Minha Não. Nossa Família.
22 VIDAS - Segunda Parte B
Notas iniciais
Drych entrou na tenda quando a lua já estava alta no céu.
Star sabia pois estava deitado a olhando sonolento por uma das brechas que ele tinha feito no encontro dos couros em uma estaca.
“Drych, onde está o meu pai?” Star perguntou quando não aguentou mais o silêncio.
“Está dentro da casa dele junto de Deaclon.” Drych respondeu sem hesitar, e despojadamente sentando-se na entrada. Um pequeno relance na direção dele, e Star podia ver o quanto ele estava cansado.
“Como ele está?”
“Ele está levando uma vida normal a não ser por não poder sair de lá, por enquanto. Não há nada para se preocupar com ele, eu posso te assegurar.”
“Oh, estou bastante reconfortado.” Star disse irônico. “E por quanto tempo você vai me manter aqui afinal? Fazem quase três dias que eu estou aqui! E dois dias seguidos que você só aparece brevemente e depois corre!”
“Quer que eu passe a noite com você aqui?”
“Não distorça o que eu estou dizendo!” Star disse irritado.
“E o que é que você está dizendo?” Drych perguntou calmamente, como o extremo oposto de Star.
“Eu estou dizendo que não faz sentido me manter preso aqui!” Star gritou com raiva. Ele levantou-se e ficou de pé, olhando com raiva para Drych que ainda mantinha seu rosto calmo e sem expressão.
“Eu sei, Star.” Drych disse condescendente. “E foi por isso que eu passei esse tempo ocupado... Eu tinha muita coisa que faltava ser planejada...”
“Puck falhou na estratégia?” Star perguntou com desprezo. E se Drych ficou surpreso pela informação ele não demonstrou.
“Na verdade ele tinha tudo planejado. Porém, quando chegamos aqui eu vi que deveríamos mudar várias ações que ele tinha planejado...” O guerreiro explicou pausadamente tentando usar as palavras certas.
“E porque mudou?” Star perguntou acético.
“Você.” Drych confessou encarando as orbes castanhas diretamente. “Eu modifiquei alguns planos que eu já tinha feito para que eu pudesse encaixar você neles.”
Star ficou sem saber o que dizer. Seu coração estava quase saindo pela boca! O que merda esse cara estava dizendo? Suspirando pesadamente ele se sentou de frente para Drych, passando a devolver o olhar que seguia o seu.
“E como você acha que seria capaz de me envolver nos seus planos, Drych?” Star questionou friamente. “Você acha que eu seria capaz de trair minha própria tribo?!”
“Não bote palavras na minha boca. Eu nunca disse que sua função seria de trair sua tribo.” O guerreiro explicou. “Eu quero você ao meu lado, Star. Todos falam sobre você quando pensam que nós não estamos escutando. Todos estão temendo pela sua morte na batalha, cantando canções de esperança quando afirmam que você está morto.”
Star engoliu em seco. A sua tribo... Sua família estava preocupado com ele! “O que você quer dizer ao me contar isso?”
“Eu quero que você seja meu guia aqui. Quando minha tribo vier para essa terra, o que não irá demorar, eu quero que você se preocupe com divisão que cabe a sua tribo remanescente de uma forma justa.”
“Você irá fazer as duas tribos conviverem?” Star perguntou incrédulo.
“É isso que estou deixando com você. Se vocês aceitarem, vocês poderão viver como parte da nossa tribo.”
“Suas palavras, Drych, é única coisa que eu tenho. Como vou saber que você só não irá me usar para tirar vantagem?” Star insistiu, não acreditando nem um pouco na suposta proposta.
“Você está duvidando da sua própria inteligência em reconhecer quando eu estarei tirando vantagem sua?” Drych perguntou sorrindo de lado para um desconfiado Star.
“Minha inteligência me diz para dar uma pedrada na sua cabeça... Mas não tenho como obedecer minha consciência sempre, tenho?” Star bufou.
“Então você está recusando a oferta?” Drych perguntou ignorando o que Star estava dizendo.
“Não.” Star disse com um suspiro. “Eu aceito sua proposta...”
