Million Dollar Man

34 Capítulo 34 - This. Here and now. With you.


Notas iniciais
Nem sei por onde começar, mas não vou enrolar. Mil desculpas, ok? Não está dando mesmo, estou para atualizar a história desde o dia 15, mas não estou com tempo para sentar na frente do computador para escrever nada. Me perdoem mesmo, detesto isso, o lado bom é que só faltam, em média, oito capítulos para a história terminar. ):
Rayane Pereira e Sorry I'm A Vampire, amei amei amei amei amei a recomendação de vocês, viu? Muito muito obrigada ♥
Enfim, 31 recomendações gente, nem sei o que dizer, nunca esperei isso da história, nunca mesmo, obrigada, de verdade ♥
Sobre o capítulo... Não ficou do jeito que eu esperava que ficasse, mas queria pedir para vocês lerem com carinho, ok? :3

-O que você está fazendo aqui uma hora dessas? – perguntou Miranda com uma expressão confusa estampada no rosto. Suspirei e cruzei os braços antes de pensar uma explicação coerente para lhe dar.

-Briguei com Matt. Nós terminamos – comecei – Ele está com raiva de mim, e acho que ele está certo, mas... Não consigo me importar com isso – pausa – Vou sair com Damon. – seus olhos se arregalaram – E April. E Maggie. Por isso estou aqui, vim buscá-la para um fim de tarde no shopping e depois, vou levá-la direto para minha casa, caso não se importe...

-Não, está tudo bem – cerrou os lábios – Por sua sorte, acabei de lhe dar um banho, então não vai demorar muito para que ela fique pronta... Está com pressa?

-Não, não – murmurei – Para ser sincera, estou adiantada até demais. April marcou comigo as quatro, ainda são... – olhei em meu relógio de pulso – Duas e quarenta. Temos tempo de sobra.

-Sendo assim... – deu de ombros – Prefere escolher o que ela vai vestir? – sorriu. Fiz uma careta e concordei com um simples gesto.

-

-Ok, o que exatamente vamos fazer? – perguntei assim que encontrei April na porta do shopping por ela escolhido.

-O que Margareth quiser – respondeu dando de ombros.

-Ah sim, claro, por que não? – perguntei ironicamente – Podemos ir direto para a fantástica fabrica de chocolate e passar a tarde brincando com o Willy Wonka em vez de perder tempo no cinema ou em um parque de diversão.

-Para de ser tão enjoada – disse – Vamos ver um filme qualquer e lanchar, depois podemos comprar alguns brinquedos para ela e eu estava precisando comprar alguns perfumes...

-Não acha que a estamos mimando demais? Sempre que nós duas saímos com ela, a enchemos de presentes. Isso, às vezes, não é bom – cerrei os lábios – Aliás, acostumá-la a ter tudo que quer não é bom.

-Mimando? Não, nem um pouco, se quer saber, acho que você deveria parar de agir como mãe e agir como irmã fazendo um pouco mais das vontades dela – replicou.

-E criar um mini monstro – ignorei parte do que ela disse – Mas tudo bem, vou desligar meu senso por hoje. – pausa – Onde o Damon está?

-Chegando, eu acho. Ele disse que terminaria uma reunião e viria para cá. Da empresa até aqui, são, no máximo, quinze minutos e liguei faz meia hora... Pensando bem, conhecendo meu irmão como conheço, aposto que ele já está nos esperando em alguma cafeteria.

-E não ligou para ele por que...? – perturbei. Ela revirou os olhos e sacou o celular do bolso.

De fato, Damon estava nos esperando em uma de suas cafeterias favoritas. Usando jeans de lavagem clara junto com uma camisa azul céu. Seus cabelos negros estavam mais desgrenhados do que o de costume e seus lábios rosados curvavam-se num meio sorriso sexy que fez meu coração pular naquela familiar reação exagerada.

-Hey — Damon abraçou April assim que nos aproximamos do local onde ele nos aguardava. Assim que se afastou, a atenção de seus olhos se voltou para mim. Acenei brevemente com a cabeça e abri um breve sorriso enquanto via a pequena ao meu lado correr em direção aos seus braços abertos.

-Decidiram o que vamos fazer? — perguntou ele com Margareth já em seu colo. Olhei para April e ela deu a mesma resposta que havia me dado:

-O que Maggie quiser — deu de ombros. Damon riu me fazendo revirar os olhos repleta de ironia; não era nada sensato deixar a decisão na mão de uma criança de cinco anos.

-E o que você quer fazer? — ele a perguntou fazendo cócegas na região abaixo de sua costela. Maggie pareceu pensar enquanto varria o lugar com seus pequenos olhos azuis curiosos.

-Quero ir ao cinema — começou — quero comer batata-frita e tomar sorvete — menos mal, aquilo era o que eu podia dizer "de sempre".

