Million Dollar Man
31 Capítulo 31 - Save me
Notas iniciais
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Vou adiantar: acontece >muita< coisa nesse capítulo, portanto: leiam com calma e sem ódio no coração, ok? E para o próximo: não criem muitas expectativas KKKK
AAAAAAAAAAAAh só 5 recomendações para 30, cadê vocês meninas? :C
Poupando John de uma cansativa viagem à movimentada Manhattan, fiz questão de aprontar-me para voltar para casa muito antes da meia noite. Matt andava despreocupadamente ao meu lado mantendo as mãos no bolso e encarando o chão se estivesse completamente alienado. O silêncio implantado entre nós começava a se tornar desconfortável à medida que nos aproximávamos da estação de metrô mais próxima ao cinema. Obsevei sua postura disfarçadamente e revirei meu cérebro a procura de algo que eu pudesse dizer.
-Pretende fazer alguma coisa no sábado à tarde? – quebrei, finalmente, aquele estranho silêncio com a pergunta aleatória. – Pensei em ir com April para o seu apartamento, acho que preciso de umas horas de boa conversa acompanhada de uma boa dose de hidroxila ligada a carbono.
-Sinceramente, acho que é o que todos nós estamos precisando. – deu uma breve risada – Caroline anda cheia de segredos e quando perguntei, disse que está esperando uma oportunidade para contar para todos nós de uma só vez – pausa – Sendo assim, posso comprar os ingredientes para uma lasanha também, o que acha? Invés de irem à tarde, vocês podem almoçar lá também...
-Seja honesto, está usando isso como uma desculpa para que alguém cozinhe para você, neste caso, eu – disse séria – Sei que Caroline não faz nada melhor que refeição instantânea.
-Talvez – admitiu fazendo uma careta divertida; eu ri alto, talvez até demais.
-Ok, não vejo problemas – dei de ombros – Preciso manter minha mente ocupada uma vez que estou seguindo o conselho de Caroline e me fazendo de forte, mas... Acho que em função disso estou ficando muito sozinha, mesmo que, no momento, vocês me achem chata e pegajosa, preciso demais da companhia de vocês – sussurrei.
-Hey... – Matt segurou-me pelo braço fazendo com que eu parasse de andar. – Se for para chorar, é melhor sairmos para sair à noite – disse calmamente – Tu sabes que odeio te ver desse jeito... E a pior parte que neste caso eu não posso fazer absolutamente nada.
-Não, não vou chorar – esbocei um sorriso convincente – Estou bem, de verdade, só preciso de companhia e distração para tirar o foco de algumas coisas que venho pensando ultimamente – cerrei os lábios.
-Não pense nessas coisas, seja lá o que for – gesticulou – Se você acha que está fazendo a coisa certa, estou contigo. Assim como Car e April. – sorri mais uma vez – Não se torture com lembranças, deixe isso para quando você estiver no leito de morte esperando por...
-Credo! – eu o interrompi. Ele soltou uma gargalhada.
-Olha, tenho noção do que você está sentindo, ok? – murmurou – Não queria tocar no assunto, porém você não está me dando muitas alternativas; Você é teimosa, estou te apoiando, mas até agora não vejo o porquê de tanta raiva. Ele não é perfeito, nem você. Se coloque no lugar dele por um instante... No dia em que Stefan te segurou no bordel e..., enfim, não preciso dar detalhes para que você se lembre – fiz uma careta – Imagine se Damon fizesse o mesmo que você, te deixasse lá por estar com raiva de saber que você transou, não só com um, mas com vários homens e...
-Não está ajudando – cortei seu discurso – Mesmo assim, nós não estávamos juntos. Caso eu quisesse transar com qualquer um, estava livre para isso. – Matt me encarou sério – É verdade! Se quer saber, a primeira vez que ficamos foi depois disso...
