse natal mais cedo. Havia também as pessoas que vendia comida pelas ruas em suas bicicletas, normalmente eles ganhavam bastante dinheiro fazendo aquilo que gostavam, as crianças adoravam principalmente o carro das Palletas.

— Então o que está fazendo por aqui? Veio com Asgard?

— Também, ele e a... Oh meu Deus! – Ela faz uma pausa animada – A Astrid! Finalmente vou poder apresentar vocês dois, aleluia! Fique bem aí se não eu arranco seu pescoço.

Ela sai correndo desesperada para o outro lado da praça numa fila, talvez ela estivesse esperando que comprassem algo...

— Por que estamos aqui parados? – Banguela põe a cabeça para fora da minha bolsa.

— Você realmente não ouviu os gritos da Heather, Banguela?

— Eu a percebi me surdando, isso sim.

— Apenas fique aí dentro, não vai demorar muito – Lhe dou uma peça de sushi.

A última coisa que escuto de Banguela é uma pequena comemoraçãozinha com um “oba!”. Eu realmente não estou com muita vontade de ficar em pé aqui, talvez eu só devesse avisá-la para deixar para outro dia, Banguela estava realmente com vontade de brincar no parque e, já que ele ficou enfurnado dentro de casa comigo o dia inteiro, ele merecia uma recompensa. Acho que até eu estou precisando.

Então, de repente, uma chuva forte começou e eu nem sequer havia notado que estava nublado naquela noite. Minha sorte foi que pude me abrigar na porta da doceria que tinha a calçada coberta, algumas pessoas se abrigavam da forte chuva pegando suas crianças e os vendedores faziam uma bagunça engraçada.

— Enchente! Use os livros como bote, Banguela! – Exclamou o dragão de dentro da minha bolsa – Oh não, capitão Jack! Estamos perdidos nessa tempestade, alguém chame a Rainha do Gelo, let it GO!

Ri sem conseguir disfarçar.

— Quietinho, Banguela – Digo ainda rindo – Vão ouvir você.

Enfio outra peça de sushi na sua boca e ele tentou falar algo de boca cheia que eu não compreendi.

Continuei a observar as pessoas correndo pra lá e pra cá, pois aquela chuva estava realmente forte, logo cairiam trovoadas.

Dentre as pessoas, uma em especial correu em frente à loja onde eu me abrigava, porém ela quase caiu ao correr na calçada lisa se eu não a segurasse por um impulso a trazendo para a porta segurando seus braços para perto de mim, a garota tirou o capuz e seus olhos brilhantes me encararam. Ela tinha cabelos loiros vivos com gotas de chuva presos apenas por uma headband, sua pele molhada parecia feita de doce sendo levemente rosada como confeito. E aqueles grandes olhos azuis encaravam os meus com surpresa em meio a sua respiração ofegante.

A garota segurava meus ombros desde a hora que a segurei pela jaqueta preta que vestia sobre sua blusa azul. Ela levantou uma sobrancelha sorrindo.

— Bons reflexos! – ela elogiou – Obrigada.

— Disponha.

Estávamos prestes a nos soltarmos quando um trovão iluminou o céu, meu coração estava batendo forte no peito, nos assustamos num pulo, mas acabamos por rir depois.

— Astrid – Ela me solta ainda rindo e estica a mão sendo a primeira pessoa que usara isso como cumprimento desde que comecei a socializar e não o típico “toca aqui”.

— Então você é que é a Astrid de quem tanto me falam?

— Deixe-me adivinhar: Soluço Haddock, não é?

Confirmo com a cabeça a cumprimentando.

— Bom, finalmente eles vão sair do nosso pé – Astrid dá de ombros pondo as mãos nos quadris – Devem ter aproveitado a chuva para ficarem juntos...

-Mesmo conhecendo Asgard há pouco tempo posso confirmar isso.

Ficamos observando a chuva um tempo, não notei que ambos estávamos molhados, provavelmente ela havia me molhado, mas não importa de qualquer jeito agora. A fitei por um momento retomando o fôlego, como eu nunca havia a visto antes? Ela sem duvida me parecia familiar, mas não da escola... Talvez todo esse trabalho esteja me deixando louco.

— Ora, ora, olha quem encontramos aqui? – A voz de Asgard interrompe meus pensamentos.

— Eu que queria apresentar vocês dois! – Disse Heather desiludida – Ora, vamos entrando.

Os dois nos puxam para dentro da doceria e escolhemos uma mesa perto da vitrine para observar a chuva enquanto conversávamos e até que tivemos um bom tempo juntos, Astrid era divertida, mudara para cidade agora e, assim como eu, não conhecia muita gente e podemos falar bastante enquanto Heather falava das atualizações do blog para Asgard.