-E depois vamos escolher alguns brinquedos novos... — April completou. Cerrei os lábios e concordei sem ver outra saída; no fim das contas, ela merecia mesmo todo o mimo do mundo.

-Vamos?! — um sorriso sapeca iluminou seu rosto mudando minha opinião no mesmo instante.

-Vamos — disse-lhe — e se quiser, vai dormir comigo na minha casa com o tio John — acrescentei.

Damon sorriu e deu um passo em minha direção permitindo que a pequena me abraçasse desajeitadamente.

-Vocês podem esperar aqui um pouquinho? Quero ir ao banheiro — ao julgar por sua expressão facial, aquilo se tratava de uma mentira, mas rapidamente assenti; Damon não se demorou a fazer o mesmo — Quer ir também, Maggie?

-Não — respondeu sem maiores preocupações mexendo em meu cabelo. Contive a vontade de rir ao ver April bater os pés frustrada e seguir na direção norte sem sequer olhar para trás.

-Como você está? — Damon perguntou num sussurro. Abri um sorriso tímido e puxei Margareth para meu colo. Seu peso fez com que minha postura vacilasse, era difícil que aceitar que ela estava crescendo...

-Estou bem, eu acho — dei de ombros. Cuidadosamente, ele analisou minha expressão e hesitante, acariciou minha bochecha esquerda.

-Cansada? — questionou como se pudesse ver através de meus pensamentos. Suspirei e assenti sem mais delongas. — Hazel deixou seu recado comigo hoje cedo... O que queria falar comigo?

-Coisas da empresa, nada que você deva se preocupar agora — apressei-me em dizer. — Se possível, separe um horário amanha cedo para nós conversarmos — umedeci os lábios. — Como foi sua reunião? — perguntei mais por educação do que por interesse; a vontade de ouvir sua voz não precisava ser de fato mencionada.

-Maçante, como sempre — riu e sem que eu perceba, inclino minha cabeça em direção a sua mão desfrutando de seu carinho. Maggie interrompeu o momento levando sua mão nos cabelos do moreno.

-Tio Damon, eu posso ficar na sua casa depois? — pediu fazendo bico. Eu ri.

-Esta pedindo a pessoa errada, anjo – brincou ele e apontou para mim logo em seguida – Sua irmã é quem decide. Ela virou-se para mim e beijou minha bochecha com uma expressão interesseira.

-Achei que você fosse dormir comigo – minha voz soou desanimada. Ela fez um biquinho manhoso.

-Mas eu quero ficar com o tio Damon – disse mexendo em meus cabelos – Lembra aquele dia que você dormiu com a gente? Porque você não dorme lá também? – Damon desviou o olhar tão sem graça quanto eu.

-É diferente agora, bebê – tentei explicar – Nós não estamos mais namorando, eu não posso dormir junto com... – ela me interrompeu.

-Eu fico no meio! – Rá-rá. Para crianças tudo parecia fácil demais – Por favor. – sacudiu-se choramingando – Eu durmo na sua casa outro dia, Lena, por favor...

-Tudo bem – dei de ombros. Ok, meus planos para aquela noite estavam piores que antes; invés de passar a noite brincando com minha irmã, passaria a noite sozinha sabendo que ela estaria se divertindo com meu ex-namorado e minha melhor amiga e ex-cunhada enquanto eu estava lá a ver navios.

Antes mesmo que April voltasse, comuniquei Miranda da estadia de Margareth na casa de Damon; como eu já esperava, ele não fez nenhum objeção – talvez porque pensara que eu também ficaria lá. Fizemos um rápido lanche no restaurante escolhido por Maggie e em seguida, April carregou a pequena para uma sorveteria que ironicamente ficava do outro lado do shopping.

-É impressão minha ou esse sorvete foi algo combinado para nos deixar sozinhos? — Damon perguntou reprimindo uma risada. Ganhei um rubor forte e assento cruzando os braços. — Ela sabe que você está namorando para "planejar" esse tipo de coisa?

-Na verdade... — minha expressão vacilou — Matt e eu terminamos. — cerrei meus lábios — ontem à noite.

-Você estava namorando Matt? — trincou os dentes. Assenti sem entender muito bem sua raiva repentina. Damon respirou fundo e sacudiu a cabeça negativamente. -Ok, não tenho nada a ver com quem você namora — coçou sua cabeça escondendo uma careta. -Mas... April sabe que vocês terminaram?

-Assim que eu contei ela deu a ideia de sairmos juntos — admiti baixinho ganhando um rubor forte. -Ela é mais rápida que eu. — ri sem graça.

-E você concordou em vir? – seus olhos faiscaram com a curiosidade. Respirei fundo antes de responder.