-Não é o que eu sei, mas tudo bem – Ah sim, Damon mentira para Matt, já havia me esquecido desse pequeno grande detalhe. – Acho que me expressei mal. O que quis dizer é que você é minha amiga e que me preocupo contigo, mesmo sendo exagerado às vezes... E ser seu amigo implica saber o quão cabeça dura tu és, depois que toma uma decisão, raramente volta atrás. E, Elena, não quero te ver triste, se for para você se isolar e ficar resmungando pelos cantos cabisbaixa, é melhor que você repense sua decisão.
-Ah, não sei de mais nada, sabe... – suspirei – Pensei muito nessas ultimas duas semanas, perdoar não seria algo muito difícil, mas estou muito magoada, Matt. Tudo bem eu admito, há coisas que nem você nem Caroline sabem... Nem o Damon sabe, talvez se ele soubesse entenderia minha raiva – mordi a língua. Não deveria estar falando sobre isso, pensei – Quero um tempo antes de sentar e conversar com ele decentemente, talvez um mês ou mais... Isso é, se até lá ele ainda queira olhar na minha cara.
-Você acha que aquele puto desistiria de você tão facilmente? Acho que você tem mel na... — dei-lhe uma tapa com força impendido que ele terminasse o que estava a dizer. Ele riu alto; encarei-o séria e depois de poucos segundos, respirei fundo rindo brevemente.
-Posso te pedir um abraço? – pedi num sussurro quase inaudível.
Sem verbalizar uma resposta, Matt envolveu-me com seus braços num caloroso abraço permitindo então que eu descansasse minha cabeça em seus largos ombros. Odiava admitir que estava sensível demais – sensível a ponto de ver naquele simples atos uma imensidão de sentimentos que não se passavam de pura ilusão. Odiava mais ainda o fato de deixar que aquela carência repentina fizesse com que eu deixasse que meus sentimentos se misturassem de maneira extremamente perigosa.
Mesmo sendo completamente impulsivo – e errado, sentia uma vontade sobrenatural de beijá-lo. Em meus pensamentos utópicos, parecia tão certo... Tão necessário, afinal, nada melhor do que um carinho para se esquecer de uma mágoa que lhe assombra dia e noite. Por outro lado, sentia vontade de me estapear com a maior força possível, sabia que se me permitisse beijá-lo uma vez sequer, daria uma impressão errada e acabaria por confundir e iludi-lo profundamente. Sendo honesta, o medo de machucá-lo era a única coisa que me impedia.
Fechei meus olhos em deleite ao carinho que ele fazia em minhas costas. Retribuí de bom grado seu afago e abri um leve sorriso de satisfação enquanto ouvia o som de sua respiração ir e vir vagarosamente. Seria egoísmo de minha parte jamais largá-lo? Sabia a resposta, mas mesmo assim, meu inconsciente fez questão de gritar para mim; resposta que me atingiu com um açoite doloroso. Resposta mesma que ignorei por completo.
-John vem encontrar contigo? – perguntou sem se mover ou interromper o ritmo de seu afago.
-Não, não quero incomodar. E, ainda está cedo. Estamos em Nova Iorque e ainda não se passam das uma da madrugada, o que mais têm por aqui são pessoas indo e vindo de casa para os bares e cinemas... – resmunguei.
-Trate de ligar quando chegar em casa, ok? – disse afastando-se. Assenti e me inclinei para depositar um demorado beijo em sua bochecha.
-Boa noite – sorri.
-Boa noite – respondeu e retribuiu o beijo, sua mão segundo meu queixo delicadamente – Até sábado.
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A manhã da minha tão adorada sexta-feira começou da pior maneira possível. Como se já não bastasse as mil e uma coisas que teria de fazer nas primeiras horas no escritório, teria que almoçar com Miranda e Grayson. Achando que não poderia ficar pior, poucos minutos antes de por os pés para fora do apartamento de meu pai, lembro-me de um pequeno trabalho que deveria entregar na faculdade na primeira aula do dia. Ah sim, claro, sem deixar de mencionar a dor de cabeça filha da puta que me assombrava depois da terceira noite mal dormida.