“Bom, melhor do que ficar aqui sozinho... Sem minha companhia...” Drych provocou voltando a sorrir. Star rosnou.
“Qualquer coisa é melhor do que ficar aqui tendo apenas a sua companhia...”
O silêncio da tenda durou apenas alguns momentos. Sendo quebrado por Star.
“Eu vou poder ver meu pai?”
“E porque não seria?” Drych devolveu a pergunta com outra.
“Você acabou de me dizer que ele não podia sair da nossa casa...”
“Eu disse que ele não poderia sair de lá. Você pode até dormir lá também se quiser...”
Star concordou e começou a planejar quais seriam suas ações assim que chegasse novamente na tribo. E estava tão concentrado que não viu o momento que Drych se aproximou demais. Ele arregalou os olhos quando sentia a proximidade de Drych com o seu corpo. Ajoelhado de frente para ele, Drych se inclinou e como se o estivesse abraçando começou a desatar os nós para livrar Star.
Star se viu enterrado no peito do guerreiro, o toque macio dos pelos completamente intoxicado pelo cheiro único de Drych. Ele podia sentir os peitoral contraindo seus músculos quando ele chegou no nó resistente ligava que seus pulsos com as estacas.
“Drych...” Star tentou brigar, mas foi mesmo na hora em que o guerreiro se inclinou ainda mais e o rosto de Star foi parar no pescoço de Drych. Ele podia sentir a pele macia roçando pelos seus lábios quando ele teve seus braços liberto pela primeira vez em dois dias.
“Você tem de ser paciente agora. Não os puxe rapidamente... Isso. Deixe eles caírem e se separarem lentamente.” Drych ia instruindo um Star com respirações pesadas, massageando os músculos do braços e os pulsos vermelhos das restrições.
“Você não deveria ter me prendido em primeiro lugar!” Tentou brigar novamente, mas a dor em seus braços era intensa demais para que ele querer que Drych parasse de massageá-los.
“Está melhor?” Drych perguntou colocado ao seu ouvido.
“Sim...” Star murmurou sentindo arrepios correrem pelo seu corpo. E antes que ele pudesse reclamar, uma das mãos largas do guerreiro o segurou na curva da sua cintura enquanto a outra pousava em seu ombro, o impulsionando para deitar novamente sobre as peles que estavam abaixo dele.
“Durma agora. Descanse para amanhã.” Drych sussurrou enquanto corria uma mão pelo cabelo macio de Star. Não demorou muito até que o menino já estivesse respirando tranquilamente parando apenas para liberar seus sonoros roncos... Drych riu quando viu Star se assustar com o próprio roncar e quase acordar novamente.
Saindo da tenda ele riu novamente. Mas dessa vez era desesperado e ao invés de humor trazia apenas tristeza e ansiedade.
“O que eu estou fazendo?” Ele murmurou para consigo esfregando a palma das mãos sobre seus rosto tentando tirar de alguma forma as ilusões de dentro da sua mente. “O que merda eu estou fazendo?”
~*~
Ficar um dia inteiro com o seu pai após toda essa loucura tinha sido reconfortante. O dia passou tranquilo até Hermia, como a loira tinha se apresentado, trazer comida deles e passar o período inteiro conversando. O que foi totalmente frutuoso, pois ele estava literalmente equipado com várias informações sobre a vida pessoal de Drych graças a ela. A mulher era fofoqueira de primeira qualidade... Da próxima vez que o visse, não importasse onde, ele faria questão de usar algumas dessas informações contra ele! Ha!
Mas após o longo dia, nem Drych e nem nenhuma outra pessoa a mais da outra tribo tinha entrado dentro da casa deles... Ele decidiu então aproveitar esse tempo a sós com seu pai para conversar sobre o futuro da tribo. E querendo ou não ele acabou criando esperanças quando o seu pai voltou a falar sobre Talia, a mãe de Drych.