-Creio que seria melhor que ficar em casa me culpando por ter terminado com ele daquela forma – admiti – Fora que estava com saudade de passar um tempo com a minha irmã...

-Eu sei – riu e aproximou-se de mim de maneira que pudesse envolver minha cintura com seus braços. Pensei em me afastar, mas logo cedi deixando que um leve sorriso se espalhasse por meus lábios. – Seria precipitado eu te chamar para jantar comigo amanhã? – eu ri alto.

-Sim, seria – pausa – Mas aceito – mordi meu lábio inferior.

-Então... – April nos interrompeu com as bochechas coradas. Afastei-me de Damon e lancei-lhe um olhar sugestivo.

-Podemos ir para o cinema de uma vez? – ela me puxou. Damon a olhou com uma expressão confusa e Maggie continuou sem abrir a boca. – Depois a gente conversa – sussurrou para mim.

-

Assim que as luzes da sala se apagaram, um arrepio perverso sacudiu minha espinha e bloqueou minha sanidade fazendo do moreno ao meu lado o centro de meu universo. Respirei fundo e cruzei as pernas escondendo o tremor do nervosismo que deixava minha respiração instável. As cores saltitavam na tela antes branca, mas apenas pareciam borrões devido meu total descaso. Damon parecia tão tento e agitado quanto eu, e, caso não fosse nossos corpos colados não seria possível de notar isso.

Aos poucos, ele passou um de seus braços a minha volta e beijou minha bochecha enquanto fazia um carinho gostoso em meu ombro. Suspirei e virei meu rosto deixando o seu apenas centímetros de distância do seu. Olhei para April e Maggie sentadas na fileira abaixo e nós e concluí que elas não virariam para trás caso nós não chamássemos... Colei meus lábios nos seus e dei inicio a um lento beijo. Meu corpo inteiro tremia de nervoso e ansiedade; céus, aquilo estava mesmo certo? As palmas de minhas mãos estavam soadas e meu coração palpitava assustadoramente.

Sem deixar meus lábios, ele explorou meu corpo sob a proteção do tecido com a ponta dos dedos e parou em minha virilha onde massageou o lugar fazendo minha intimidade se umedecer por completo. Gemi em sua boca e aprofundei o beijo agarrando-me na gola de sua blusa o fazendo suspirar alto; sorri satisfeita e senti seus dedos em meus quadris por baixo de minha blusa.

-Não vou fazer esse tipo de coisa aqui – reuni forças para dizer e, sem a menor vontade, afastei meus lábios dos seus – Muito menos assistindo desenho – o empurrei gentilmente na falha tentativa de recuperar o fôlego. Um sorriso malicioso espalhou-se por seu rosto e deixou seus olhos azuis em chamas.

-Então o que te impede é o lugar? – sussurrou em meu ouvido enquanto roçava a ponta de seu nariz em meu pescoço. Não consegui encontrar as palavras certas para construir uma resposta coerente; meu foco era esquivar-me de seus toques precisos e provocantes.

-Damon – minha voz soou repleta de manha – Para, por favor – pedi – Não estamos em lugar adequado ou em horário... –olhei o grande número de crianças a minha volta – nem com o público certo.

-Aconteceu alguma coisa? – April perguntou virando-se para trás; por sorte, já havia um espaço seguro entre nós. Cerrei os lábios escondendo um sorriso e fiz que não com a cabeça. Ela lançou um olhar furioso para Damon.

-Não aconteceu nada, April – disse com firmeza. – Aliás, estávamos falando que precisamos de um tempo sozinhos para conversar – senti minhas bochechas se aquecerem. Respirei fundo tentando acalmar o ritmo acelerado de meus batimentos cardíacos – Tem algum problema se eu levar para o meu apartamento e quando for umas dez horas nós voltamos para buscar vocês? – sua expressão era uma mistura de preocupação com suspeita; abri um breve sorriso para tranquilizá-la.

-Ok – ela disse por fim – Quando terminamos nosso programa, ligo para vocês virem – pausa – Só não briguem de novo, por favor – acrescentou baixo o suficiente para que a pequena ao seu lado não escutasse.

-Não se preocupe com isso – murmurei – estamos bem – assegurei. Ela soltou um suspiro pesado e concordou.

-Tudo bem – deu de ombros – Não cabe a mim me meter nisso.

-

-Enfim, sós — disse Damon após fechar a porta se seu apartamento atrás de si. Entrelacei meus dedos uns nos outros e segui silenciosamente para a sala de estar ouvindo o ruído de seus passos logo atrás dos meus. O que havíamos começado no cinema teria que ficar para depois, de fato, havia muito a ser dito, e talvez, pouca coragem para se dizer. Encarei sua expressão nervosa e soltei um suspiro de frustração; sente-me no sofá e encarei o chão aguardando-o começar a falar.