Não sabia ao certo se o trânsito estava mais insuportável que o normal ou se apenas era meu estresse dando as caras antes do horário previsto. Cheguei ao grandioso prédio por volta das nove da manhã, uma hora atrasada – ainda sim, antes de Damon, o que me deixou aliviada. Segui para meu escritório buscando não só isolamento de todo aquele ambiente maçante, mas também silêncio e paz. Por sorte, não havia reuniões marcadas para aquele dia.
Quando o relógio marcou onze horas em ponto recebi um breve telefone de Miranda adiando o almoço para às duas, o que não fiz comentários ou objeções. Não havia uma opção “não ir” para esse almoço. Revirei os olhos irritada com a ideia. Cerca de dez minutos depois três batidas monótonas na porta tiraram minha concentração do computador a minha frente.
-Katherine? – arqueei uma sobrancelha assim que ela esgueirou para dentro de meu escritório. Desta vez, ela não vestia roupas largas e estranhas. Katherine usava uma calça jeans skinny de lavagem clara com uma blusa cor-de-rosa cujo único detalhe era o pequeno decote em V. Não consegui notar nenhuma diferença em seu corpo que acusasse a gravidez; o máximo que se podia dizer era que ela havia ganhado alguns quilos extras.
-Você está muito ocupada? Queria conversar sobre algumas coisas que estive pesando – cerrou os lábios e deu uma longa pausa – E também queria me desculpar.
Por um instante, não soube o que responder. Massageei minhas têmporas com as pontas dos dedos enquanto discutir mentalmente comigo mesma procurando saber se aquele estresse valeria ou não a pena. Suspirei e fiz uma careta, quanto mais rápido você ouvir, mais rápido ela vai embora.
-Tenho um compromisso daqui a vinte minutos – menti evitando fazer contado visual – Seja breve.
-Primeiramente, quero te pedir desculpas por estar causando todo esse transtorno – abaixou a cabeça. Apoiei minha meus cotovelos sobre a mesa e cruzei as pernas – Também quero que saiba que meus problemas contigo ficaram no bordel, não quero que você misture as coisas. – Ok, não terminaríamos aquilo em vinte minutos.
-Senta – murmurei. Esperei que ela o fizesse para só então continuar. – Nunca soube quais eram seus problemas comigo, então... Tudo bem – dei de ombros. Tudo bem? Foda-se, já não importava mais. – Não estou misturando as coisas, se é que isso é possível – franzi o cenho pensando no que havia falado.
-Elena, vou ser sincera, ok? – assenti. – Eu amo o Damon, e eu acho que não preciso dizer isso porque, caso contrário, não faria metade do que já fiz. Mas acho que também não preciso dizer que isso não é algo recíproco, para ele eu não passo de um objeto sexual e esse é o único motivo pelo qual nos transamos, não existe nada, absolutamente nada entre a gente, talvez agora ele me odeie, mas isso não conta. Se quer saber, acho que se eu não tivesse contado, ele não se lembraria até agora – passou a mão por seus cabelos num ato de nervosismo. – Eu tinha inveja de você, acho que isso foi o suficiente para não pensar duas vezes o vendo daquele jeito.
-E mais uma vez eu te pergunto, porque você veio aqui contar tudo isso para mim? Não quero ser grossa, mas, nada disso vai mudar o que aconteceu, aliás, nada disso vai me fazer mudar de ideia, se é para se desculpar, ok, eu te perdoo. – disse de uma só vez – Não quero saber dos detalhes, por favor, e não precisa dizer que vocês não esperavam que isso acontecesse porque já ouvi isso duas vezes – respirei fundo tentando recuperar o fôlego. – Sinceramente, não vejo motivo para você ter inveja de mim – abri um sorriso duro – Damon deixou bem claro quando terminamos o quanto era difícil abrir mão toda parafernália sexual que ele tem, então acho que entre nós duas, você ainda esta na vantagem.