Talia que com sua habilidade na agricultura e na caça tinha ganhado seu direito de voz na tribo e passado a liderá-la após o esposo morrer em uma luta contra um leão da montanha. Apesar da sua conhecida força, o esposo dela não tinha nada além das suas próprias mãos para se defender de um leão faminto. E ela, com garra, conseguiu fazer a tribo sobreviver por invernos rigorosos nas montanhas, sempre acolhendo os errantes com fome que vinham pedir ajuda trocando o favor por conseguir mais mãos para o trabalho. Mas o que surpreendeu a seu pai foi que ela chegou a usar a força contra outra tribo... E se isso chegou a acontecer foi porque ela sabia que não sobreviveriam a uma viagem longa pra outra terra, preferindo unir suas últimas forças para conquistar uma terra próxima e melhor que a deles...
Com tanta coisa girando na cabeça, não foi surpresa Star não consegui dormir direito... Ainda sim no dia seguinte ele acabou acordando antes de todo mundo. E por mais que se remexesse ele não conseguia voltar a dormir! Desistindo de continuar deitado, ele acabou levantando-se logo e rumou para o rio em busca de um merecido banho que ele não tinha há dias.
A água do rio estava bastante gelada, mas com a falta de vento e umidade deixavam o ar da manhã seco e quente o suficiente para que ele pulasse de uma vez para dentro da água.
E foi na emersão de um dos seus longos mergulhos que ele teve a sua primeira surpresa do dia. Drych tinha acabado de chegar na margem do rio.
Drych estava na beira do rio e estava tirando a sua roupa e adereços de frente para Star.
“Se você acha que você vai tomar banho ao mesmo tempo que-”
“Você? Sim, eu acho que vou.” Drych completou a frase do menino que estreitou os olhos em sua direção. “Pelo pouco tempo que estive aqui já me acostumei a tomar dois banhos. E o de manhã sempre é o melhor para começar o dia...” Ele continuou falando casualmente.
“E você tomava apenas um banho a cada dois dias no verão?” Star perguntou incrédulo.
“Você já viveu nas montanhas? Se você passasse um dia de inverno lá, provavelmente congelaria a sua bunda no primeiro dia.” Drych provocou tirando a última peça de roupa.
E por mais que ele quisesse se controlar na frente de Star, Drych não precisava olhar para baixo para saber que ele estava a um meio caminho de uma ereção. Ele não estava ereto em si, mas seu prepúcio já estava um pouco contraído e bem... Star continuava olhando para a mesma direção que ele sem desviar o olhar... Um homem só pode receber uma determinada quantidade de atenção sem se deixar levar.
Drych limpou a garganta chamando a atenção do menino, que esqueceu de fechar a boca quando olhou para o eu rosto com os olhos arregalados. O guerreiro estava quase pronto para provocá-lo ainda mais quando Star começou a tossir desesperadamente virando na direção oposta.
Eles apenas riu e entrou devagarzinho, fazendo questão de não dizer nada, apenas começou a nadar silenciosamente pela água fresca do rio. Star, por sua vez, mesmo depois do ataque de tosse continuava virado de costas.
O problema em si era que Star estava igualmente pelado! E nem se água pedrasse em gelo ele sairia da água pelado para a satisfação do outro! Elaborando seu plano ele viu que só restava uma opção: vencer pelo cansaço. Ele virou-se lentamente e observou o guerreiro nadar até achar o momento certo para começar a falar.
“Drych, Erica me contou algumas histórias interessantes...” Ele começou tentando não passar nada na sua voz.
“Ah, eu também ouvi algumas das suas...” Drych respondeu despreocupadamente boiando de costas. Quem via não conseguia pensar que uma criatura dessas tinha conseguido conquistar uma tribo inteira.
“Como é?! Que histórias?!”
“Oh, algumas...” Drych disse sorrindo vendo Star cair no próprio jogo que ele tinha iniciado. “Da vez que você fugiu quando uma menina tentou te beijar... Da vez quando uma outra menina ficou pelada porque um dos meninos soltou o laço eu segurava a manta dela e você foi o primeiro a correr para cobri-la... Ou quando-”
“EU JÁ ENTENDI.” Star gritou tentando fazer Drych parar de esfregar na cara dele o quanto inapto ele era com as mulheres. Enquanto um garoto normal teria colocado a vagina em pedestal assim que tivesse a primeira ereção, Star continuou as achando tão sem graça quanto antes.