-Não vou mentir para você, tenho muita coisa para te dizer, mas não faço ideia por onde começar – admitiu num falho sussurro. Suas pupilas estavam extremamente dilatadas e escondiam parcialmente o brilho presente naquela imensidão azul cuja passara todo caminho até ali admirando. – Não sei nem se devo dizer essas coisas, talvez não seja certo – passou a mão por se rosto e deu uma longa pausa, certamente para tomar sua decisão – Escrevi uma carta, não tinha a pretensão de te entregar ou sequer deixar você saber da existência, mas... Acho que seria eficiente.

-Contando que diga o que tem que dizer – cerrei os lábios. – Prometo que não vou corrigir seus erros ortográficos – tentei quebrar o clima de tensão relembrando-o do que havia lhe contado em nossa viagem a Suíça. Funcionou, um sorriso divertido espalhou-se por seu rosto.

-Vou ao escritório pegar. – pausa – Ou prefere ter essa conversa lá? Você disse que tinha algo para discutir comigo, mas preferia que fosse amanhã por se tratar de coisas da empresa... – sua voz foi sumindo.

-Depois a gente resolve isso, ok? Não sei se tenho cabeça para outra coisa agora – articulei. Rapidamente ele assentiu e fugiu de meu campo de visão indo em direção a seu escritório. Sem ao menos perceber, começo a sacudir minhas pernas e enrolar meus fios em meus dedos, ambas as coisas que só fazia quando nervosa. O minuto que se passou pareceu uma eternidade; Damon voltou com um papel dobrado nas mãos e com a pior expressão estampada no rosto. Seja lá o que fosse escrito na carta, já me assustava.

-Não me leve a mal, por favor – hesitou, mas, finalmente colocou o papel em minhas mãos – Se você não quiser ler, eu entendo.

-Tudo bem, eu quero ler – disse com maior certeza do que realmente tinha. Sem dizer mais nada, ele se sentou ao meu lado e observou enquanto eu desdobrava a carta cuidadosamente. Sem muitos enfeites ou formalidades, o papel branco era marcado por uma caligrafia rápida e elegante do topo até seu rodapé sem conter nenhuma informação do remetente. Olhei-o novamente e respirei fundo antes que começar o primeiro parágrafo.

Não sei como deveria começar a escrever essa carta. Aliás, perdoe-me por estar escrevendo e não dizendo isso diretamente para ti, mas o que eu disse sobre ter sérios problemas para lidar com meus sentimentos ainda é válido. Elena, eu já devo ter dito milhares de vezes o quanto estou arrependido; sei também que tenho o seu perdão, porém ele por si só não é o suficiente quando eu não consigo superar a burrada que fiz. O ponto dessa carta não é te lembrar do que já fiz para te magoar, logo esqueça esse parágrafo e siga adiante, afinal, como você mesma disse, pedir desculpas não vai mudar nada que aconteceu.

Eu preciso da sua companhia. Preciso cuidar de você. Eu sei que você tem outra pessoa agora e não lhe falta nada que eu poderia te oferecer, porém isso não significa que eu mude meus planos de estar ao seu lado sendo aquele homem chato e mandão que costumava te irritar vinte e quatro horas por dia. Ok, nós combinamos de ir com calma, “um passo de cada vez”, mas... O que, exatamente, isso significa? Que vou ter que esperar só Deus sabe quanto tempo até as coisas entre nós se estabilizarem – se é que um dia elas vão – para termos um novo começo? Que você quer esperar meu filho nascer para darmos um segundo passo? E que, nesse meio tempo, vou ter que ver você sendo feliz com outra pessoa e viver minha vida como se pouco ligasse para isso? Aquela teoria de que quando se gosta de alguém, tudo bem vê-la feliz com outro dando importância ao seu bem estar não funciona nem um pouco comigo... Caso você não se lembra, sou a pessoa mais egoísta que você já conheceu. Não aceitaria isso. Não aceito; não faço ideia de quem seu namorado e já o odeio por tocar em ti como eu gostaria – e também não me importo no quão infantil isso possa parecer.

Quando disse que fiz sacrifícios abrindo mão de tudo aquilo relacionado a sexo, me expressei mal, muito mal. Não foi um sacrifício abrir mão daquilo, mas não faria isso por nenhuma outra mulher, do mesmo jeito que não me esforçaria tanto para ser um namorado normal e romântico como eu fiz por ti. E se tu queres saber, faria tudo de novo se isso garantisse que momentos como aqueles dos nossos primeiros meses juntos voltassem. Elena, já passou por sua cabeça o quanto eu senti, e ainda sinto, sua falta? Desde sua risada ao cheiro de sua pele, do seu cabelo a sua voz manhosa pela manha... Percebeu como você consegue me ter na palma de sua mão sem muito esforço? Já não sei mais sobre o que estou escrevendo, mas o fato é que já não vejo mais um fim específico para o que tenho para dizer.

