Million Dollar Man

35 The Truth Part IV


Notas iniciais
Eu não esqueci de vocês, ok? Já expliquei tudo e mais um pouco, só me resta esperar a compreensão de vocês. Muito, muito, muito, muito - mesmo - obrigada a todos os comentários e mensagens, mesmo que eu não tenha respondido, saiba que >com certeza< eu (a)os li e levei em consideração o que foi dito. Bem, 335 leitores. Juro por Deus que não acredito - e mais uma vez, só tenho a agradecer a vocês. Indo ao capítulo... Hm, está curtinho, já não aguentava mais ficar sem atualizar aqui e resolvi esquecer um pouco o cursinho para quitar minha dívida com vocês... Espero que gostem - e é isso! Boa leitura :*

Não sabia ao certo se as vozes de tons diferentes no outro cômodo eram de fato concretas ou se, simplesmente, faziam parte do fruto de minha sonolência. Cansada demais para pensar em sequer decifrar o que se tratava, viro-me na cama aconchegando-me junto ao travesseiro. Mesmo tendo dito a mim mesma, pelo menos, uma duzentas vezes de que era aquilo que eu queria, perdoar Damon e saltar em seus braços como se absolutamente nada tivesse acontecido, nem um dia depois de meu ato de perdão, já estava me sentindo extremamente envergonhada.

Não por ter, enfim, o perdoado. E sim, por ter almejado aquilo. Talvez eu só não estivesse acostumada com tantos mimos e quando os perdi o buraco fora ainda maior – de fato, agora percebia que, durante aqueles meses, não havia chão sob meus pés. Por fim consegui relaxar meu corpo e acabei caindo num profundo sono sem sonhos; uma vez ou outra tive a leve sensação de ter alguém pairando sobre mim observando meu sono, mas, obviamente, nada que conseguisse me desligar daquele transe merecido.

O quarto ainda estava escuro quando resgatei forças para abrir meus olhos. Estiquei meu corpo na confortável cama e desfrutei silenciosamente daquela conhecida – e deliciosa – dor após uma noite como aquela. O relógio sobre a mesinha de cabeceira indicava que ainda não se passavam das três da manha então, com um suspiro um tanto manhoso, puxo o edredom esquivando-me do frio. Damon dormia profundamente ao meu lado, seu peito nu estava parcialmente exposto pela coberta e seus cabelos negros encontravam-se naquela casual desordem espalhados sobre seu travesseiro. Mordisquei meu lábio tentado a, invés de me contentar com o calor do tecido, deleitar-me do calor e aroma de sua pele.

Ele fazia aquilo, não fazia? Perguntei-me. Bem, pelo menos costumava fazer... Colar seu corpo ao meu no meio da madrugada e, por muita das vezes, acabar me acordando com seus beijos e carinhos... Não que, nem mesmo de longe, eu tivesse a pretensão de reclamar. Um breve sorriso espalhou-se por meus lábios.

Apoio-me sobre meus cotovelos e arrasto meu corpo para mais perto do seu e, lentamente, deito minha cabeça na curvatura de seu pescoço... Nada satisfeita, penetro meus dedos em meio a seus fios e deposito um demorado beijo úmido em seu pescoço. Seu corpo inteiro estremece fazendo uma risada escapar por meus lábios; inalo seu perfume e volto a plantar beijos por toda região sensível.

–Que horas são? — perguntou meu moreno com a voz embargada de sono. Gemi frustrada e abracei-o pelas costas.

–Não era minha intenção te acordar — sussurrei o beijando novamente — ainda são três da manha. — ele suspirou e virou-se na cama puxando-me de encontro a seu peitoral.

–Algum motivo especial por alguém está acordada essa hora? — a malicia era explicita em sua voz rouca.

–Ai, você só pensa em sexo — eu ri sonolenta.

–Mas quem penso foi você — me acusou — Tanto faz — roçou seu nariz em meu queixo enquanto, com a ponta dos dedos, percorria toda extensão de minha coluna — Estou com saudades de ti, Elena. — Não pude conter um breve sorriso que brincou em meus lábios.

–Eu também — acariciei seu rosto — E não estou falando só sexualmente falando, por exemplo — disse com manha — só quero sua companhia — Damon abriu um sorriso torto — e seu abraço — instantaneamente, ele estreitou seus braços a minha volta — e do seu beijo — murmurei. Delicadamente, ele sela seus lábios nos meus e da inicio a doce e breve beijo responsável por aguçar todos os meus sentidos.

– Isso é jogo sujo — disse contra meus lábios antes de beijar-me novamente.

–Não aprendi isso sozinha — segurei suas mãos e mantive minha testa colada a sua. Céus, como eu conseguira ficar tanto tempo longe daquele homem?

–Não reclamaria se você me acordasse assim todos os dias — rolei de volta ao meu lugar em sua cama e abracei o travesseiro de maneira que tivesse uma visão privilegiada de seu rosto no escuro.

–Se você quiser — mordi o lábio. Seu sorriso de resposta durou pouco; logo vincas de preocupação franziam sua testa e lhe tiravam aquele ar jovial — O que houve? — questionei.

–Sobre a carta... — eu o interrompi.

–Damon, não precisa falar sobre isso agora — o tranqüilizei — quando você disse "depois", pensei que fosse esperar, ao menos, alguns meses — ele ergueu uma sobrancelha — Ou nem tanto, ok. Mas, sinceramente? Eu não me importo, seja quais sejam as suas condições, você já abriu mão de muita coisa por mim, já passou da hora de eu atender um de seus pedidos — suspirei.

–Aí é que está — tocou a ponta de meu nariz — não quero esperar o "depois". Quero deixar bem claro que você não tem que fazer nada do que não quiser, eu estava meio desesperado, acabei exagerando em algumas partes. — admitiu — Como a que eu pedi a você para assumir meu filho com a Katherine. É um absurdo, sem mais.