Drych apenas riu quando ouviu Star gritar com o rosto vermelho como um tomate. Mas decidindo-se por não provocá-lo mais, ele decidiu ser bonzinho com o outro...
“E quais foram as conversas que você escutou sobre mim?” Ele perguntou como se estivesse irritado e teve de esconder outro riso quando os olhos tímidos de Star voltavam a brilhar com a malicia cotidiana dele.
“Que você já foi pego em um cajueiro com dois outros meninos que deveriam estar treinando luta com você... Que você foi sacaneado por todo mundo quando saiu da casa de um dos guardiões quando perdeu sua virgindade...” Star cantarolou o boatos como se tivesse contando a melhor das histórias. Quando ele tinha acabado a quarta história e estava começando a quinta foi quando Drych não conseguiu mais conter a gargalhada quando ele começou a contar sobre o cajado do curandeiro... “Do que é que você está rindo?!” Star inquiriu irritado.
“De você.” Drych respondeu dando de ombros ficando cada vez mais entretido.
“De mim?!”
“Sim... Você achou o quê? Que eu iria negar?” Drych questionou com as sobrancelhas arqueadas, parando completamente de nadar.
“Sim!” Star respondeu veementemente.
“Pois então, eu estou te dizendo que eu não nego...”
“E você assume que fez todas essas atrocidades?!” Star perguntou não acreditando nem um pouco.
“Porque não? Eu teria de ter vergonha delas?” Drych provocou. “Aliás, da onde eu venho nós chamamos isso de aventuras... Não atrocidades.” Ele conto como se fosse um segredo.
Star pareceu finalmente pensar no que estavam dizendo, pois novamente ele voltou a ficar vermelho com as imagens que passavam em sua mente. Ele estava tão distraído tentando não olhar para o outro que ele realmente não percebeu que Drych cada vez se aproximava mais ainda.
“Na minha tribo, eu nunca vi nenhum homem ter relação com outro...” Star confessou depois de um longo tempo do silêncio.
“Isso é porque sua tribo não há ninguém que tenha interesse em ficar com uma pessoa do mesmo sexo...” Drych respondeu oferecendo uma explicação. “Isso é natural como qualquer outra forma de se relacionar, Star...”
“Mas...”
“Estou falando a verdade.” Drych disse sério pela primeira vez na manhã. “Porque eu iria te enganar? Afinal, se você gosta de alguém você deveria ser capaz de se relacionar com ela de forma livre, não acha?”
Star apenas concordou balançando a cabeça suavemente, esperando que Drych continuasse a falar.
“Por exemplo, da mesma forma como é a curiosidade... Ela só satisfeita quando você tem uma prova sobre aquilo que você estava questionando. Se minha curiosidade for grande o suficiente, e o que eu descobrir for além do que eu posso imaginar, porque não acreditar nessa nova descoberta só porque estava além do que eu esperava?” Tanto Drych como Star ficaram em silêncio por um tempo, cada um estudando as palavras na sua maneira.
“Me diga uma curiosidade sua.” Star pediu nem ligando se ele estava deixado aparecer o quão envolvido no discursos de Drych ele estava.
“Eu...” Drych pareceu pensar um pouco. “Bom, nesse momento uma das minhas maiores curiosidades é para saber como seria te beijar...” Drych respondeu a apenas um braço de distância de Star que arregalou os olhos com a resposta.
“Eu não realizaria sua curiosidade então...” Star disse fracamente. Nem ele acreditava na sua desculpa. “Eu não seria idiota de cair nesse seu papo...” Ele não seria. Ele não seria. Ele não seria.
“E por que não?” Drych questiona, usando a sua voz grave em seu favor. Na mesma hora ele pode ver um arrepio correr pelo corpo de Star fazendo seus ombros espasmarem levemente.
“Porque isso parece apenas uma desculpa para que eu abra as minhas pernas pra você...” Star sussurrou esperando a reação do guerreiro.