-Você é louca? Porque você acha que ele te tiraria do bordel, então? Para lhe dar trabalho, tento que tomar conta de uma drogada vinte e quatro horas por dia para se assegurar que ela não escapulisse para satisfazer seu vício... Para lhe dar o trabalho de perder noites de sono te dando conselhos ou... Você acha que eu não sei? – riu friamente – Não seja idiota, se ele não gostasse de ti, você estaria na rua até agora. E, cá entre nós, o conheço há muito mais tempo, para ele abrir mão de uma coisa sequer, é porque tinha mais do que uma atração por você – sacudiu a cabeça negativamente aparentando estar incrédula. Ergui uma de minhas sobrancelhas e continuei a encará-la. – E porque aceita meu pedido de desculpas, e não aceita o dele?
-Espera, ele pediu para você vir aqui, não foi? – deduzi. Mas aquilo era óbvio! – Talvez porque você não goste de mim, já até admitiu isso – dei de ombros – Seria muito fácil esperar isso de ti, agora de uma pessoa quem você deposita toda sua confiança, hm, acho que não. – sorri sem humor.
-Não – alterou sua voz – Ele sequer queria me deixar vir aqui, acho que ele entendeu bem o recado de não te procurar mais. – deu de ombros – Idiota. Não quero fazer fofoca, mas o que foi que disse para ele? Aliás, não me conte – gesticulou. Como se, de fato, eu fosse contar alguma coisa. – O fato é, não foi isso que vim discutir contigo. Já pedi desculpas e, para minha surpresa, você não me chutou – arqueou uma sobrancelha – Obrigada.
-Ok – olhei para o relógio. Havia lhe dado vinte minutos mesmo sabendo que aqueles não seriam o suficiente – Você já excedeu cinco minutos do seu tempo, seja rápida ou vou me atrasar.
-Sei que você não tem nenhum compromisso – revirou os olhos – Caso tivesse, Damon saberia e não me deixaria vir – pausa – Mas, é questão é: eu já lhe disse que não quero essa criança e quando disse que não quero, é porque não quero mesmo, Elena. Se Damon me escutar falando isso, ele é capaz de me enterrar viva assim que o bebê nascer. – desviou seu olhar para o chão – Você sabe como Stefan é, e, a essa altura, creio que você também saiba o único motivo pelo qual nos casamos. Não tenho nenhuma família aqui que possa estender a mão para mim, não que se estivessem fossem fazê-lo, porém... Já fiz merda o suficiente para toda uma vida, não acha? – assenti com um sorriso duro. – Quero voltar para a Inglaterra, terminar a faculdade e sumir da vida de vocês.
-Ainda não entendi aonde você quer chegar – respondi seca.
-Não disse exatamente o que eu quero de ti – Ah, sim, ela ainda queria alguma coisa de mim. Esperava de tudo, menos que Katherine fosse algum tipo de piadista – Pensei que talvez você aceitasse... Melhor, que você o criasse como um filho sabe – cerrou os lábios. Arregalei os olhos em surpresa – Pode parecer absurdo, mas essa foi a primeira saída que vi. Não quero fazer um aborto, mas dependendo do rumo que as coisas tomarem não vejo outra escolha.
-Você ficou loca?! – invés de um grito, minha voz soou estrangulada e aguda – Você sabe quantos anos eu tenho para simplesmente brotar no meu escritório atrás de soluções dos seus problemas e me oferecer uma criança para cuidar? – era ainda mais inacreditável quando dito em voz alta – Não parece absurdo, é um absurdo. Eu não tenho nada a ver com a irresponsabilidade de vocês, portanto, não me meta nisso.
