Minha Não. Nossa Família.
21 VIDAS - Segunda Parte A
Notas iniciais
“Então quer dizer que inconscientemente eu literalmente me enfeiticei para poder ficar grávido?” Stiles zombou sarcástico.
“Basicamente sim.” Deaton confirmou deixando Stiles de olhos arregalados. “Talvez o efeito reverso das ervas que eu dei a Derek pode ter até ajudado na hora, mas basicamente a escolha de engravidar partiu do seu corpo.”
“Eu não acho que... Eu? Você tem certeza disso?” Stiles perguntou incrédulo.
Derek entrelaçou seus dedos com os de Stiles, criando um forte aperto de palma contra palma, na esperança de fazê-lo se acalmar um pouco. O que como o esperado não adiantou muito, já que inquietação é o segundo nome de Stiles… “Ele disse que nos dois casos foram eles que quiseram conceber, Stiles. E aqui nós só podemos supor que você fez o mesmo...” Ele disse calmamente.
“Eu acho bom o senhor continuar quietinho se não quiser que isso sobre para o seu lado.” Stiles ameaçou mesmo sabendo que não tinha sido ele quem tinha pensado na possibilidade do seu corpo querer engravidar… Mas Stiles estava emocional e ele queria gritar alguém… Bom, a parte do emocional era realmente verdadeira, porque assim que ele brigou com Derek e voltou sua atenção para Deaton, ele já estava se sentindo culpado e triste, precisando segurar forte a mão de Derek em busca de apoio. Bem-vindo ao maravilhoso mundo do desequilíbrio emocional, pessoas! “Esses dois casos…” Stiles voltou a falar mais controladamente. “Você chegou a descobrir o que eles eram? Eu digo... Se eles eram humanos, lobisomens ou algum tipo de criatura?”
Deaton pareceu pensar um pouco antes de olhar seriamente para Stiles e Derek.
“Só pode sair bomba!” Stiles pensou aterrorizado. “Ninguém olha para você com uma cara dessas para dizer que você passou no vestibular ou ganhou na loteria…” Mas ele se conteve em dizer qualquer coisa, tentando ficar atento ao que Deaton diria.
“Antes que eu diga o resultado da minha pesquisa eu queria te fazer uma pergunta, Derek. E espero que você responda sinceramente.” Derek mesmo com o olhar confuso acenou confirmando e esperou que ele continuasse a falar. “Você alguma vez já sentiu necessidade de transformar Stiles em lobisomem?”
Stiles engoliu em seco ao escutar a pergunta. O que ele faria caso Derek disse que...
“Não.” Derek respondeu olhando diretamente para Stiles sem nem piscar os olhos. “Nunca e em nenhum momento eu cheguei a sentir esse tipo de necessidade vindo do meu lobo… Claro que eu já cheguei a a pensar sobre o assunto, mas mesmo quando eu dei a mordida que o ligou a mim por sangue, eu nunca cheguei a pensar duas vezes sobre ele ser humano.” Derek disse convicto.
“Stiles.” Deaton continuou. “Você alguma vez já sentiu vontade de ser transformado em lobisomem?”
“Não.” Ele respondeu com a mesma convicção e sinceridade. “Eu já tinha discutido algumas vezes com Derek, mas eu sempre recusei a possibilidade de receber a mordida… Mas o que é que isso tem haver?”
“Bom, isso é uma das provas para que vocês acreditem em mim quando eu contar a verdade.” Deaton disse calmo. “Não é coincidência ou loteria biológica que fez com que o companheiro para o seu lobo fosse um homem, Derek.”
Ambos Derek e Stiles literalmente pararam de respirar esperando Deaton continuar a falar e concluir o que ele queria dizer. “Como assim?” Stiles incentivou com seu coração quase pulando pela boca de ansiedade.
“Quando o companheiro ou companheira de um lobo é humano, mas ainda sim tem uma relação estreita com a magia mesmo antes de chegar a conhecer seu companheiro, elas são conhecidas por um nome bem especifico...”
Bastou pouco segundos de silêncio para que Derek murmurasse com olhos arregalados. “Peeiras!”