“E eu não me importaria de ficar entre as suas coxas.” Drych sussurrou de volta no ouvido de Star, quando encurtou completamente a distância entre os corpos deles, escorregando seus braços pela cintura do menino, abraçando-o.
Antes que Star pudesse se desvencilhar do abraço, ele sentiu os braços de Drych contornarem mais firmemente o seu corpo contra o dele, e não demorou muito que ele deixasse sua mente acalmar-se e entregar-se completamente. Afinal, o que ele tinha a perder? Passar a vida em negação ou admitir que sua preferência nunca tinha caído em mulheres e sim em corpos masculinos como o de Drych?
Drych, não sentindo nenhuma resistência em seu abraço, virou o rosto e o deixou de frente ao de Star, os olhares fixos um no outro, encostando lábio com lábio, beijando-o. Suavemente a princípio, mas com uma graduação rápida de intensidade, fazendo Star se agarrar a ele como se ele fosse a única coisa sólida em um oceano sem chão. Com uma mordida provocante, os lábios insistentes separaram os lábios alheios que formigavam de antecipação, abrindo passagem para os tremores que passaram a correr ao longo de seus nervos, evocando todo o desejo que ele comprimia no seu corpo. Foi com a vertigem que desolava o corpo de Star que ele percebeu: estava beijando Drych de volta.
~*~
Só quando a tarde já estava pela metade, e algumas mulheres já começavam a se preocupar com a refeição da noite foi que Star acordou. Quando ele acordou, ele começou a se espreguiçar lentamente... Mas assim que sentiu o familiar cheiro dos pelos, ele percebeu que estava de volta para a sua cama.
Como merda ele tinha ido parar ali?!
Drych!
Ele tinha... Ele tinha transado com Drych no rio! E não era a pior parte... Já que aparentemente ele tinha dormido e feito Drych o vestir! E se ele estava aqui é porque Drych o carregou nos braços na frente de toda a tribo! Aaahhhhh!
“Drych!” Ele gritou como um xingamento. Como ele teve a ousadia de seduzi-lo e depois humilhá-lo na frente de todo mundo?!
“Chamou?” A voz surgiu do seu lado.
Olhando para o lado, lá estava o maldito com aquele maldito sorrisinho e os malditos músculos que estavam completamente a mostra sem nada para cobri-los. Mais ao fundo, ele podia ver seu pai e Deaclon polindo lanças agindo como se eles não estivessem debaixo do mesmo teto..
“Não! Não chamei!” Ele gritou ainda com birra. Só de olhar para o outro já fazia seu sangue subir... E isso não era nada nada bom. Tentado se recompor, ele estreitou os olhos e deu seu melhor olhar ameaçador. Ou tentou.... Dana-se! Ele estava quase morto de vergonha pela forma como ele tinha se entregado a Drych... A tribo inteira não precisava saber! ”Por que você me trouxe? Era melhor ter me deixado lá! Só assim eu não teria passado vergonha!”
“Quase ninguém te viu...” Drych tentou assegurar, mas Star continuava olhando par ele com um bico maior do que ele já tinha feito alguém fazer. Ele não conseguia conter o sorriso cheio de segundas intenções quando sabia que Star estava lembrando dos momentos deles juntos.
“Eu acho bom.” Star disse irritado, mas logo selou os lábios para não dizer mais nada. Porque ele sempre conseguia dizer coisas constrangedoras. Sempre piorando coisas pra ele quando estava nervoso... Ele não daria motivo para Drych caçoar dele depois.
“Então...” Drych foi o primeiro a falar quando ficou impaciente com o silêncio. Apesar de querer continuar a provocar o menino, ele decidiu mudar o assunto para um tópico inevitável entre eles. “Assim que for distribuída a próxima refeição, eu acho que seria um bom momento para já começarmos os preparativos.”
“Hum?” Star estava confuso... “Que preparativos?”
“Quando o outono chegar, a minha tribo começará a migrar para cá. E até lá já temos que ter tudo pronto.” Drych explicou despreocupadamente.