-Não precisa se alterar, só pensei que... Aliás, não sei porquê pensei nisso, foi só uma decisão desesperada – admitiu.
-Então você vai...? – não consegui simplesmente ignorar o que ela havia falado.
-Não sei, digo, Damon me mataria. Mas quem se importa? Entre não poder dar tudo que uma criança precisa e tirá-la antes que ela possa ter noção que existe não sei o que seria mais sábio. – cruzou os braços fortemente.
-Em algum momento passou por sua cabeça que Damon não deixaria que faltasse nem mesmo as coisas mais fúteis e dispensáveis? Faça-me um favor, Katherine – passei minhas mãos trêmulas de nervosismo por meu cabelo ligeiramente embaraçado – Já o vi perto de uma criança e te garanto que nem mesmo atenção faltará – suspirei – Mas pense muito bem na merda que você vai fazer, o único inocente no meio disso tudo é esse bebê e tenho para mim que seria desumano demais... – não terminei – Não só isso, daqui a um mês você pode se sentir aliviada por fazer isso, como se tirasse um grande peso de suas costas, mas, daqui a um ou dois anos, vem a culpa, e essa, não passa. Nem que você tenha quatro ou mais filhos depois... – dei uma pausa – Isso é, se depois do aborto você continuar fértil.
-Mas... – parou por um instante – Impressão minha ou você acabou de dizer que depois...? – não terminou sua frase. Ergui uma sobrancelha como resposta e mantive minha expressão séria; foi o suficiente para que ela entendesse o recado. – Não sabia, eu... Ai – agitou as mãos num ato de nervosismo – Porque Damon não me falou isso? Juro que eu se eu soubesse não teria vindo aqui, eu... Agora me sinto ainda mais culpada – choramingou. Continuei a encará-la sem nada dizer. – E nem assim você pensaria no que eu te disse? Por favor.
-Eu tenho dezoito anos, Katherine. Dezoito – disse pausadamente – Mesmo sendo essa minha situação, não planejo fazer um tratamento ou uma adoção em menos de dez anos. Eu quero, melhor, preciso estabilizar minha vida. Tenho a faculdade agora, e depois já tenho minha irmã que muita das vezes sinto como se fosse minha filha. Não tenho cabeça ou maturidade para lidar com esse tipo de responsabilidade agora – usei de toda minha sinceridade – Damon não te contou que eu não posso ter filhos porque ele não sabe, e espero que ele continue não sabendo. – lancei-lhe um olhar sugestivo. A surpresa mais uma vez assombrou sua expressão – Escuta Katherine, — respirei fundo – Não sou ninguém para falar isso, mas não pense em você quando estiver prestes a tomar essa decisão. Lembre-se de que é uma vida, e acima de tudo, lembre-se que é a vida de seu filho, entendeu? Nem que seja por um minuto, pense em como ele ou ela vai estar daqui a alguns anos... Tenho absoluta certeza que sua opinião a respeito disso vai mudar. – encarei o chão – Era só isso? Não tinha um compromisso, mas agora eu realmente preciso sair para tomar um café.
-Sim – suspirou. Coloquei-me de pé e peguei minha bolsa sobre a mesa. Gesticulei para que ela saísse e a acompanhei deixando o escritório vazio.
Cumprimentei as secretárias atrás do balcão do saguão principal e pedi que uma delas avisasse Damon que estaria fora por alguns minutos – arrependi-me amargamente de não ter dito horas. Aquela doce conversa me daria o que pensar durante todo o fim de semana; gemi em desanimo dando adeus a outra noite de sono. Saquei o telefone em minha bolsa e disquei o número de Matt que se encontrava no topo da lista.
-Obrigada por me acordar – atendeu sonolento após o terceiro toque.
-Não está trabalhando? Mas que imprestável – brinquei.
-Hoje é minha folga – bocejou. Ok, agora podia me sentir um pouco culpada. Olhei para o relógio; onze e meia da manhã. Ou não.