“Não parece apenas mais outro conto de fadas, não é?” Deaton sorriu confirmando a dedução de Derek. “No inicio eu achei que Peeiras seriam apenas mulheres, mas foi então que eu vi que isso realmente não importava... As almas não anseiam pela mesma coisa, Derek. Um homem pode encontrar sua outra metade em outro homem da mesma forma que ele encontra com outra mulher.”
“Mas até agora eu só tinha escutado falar de quatro casais do mesmo sexo… E nunca escute falar sobre eles conseguirem gerar filhos.”
“Sinceramente? Nem eu.” O médico veterinário confessou. “Meu palpite é que almas não têm sexo... E independente de que forma assumir eles estão predestinados pra ficar juntos...” Disse sorrindo na direção do casal.
“Então, esperem aí...” Stiles perguntou com uma careta de confusão. “Eu sou uma Peeira?” Se ele estava entendendo tudo até agora...
“Veja se você entende...” Deaton começou. “Uma Peeira não é uma criatura mágica, ela não foi feita por magia, diferente da licantropia. Vários humanos podem manipular magia, e ando esse humano tem sua alma e corpo ligados a um lobo, quer dizer que você é –”
“Uma peeira...” Stiles cortou. “Ok, eu entendi... Mas... Tem certeza? “
“Tecnicamente sim?” Deaton respondeu perguntando... Como se fosse aceitável. “O meio de acreditar na verdade disso é quando temos certeza que vocês são de fatos companheiros. E ainda mais quando temos certeza que Stiles já tinha começado a desenvolver a sua magia antes que Derek desse o primeiro passo para a cerimônia de ligação.”
“Então o motivo no qual que Derek nunca quis e nunca vai querer me transformar e pelo qual eu estou gr-... Pelo qual eu desenvolvi a capacidade de ge- gerar uma criança...”
“É que vocês foram feitos um para o outro.” Deaton completou sem se mostrar embaraçado por discutir a relação dele com Derek como uma menina de 13 anos.
“Que romântico.” Stiles debochou fazendo Derek rolar os olhos sem paciência.
“Peeiras são seres capazes de usar magia e que possuem uma ligação com um lobo como se ela mesmo fosse um.” Deaton continuou. “Por isso que não há necessidade de transformar um companheiro humano quando ele tem dons de magia. Porque ele em si já é um ser mágico… E outro indicio que nós temos é o fato de que, Peeiras normalmente são companheiras de Alphas...”
“Será que Deucalion...” Stiles sussurrou.
“Antes eu não tinha cogitado essa possibilidade, pois quase todos os espiritos de Peeiras que eu já ouvi falar eram mulheres. Mas após fazer essa nova pesquisa com alguns conhecidos meus da europa, eu percebi que não importa qual sexo que a alma vai se moldar na nova vida, ela vai sempre encontrar o seu companheiro.”
“Mas se eu já tinha encontrado meu companheiro...”
“Deucalion estava atrás do poder que você poderia trazer para o pack dele. Eu acho que Charlton sabia disso e resolveu não interferir já que você poderia beneficiar a ele também com apenas a sua presença.” Deaton refletiu. “Se você não soubesse que Derek era seu companheiro, você poderia formar uma aliança que também simularia uma união...”
“Eu estou seriamente tentando, mas não consigo pensar em nenhum benefício que eu poderia trazer pra um pack...” Stiles disse a beira de ficar histérico. O que tanto tinha de especial em uma criatura como ele?
“Pelo o que eu sei sobre as histórias que eu ouvia falar, é que elas sempre assumem o lugar de segundo em comando na hierarquia de um pack.” Derek disse olhando com uma expressão que Stiles não conseguia decifrar o que ele estava sentindo. Estaria ele preocupado, com raiva ou triste?
“Eu diria que o mais complexo dos seus papéis é sua função como suporte da estabilidade emocional de um pack.” Deaton complementou. “Uma pessoa que poderia manipular o estado emocional de qualquer pessoa dentro do seu pack a qualquer momento que entendesse...”
“Isso poderia resultar em muita merda...” Stiles disse com uma careta, as possibilidades eram tão gigantes que ele nem se dava trabalho em pensar nelas.
