Notas iniciais
Obrigada pelo carinho nos comentários, estou muito feliz, embora sinta que não estou caprichando o suficiente para vocês. Mas prometo melhorar!

Debaixo da máscara

O estúdio de Heather era na garagem de sua casa. Era simples, porém caprichado com certo investimento.

As paredes eram vermelho vinho com pinturas realmente incríveis, além de sua mesa de trabalho com um equipamento bom para uma simples adolescente no colegial desde caixas de som com qualidade a computadores. Havia um canto com poltronas onde as luzes focavam e Asgard esperava verificando a câmera, mas ele a deixou completamente de lado para nos observar.

— Eles são mesmos reais... – Ele sussurrou (audição de dragão já é outra história).
— Não é grande coisa, mas é meu cantinho — Disse Heather sinalizando para mim e para Nad nos sentarmos nas poltronas.

Ela pediu licença para dar uma checada em tudo antes de começarmos, olhei para Nad, ela parecia muito desconfortável. Seus olhos estavam cerrados e as pupilas finas como as de um animal selvagem.

— Está tudo bem? – Pergunto tocando em seu braço.

— Não... consigo enxergar, a luz... está bem no meu rosto – Nadder Mortal cobriu os olhos com as presas afiando-se em seus lábios rosados, parecia um dragãozinho assustado e irritado.

— Ah, venha pra cá, eu troco de lugar com você.

— Podemos começar? — Asgard nos interrompe – São apenas perguntas e respostas, sem mistérios, estamos mais nervosos por terem vocês aqui... Inclusive, muito obrigado por tudo o que vocês andam fazendo por nós.

Eu e Nad sorrimos e lhe dou um sinal positivo com o dedão.
— Pode começar, Asgard.
— Gravando! – Ele responde.
— Olá acompanhantes do Miraculous blog, adivinhem quem está aqui comigo? Após muito tempo de rumores e teorias (e muita correria desta jovem repórter) — Heather sinalizou a gente com a mão — Fúria da Noite e Nadder Mortal vão responder ás nossas perguntas numa entrevista exclusiva.
Eu e Nad acenamos para a câmera, eu particularmente, estava nervoso.
— Podemos ir para as perguntas? — Heather perguntou com aquele sorriso desafiador.

— Não sabemos muito sobre vocês dois, devem saber que existem várias teorias sobre de onde surgiram seus poderes e etc. O que muitos de nós queremos saber é: O que são vocês exatamente? Quer dizer, vimos um menino dragão e sua parceira sombra misteriosa durante todo o verão em esboços, mas...

— Nossos poderes têm origens complicadas, mas realmente nos tornamos uma espécie de híbridos quando precisam da nossa ajuda. Somos duas espécies de dragão bem diferentes – Respondo me lembrando do que Banguela me dizia.

— Isso explica a aparência... Inclusive, belas orelhas Nadder – Elogia Heather.

Nad sorri mexendo as orelhas pontudas, todo mundo fica meio surpreso por ela saber fazer isso. Mas ela ficava uma fofa...

— Isso é estranhamente fofo – Heather ri – Então, há rumores de que vocês andam evitando a imprensa, eu pessoalmente tenho a impressão que você ainda mais Nadder, chegaram a duvidar de sua existência no começo...

— Oh, os flashes das câmeras ferem meus olhos — Disse Nad com o olhar baixo para as luzes do estúdio que começaram a diminuir imediatamente e ela conseguiu olhar para a repórter vitoriosamente – Minha espécie de dragão tem certa sensibilidade á concentração de luzes.
— Ninguém é perfeito — Comentou Heather claramente surpresa – E quanto a você, Fúria? Percebe-se que não voa muito bem...

— Prefiro não falar nisso – Realmente não sei se fora eu ou Banguela que dissera isso.
Nadder deu de ombros com um sorriso para que ela compreendesse.
— Não tem problema — Heather continuou. – Mas e essas pessoas que se tornam vilões? Dizem que não se lembram de nada do que fizeram. Vocês sabem se isso é verdade? O que acontece com elas?