-Você ficaria muito chateado se eu desmarcasse nosso almoço de amanhã? – mordi o lábio – Nem falei com April ainda, e, que fique entre nós, não estou muito bem – era quase verdade.
-Tudo bem, podemos fazer isso no domingo – não era a resposta que eu queria. Um “fica para a próxima” estava bom.
-Ok – suspirei. Atravessei a movimentada rua depressa sem prestar muita atenção – Vou passar no seu apartamento hoje a noite, — assim teria uma desculpa para desmarcar no domingo – Vou direito da faculdade, logo, deixe a chave debaixo do tapete caso eu consiga chegar primeiro que ti.
-Pode deixar – disse e desligou.
Damon Salvatore Narrando.
O toque estridente de meu celular tocou expulsando qualquer vestígio de sono que pudesse restar em mim. Com certa lentidão, sentei-me na cama e tateei a mesa de cabeceira a procura do aparelho. O relógio do mesmo marca três e vinte e sete da manhã; o identificador informava-me que quem ligava era Stefan. Arqueei uma sobrancelha ainda meio desorientado, Katherine com problemas, esse era o único motivo para uma possível ligação.
-Damon? – disse antes mesmo que dissesse alguma coisa.
-O que houve? – minha voz estava mil vezes pior do que imaginara. Pigarreei e acendi o abajur mais próximo.
- Elena está aqui – trinquei os dentes ao digerir a informação. – Poupe-me de sua raiva e chilique, apenas telefonei porque não sabia quem informar. Antes que pergunte, não, ela não veio para o bordel, eu a trouxe.
-Porra, e posso saber o porquê de você a levar para esse lugar imundo? – a raiva tomou minha circulação expulsando toda sonolência.
-Talvez porque eu quisesse ser uma pessoa legal. – deu uma pausa. – Estava voltando para cá quando a vi na estação sozinha... Depois percebi que ela não estava sozinha. Elijah estava a seguindo e, bem, só Deus sabe o que aconteceu, ela não abre a boca para falar nada. Desde que chegou está encolhida encarando o chão.
Aquilo foi o suficiente para despertar um ódio sem tamanho dentro de mim. Lembrava-me claramente de Elena ter mencionado este cara... Lembrava-me quão assustada e sensível ela ficara após chegar em casa. Respirei fundo e coloquei-me de pé, com raiva ou não de mim ela teria que me deixar ajudá-la. Andei de um lado para o outro no quarto procurando o que vestir e calçar.
-E você não viu nada? – passei a mão furiosamente por meus cabelos.
-Ele estava tentando beijá-la e... Enfim, não preciso dar detalhes, mas acho que ela, tento o histórico que tem, deveria andar sozinha por aí depois da uma da madrugada. – ouvi a voz de Katherine do outro lado da linha – Ah sim – respondeu a ela – Talvez você não queira vir, mas, ligue para alguém que possa vir apanhá-la, não creio que ela esteja em condições de ir sozinha.
-Não, não, já estou a caminho – desliguei o telefone para ser mais ágil vestindo minhas roupas.
Não sabia sequer o que estava fazendo, ora estava chegando em minha garagem, ora estava descendo de meu carro diante a familiar fachada empoeirada do Motel de Stefan, tudo como um piscar de olhos. Não lembrava nem se havia me vestido corretamente, tive que me certificar que não havia esquecido nada antes de adentrar o estabelecimento: tudo em seu perfeito lugar.
-Onde ela está? – perguntei batendo a porta depois de entrar.
-Katherine conseguiu acalmá-la, mas... – Stefan coçou a cabeça – Não sei cara, ela está muito quieta, não quer comer nada, não quer beber, não chora, não grita... Acho que você devia avisar os pais dela e levá-la para sua mãe, talvez tenha acontecido alguma coisa.
-Eu perguntei onde ela está – repeti com raiva.