“Não duvide disso.” Deaton suspirou confirmando.
“Uou!” Foi tudo o que Stiles conseguiu responder ao se ver no meio de uma vertigem e de um colapso cerebral... Ele ainda estava tentando digerir todas as informações que segundo Deaton definiam quem ele é. “Eu acho que eu preciso... Oh meu deus, Derek... Eu preciso de um pote de abacates cortados em cubinhos com açúcar e frango desfiado por cima” Stiles pediu lambendo os lábios.
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“Ninguém me mandou...” Ele gritou. “Foi eu quem quis te matar pessoalmente!”
Encarando o rosto deformado em uma máscara de ira, Drych se viu surpreso e interessado pela pessoa que tinha chamado sua atenção desde o momento que ele cruzou os olhos pela primeira vez. Ele não conseguia evitar de deixar de sentir essa estranha e forte conexão... Pela pessoa que estava tentando matá-lo nesse exato momento.
“E você tinha que se vestir como uma dançarina para tenta me matar?” O guerreiro perguntou curioso com uma sobrancelha se arqueando involuntariamente.
“...” A expressão de surpresa no rosto do menino a baixo de si, fez Drych sorrir sadicamente. “Saia de cima de mim!” Ele gritou.
“Não.” Drych respondeu calmo e sorrindo quase debilmente. Fazia semanas que ele não ficava tão entretido.
“Assim que eu conseguir me mexer eu vou cortar a sua garganta!” Ameaçou entre dentes.
“Você vai ter que conseguir sair de baixo de mim primeiro.” Drych disse, mas dessa vez não tinha um traço de deboche ou divertimento na sua expressão controlada. “Você acha que consegue me matar? Tudo o que e consigo ver é um menino que não teve nem sua primeira batalha que achoou que poderia sair como herói matando o líder de outra tribo.”
“Eu posso até ser um menino!” Ele disse com uma voz que pontuava com orgulho. “Mas eu tenho sede de vingança pela minha tribo. Eu não me ajoelharia diante de você sem lutar.”
Drych... Drych ficou sem palavras com o que seu quase-assassino disse sem vergonha alguma. Que ele tinha coragem e força de vontade isso estava obvio. Mas bem no fundo o guerreiro não conseguia fazer como que ele tomasse medidas fatais pelos atos dele.
Decidindo suas próximas ações, o guerreiro chefe acabou lançando outro sorriso sarcástico e quase maquiavélico para o menino abaixo de si.
“Você tem uma chance.”
“Uma chance?” Ele perguntou com os olhos estreitos. Ele não precisava de muito para entender o que de fato o outro estava oferecendo. A questão era o porquê. “E o que acontece se eu não conseguir?”
“Eu não decidi ainda.” Drych respondeu dando de ombros.
“Eu poderia tentar te matar a qualquer momento.”
“Não se eu tiver te matado primeiro.” O guerreiro disse voltando a provocar o menino a baixo de si. “Conte-me seu nome.” Perguntou subitamente.
“Eu já o disse.” Ele respondeu.
“Star?” Derek perguntou incrédulo.
“Algum problema?” Star perguntou parecendo ainda mais irritado. “Você poderia sair de cima das minhas coxas? Não estou sentindo o sangue chegar o resto das minhas pernas.”
“Não?” O guerreiro franziu o cenho. “No momento eu estou tentando prevenir que um assassino consiga me matar, então acho melhor continuar onde estou...”
“Eu não me enxeria de esperanças.” Star disse com os dentes cerrados. “Assim que eu conseguir me mover, eu vou te matar.”
“Você vai tentar me matar. O que provavelmente não vai conseguir de qualquer forma.” Drych debochou e só para provar que estava certo, ele moveu seus joelhos para tocarem no chão, deixando as pernas de Star livres. Mas antes que ele pudesse mexê-las, Drych puxou os pulsos dele para cima, tirando o menino do chão por poucos antes segundos antes de virá-lo, pondo-o de bruços. Com os braços imobilizados nas costas, e o quadril preso quando Drych sentou em cima. O menino estava mais preso e imóvel do que antes.