“Iremos anunciar hoje que será eu quem vai tirar as casas deles para sua família morar?” Star perguntou amargo. “
Drych... Deveria dizer algo. Tentar fazer com que Star entendesse a situação. Mas como isso poderia ser possível? Sendo assim, Drych decidiu ignorar a pergunta irônica. Decidiu ignorar que Star não estava com vergonha te der se deitado com ele. Ignorar que foi assim que ele conheceu Star.
Vendo que Drych não iria falar nada. Star levantou-se e saiu da casa. Ele não aguentava mais permanecer no mesmo local que Drych e seu pai o mesmo tempo.
Quando ele entrou dentro da mata densa, ele se deixou chorar.
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Stiles acordou como se tivesse caído de um penhasco.
Uma queda livre, que o tinha deixado completamente desnorteado. Onde realmente ele estava? E porque seu coração doía tanto? Uma tristeza incontrolável inundava a sua mente o fazendo se sentir inútil e indefeso... Ele estava tão confuso... Ele conseguia lembrar de tudo o que tinha acontecido no sonho e ele estava completamente sem palavras. O sonho todo era surreal demais e real demais ou mesmo tempo. Forçando a sua cabeça para pensar, foi então que algo clicou na sua memória. Vidas passadas... Seria esse o efeito da cerimônia que ele ainda não tinha nem realizado? Ele só tinha convencido Derek a treinar os votos junto com ele... Ele não imaginou que apenas recitando os votos a cerimônia já seria iniciada... Mas vidas passadas... Teria Derek sido realmente um guerreiro de uma tribo? E pior ainda, o chefe que tinha atacado, por sobrevivência, justo a tribo de Stiles? Vidas passadas realmente existiam?
“Stiles?” Derek chamou sonolento, no escuro ele não conseguia ver nada, podendo apenas escutar os grunhidos irritados de Derek.
“Eu te acordei?” Stiles pergunta baixinho, talvez o outro tenha acorda por si mesmo e percebido que Stiles estava acordado?
“Não... Sim... Quer dizer,” Derek para um pouco, seu cérebro sonolento claramente tendo dificuldades para colocar ele para pensar no meio da noite... “eu senti que você não estava bem e foi como se eu tivesse que acordar... E seu coração ainda está bastante acelerado... O que foi?” Ele perguntou enquanto fazia Stiles de ursinho de pelúcia o agarrando fortemente contra seu peito e apoiando o rosto no ombro dele.
“Eu tive um sonho estranho... Mas eu estou achando que não foi um sonho...”
“Como assim?” Derek perguntou sonolento.
“Eu acho que eu tive um sonho sobre uma de nossas vidas passadas...”
“Vidas passadas?” Derek perguntou confuso.
“Eu acho que ao recitarmos os votos da cerimônia, ela mesma já se iniciou... Você se lembra quando eu comentei que ela iria despertar nossas vidas passadas?” Stiles perguntou distraído, pois ele inda tentava se lembrar com clareza sobre o que ele tinha lido...
“Na verdade não...” Derek confessou sem remorso nenhum, afundando seu rosto na curva d pescoço de Stiles. “Mas pelo o que você está dizendo... Ela vai fazer com que nós lembremos nossas vidas passadas?” Derek questionou um pouco descrente. Não é como se ele não acreditasse em outras vidas, mas estando no mundo supernatural... Ele não podia suspeitar de nada.
“Por todas as vidas vividas, nós seremos ligados.” Stiles recitou cuidadosamente.
“Nós seremos predestinados pelo poder do nosso próprio amor.” Derek sussurrou de volta.
Stiles foi recordando e refletindo cada linha dos votos, e só chegou a recitar a última linha quando a respiração de Derek já estava profunda e compassada. “E eu prometo alimentar a nossa chama até o fim.” Ele suspirou voltando a pensar novamente na floresta verde e nas águas cristalinas que ele viu em seu sonho... Drych e Star, Stiles pensou. Eu queria saber se vocês conseguiram ficar juntos no final das contas...
Deixando seus próprios olhos fecharem, vencidos pelo sono e cansaço, ele depositou um beijo casto na testa de Derek, que dormia em seus braços.
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