-No quarto onde ela se trocava, — olhou-me de esguelha – acho que você sabe onde é.
Subi as escadas de dois em dois degraus e praticamente corri por todo o corredor que levava até a outra escada. Uma vez no salão manchado de fortes tons de vermelho, andei em passos largos cruzando todo espaço restante até a porta. Sem bater ou avisar, entrei no pequeno quarto e só então percebi que Stefan e Katherine estavam aos meus flancos.
Um arrepio aterrorizante desceu por minha espinha quando encontrei o olhar de minha morena. Seus olhos estavam frios e olhavam fixamente para o chão gasto de madeira; suas mãos estavam sobre seu colo com seus dedos entrelaçados enquanto seu cabelo encontrava-se completamente bagunçado e embaraçado. Suas bochechas brilhavam na pouca claridade deixando claro que seu choro não fora completamente cessado.
Troquei um rápido olhar com Stefan e Katherine que deram de ombros como se não soubessem que resposta eu procurava; nem eu mesmo sabia. Avancei dois passos e analisei-a novamente procurando por algum sinal de agressão física; fiquei grato por não encontrar nenhuma marca ou sequer arranhão. Um item a menos a ser acrescentado na lista negra intitulada com o nome daquele canalha, pensei com ódio.
- O que aconteceu? – perguntei ajoelhando-me ao seu lado de maneira que minha altura se igualasse a dela. Elena continuou encarar o chão e nada respondeu. – Hey – sussurrei alisando levemente seu braço. Desta vez, ela lançou-me um olhar frio e se remexeu esquivando-se de meu toque. Cerrei meus lábios; aquilo seria ainda mais difícil do que eu imaginara. – Elena, não vim aqui para discutir nenhum dos meus problemas contigo, por favor, não faz isso – disse calmamente – Stefan me contou o que houve e só estou aqui para te levar para casa – um nó se formou em minha garganta – ou para delegacia, se preferir.
-Você está louco? – berrou Stefan – Elijah merece mesmo uma boa surra ou quem sabe até um sumiço, mas se ela faz uma denuncia, – ergueu uma sobrancelha olhando para mim e para Elena em seguida – ele fala o que ela era há um tempo e como consequência, onde ela trabalhava. Ninguém fica bem com isso.
-Foda-se você e o bordel – franzi o cenho antes de voltar minha atenção para Elena – Não precisa ter medo, se quiser mesmo denunciá-lo, arrumo um bom advogado para ti e tudo fica sob total sigilo, ninguém precisa saber porque isso começou. – Seus olhos estavam ligeiramente arregalados e marejados... Céus, como ela estava assustada. Fato que, diante do ocorrido, só tornava meu ódio algo mais difícil de controlar.
-Mas – começou. Sua voz soou fraca e trêmula – Eu... Eu não sei – fungou – Podemos fazer isso amanhã? Não consigo nem pensar... – desviou o olhar – Não acho que eu consiga falar sobre isso agora – engoliu a seco.
Cerrei o punho. Então de fato o pior havia acontecido. Não fazia ideia do tamanho da ira que bloqueava meu raciocino; apenas pedia a Deus para que não encontrasse com aquele projeto de ser humano na rua ou em qualquer outro lugar, caso isso ocorresse, não havia dúvidas de que eu perderia a cabeça. Seus olhos, sempre vibrantes e calorosos, agora estavam mergulhados em lágrimas que ela lutava para esconder. Meu rosto, assim como todo o resto de meu corpo, se aqueceu como consequência da adrenalina que corria em minhas veias.
-Onde isso aconteceu? Que horas? Onde... Para onde ele estava indo? – perguntei para Stefan com a voz carregada e ódio.
-Já disse, na estação de metrô do Brooklyn, não sei o que ela estava fazendo lá, mas Elijah encontrou um novo bordel nas redondezas, acho que... – ele sacudiu a cabeça negativamente.