“Seu animal!” Star gritou indignado com todas as forças do seus pulmões quando teve a cara enfiada na grama e terra entrando no seu nariz e boca.
“Ora, não me diga que v-”
“Genikmain!” Ally gritou assustada, saindo a passos largos de dentro da tenda. Ela não podia acreditar no que estava vendo!
“Genikmain?” Drych perguntou extremamente entretido com a situação ao ver o menino xingar, quicar, espernear em baixo de si. Mas nada do que ele tinha feito antes tinha deixado ele completamente travado ao chão como escutar seu nome ser chamado.
“Você está bem, Ally?” Star gritou preocupado ao virar o rosto sobre a lama para olhar para menina. Na luz da fogueira o rosto dela brilhava com as lágrimas caídas.
“Genik, você não deveria ter vindo!” Ally disse nervosa olhando o novo chefe da tribo, que tinha acabado de conquistar a sua, em cima do único filho do (ex-)chefe estava prestes ser morto pelo plano idiota que ele mesmo tinha criado e se arriscado a tentar!
Drych, porém, analisando sua situação atual ele decidiu interrompê-la de continuar conversando com o outro antes que ela se atrevesse a algo estúpido como tentar atacá-lo para soltar o menino. “Volte para a tenda.” Ele comandou. “E não saia de lá até que eu diga. Caso você me desobedeça, nada de bom caíra sobre a sua tribo.”
“Si-Sim, senhor.” Ally respondeu tentando fazer seu copo parar de tremer e correu de volta para a tenda.
Quando um bom pedaço de tempo passou e Ally não dava sinais de que iria sair da tenda de novo mesmo pelos gritos de Star, Drych voltou sua atenção a ele. “Então, Genikmain...” Cantarolou.
“O que é a minha vida agora...” Star bufou irritado. “Eu não sei se eu tenho que te matar para você não falar mais meu nome, ou deixo você me matar e esse nome vai deixar de existir no mundo que ele nunca deveria ter sido criado.”
“Nah... Não é tão estranho assim.” Drych tentou reconfortá-lo. “Eu já escutei piores... Mas não me peça para repeti-los, não teria a simples ideia de como pronunciá-los...”
“Hum...” Star respondeu sem humor e voltou a relaxar seu corpo contra a grama. Isso não estava saindo como esperado... O que dizer de uma pessoa que fica conversando com a pessoa que você deveria estar tentado matar.
“A proposta ainda está valendo?” Star perguntou subitamente.
“Eu não pensei em nada que eu poderia fazer com você caso eu ganhasse.” Drych confessou pensativo.
“Humilhação pública?” Star sugeriu. “Você poderia me fazer vestir roupas de mulher?”
“Você já fez isso por mim... Se vestindo por livre espontânea vontade.” Drych provocou.
“Hurgh! Não me lembre.”
“Quase impossível...” Drych não resistiu e riu quando Star fez outra tentativa de escapar. Olhando para o seu lado ele conseguiu ver uma tira de couro que tinha sido arrancada do corpo do outro. Sem muito cuidado ele pegou o couro e começou a atar os pulsos do menino nas costas dele, deixando-os firmes suficiente que não seria possível tirar sem a ajuda de outra pessoa.
O forçando a levantar, a base de xingamentos por partes de Star, Drych o levou até a árvore mais próxima, que não ficava à cinco passos distante da fogueira. A própria tenda estava armada embaixo da sombra da copa dessa mesma arvore. Pensando um pouco ele decidiu por prender Star a árvore com um cipó, lembrando de ter o cuidado de amarrar o cipó por cima do couro para que não chegasse a machucar o menino.
Se afastando um pouco, Drych o observou enquanto ele fazia caretas e se recusava a olhar em sua direção. “Bom, seu plano poderia ter funcionado se não fosse por uma coisa.” O guerreiro chefe disse enquanto esticava seus membros, tentando fazê-los relaxar após o longo, longo dia que ele tinha enfrentado hoje. Já se decidindo lavar-se apenas na manhã seguinte, ele decidiu manter o casaco e o short de couro e a capa de pelo de lobo para se cobrir.