Com as bochechas umedecidas por um choro silencioso, olhei o verso da folha e, depois de inalar uma lufada de ar, continuei a ler:

Esses três meses, duas semanas e dois dias foram de longe os piores. Porém, ainda sim, tenho que admitir que aprendi muito com eles. Principalmente que não basta sentir, você tem que dizer, tem que demonstrar e dar valor, coisa que não fiz contigo, morena. Não quero pedir perdão mais uma vez, porém vejo que é necessário. Queria que você permitisse que eu lhe mostrasse tudo isso que deveria ter mostrado, sentido, demonstrado e dado valor quando tive em minhas mãos... Soube o que Katherine te disse, e... Mesmo sabendo que era errado e irracional, queria que você aceitasse, queria que você assumisse essa responsabilidade e fosse a mãe que eu queria para os meus filhos, a mulher que eu quero na minha vida, e com o tempo, acabaríamos sendo uma família e... Sei que você acha isso uma loucura e que nunca concordaria com uma coisa dessas, mas Elena, eu queria muito que você aceitasse isso, aceitasse ser a mãe que meu filho vai precisar, não me resta dúvidas de que tu irias dar todo o seu amor e carinho mesmo não sendo seu filho de sangue, estaria sempre lá como Miranda sempre esteve para ti... Vejo a maneira que você trata a Maggie e é uma coisa totalmente encantadora. Sei que não tenho o direito de pedir isso a você, mas eu preciso muito do seu apoio, de você ao meu lado...

Não conseguiria terminar a leitura. Restavam apenas dois parágrafos, mas meu coração batia num ritmo que fazia o espaço em peito se tornar apertado demais. Com as mãos tremulas e cega pelas lágrimas que escorriam involuntariamente por meu rosto, dobrei o papel e encarei minhas mãos perplexa com o conteúdo em minhas mãos. Ele podia não ter dito diretamente, mas meu inconsciente gritava para mim que, mesmo que não da mesma intensidade, ele sentia algo por mim. Algo real, algo... Um soluço espaçou por meus lábios e pude dar adeus ao autocontrole que me restava.

-Damon, eu – tentei dizer algo. Pigarreei duas vezes e respirei fundo – não sei o que dizer. Não vou mentir, eu sempre quis ouvir... – ele me interrompeu.

-Elena – eu mal conseguia ouvir sua voz. Lentamente, me virei em sua direção e deixei que ele secasse minhas lágrimas. – Olha para mim, por favor – fiz o que ele pediu e funguei afugentando o choro responsável por minha respiração ruidosa – Eu te amo – sua voz falhou. O sangue ferveu em minhas veias com sua declaração. – Muito, eu... – deixou a frase inacabada.

A única resposta capaz de dar foi um abraço responsável por extinguir todo o oxigênio de meus pulmões. Céus, se aquilo fosse não passasse de um sonho eu preferia morrer a acordar. Carinhosamente, Damon puxou-me para seu colo e aninhou-me em seus braços mantendo nossos corpos colados impedindo que o ritmo acelerado de minha respiração e pulsação se normalizassem. Depois de encontrar uma posição favorável, ele distribuiu beijos por meu rosto e aproveitou para inalar o perfume de meus cabelos enrolados em suas mãos.

-Ah, minha morena – suspirou colando sua testa na minha. Sua respiração estava tão instável quando a minha indo e vindo rápido de mais; percebendo isso, deixo que um breve sorriso se espalhe por meus lábios mais do que satisfeita. Ergo as mãos e as posiciono em sua nuca fazendo então um leve carinho no local.

-Eu te amo — sussurrei ainda um pouco insegura. Passei a língua por meus lábios e pigarreei livrando-me do nó que havia se formado em minha garganta. — E nem mesmo tudo que nós temos passado afetou isso, aliás, muito pelo contrário, esse tempo longe de ti só reafirmou metade do que eu já sentia — rocei meus lábios nos seus interrompendo seu sorriso. — E me sinto uma idiota por isso, posso ter prometido não chorar como esgotei todas as minhas forças mantendo essa promessa, mas nesse momento, a única coisa que eu quero fazer é chorar porque tudo aquilo já acabou e. — funguei — Não quero saber do que você já fez, eu quero você aqui comigo — sussurrei com a voz falha — Nunca me envolvi com ninguém dessa forma e não sei se o jeito que agi foi certo, mas... — um beijo lento e doce cortou meu raciocínio — Quer saber? Não importa, eu quero... — disse nos poucos segundos que seus lábios deixaram os meus — Damon, deixa eu terminar de falar — gemi repleta de manha o fazendo cair na gargalhada. Contrariando o que eu lhe disse, ele beija meus lábios outra vez enquanto faz um leve carinho em minha bochecha — O que eu estava falando mesmo? — perguntei quando ele me permitiu.