-Acho que eram duas e meia – Elena balbuciou – Ele mora no subúrbio de Manhattan... Devia estar indo para casa – encolheu os ombros.
-Você sabe onde esse filho da puta mora, não sabe? – perguntei sem medir as palavras. Elena encolheu os ombros e fez que sim. – Então trate de me dizer, tenho uns assuntos inacabados para...
-Damon – ela chamou com mais firmeza.
-O que pretende fazer? – Katherine quis saber. Sua expressão era uma máscara cética e um tanto irritada.
-Você sabe que tenho contados – saquei o celular em meu bolso – Não sujaria minhas mãos ou meu nome com um merda desses.
-Damon, por favor – Elena choramingou. – Não tome uma iniciativa de cabeça quente, nada que você fizer vai mudar alguma coisa.
-Não vai mudar? – gritei dando adeus a todo meu controle. – Elena eu não quero detalhes do que ele fez, mas o simples fato de ele ter te beijado contra sua vontade já é o suficiente para que eu dê meu jeito e suma com o corpo dele da face da terra – Stefan e Katherine se entreolharam por um breve segundo – Ele mexeu contigo, ele tocou em você, ele... Porra, é impossível para você ver o quão difícil isso é? Não só para mim, especialmente para ti, e, no entanto, você está apelando para que eu não tome uma atitude de cabeça quente? Tenho certeza absoluta de que se eu esperar dez anos para tomar uma atitude não mudaria o nível do estrago. – ela abaixou a cabeça. Suspirei e reduzi minha voz a um sussurro – Posso não estar contigo como namorado ou... Mas isso não me impede de me preocupar com o que venha a acontecer a ti, anjo – dei uma pausa – Tu sabes que nunca deixaria homem nenhum encostar um dedo sequer em você e isso não mudou, ok? Ninguém tem o direito de fazer isso, e não vai.
-Posso te pedir uma coisa mesmo que isso pareça muito estranho? – vê-la naquele estado fazia de meus ossos pó num milésimo de segundo. Assenti respirando fundo – Você pode me abraçar? Eu... –ela sacudiu a cabeça negativamente — Não, esquece.
-Ah – foi o máximo que pude dizer. – Vem cá – estendi o braço para alcança-la e em seguida fiz com que ela se levantasse do puído sofá para que eu a envolvesse em meus braços. Deixei que ela repousasse sua cabeça em meu ombro deixando toda a tensão libertar seu corpo em forma de um choro silencioso, porém continuo. Hesitei ao alisar seus cabelos e costas num gesto de conforto e apoio. Seus braços apertavam minha cintura fortemente impedindo que eu me movesse, não que tivesse a intenção de fazê-lo. Inalei o perfume convidativo e adocicado, céus como eu sentia falta daquilo... Havia se passado quanto tempo? Um ano? Apenas duas semanas. Sua pele macia e morna sob o toque de meus dedos causavam um efeito ainda maior do que os que eu me lembrava... Aquilo era possível? Era claro que sim, idiota era eu.
-Obrigada por ter vindo – sussurrou sem se afastar. – Mesmo depois de... – não terminou a frase. Apenas assenti e voltei a acariciar seus fios lentamente — Enfim, isso não vem ao caso agora. – resmunguei concordando. Ela deu uma pausa – Tenho que ligar para meu pai e... Necessito tomar um banho – choramingou.
-Vamos fazer assim – tentei manter a calma ao falar – Te levo ao meu apartamento, você toma um banho, bebe uma água com açúcar e, enquanto isso, eu explico para o seu pai o que houve. – pausa – Pode ser? – ela cerrou os lábios e pensou. Sem dizer nada, ela apenas assentiu voltando a esfregar os olhos úmidos.
-Tudo bem. – sussurrou – Acho que esse lugar não está me ajudando, também – fungou. Concordei soltando um suspiro pesado.
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