“Eu nunca disse que meu plano era bom...” Star se defendeu, tentando achar uma posição confortável de contra a árvore. Uma ótima desculpa para não precisar olhar para Drych também.
“Até poderia ter dado certo se eu fosse como meu tio, por exemplo.” Drych disse sonolento. Do lado da tenda, ele recolheu duas peças de pele de urso, depositando uma perto da fogueira e a outra embaixo de Star, que se recusou a agradecer. “Mas como eu não tenho interesse em mulheres, não fiquei distraído imaginando o que poderia ter debaixo de seus tecidos, Genikmain.”
Star parou de remexer quando escutou a confissão. Se ele estava dizendo o que ele estava dizendo...
“Se você tivesse vindo sem camisa, afinal você teria de ter suas calças para esconder a lança, teria sido uma distração maior... Mas entre todas as opções eu escolheria a pelado definitivamente...” Drych disse e deu um longo e último bocejo.
“Você está tonto de vinho?” Star perguntou mortificado. Drych, porém, virou-se para o lado contrário e dormiu com um sorriso nos lábios. “Você vai me deixar aqui enquanto dorme? Você é retardado ou o que? Você não tem vergonha de dizer essas coisas? Hein? QUAL O SEU PROBLEMA?!” Stiles tentou chamar a atenção do guerreiro diversas vezes até escutar um sonoro ronco.
Irritado, frustrado e confuso Star se esperneou por uma última vez, antes de achar uma posição mais confortável e deixou ser levado para a escuridão da inconsciência. Rezando para que esse dia fosse apagado do conto da sua vida.
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Após acenar uma última vez para Deaton, assim que Stiles pôs o cinto de segurança, ele percebeu que não fazia a menor ideia para onde eles poderiam estar indo. O relógio marcava 11:20 da manhã e ele já estava morrendo de fome e sonhando com o almoço… Derek tinha prometido fazer os abacates para eles quando chegassem em casa... Mas daqui que ele chagasse lá...
“Você prefere ir para o hospital agora?” Derek perguntou parando o carro em um sinal. “De lá poderíamos chamar seu pai para almoçar e dar a notícia a ele...”
“Oh Deus, eu esqueci do meu pai… Eu vou ter que falar para elei?!” Stiles grunhiu escondendo seu rosto com as mãos. “Eu tenho mesmo?”
“Só se você quiser...” Derek respondeu dando de ombros. “Mas daqui a seis meses quando nascerem dois ao invés de um...”
“É só dizer que Deaton errou na conta!”
“Na conta de dois, bebês... Claro! Por que não?” Derek disse irônico. “Por isso é melhor dizer logo, porque a partir de agora tudo o que nós pensarmos para um bebê vai ter que ser em dobro.”
“Como se nós não fossemos ricos o bastante...” Stiles lamentou as milhares de contas que viriam pela frente. “Semana passada eu fiz uma maratona de Mães Adolescentes na MTV... E cara, eu não vou ser como elas! Nós temos que fazer um plano, Derek!”
“Plano sobre o quê?” Derek perguntou curioso.
“Contas! De tudo o que nos vamos gastar e do que nós ganharemos de presente. Então, nós resolveremos como cada um será pago e o que vai sobrar para as despesas diárias... Você vai começar reduzindo a quantidade de dinheiro que nós gastamos com comida nas reuniões do Pack...” Stiles saiu listando tudo que passava pela sua mente. “Porque se vocês continuarem só comendo ao invés de ficar treinando, vocês vão ficar com barrigas maiores que a minha ou a de Allison!”
“Como você sabe que nós não estamos treinando?” Derek perguntou desconfiado tentando não olhar para Stiles, que provavelmente estaria com cara feia para ele.
“Eu tenho olhos em todo os lugares...” Stiles sussurrou fantasmagórico.
“Então ‘ta certo, Sauron.” Derek zombou.
“Derek... Derek... Derek...” Stiles chacoalhou a cabeça e colocou a mão no peitou. “Estou profundamente desapontado com você... Isso é o que duas semanas sem me ver causa a você? Cadê a sua imagem de Macho Alpha Topetudo que você deveria estar zelando?”