-Que você me ama — sussurrou com um sorriso largo no rosto. Minhas bochechas ganharam um rubor forte; dei risada e mordi meu lábio inferior ainda deslumbrada com suas palavras. — E não morda o lábio, quer que eu te lembre de o que acontece quando você faz isso? — disse sedutoramente.

-Sinceramente, não me lembro do que acontece Sr. Salvatore — provoquei sentindo meus pelos se eriçarem.

-Não? Tem certeza? — perguntou aproveitando-se de minha provocação.

-Não faço ideia — inspirei uma grande lufada de ar observando pairar em cima de mim prestes a morder meu lábio inferior como eu me lembrava perfeitamente de ele ter feito em nosso, se é que assim posso chamar, primeiro encontro.

Seus lábios moviam-se contra os meus como se buscassem saciar a saudade da distância que mantivemos nos últimos meses, mesmo já tendo o beijado mais cedo. Seus dedos emaranhavam-se em meus cabelos e me conduziam a chegar cada vez mais perto para que ele aprofundasse o beijo. Sua língua brincava com a minha arrancando-me altos suspiros e enviando uma forte corrente elétrica por minha corrente sanguínea que desencadeava uma série de arrepios por todo meu corpo.

Damon geme contra meus lábios, um ruído arrastado e extremamente sexy que faz um largo sorriso malicioso se espalhar por meus lábios em meio ao nosso beijo. Suas mãos deixam meus cabelos e exploram as laterais de meu corpo com leves toques provocantes até encontrarem minhas coxas; ele me puxa para si e sou obrigada a fincar minhas unhas em seus ombros para conter os tremores que sacudiam meu corpo nada gentilmente em função do tamanho de meu desejo.

Sem nenhuma dificuldade ele começa a subir o fino tecido de minha blusa; o prazer ressoava por meu corpo enquanto ele acaricia minha pele morna com a ponta de seus dedos gélidos até a barra de meu sutiã. Sua boca deixa a minha quando meus pulmões já clamavam por oxigênio, gentilmente, Damon me afasta e desabotoa botão por botão de minha blusa e a joga no chão voltando a atenção então para meus seios parcialmente expostos. Suavemente, ele roça seus lábios em meu pescoço e começa a distribuir beijos por toda extensão até o vale entre meus seios.

-Vamos para a cama – sussurrou mordiscando o lóbulo de minha orelha. Arfei como resposta e senti o sofá desaparecer sob mim. Segurei firmemente em seus braços e descansei minha cabeça na curvatura de seu pescoço. Uma vez no quarto, Damon tranca a porta e me carrega até sua cama onde ele me põe deitada gentilmente.

Sem pressa alguma, Damon desceu minha calça jeans roçando seus dedos por minha coxa sem quebrar o contado visual um minuto sequer. Ri de sua expressão pervertida e tratei de sentar para que pudesse me livrar de sua camisa azul céu enquanto procurava por seus lábios faminta. Demorei mais do que deveria sem levar em conta meus dedos trêmulos. Jogando a peça no chão ajoelho-me no colchão e colo meu corpo seminu junto ao seu arrancando-lhe um gemido sôfrego. Nosso beijo assume uma necessidade inexplicável, a cada toque e carícia suspiros altos de prazer escapavam por nossos lábios quebrando o silêncio monótono de seu quarto. Com certo esforço, alcanço uma posição favorável e, ainda com as mãos tremulas, desabotoo sua calça e deixo que ela escorregue por suas pernas enquanto minhas mãos exploram suas coxas voluptuosamente.

Delicadamente, Damon me puxa mais para si e deita meu corpo no colchão sem deixar que nossos lábios percam contado. Puxei os cabelos de sua nuca sutilmente e arqueei meu quadril de encontro ao seu ao sentir sua crescente ereção contra minha intimidade que já latejava ansiando por contado.

-Você é tão linda – suspirou e beijou meu queixo antes de plantar uma mordida no local. Soltei um gemido involuntário e puxei seus fios fortemente arrancando-lhe uma risada rouca. Damon tirou meu sutiã sem muito esforço e logo fiz questão de descer minha calcinha terminando o trabalho com minhas pernas. Vendo-me nua, ele se adianta e tira sua box atirando-a para longe junto com o resto de nossas peças.