No final, queria agradecer a Banguela por ter me tirado de casa um pouco para ter um tempo legal com meus... bem, amigos, não é?

Mal vimos as horas passarem até Astrid receber uma ligação da tia preocupada com as horas, eu a acompanhei até em casa, ela não morava muito perto e casa, mas morava perto da escola e depois pude pedir um táxi para voltar para casa. Fora engraçado ouvi-la narrando o quanto é ruim em Física e quanto isso é inútil enquanto eu sou até bom nisso ou a desagradável conversa sobre Melequento e eu na infância onde ela pode inventar cinquenta mil apelidos para mim (secretamente gostei de todos, eram criativos admito).

Banguela aproveitou a volta de táxi até em casa observando a chuva calmamente enquanto eu acariciava sua cabeça meio sonolento, estava exausto e cheio de doce na barriga. Meu pai estaria uma fera ou ainda não chegara em casa, qualquer um dos dois não estava bom por enquanto, mas, desde que eu pudesse cair no sono na minha cama quentinha com Banguela, estava tudo bem.

***

Deixe-me definir Melequento com apenas uma só: Idiota.

Ele costumava ser uma boa pessoa, mas eu não sei o que deu nele desde que nos afastamos por conta de... bem, isso história para outra dia, mas a questão é que como alguém poderia ser tão ruim assim?

Não podia se contentar em atrair dois Nano dragões para Perna de Peixe e Ametista, ele também estava dando em cima de qualquer garota que se mostrasse “ao nível dele”, Heather se defende muito bem contra as cantadas dele e ainda com o namorado para provocá-lo poderia ser divertido vê-lo sendo rejeitado quando merecia, mas ele estava cada vez se rebaixando.

— Vamos lá, Astrid. Eu e vamos acabar juntos, gata. Eu sou o capitão do time de basquete, futebol, vôlei e de diversos outros esportes, sou o mais descolado, mais bonito, charmoso e engraçado aqui. Quem melhor que eu?

Astrid bufa.

— Melequento, pela milésima vez, não estou procurando nada disso. Por favor, respeite meu espaço – Ela não o olha, apenas continua a escolher uma música em seu telefone segurando seus fones de ouvido.

Mas daí ele ultrapassou a zona pessoal dela, levantando seu queixo a fazendo olhar para ela bem de perto. Eu mesmo o teria interrompido, se um garoto da série anterior não tivesse o feito.

— D-deixa... ela em paz, Melequento – Ele disse nervoso juntando toda coragem que podia.

Melequento o empurra para o outro lado do pátio, os amigos o ajudaram a levantar, mas parece que ele tinha batido a cabeça feio e Astrid não gostou nada disso, ela levantou-se não se importando nem com o telefone que acabou levando um queda e aplicou um golpe contra Melequento que o prendeu no chão com o braço nas costas.

Todos estavam boquiabertos, ela era mais forte do que aparentava.

— Escute aqui, eu não ligo se você mexer comigo, mas isso não te dá o direito de agredir ninguém está ouvindo, seu jogadorzinho barato? – Astrid disse num tom que só os próximos ouviram – Agora, eu vou me levantar e fingir que isso não aconteceu, já está avisado. Na próxima, eu não vou estar de bom humor, está bem?

Ela o levantou e sentou-se novamente conosco um pouco vermelha, eu lhe entrego o telefone que havia pegado do chão.

— Obrigada – Ela diz irritadinha com o que havia acontecido.

— Wow, onde você aprendeu a fazer aquilo, Astrid? Aquilo é coisa de níveis avançados! – Elogia Asgard.

Desta vez ela estava vermelha de vergonha.

— Oh, aquilo? Perdão, eu me descontrolo com esse tipo de coisa, às vezes...

— Digamos que ele mereceu – Heather segura seus ombros em sinal de apoio.

Justiceira? Quem diria?

***

Gustav rosnou.

— Por o Melequento sempre fica com a garota? Isso não é justo! Se eu fosse ele... se eu pudesse ter a sorte que ele tem... – O garoto se pôs a chorar – Por que eu não sou nada? Por que eu sou tão insignificante?

“Você não é insignificante para mim, meu garoto...”

Notas finais
Postei antes da data mesmo, o negocio aqui é loko. Mentira, fiquei com dó de vocês por terem que esperar tanto, mas finalmente o roteiro está quase lá,porém os capítulos reservas estão acabando. Preciso escrever mais! TEM CAPÍTULO AMANHÁ (Dá pra ver que eu me torturo muito, eu já tenho pouco capítulo e ainda vou postar mais um... Me odeio)