–Mas eu quero — sussurrei. Não sabia, de fato, se queria aquilo, mas... Sabia que não seria capaz de gerar um filho, tendo a oportunidade de criar uma criança desde seus primeiros dias era meio sonho realizado — Não acho um absurdo. Sabe Damon, acho que nós nunca chegamos a esse mérito para que eu criasse coragem o suficiente para te contar... — desviei o olhar. Meu medo de que ele estragasse a noite com aquela conversa acabara de se tornar o pesadelo onde eu lhe dava mais uma oportunidade de me chutar para fora, não só de sua casa, mas também de sua vida.

–Contar o que, meu anjo? -aproximou-se de mim. Um nó se formou em minha garganta; eu mal sabia por onde começar.

–Não quero que fique nervoso e vá tirar satisfação por uma coisa que já aconteceu há dois anos, ok? — pedi. Ele gesticulou positivamente — Promete? — repetiu o gesto. Respirei fundo e continuei: — Pouco tempo depois que comecei a... — sacudi a cabeça — quando conheci Stefan, bem, as coisas eram bem diferentes, por exemplo, ele não respeitava bem minhas escolhas — não precisava recordar que nunca respeitou — e, uns dois meses depois que eu fui para aquele lugar, ou mais tempo, não sei, aconteceu que... — a coragem me abandonou por completado me deixando com uma imensa vontade de sair dali correndo para chorar em algum lugar onde ele não me encontrasse.

–Continue — enrolou seus dedos em meus cabelos.

–Eu engravidei, Damon — sua face demonstrava o quão impressionado estava — Fiquei desesperada é claro, era final de julho todos estavam de férias, nem Matt estava por perto para me ajudar e... Não tive outra escolha, a não ser contar a Stefan. — dei uma longa e necessária pausa — Ele me deu uma surra, é claro — ri sem humor nenhum de minha própria desgraça — Não só por eu estar grávida, mas por saber que o filho era dele — Damon trincou os dentes — acho que parte também por saber que aquilo só aconteceu por descuido dele, mas enfim... — senti que a umidade em meus olhos havia transbordado — Uma semana depois ele me obrigou a ir numa clinica onde já havia planejado o aborto. Mas, em momento algum eu queria, eu não tinha uma segunda opção ou outra pessoa, quando Matt chegou já estava nas vésperas... — minha voz falhou.

–Sou homem, infelizmente não sei o quanto isso dói — disse ainda acariciando meus cabelos e rosto — Sinto muito. Ah, Elena — enxugou minhas lágrimas — Gostaria de não ter prometido que não tomaria nenhuma atitude, porque, nesse momento, acho que seria capaz de matar o Stefan usando apenas minhas mãos.

–A culpa não é dele, no fim das contas — funguei — quando cheguei lá, acabei descobrindo que meu bebê já estava morto. — meu corpo inteiro tremia em função do que estava prestes a contar — Damon, eu queria que você não contasse isso para ninguém, ok? Todos que sabem que um dia eu engravidei, acham que eu abortei segundo a vontade de Stefan, e prefiro que continue assim — ele fez que sim com a cabeça — Obviamente, eu perguntei o porquê, o que eu havia feito de errado e... — chorei — a resposta que obtive foi que meu corpo não produzia o hormônio responsável em manter a gravidez, e... — não havia condições para que eu continuasse.

–Elena — começou puxando-me para ainda mais perto de mim.

–Desculpe... — disse — Uma das principais razões para que, de inicio, eu quis que você ficasse com Katherine é porque ela está de dando uma coisa que eu nunca vou poder te dar — tentei me afastar, mas ele não permitiu.

–Nunca? — o jeito com que ele pronunciou a palavra despedaçou meu coração em mil pedaços.

–Desculpa, por favor — chorei — Eu não devia ter escondido isso de ti, mas eu tinha medo que isso servisse de desculpa para nada acontecer entre a gente, e você também nunca comentou sobre um futuro...

–Shh, calma — beijou minha testa — Isso não é uma desculpa, nem argumento para que nada acontecesse, meu anjo. O fato de que você não pode me dar um filho não diminuiu nem um centésimo do que eu sinto por ti, é claro que me dói saber que eu nunca vou ter uma filha tão linda como a mãe, mas... — se sua intenção era destruir meu emocional completamente, ele estava conseguindo. — Não chora, por favor... Isso não é definitivo, existem meios e faço o que for para que você consiga levar uma gravidez até o fim. — assenti — Você não precisa cuidar de meu filho para...

–Mas eu quero, — engoli o choro — Nós podemos tentar fazer de tudo, mas isso não me da uma garantia de que vá funcionar; eu sei que sou muito nova e ainda estou na faculdade, tenho o trabalho e ... Enfim, mas posso me virar, acho que nunca superei aquela perda e sinto que ainda tenho um lado maternal.

–Acha? — riu — Dá para ver isso claramente ao notar como você é com a Maggie. — sorri brevemente.

–Então... — pigarreei limpando minha garganta — Eu já estava pensando nisso, desde que Katherine me perguntou, eu... — sacudi a cabeça negativamente.

–Sabe porque eu te amo tanto? — meu coração inflou. Mordi meu lábio e neguei num gesto rápido — Porque eu tenho certeza absoluta de que nenhuma outra mulher no mundo faria isso.

Abri um largo sorriso me sentindo honrada. Não que aquilo fosse uma novidade — sabia que ninguém seria capaz de, não só perdoar, mais assumir as conseqüências do erro como se fossem suas.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem por favor, não me deixem agora ç.ç Espero atualizar o mais rápido possível (dentro do possível, pois é). Amo vocês, viu?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.