“Provavelmente esquecida quando eu tive eu trocar o meu camaro por um carro mais adequado para cadeirinhas de bebê.” Derek disse solenemente, sorrindo de lado quando Stiles gargalhou ao seu lado.
“Estou mais feliz que não é apenas eu que estou sofrendo as consequências...” Stiles disse satisfeito com o sofrimento do seu namorado.
“Tão mau...” Derek fez um muxoxo fazendo Stiles gargalhar de novo.
Eles continuaram conversando enquanto seguiam para o hospital. Quando eles estavam esperando por Melissa os chamar na sala de espera, várias das enfermeiras mais jovens passavam com um olho no caminho e um olho em um dos dois. O que irritava profundamente a ambos que não podiam continuar conversando sobre os assuntos do pack, já que tinha sempre uma enfermeira, ou qualquer outra mulher desesperada, prestando atenção no que eles faziam e falavam... Pelo menos esse era o motivo que eles diziam em voz alta, porque todo olhar com segunda intenção que Derek recebia, Stiles tinha vontade de dar uma voadora na assanhada e colocar Derek dentro de uma cerquinha e uma plaquinha [Propriedade de Stiles Stilisnki]. E ele não estava nem um pouco incomodado com seus instrumentos tortura imaginário... Ele sabia que Derek estaria pensando coisas quiçá piores... Você pode dizer que eles são apenas um casal que está em sintonia...
Só meia hora depois de eles terem chegado foi que Melissa conseguiu ter uma sala livre para eles. E após recolher o sangue de Stiles, ela explicou que ao invés das duas capsulas serem etiquetadas com o nome dele, ambas receberam os dados de Allison para que ela pudesse mandar para o laboratório para rodar exames importantes para gestantes.
Eles lembraram de ligar para o sherif almoçar com eles, antes de irem embora do hospital. John pediu para que ele chamasse Melissa para passar o domingo com eles também, mas ela teve recusar porque ainda tinha várias horas de plantão para cobrir.
Antes de chegarem na casa de Derek, também conhecida como a casa de Stiles&Derek (já que o próprio Derek tinha dado uma chave para Stiles e pedido para que quando o tempo certo chegassem, eles pudessem morar juntos... (Acontece que na época, Stiles tinha pensado que isso só aconteceria daqui a uns 5 anos pra frente... Mas ele tinha que arranjar uma gravidez, não? Como seria a vida dele sem surpresas legais como essa?!)), Stiles fez questão de parar em um mercadinho para comprar abacates. Porque obstinação é uma virtude, crianças.
E graças ao Youtube ele conseguiu fazer uma receita que nem todas as forças do universo poderiam ter previsto a perfeição e deliciosidade que o creme de frango e abacate formaram juntos. Até Derek e seu pai aprovaram o prato, só após terem coragem de voltar a comer algo que Stiles tinha preparado após seus desejos malucos começaram. E para evitar ficar irritado com os comentários dos dois, Stiles comeu seus abacates caladinho, aproveitando a cena que ainda o deixava com borboletas na barriga: Derek e seu pai conversando animadamente sobre a mesa da cozinha. Desde o primeiro natal que eles fizeram na casa nova, seu pai só tinha vindo umas duas vezes, uma na pascoa, quando teve caça aos ovos de chocolate, e no aniversário de Derek que foi comemorado com um churrasco e uma piscina de plástico.
Quando seu pai voltou para casa só restando Stiles, Derek e uma casa silenciosa, foi que o menino lembrou dos outros membros do pack. E ao fazer menção deles, Derek subitamente lembrou que não tinha terminado de lavar a louça... Deixando um curioso Stiles para trás.
E logicamente foi a pior coisa que Derek poderia ter feito... Como se ele não conhecesse Stiles por três anos.
Assim que Derek pôs os pés na cozinha, ele já recebeu uma enxurrada de perguntas, insinuação, provocações e, por último, mas não menos assustadoras, ameaças.