Damon distribui beijos úmidos desde a curvatura de meu pescoço até meu ventre demorando-se no vale entre meus seios. Finquei as unhas no colchão segurando o lençol entre os dedos fortemente reprimindo uma vontade enorme de gritar. Com um sorriso pervertido nos lábios, ele continuou a descer direção a minha intimidade lentamente deixando beijos cada vez mais demorados me fazendo arquejar. Devagar, ele ergue minhas pernas e as ajeita em seus ombros antes de segurar uma de minhas mãos enquanto a outra fazia um delicioso carinho em minha nuca. Senti meu corpo estremecer quando sua boca morna entrou em contado com minha virilha, gemi frustrada e contorci-me sob efeito de seus toques precisos. Primeiro, Damon faz uma pausa e volta a não explorar minha virilha, mas minha intimidade com a ponta de sua língua. Deixo um grito agudo escapar por meus lábios, mas aquilo só parece o incentivar a continuar; ele roça seus dentes em meu clitóris e em seguida o toma para si fazendo todo meu corpo estremecer numa imensidão de prazer.

Com auxílio de seus dedos, ele explora toda aquela região conseguindo me deixar ainda mais excitada do que já estava. Levo meus dedos a seus cabelos e os puxo a medida que minha intimidade se contrai dando indícios de que um delicioso orgasmo se aproximava. Arqueio meu quadril de encontro a ele e suas mãos encontram minhas coxas ajudando-me naquele movimento para que ele tivesse maior acesso aquele ponto sensível.

-Damon, eu não vou conseguir segurar — gemi com a voz tomada de prazer.

-Então não segure, meu amor — sussurrou apertou minhas coxas com vontade.

Sua língua percorreu toda extensão de minha intimidade antes que ele beijasse mais uma vez o local. Assim que se aproximou de minha entrada, enrijeci meu corpo prolongando ao máximo que conseguia aquele momento; percebendo meu estado de excitação, ele chupa com vontade meu clitóris e sou obrigada a fechar os olhos antes de me deixar levar pelo mar de prazer diante de mim.

Ofegante, passo a mão por minha testa livrando-me do resquício de suor. Damon escorregou deu corpo sobre o meu e beijou meus lábios avidamente enquanto corria suas mãos por meu corpo; quebrando o beijo, ele se posiciona de maneira que seus lábios abocanhem meu seio esquerdo. Mais uma vez, grito sem estar esperando seu ato; envolvo seu corpo com minhas pernas e tombo minha cabeça para trás deliciando-me da sensação de ter sua boca ali. Sua ereção crescente rapidamente fez com que minha intimidade se contraísse e se umedece de novo ansiando por tê-lo por inteiro.

-Pega a camisinha — sua voz rouca arrepiou todos os meus pelos em questão de segundos — Na primeira gaveta.

Assenti e tateei a minha volta procurando o puxador da gaveta. Já com o preservativo nas mãos, tive uma grande dificuldade para abri-lo apelando no final por meus dentes. Desorientada e tremula, seguro seu membro e o envolvo com o preservativo; em seguida, o coloco em minha entrada mordendo meus lábios fortemente.

Damon puxou minhas mãos de forma que nossos dedos ficassem entrelaçados e me penetrou lentamente sugando todo o ar de meus pulmões. Procurei seus lábios com o intuito de silenciar nossos gemidos altos e esganiçados; sua língua envolveu a minha numa dança erótica e sensual que acompanhava o ritmo de suas lentas estocadas. Não conseguia concertar-me em nada. nada além de Damon e seus toques e beijos por meu corpo. Céus, como senti falta daquilo, como senti falta dele... Rocei meus lábios em seu pescoço e deitei minha cabeça no travesseiro sem forças físicas para reagir aos seus estímulos.

-Juntos, ok? — sussurrou ele com a voz falha. Concordei e fechei os olhos esperando que o segundo orgasmo me atingisse e removesse o pouco que restava de minhas energias. Damon estremeceu e se entregou aos prazeres de nosso ato e nem mesmo um segundo depois me rendi aquele momento e me entreguei, pela segunda vez, ao meu moreno que agora descasava sua cabeça na curvatura de meu pescoço com a respiração irregular.

-Eu te amo tanto — disse e plantou um leve beijo próximo a minha nuca. Abri um largo sorriso e afaguei seus cabelos agora suados.

-Eu também – disse manhosa e senti-o deslizar para fora de mim. Em seguida, ele puxa-me para si e começa a acariciar minhas costas; fiz de seu gesto uma doce e serena canção de ninar. – Posso dormir um pouquinho? – pedi já fechando os olhos. Ouvi sua risada ecoar pelo quarto seguido de um breve sim.

(...)

-Como eu senti falta disso — disse ele inalando o perfume de meu pescoço. Soltei um gemido manhoso e me remexi em sua cama afastando-me lentamente. Vendo sua expressão confusa, dou risada e entrelaço meus dedos nos cabelos de sua nuca.

-Estou suada, Damon — expliquei. Meu moreno revirou os olhos e beijou toda a região ignorando o que eu havia dito. Fechei os olhos e me deleitei das sensações provenientes de seus lábios roçando contra minha pele e não consegui conter um sorriso deslumbrado de estampar meu rosto. Aquilo estava bom demais para ser verdade. Bom não era bom para suficiente para descrever meu estado de felicidade.