— Sim, é verdade. Ninguém se lembra de nada depois. — Respondi. — Existe alguém que tem poder sobre seres que podem hipnotizar aqueles que sentem seu ódio, o fugitivo Drago Sangue Bravo, ele se apossou de algo realmente poderoso e não quer que ninguém lembre-se de seus planos.
— Uma pessoa só é afetada se estiver com sentimentos negativos semelhantes aos dele — Completou Nad.
— Fizeram algum progresso na captura dele? — Insistiu Heather.
— Estamos usando a maioria da nossa energia tentando proteger Berk dos vilões que ele vem mandando, todavia conseguimos algumas pistas valiosas.
— Por que vocês lutam contra esses vilões que aparecem?
— Pelo bem das pessoas. — Eu e Nad respondemos juntos.

Heather sorri travessamente para nós, fiquei com medo.
— Uma pergunta mais sobre os dois agora. Vocês discutem ou sempre se dão bem?
— Desde que nos conhecemos nos demos bem, não é Nad?
— Mas ainda discutimos de vez em quando, Fury – Ela acrescentou – Planos de última hora no momento de lutar já geraram brigas bobas, mas, após conseguirmos salvar as pessoas, já esquecemos...
— As melhores relações não são as perfeitas — Comentei sorrindo.
— Nad, Fury... – Ela se inclina cerrando os olhos para nossos apelidos — Pelo visto vocês são bem próximos. E isso causa uma questão que muitos (e eu) querem saber... Vocês são um casal?
Senti meu rosto esquentar e desviei o olhar por um momento e olhei brevemente para Nad. Ela parecia na mesma situação que eu.
— Não, somos apenas bons amigos. — Respondeu sem olhar para mim.
— Que pena, porque para mim vocês ficariam muito bem juntos. — Heather sorriu.
Não prestei muita atenção no resto da entrevista. Apenas respondia algumas perguntas que eram diretamente para mim ou fazia algum comentário sobre o que Nad dizia. E enfim a entrevista terminou.

Agradecemos pelo tempo de Heather que parecia meio surpresa ao ouvir e isso e pedimos licença por um instante, eu e Nad conversamos sobre nosso plano, todavia eu fiquei meio envergonhado de ficar perto dela após aquela pergunta.

Concordamos que Heather era a pessoa certa e voltamos nossa atenção para ela que nos olhava como uma criança assistindo seu programa favorito.

— Heather? Importa-se se lhe propusermos algo? – Pergunto.

Ela parecia emocionada e respondeu negando com a cabeça.

— Andamos conversando, e desde que você fora uma das pessoas mais dedicadas a nos encontrar, queremos que você seja nossa porta-voz exclusiva – Diz Nad.

— Se você aceitar, falará por nós quando permitirmos e isso requer compromisso e cuidado principalmente por causa das nossas identidad...

— EU ACEITO – Heather nos abraça feliz – Muito, muito obrigada.

— Os espinhos, cuidado – alerta Nadder – Não sou muito abraçável.

— E eu sou facilmente esmagável – Acrescento.

Heather a ignora por dois segundos e recua.

— Prometo que o segredo de vocês está seguro comigo e com Asgard... Quem são vocês?

Eu e Nad trocamos um olhar surpreso e envergonhado.

— Espera – Heather ergue uma sobrancelha – Vocês não sabem quem são, não é? Lutam juntos quase sempre e não fazem a menor ideia de quem está por debaixo das mascaras? Sério mesmo?

Damos de ombros.

— Tudo bem, mas se não vão contar para mim... – ela faz uma pausa – Eu quero descobrir!

— Escute, precisamos apenas que fale. – Ponho a mão sobre seu ombro.