“Ok...” Derek suspirou desistindo de continuar evadindo as perguntas do outro. “Ele saíram porque: ‘Vocês têm que transar como coelhos porque não fazem sexo há duas semanas! Seu nível de testosterona já estava deixando todo mundo insano! E escute minhas palavras, Derek. Se você não se aliviar, seu sêmen vai começar a entrar na sua corrente sanguínea!’” Derek disse irritado, frisando a última frase que Erica disse antes de ir embora junto de Isaac e Boyd.
“Oooh...” Stiles cantarolou e sorriu perversamente. “Me lembre de fazer uma forma de Brownie completa pra cada um... Quem desejaria filhotes melhores que os meus?” Stiles provocou caminhando em direção ao licantropo. Lentamente ele deixou seu corpo colar-se ao de Derek da melhor maneira possível.
“Filhotes? Sério, Stiles?” Derek perguntou com as sobrancelhas levantadas para enfatizar. Tudo bem que ele estava tentando não parecer afetado por um Stiles no modo sedutor...
“Papai lobo tem que-”
“Não, eu me recuso de ser chamado de Papai lobo!” Derek cortou o outro com uma careta.
“Mas-”
“Seu pai acabou de sair daqui... Você acha que me chamar de papai serviria de dirty talk?”
“Oh meu Deus, Derek! Nojento!” Stiles grunhiu bloqueando qualquer imagem do seu pai enquanto ele estava tentando ter sexo com Derek.
“Foi você que começou...” Derek provocou sorrindo para um Stiles que rosnou frustrado. O Alpha fez o menino voltar a abraçá-lo, deixando-o novamente colado a si. “De qualquer forma...”
“Eu acho que podemos dar um jeito nessa testosterona acumulada...” Stiles riu e beijou os lábios famintos de Derek.
~*~
Stiles acorda em um susto. Desorientado e molhado de suor, ele se força a ficar alguns minutos parado tentando acalmar a tontura que o estava deixando com vontade de vomitar.
Ligando seu celular, ele viu que já eram seis da manhã da segunda-feira. O que significa que seu despertador iria soar apenas às 7, e que se ele conseguisse voltar a dormir ele ainda teria mais uma hora de sono. Uma preciso hora para seu copo cansado... Depois de ter ido dormir completamente moído após fazer sexo com Derek pelo resto da tarde até a noite, dormindo apenas depois da exaustão bater.
Mas já tinham se passado mais de meia hora, e ele não conseguia pegar no sono de jeito nenhum... Desistindo de permanecer na cama olhando para o teto, ele vestiu uma samba-canção preta de Derek, era o item mais próximo de si, e uma blusa de mangas compridas, saindo silenciosamente do quarto.
Sem sono e ansioso ele começa a perambular pela casa, ajeitando e organizando uma coisa ou outra, e fazendo suas próprias bagunças, até que depois de ficar cansado de ter passado por todos os quartos, ele vai se deitar no sofá da sala. Ele já estava pronto para ir preparar uma fornada de brownies quando ele percebe que o livro que estava em cima da mesinha de canto da sala era o livro que Sarah tinha dado a ele um mês atrás e que realmente nunca tinha chegado a ler por sempre ficar distraído com outras coisas... Decidindo que agora poderia ser uma boa hora, ele abre o livro, folheando algumas folhas escrita em runas vendo uma dedicatória escrita com uma letra sutil e feminina que tinha permanecido bastante legível mesmo pelas condições da folhas amareladas e gastas.
“Pensei que você voltaria logo...” Derek murmurou atrás de Stiles o fazendo pular de surpresa. E como se quase não tivesse matado o menino de susto, ele relaxadamente se deita no espaço livre que Stiles deixou no sofá. “Tem coisas muito interessantes nesse livro.”
“Até agora só passei por runas e essa dedicatória...” Stiles comenta dando de ombros e volta a folhear as páginas. “Isso não receitas?” Ele pergunta quando pelas próximas páginas ele vê apenas quantidades de ingredientes e alguns desenhos rústicos de flores e plantas.
“Os primeiros são s ingredientes de cremes para acelerar a cura... A primeira receita de chá que aparece é para quando há envenenamento por prata... Como eu disse, bastante uteis.” Derek explicou e logo soltou um longo bocejando, que contagiou o próprio Stiles.