-Se esse é o seu único problema — mordiscou meu queixo antes de plantar um beijo casto em meus lábios — Podemos tomar um banho. Conhecendo April, ela não ligará nem tão cedo...

-Mas... — não gostaria que um telefone nos interrompesse, isso é, minha intenção não era tomar apenas um banho; haviam três meses de saudades a serem saciados a começar por aquela noite, se pudesse não desgrudaria de Damon por um segundo sequer.

-Mas? — puxou-me para mais perto de si e passos os braços em volta de minha cintura. Seja lá o que fosse que estava prestes a usar como contra-argumento, desisti e colei sua boca na minha deixando que os pensamentos racionais fugissem de meu alcance.

Minha língua envolvia a sua em giros lentos e sedutores responsáveis por transformar nossas respirações em um arfar descompassado. Sua pele úmida de suor grudava na minha despertando aquele familiar frenesi que despejava a adrenalina em minhas veias e fazia com que meu sangue fervesse. Se pela segunda vê na noite, via-me completamente à mercê de Damon sem que ele fizesse grande esforço.

-O que acha de fazermos algo diferente? — disse distribuindo leves mordidas na região próxima a minha orelha esquerda. Sem conseguir dizer nada coerente, apenas gesticulo positivamente e tombo minha cabeça para trás dando-lhe espaço para explorar minha garganta com a ponta de sua língua.

Entendendo meu recado não verbal, ele contorna meu corpo com suas carícias e me vira de costas para ele passando então a beijar minha nuca delicadamente. Um arrepio desceu por minha espinha em alerta; temia que estivesse entendendo errado o que ele estava prestes a fazer, pois mesmo sendo com ele, aquilo ainda estava longe de minha zona de conforto. Suspirei alto e enrijeci minhas pernas não contendo o nervosismo que se manifestou de imediato.
-Hey — suas mãos subiam e desciam fazendo desenhos abstratos em minhas pernas enquanto ele sussurrava para mim — Não precisa ficar assim, pequena, não vamos fazer isso hoje — Oh, céus. Não vamos fazer isso hoje; ele tinha a pretensão de um dia fazer, puta merda. — Relaxe — sua voz soou rouca e falha; fechei os olhos e tentei fazer o que me foi dito.
Lentamente, Damon move suas mãos em direção a minha intimidade; levo minhas mãos até sua nuca e deito minha cabeça em seu ombro deixando que meus olhos de fechassem a medida que seus dedos ágeis aproximavam-se de meu sexo já umedecidos.

Seus dedos me penetraram de uma só vez arrancando-me um gemido alto; revirei os olhos e senti meus joelhos cederem. Rebolei lentamente aproveitando-me de sua rasa penetração enquanto puxava seus cabelos sem medir forças. Lentamente, ele deixou aquele local e subiu afagando meu corpo até chegar em meus seios massageando-os deliciosamente. Arquejei e senti sua ereção contra minhas nádegas fazendo-me contorcer em seus braços.

-Prefere fazer isso aqui ou no chuveiro? – perguntou com uma risada por trás de sua voz. Gemi frustrada com sua interrupção e segurei suas mãos em minha cintura.

-No banho – manhei – Antes que April resolva nos interromper.

-Como quiser meu anjo – beijou minha nuca e afastou-me gentilmente para que pudéssemos seguir até o banheiro.

(...)

-April ligou – anunciou quando entrou de novo no quarto – Maggie está enjoada porque está com sono e acha melhor nós irmos buscá-las.

-Tenho mesmo que ir? – gemi puxando o lençol para esconder meu corpo nu. Ele riu e sentou-se na beira da cama.

-Não – pegou minha mão e depositou um leve beijo antes e entrelaçar nossos dedos – Você vai dormir aqui?

-Posso? – perguntei com um sorriso malicioso. Ele riu alto.

-Com sua irmã de cinco anos dormindo entre a gente? – arqueou uma sobrancelha.

-Isso é um sim? – também ri. Ele assentiu e inclinou-se para depositar um beijo demorado em minha testa.

-Mais tarde, podemos conversar sobre o que estava escrito naquela carta? – perguntou ficando tenso de repente. Sacudi a cabeça positivamente e puxei seu travesseiro para mais perto de mim. – Queria que você ignorasse algumas coisas e considerasse outras... – disse aleatoriamente. Franzi o cenho confusa, mas concordei em pensar no que ele havia dito.

-Tudo bem – disse e abri um sorriso tímido – Se não for pedir demais, não demore. E não deixe que April venha para cá, ela fará muitas perguntas.

-Como quiser – ele riu alto e depositou um beijo casto em meus lábios interrompendo meu sorriso.

Notas finais
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