— Mas eu não quero apenas falar, eu posso ter uma ajuda maior – Heather questiona – Escutem, vamos negociar, se eu descobri quem vocês são eu posso oferecer minha ajuda... Assim conseguirão pegar Drago, salvar a cidade e ter um tempo para dormir no mesmo dia!

Nad olha para mim esperando uma resposta.

— Ah, qual é? Que chance eu tenho afinal? – Diz Heather dando de ombros – Se nem vocês, que estão sempre ao lado um do outro, conseguiram descobrir as identidades um do outro, como eu conseguiria? Estou apenas pedindo uma chance...

Detesto quando ela faz esse jogo de coitadinho subestimável, não queria parecer um sem coração ao lado da Nadder, mas eu realmente duvido que ela consiga descobrir alguma coisa.

— Tudo bem, poderá ter maior ajuda se descobrir quem somos, mas nossa identidade nunca deverá ser revelada. Entendeu? Caso o contrário nossa família e amigos estarão em perigo e nossos inimigos poderão se vingar de nós, entenda que há muito em jogo.

— Não sou uma amadora, Fúria da Noite – Heather sorri estendendo a mão – Aprenda isso.

Aperto sua mão fechando o acordo e partimos dali. Ela e Asgard se despediram de nós, mas não antes de tirarem uma foto conosco.

***

Nunca passei tanto tempo sendo Fúria da Noite assim, mas estar ao lado da Nadder sem risco de morte era ótimo em ambos os jeitos. Estávamos observando o sol nascer no topo da prefeitura, tenho que dizer que fora uma bela vista.

Mas havia algo que me travara.

— Nad?

— Está pensando sobre nossas identidades também, não está? – Ela continua a fitar o sol.

— Estou... mas você sabe que é melhor assim por enquanto, é melhor não sabermos.

A loira olha pra mim com um sorriso de canto apreensivo, o vento levava seus cabelos. Ela passa o braço em meu ombro suspirando.

— Eu sei sim.

Fito seus grandes e vivos olhos de dragão sorrindo:

— Mas saiba que eu realmente ficaria feliz em te conhecer, saber quem é minha amiga debaixo da máscara... Acredite, eu ficaria encatado em te conhecer.

***

Astrid P.O.V

Alguns dias depois...

Deitei na minha cama olhando para o teto, como suspirei mais uma vez.

Estava obviamente estressada, inquieta. Nadder e Fury... Quero dizer, Fúria da Noite não conseguiram pegar uma das vitimas de Drago, ele escapou quando estávamos prestes a nos destransformamos, minha cabeça não parava de voltar a este problema, as pessoas ainda não estavam seguras, mas somente por pouco tempo, quando ele aparecer de novo estaremos lá para chutar o seu traseiro. Até lá, eu preciso tentar pensar em outra coisa.

— Não precisa se preocupar, Astrid – Temp estava sentada no meu ombro sorridente – Tudo vai acabar bem.

— Eu espero que sim – Suspiro – Às vezes parece que eu não sou boa o suficiente...

Fito o meu quarto.

Ao menos todas as minhas obrigações estavam feitas. Ajudei tia Anne na casa e na loja, estava tudo arrumado e até fiz o dever de casa. Mas ainda era de tarde e não tinha nada que pudesse afastar minha mente desses problemas...

Tempestade voou até a minha janela fitando o sol se por no horizonte, ela parecia mais pensativa do que nunca e noto que ela estava fazendo o mesmo que eu quando começo a pensar em como eu vim parar aqui. Não sei se, com o passar do tempo, ela fica parecida comigo ou se eu que estou ficando parecida com ela.

— Por que não vai se encontrar com seus amigos? – Perguntou Temp sem tirar os olhos da vista da janela.

— A Heather e o Asgard estão num encontro, e o Soluço mal consegue sair de sua casa, então... ninguém disponível. – Respondi cobrindo meus olhos com o braço.

— Ajudar sua tia? – Sugeriu Tempestade.

— Ela está descansando.

— Dever de casa?