Alguns minutos se passaram até Stiles chegar em um texto bastante peculiar na sua forma, comparado as outras receitas, onde o título prendeu totalmente sua esparsa atenção: Vinculum Caerimonia.
“Você já viu isso?” Stiles perguntou ao se sentar no sofá para mostrar a folha em que ele tinha parado.
“Sim, é já vi ela sendo feita uma vez.” Derek respondeu calmamente. “Quase não é feita mais hoje em dia... A maioria dos humanos, principalmente os que querem permanecer assim, não desejam ter a mesma experiência que um lobisomem tem quando o assunto é trocar de pessoa ou abandonar...”
“Existem pessoas egoístas assim?” Stiles perguntou incrédulo. Ele não era nenhuma mocinha que não conhecia o mundo, mas abandonar o seu companheiro é literalmente condenar o lobisomem a ter o resto da sua vida infeliz, pois seu lobo após ter achado seu companheiro não ficaria satisfeito em dormir com outras pessoas... Ele não teve de pensar duas vezes para ter certeza do que ele estava fazendo era a decisão certa para a vida dele. “Vamos fazer essa!” Ele disse animado.
Derek o olhou por um longo minuto até finalmente sorrir para Stiles e depositar um beijo suave na testa do menino.
“Você se lembra que há três passos para uma cerimonia completa entre um lobisomem, certo?” Derek perguntou.
“Reivindicação, uma cerimônia e uma caça seguida de copulação?” Stiles brincou para que não tivesse que dizer isso seriamente. Apesar de já ter comprido um terço, a terceira a fase sempre o dava calafrios ao pensar nela. “Então nós vamos fazer essa?!”
“Sim.” Derek respondeu sorrindo olhando para o livro. “Essa primeira é uma das mais bonitas que eu achei... Quando o tempo certo chegar, nós poderíamos dar uma festa para a cerimônia e chamar todos que você quiser...” Derek sugeriu.
“Mas vamos falar nossos votos certo?” Stiles perguntou animado lendo e relendo as várias linhas de votos que cada um teria de falar.
“Faz parte da tradição...” Derek explicou e levou um de suas mãos para acaricia o abdômen de Stiles, que sorriu em resposta ao toque suave. “Se você quiser poderíamos oficializar nossa relação civicamente...”
Stiles acenou concordando. “Feijão 1 e Feijão 2 têm de ter dois pais e não apenas um!” Ele disse animado. “O que você acha então, Derek... Stilinski-Hale ou Hale-Stilinski?”
“Nenhum dos dois se possível, obrigado.” Derek disse polidamente
“E como vamos colocar o nome deles?”
“Stilisnki Hale está de bom tamanho, Stiles. Não precisa traumatizar os nossos filhos a serem os únicos a ter de usar um hífen no sobrenome.”
“Tanto faz... O que importa é que B1 e B2 tenha nossos dois nomes!” Stiles disse solenemente e voltou a ler por alguns minutos antes do seu despertador tocar e eles terem de realmente começar o dia.
–
Após tomar consciência das cerimônias de ligação entre um licantropo e um humano, Stiles sempre que tinha um tempo livre, tentava pesquisar sobre as diversas cerimônias que ele encontrou no diário. E de fato, a primeira cerimônia parecia ser uma das melhores. E nem foi preciso muito para convencer a Derek para realizá-la. Além de ser simples e ter votos bonitos, ela evocava várias qualidades que seriam acrescentada entre eles, tais como uma reciprocidade ao saber o que o outro estava sentindo como também... Fertilidade. Ok, não adiantaria de muita coisa visto a situação atual de Stiles... Mas era um ponto positivo de qualquer forma...
Após pesquisar bastante, ele conseguiu deduzir alguns efeitos que eram descritos pelas entre linhas. Derek não deu muita intenção quando Stiles disse que de alguma forma o ritual iria despertar as vidas passadas do casal que o estaria realizado. Bom, para despertar eles teriam de ter vivido vidas passadas... O que não era muito fácil de acreditar.
Continua...
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