— Já fiz.

— Treino de boxe?

— Hoje não tem.

— Física? — Dei um olhar de “Sério?” em sua direção.

Temp riu.

— Brincadeira... – Ela então suspirou como se tivesse algo para dizer – Astrid?

— Sim?

— Acho que chegou a hora de fazer mos uma coisa, tem um lugar que eu devo lhe levar.

Tempestade parecia séria, ela voou até minha bolsa e lá digitou o endereço no “Google Maps” para me guiar. Eu não ousei questionar, apenas calcei meus sapatos e saí.

***

Sweet Dragon”...

Esse foi o lugar onde conheci Soluço Haddock, um colega da escola, do jeito mais estranho possível. Me lembro de estar correndo para encontrar Heather, mas com o chão molhado daquela chuva, acabei caindo e ele me segurou. Então tudo o que eu me lembro em detalhes daquela cena eram de seus olhos verdes me encarando, olhando para os meus...

Quem diria que esse é o nome da tal doceria. Seria coincidência? Mas admito que aqui até as lojas tem nomes diferentes. Sério, até vi uns lugares com nomes de pedras, como Academia de Esgrima Pérola e Fliperama da Garnet.

Abri a porta, me lembro desse lugar, tinha cheiro de café, panquecas e chocolate, como se fosse um pequeno pedacinho de paraíso. Lembro da noite que ficamos com os amigos, quando conheci Soluço e conversamos pela primeira vez, ele era tão educado e engraçado... Não percebi que estava sorrindo.

A doceria era aconchegante, tanto o piso quanto algumas paredes eram madeira lisa cor de caramelo com uma variação de tons nas paredes de vermelho e verde, havia símbolos estranhos espalhados em todo lugar como se fossem estampas, mas somente eu parecia notá-los nas prateleiras, nas paredes e até em alguns funcionários, talvez fosse alguma referencia...

Fui até o balcão, algo me chamar atenção no meio dos cardápios, havia um livro largado ali, como se alguém tivesse o lido e deixado de lado. Decidi me concentrar no meu pedido, afinal, ali também era uma livraria, embora aquele símbolo na capa não me fosse familiar...

Rapidamente pedi apenas alguns biscoitos a garota loira que atendia, fiquei muito feliz em saber que eles tinham café e pedi um capuchino (café é vida!), sai dali me sentindo meio diferente... Será que? Não!

— Espero que você goste dos biscoitos, porque não posso pagar mais coisa. – Deixei minha bolsa transversal ao meu lado. Temp colocou a cabeça para fora, mas teve que recuar, pois havia muita gente nas ruas. Precisávamos de privacidade, então fui para um dos bancos isolados onde a vista para a ponte onde lutei contra sugilite era de tirar o fôlego.

— Me dá um – Temp estendeu suas asas. Peguei um biscoito e entreguei para ela que o devorou em poucas mordidas.

— Vai com calma, se não vai se engasgar. – Disse rindo ao ver Temp coberta de migalhas.

— É gostoso, mas ainda prefiro o frango. – Ela estendeu os braços pedindo mais um biscoito.

— Mas o que...?

Notei que havia algo pesando em minha bolsa, porém quando eu olhei percebi que era um grosso livro com capa de couro, o mesmo livro jogado no balcão da doceria. Olhei em volta procurando alguém que poderia ter deixado o livro, mas não vi ninguém suspeito ou por perto.

Temp me soltou um sorrisinho...

— Algo familiar?

— Um livro? – Puxei o livro para meu colo e li a capa – “O Livro dos Dragões”...

Sem conter a curiosidade abri a primeira página para ver o assunto do livro.

— M-mas isso é... – Gaguejei surpresa — É sobre os miraculous!

— Acho que já chegou a hora do seu treinamento, Astrid – Diz Tempestade – Ser um herói é muito mais do que vestir uma máscara.

Notas finais
E AMANHÃ TEM MAIS /o/